MARINHO E PINTO PINTA E BORDA
Mais um texto absolutamente lamentável do Bastonário no JN, uma vez que a melhor forma que encontra para deplorar o estado deplorável da democracia parece ser rebaixar o papel do voto e, no caso de Marinho, o voto é Sócrates. De que lhe vale passar o tempo a apontar genericamente o dedo e a generalizar acusações, nivelando por baixo a classe política? Vale-lhe a batida amizade ao socialismo-socratismo, grato a quem o respalda. Ora, neste momento o principal móbil e álibi para uma defesa acérrima do socratismo que Marinho e Pinto pinta e borda consiste em apelar à mais sorna abstenção-absolvição do mesmo socratismo: não votar ajuda. Apelar por todos os meios disponíveis à neutralização do voto para que a lepra acabada da vida política nacional, sistema falsificador que nos conduziu, sem remorso, ao ponto da capitulação, ao estado de joelhos, sobreviva impune na sua fealdade moral e política. O que diz o preboste Marinho? O costume. Acusa a democracia, acusa os burocratas, acusa, acusa e acusa. O diagnóstico até se subscreve, mas neutraliza-se imediatamente porque não concretiza nem pessoaliza ou personaliza quaisquer responsáveis. Assim é fácil. Grave é que se desmobilize o eleitorado apenas para reforçar a habitual fraca legitimidade dos eleitos e alentar as pretensões esquivas do Partido Socialista, onde se concentra o voto imbecil e imbecilizado, absoluto putrescente culpado da degradação vigente: «Nunca umas eleições serviram para tão pouco, nunca a desinformação e a alienação foram tão grandes como hoje. O verdadeiro sobressalto cívico capaz de gerar novas alternativas democráticas pode começar agora, não com um movimento de revolta contra a democracia, mas com um simples gesto de recusa deste pântano em que nos atolaram. A culpa deste estado de coisas não é da democracia mas dos democratas que se apresentam às eleições. Por isso, dizer não a esta farsa eleitoral pode ser o primeiro passo para que o barco mude de rota. Porém, se os portugueses, mais uma vez, quiserem apenas substituir a tripulação, então votem, mas depois não se lamentem.» Tudo ao contrário, caro TIR-Sem-Travões-Marinho. Nada mais nocivo que este tipo de caminhos ínvios, inoculadores de desesperança e caucionadores da loucura fascizante do Primadonna e de quem o agarrar. Ele há doudos, meu Deus!
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não pensa, limita-se a reproduzir