FORÇA MORAL DE OBAMA: 'I SCREWED UP'



É um facto que o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama se esforça por emanar uma imagem irrepreensível do ponto de vista ético, sua e de todos os seus colaboradores. Só uma Administração limpa aos olhos e ao escrutínio apurado dos media e dos cidadãos merece acatamento nas medidas mais exigentes que deseje implementar. Se o proteccionismo económico será uma constante, no comércio do Aço, por exemplo, está por determinar se tal retracção servirá de todo os interesses dos EUA ou pelo contrário não fará reproduzir-se esse exemplo noutros actores globais bloqueando o comércio internacional e agravando a Crise ainda mais. Regressando a Obama, pelos sinais dados, a elevação moral é uma constante e por isso nunca veremos ali um esforço reles por se manter à tona do poder, apesar de evidências clarificadoras quanto ao carácter espertoso e esgueirante de uma licenciatura faxiana, quanto ao arranjismo bravio de assinaturas com simultânea assunção indevida de projectos indevidos, de habilidades supersónicas de aprovação de um megaprojecto estrangeiro colidindo em interesses ambientais nacionais, nunca veremos ali alguém incapaz de pedir desculpa por excessos de poder, por aldrabice reiterada, por um desleixo deliberado para com as pessoas mais desprotegidas, mais débeis, mais relegadas da sociedade. Por isso mesmo, é bom sinal que, em plena segunda semana de mandato, Obama tenha feito na noite de terça-feira um público e repetido “mea culpa”, admitindo “ter errado” nas nomeações de duas figuras de topo da sua nova Administração - ambos tendo-se demitido por razões de falhas nos pagamentos de impostos. Não era o ciclo noticioso que a recém-empossada Casa Branca pretendia ter quando marcou para Obama, na noite de ontem, cinco entrevistas televisivas, com estes casos, acabando por desviar as atenções do plano de recuperação da economia – de quase 900 mil milhões de dólares – pretendido pelo chefe de Estado. Eis um sintoma de que Obama quer contrariar toda aquela imagem deixada pelo consulado Bush de uma América profundamente injusta e desigualitária, fatalista no reforço dos lucros dos mais ricos, indiferente ou incapaz de sancionar os CEOs de bancos falidos ou pré-falidos com prémios de actividade e vencimentos desmesurados e portanto ultrajantes. Por cá os políticos do Oco, para além de slogans e tiques obamanianos, ainda não se encontraram a si mesmos na transparência e ainda não se re-descobriram nesta dimensão de profunda consciência ética e de profunda reverência pelos eleitores a quem devem servir com zelo e os quais, quando votam, põem e dispõem. Por cá sobejam os exemplos de que os políticos em funções executivas, como outrora Correia de Campos, comportam-se mal na forma e no espírito das medidas, embora sejam técnicos reputados. Talvez por isso mesmo não caibam em si quanto a uma autossuficiente arrogância. Conforme se pode ser no First Read: «Obama said he was "angry and disappointed" to lose Daschle and Nancy Killefer, who also withdrew her nomination today over a failure to pay some taxes. And the president also took part of the blame. "I appointed these folks. I think they are outstanding people. I think Tom Daschle as an example could have led this health-care effort ... better than just about anybody," the president remarked. "But as he acknowledged, this was a mistake. I don't think it was intentional on his part but it was a serious mistake. He owned up to it and ultimately made a decision that we couldn't afford the distraction, and I've got to own up to my mistake which is that, ultimately, it's important for this administration to send a message that there aren't two sets of rules -- you know, one for prominent people and one for ordinary folks who have to pay their taxes." Obama later added, "I'm here on television saying I screwed up, and that's part of the era of responsibility. It's not never making mistakes; it's owning up to them and trying to make sure you never repeat them and that's what we intend to do." He also offered one more mea culpa: "[S]o, did I screw up in this situation? Absolutely and I'm willing to take my lumps, you know that's part of the job here. But I think it's important not to paint a broad brush here, because overall, not only have we gotten in place a -- functioning government in record time -- but overall the quality of [the other appointments] are outstanding."».

Comments

Proteccionismo económico? Pois, mas que fará Obama se a China começar a vender US dólares que tem excesso, e deixam de ser necessários?
antonio ganhão said…
"Só uma Administração limpa aos olhos e ao escrutínio apurado dos media e dos cidadãos merece acatamento nas medidas mais exigentes que deseje implementar."

Isso só mesmo nos Estados Unidos! Por cá basta atacar os professores, médicos e juízes e ganha-se o cunho de reformista sem alternativa à vista!

Quanto à venda de dolares por parte da China faz lembrar aquela do petróleo passar a ser negociado em euros... enfim!
Diogo said…
Dois pedidos de desculpa em duas semanas... Faz lembrar a historia do Pedro e o Lobo ainda que em moldes diferentes. A este ritmo daqui a umas semanas bem pode ir continuando a pedir desculpas por tudo o que prometeu ou deixou subententido como promessa e nao sei se alguem lhe continuara a ligar. Excepto,claro, os que muito nele apostaram, la e ca (este pc nao faz pontuacao!). O que eu sei e que se trata de um abortista e que se faz pasar por religioso. Digam me que religiao no mundo defende, minimamente que seja, o aborto. A ao ser que pretenda fundar uma nova. Conceteza mais no campo das seitas.

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