FÚRIAS TARDIAS
1.º de Maio. As pessoas chegam às avenidas, enchem as ruas e, mal começa chover, dispersam-se, encolhem os ombros e voltam à resignada escravidão de onde provieram. Levam os fatos de homem-aranha, levam os tachos, levam os chapéus exóticos e os cartazes cortantes. Humilhados chegaram. Humilhados partiram. Em cada rosto, e são tantos, o mesmo desrespeito desprezivo a que o Poder Político longamente os votou, alimentando-os a pão-de-ló defraudado e a fraude grossa num atrevimento infinito. Vai ser preciso muito mais que discursos inflamados de última hora e fúrias tardias, como as de Carvalho da Silva. Urgirá bem mais que as fúrias mansas de João Proença. Tiros no ar, basicamente. A longa noite do fartar vilanagem socratista, essa foi longe de mais e continuará intacta, se não for feita justiça e se a verdade toda não reluzir em pleno dia ao longo das próximas semanas. Para discursos vagos, convenientemente ambíguos, e tiros na água bastam os de comentadores a soldo como os Santanas e os Pachecos. Há demasiado medo nas vítimas e demasiado desprezo por parte das elites para com o folclore das ruas. Trabalho prioritário é libertar Portugal de vilões e seus acólitos. Prisão a quem fez por ela.

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Comments
http://www.youtube.com/watch?v=Q_qGldzphcI
do desempregado de longa duração.
os dirigentes parecem o Matusalém.
todos os dias é o dos filhos da mãe