SALAZARIZAR TODAS AS COISAS?

Basílio Horta, presidente da Agência Portuguesa para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), numa manifestação de candura comovente, comparou hoje a crise internacional a um "abalo de terra" contra o qual não se vislumbram soluções: "É uma crise gravíssima, quase como um abalo de terra, que está a gerar uma angústia profunda, porque não sabemos o que havemos de fazer mais". Não é isto o que hordas de recém-desempregados querem ouvir nem é isto que empresários, com alguma ética social, dinamismo e capacidade inovatória, aguardam por escutar e muito menos o que desempregados de longa duração antecipam. O que todos nós contamos saia da boca do Dr. Basílio Horta, no seu gabinete forrado a cetins e sedas, repleto de bons couros e boas madeiras, com charutos cubanos e bom whisky para convidados, é que diga o quanto se está a fazer tudo o que é possível e ainda mais. Naturalmente, sabemos que a dele é mais uma daquelas vozes bem untadas que aponta o grande timoneiro e salazarizante Sócrates como o bom tutor da Pátria. Se lhe estivesse na massa do sangue sê-lo, todos o reconheceríamos. Mas não. Aquilo é um antro de podridão, de maus desejos, de incompetências grosseiras, de governo só para os ricos e poderosos e pelos ricos e poderosos, só para os amigos, aquilo é paradigma velho ultra-direita e ultra-liberal do salve-se quem puder que 'eu-Sócrates' bem me tenho acautelado em off-shores e entre amigos poderosos, aquilo é ultra-distância-nojo das pessoas e dos seus problemas concretos, é um desprezo olímpico por gente gordurosa e mal-cheirenta, aquilo é uma falta de carácter completo, um gosto de urdir no aparelho, de intimidar e de promover contra o País a campanha negra de ser péssimo a governar. Foi ainda por cima no Porto, à margem de uma conferência sobre as relações económicas Portugal-Angola que, pelo contrário, lhe ouvimos, ao gentil Basílio, que "a crise é tão grave que é quase uma emergência", sendo necessário uma "solidariedade nacional" e um "consenso nacional" para a enfrentar, deixando de lado as diferenças partidárias: vejam lá isto! Como que a dizer, o consenso é unilateralismo, são as ideias despesistas do Querido Líder e entachante de tantos, submetam-se ao Leme Partido do Grande Sócras, deixem de pensar, ele pensará por vocês. E acrescentou: "Esta crise só se vai resolver com os Estados Unidos, a China, a Europa e os países produtores de petróleo. Agora é a época das ideias, dos projectos, da política". Como está grato ao PS este Basílio que, tal como o seu Mentor, Sócrates, não sabe o que mais há-de fazer!
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