sexta-feira, novembro 30, 2007

SALVOS NA ESPERANÇA - NOVA ENCÍCLICA PAPAL


O que ouvi de esta recentíssima Encíclica, Spe Salvi,
agrada-me por demais: o tema da Esperança Cristã
é uma das matrizes do meu espírito e da minha história pessoal.
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Em tempos como este, que assistem ao triunfo de sofisticadas formas de explorar
a grande massa dos novos escravos, ao triunfo despudorado e galopante
de sistemas pútridos sem rosto ou cujo rosto é o Dinheiro,
e a Ideologia o Capital,
é importante que se recoloque o tónus
numa responsabilidade mais lata, transcendente,
sob cuja matriz toda a Carne
será sujeita, Um Dia, à prestação de contas.
Dia tão breve quão brevíssima é a passagem-sopro de cada qual
sobre esta Terra, que parece tão perene
e é tão-só Tenda Provisória
antes da catabase de Outra Coisa.

GRAVE GERAL


Seja pelo assédio continuado aos nossos magros bolsos 2,1%,
seja pela compressão desumanizadora
com que nos comprimem de encargos burocráticos
onde toda a nossa acção é de proximidade humanizadora,
de enquadramento dos saberes pela mediação dos afectos
ou afinal o que é ser Professor?,
respondam vocês que vos afadigais a famigerar de infâmia
a outrora prestigiosa e famosa profissão?,
seja pelas cotas com que nos pretendem abusar de aleatório avaliativo,
as cotas de 'Excelente', as cotas de 'Suficiente', as cotas de 'Insuficiente',
estamos e estaremos em Greve até que a voz nos doa.
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Pela parte que me toca, estou em Grave.
Grave é o que sofro às mãos sofredoras do trabalho para que me vocaciono, o Ensino.
Grave é ao que tenho de me submeter compensatoriamente nos part-times
que houver para fazer face à sustentabilidade da minha vida familiar e profissional.
Grave é não me chegar o dinheiro com que me chago e sacrifico
para pagar caro o caro que é tudo, por muito que me contenha e sacrifique.
Grave é ter mais de uma década a coleccionar
toda a espécie de subespécie em matéria de precaridade.
Grave! A minha vida é um Grave Geral que olha outras Graves Gerais
como eu, provisórios e precários, como eu, endividados e aflitos, como eu.
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O meu olhar agrava-se de perplexidade em face
da tecitura injusta e assimétrica de que se faz a sociedade portuguesa,
feliz e avançando, mas para indiano e estrangeiro ver.
Qual a vantagem de tanta desigualdade e esmiframento dos pequenos
para o conjunto da economia portuguesa?
Se o dinheiro é de poucos, se o dinheiro não circula senão pelo poder de poucos,
em última análise toda a economia vai paralizando e estagnando.
É grave, muito grave, que, na verdade, em Portugal a riqueza produzida
não se partilhe nem se distribua.
Para que este Grave cesse a sua Gravidade galopante será necessária
uma completa Revolução de Criatividade,
uma Criatividade gerada
a partir do mais completo sofrimento social vigente.

quinta-feira, novembro 29, 2007

MINHAS DISFORIAS. MINHA EUFORIA


Depois de um dia de trabalho com 24 horas de acção e actividade plenas,

entre duas horas totais de autotransporte,
momentos bruscos e curtos de mais para a ingestão de algo vagamente alimentar,
aulas a doer e, finalmente, a madrugante vigilância no Pub do costume,
compreende-se que me sinta agora mesmo como que um soldado
acabadinho de sair de uma trincheira de Verdun,
e logo varado, antes e depois morituro,
mas moribundo já.
Agora só com muito e compensatório sono ressuscitarei para batalhas semelhantes.
Mas compreendo de igual modo que as minhas madrugadas
se tornem absolutamente explosivas para o acto da escrita,
o que me agrada e compensa sinceramente.
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Todos os indivíduos que dançam lá atrás,
ou então diante de mim, quando me ponho do lado de dentro,
a sua exaltação dos sentidos, o seu álcool-bebericar em abandonos,
a testosterona que transborda, tudo isto eu capto e absorvo,
tudo isto converte-se-me numa fúria escrevente e permite-me afirmar,
categórico, o quanto cada uma e qualquer de estas madrugadas
me acorda um intenso desejo de expressão,
uma expressão apolvorada, cáustica e doce,
perdoante e impiedosa.

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Os exorcismos que então me acontecem em verbo
fazem-me crocante e pétala em musgo.
Como sou feliz no acto redentor da escrita!
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Um nevoeiro cai místico sobre as ruas.
Casais vão saindo com um tom subcondescendente sobre mim
como outrora os senhores olhavam para os escravos: «Ó preto!...»; «É o preto!»
ou para as mulheres: «Ó puta!...»; «É a puta!».
Sinto, e ao senti-lo mando-os foder entre dentes,
que o seu olhar me apoda: «Ó rapaz!»; «É o rapaz!».
Mas não. Há aqui um homem calado, ou de braços cruzados ao frio,
ou a passar cartões, ou a recebê-los, ou a registar os consumos constantes dos cartões,
ou a encher folhas, densas folhas de tinta, linhas bem geométricas e apertadas,
onde um ácaro talvez se perdesse em labirinto.
Mas por vezes saem com um olhar, pelo contrário, em tom cerimonioso
e salamalequesco, não sei o que se lhes planta no espírito acerca do meu papel
que os torna excessiva e enjoativamente reverenciais.
Quase me sinto implicado em dar-lhes, em retorno, qualquer espécie de bênção.
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Mas as mulheres, meu Deus, por que sofrem tanto?!
Feias, sós, frias, dançam entre si, rodopiando e baloiçando
e ventre-abanando, rabo-gingando, rabo-roçando-rabo
e assaltou-me ser toda aquela sua alegria nisso tão triste e fúnebre.
Entristeci. Deprimi. Fiquei magoado em face daquelas flacidezes, daqueles óculos,
daquelas rugas recusadas, rasuradas,
daqueles corações tão sem homem, tão viúvos, tão sem companhia.
Já vi corpos iguais e no entanto mais realizados do lado de fora deste dionisíaco.
Mas é a noite no seu esplendor e na sua verdade.

O que me faz chegar mais tarde a casa
(em vez de às cinco horas da manhã, somente às seis)
são os retardatários. A música acaba, mas eles ficam por cá, cigarros em riste,
a combinar jantares, a resumir a noite, a burilar elogios e bocas.
E não saem. E não me entregam os cartões, paralisando-me ali de tédio.
Ficam-se.
Deixam-se ficar.
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Se tivessem, como eu, uma cama com mulher à espera, aberta em flor,
não se deixariam arrastar por aqui em tédios. Vá lá, já saem.
Arrastam-se. Deslizam, entregando-me os cartões. Os cartões têm noite dentro também.
Às vezes molhados, negligenciados. Às vezes dobrados, revelam sempre do portador.
Revelam a contenção minimalista e timorata do consumo mínimo
ou os excessos que depois se pagam brandindo notas de 500 euros,
que despertam sorrisos de tão insólitas.
Cuba Libre, Safari, Whisky - noite faz-se disto.
Mas também de muita água de Luso, água das Pedras, água Castelo,
muita 7Up e muita Coca-Cola.
Há umas horas, veio o cantor de serviço, cotovelinamente falador,
aproximar-se para duas de letra, numa das suas pausas e não deu descanso aos meus ouvidos,
dizendo umas banalidades que me obrigaram a dizer banalidades também.
Quando dou por mim, já estou a enfardar com uns: «Pá, não sou um bom pai!»
O quê? «Pá, não sou porque habituei mal a miúda!»
A miúda tem cinco meses e só adormece com doses maciças de colo.
Tudo bem, é um desabafo.
«Pá, o Sócrates está a fazer bem. Pá, sou PS, mas tento ser isento.»
Aí, preparo-me eu para inviabilizar argumenticiamente o músico-cantor fala-barato
e com um whisky-Cola na mãozinha, o que se me revela impossível: ele é mais um daqueles
que corta o discurso alheio com mais uma frase e mais uma e outra e mais outra,
que, portanto, não sabe escutar. «Pá, no geral, no geral!» É no geral, diz ele,
que Sócrates sai aprovado.
Eu, partindo do mais específico, tiro a espécie.
Custa-me ouvir certas coisas desinformadas, superficiais, mas por aí eu tiro o efeito bruto
de um bom marketing político, a sua eficácia real, o modo como resulta,
mesmo junto do primeiro-ministro indiano, que se convence que o 'reformista' José Sócrates
castiga de exigência fisco-sacrificial e assimetria social
a sociedade portuguesa e ainda assim mantém altos os índices de popularidade.
E resulta por muito que os blogues baixem as calças ao sistema,
exponham tanta malfeitoria e cretinice, previnam outro tanto,
o que passa é, «... no geral!» engolível.
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O povo tem sempre intuições certeiras e essas intuições,
passando o crivo da boçalidade grunha, da imbecilidade mais crónica e crassa,
tranformam-se facilmente em servilismo, em doxa, em confiança cega,
benefício da dúvida ilimitado,
como aquele de que beneficia o eterno presidente da Junta da minha freguesia,
que ganha somente porque paga em géneros ao público-alvo votante
para quem se orienta necessariamente: os idosos. Bastam uns passeios, uns jantares gratuitos
e ninguém lhe fará a desfeita de não votar no seu sorriso cheio de vírgulas.
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Líderes como o Zé Sócrates sabem de que plasticina é feito o Povo Português,
aquele povo que também aparece no Youtube, com flagrantes hilariantes, lacunas culturais,
gaffes linguísticas e de raciocínio desprevenido,
bem reveladoras do seu carácter simplório, conformado e feliz precisamente aí,
na simploriedade.
Eu, que não me canso de sublinhar que o auge da realização humana
pode convergir com o auge da derrota e da frustração,
sublinho que tal felicidade é real, é da estirpe da da avó do José Saramago,
mulher de trabalho e sempre virgem nos encantamentos misteriosos de um mundo misterioso,
onde é encantador viver e do qual nos dói separar-nos. Bela sabedoria de avó aquela!
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Agora sai, finalmente, um cliente sem que o seu cartão ostente qualquer consumo,
qualquer carimbo que exprima 'pago'. Estranho.
É polícia, diz-mo. Está, obviamente, à paisana.
Mostra-me o crachá, documentos e a arma lá está,
exibe-ma ali, entalada no cinto ao lado nadegueiro,
segura pelo osso da bacia, como nos filmes.
Diz que há um criminoso procurado que se sabe se acoita aqui, no Pub, e tal.
Mas mais tarde o meu patrão lingrinhas, com aquela pronúncia do Norte,
bem portuense, aclara, entre risos, que o cornudo do polícia à paisana estava era ali
apenas para tentar surpreender a própria mulher, encontrá-la em flagrante deleite,
numa traição explícita e despudorada.
Não sei. Às vezes, os cornos não permitem olhar em frente, pelo peso com que nos dobram,
pela obstrução à mais elementar visibilidade em frente.
Lembram os prémios na blogosfera. Dão-nos. São simpáticos.
Mas algo nos pesa que temos de ir lá buscá-los. E vamos. Mas pesa.
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Com cinquenta e cinco anos e vestígios capilares da era hippie,
o meu patrão part-timesco parece que ainda tem o seu fogo na cama,
a sua regularidade com direito a repetições e tudo
(surpreendo, sem culpa nenhuma, uma conversa de mulheres
onde estas e outras minudências assomam), mas o mal é que mesmo assim,
com tal caudal, não satisfaz, não preenche a quarentona brasileira que o preenche.
Ou é por ser lingrinhas e não ter como desabar sobre ela machezas brutas à bruta
ou é porque tem o temporizador pau-precocizado
ou então é aquela treta do amor, de toda a linguagem do corpo,
da intensidade dos sentimentos,
(para que precisais da intensidade dos sentimentos, senhores e senhoras?!
não vos basta a força grave da gravidade do cio e a delicadeza
subtil de uma monogamia poligâmica para variar?!)
intensidade de sentimentos,
cuja falta traz destesão, desintensidade, deslibido, desmobilização da cona,
preguiça de um clítoris distraído,
fodas, enfim, a solo embora com e dentro de um corpo deleitoso.
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Na verdade, soube-o de fonte segura porque há profilácticas perguntas solidárias
que sempre nos devemos colocar neste mundo gelatinoso e mutante,
é a brasileira quarentona que não é lá muito boa do juízo. É, afinal, lingrinhas na alma.
E o Papageno em todos nós, que não está para grandes trânsitos iniciáticos
rumo à felicidade da sabedoria e da iluminação iniciáticas, diz,
desde o mais fundo de si: «Je nun, da bin ich nicht der Einziger.
Es gibt noch viel meher leute meinesgleichen!»

quarta-feira, novembro 28, 2007

CLEMENTE LIMA E A PARADIGMÁTICA PARANÓIA


E depois de tudo isto, nada!
Fica-se com pena do actual inspector-geral da administração interna,
Clemente Lima: tão sozinho a chamar os cawboys pelos nomes,
os seus gatilhos leves, a sua inimizade grosseira e persecutória com o cidadão
e depois vem o Ministro Rui Pereira,
que não é flor que se cheire,
desacompanhá-lo,
eufemizar as asperezas denunciadas.
Simplesmente não é justo!
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A esses cowboys o melhor é não os apanhar pela frente!

SEXO ORAL


A GUERRA DOS LINKS



Há por aí muita queixinha por causa dos links.
Sabe Deus quanta raiva e ressentimento por um link a mais ou um link a menos.
O Pedro Correia do Corta-fitas, por exemplo,
não se conteve e desabafou sobre o desequilíbrio
entre os que linkam e os que não linkam,
entre os blogues que remetem para ou falam sobre o Corta-fitas
e esses outros que permanecem indiferentes,
postados lá, no Olimpo da indiferença.
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Ora eu se já antes me tinha comovido
com os lamentos do José Pacheco Pereira acerca do erróneo dos rankings
que lhe não faziam qualquer justiça ao Abrupto,
voltei a compadecer-me agora do Pedro Correia e do seu Corta-fitas
por motivos semelhantes.
Na verdade, desatei a chorar, literalmente a chorar, com pena!
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Não foi, porém, por isso
que ontem aviei uma garrafa e meia de maduro tinto
mais três taças de champanhe.
Hoje, se puder, conto o motivo da minha primeira bebedeira
em três meses sóbrios.
Ou a desculpa para ela.

terça-feira, novembro 27, 2007

BRASIL: A PRIMEIRA DESLOCALIZAÇÃO DE PORTUGAL


Faz hoje anos que, impelida pela invasão napoleónica,
toda a corte portuguesa se deslocalizou para o Brasil.
Foi a festa e o festim, foi o prazer de cetim:
toda a arte do sexo e da aristocracia se acrisolaram e aprimoraram
entre a deliciosa mulatagem e a negritude.
O amor, no que ao português diz respeito,
seccionona-se em não se seccionando: é sexo e mais nada.

BICIVILIZATE - BLOGUE EM DESTAQUE


Eis um blogue ambientalista que não está com meias medidas:
entre andar a pé e andar de carro, há ainda a bicicleta!

SORUMBÁTICO AMARELO-RISONHO


Fez-me bem ler isto.
Faz bem saber que os organismos comunitários
nos querem matar de assepsia.

MARILYN MONROE - SULFÚREA METÁFORA EM CROSTA


Ah, omnibus consagrados blogues com nomes de peso,
quanta preta popularidade de cor há nesses nomes sonantes,
só eles gente Francisco José Viegas,
só ele dignos José Pacheco Pereira na pole position de ser blogue,
só eles, só eles!, em estatuto e existência fáctica,
ao contrário de nós
populares Camões de segunda, de terceira, de longínqua.
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Eles têm tão cheia a pose imprimatur, caucionatur, publicatur, dos restantes outros,
e têm conferências de imprensa
e têm a imagem e têm o nome, uma vez mais o nome,
e, existindo, existindo muito extravasadamente dentro de si,
obsidiantes, simbolicamente obesos e corpórea,
SÃO muito mais que nós, os inexistentes em tudo,
nós, os que se lamuriam e coitadinham e queixam que dói.
Eles vão e publicam livros e assinam autógrafos e fazem postagens aclamadíssimas,
e as multidões vêm derramar babas súplices e subservientes,
comentando-os com intimidade e ousadia.
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É o mundo a girar.
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Depois, dá-se o mistério da odiosa fama e do passamento em ânus.
Depois tudo é barbitúrico e homicídio putativo numa gastronomia infinita e saudável.
Depois, explodem aclamações ainda mais extremes e esses ícones
cristalizam na polpa dos nossos dedos
e vêm dizer-nos ter sido tudo para nós e por nossa causa
que afinal nos amam. Vêm, vejam bem, lançar-nos beijos.
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Adoramo-vos, infinitas Marilyn Monroe por todo lado em blogue.
Perseguimo-vos o olhar e a atenção, mesmo que nos desprezeis,
mesmo se soçobreis ao peso da nossa esmagadora requisição do favor do vosso relance.
Faz parte do jogo sermos nós os pomposos, os ridículos,
e somente vocês os graciosos cheios de graça

segunda-feira, novembro 26, 2007

NOBEL DURÃO DA PAZ BARROSO


Durão Barroso como propositório ao Nobel da Paz?
Durão Barroso como supositório candidatável a este Nobel?
É já a seguir, José Ramos Horta!
Há por aí uns milhares de mortos iraquianos
que alguém resolveu engendrar em grande escala, grande escalada,
e sem necessidade nenhuma,
prontos para se abaixarem e assinarem.
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Toma, levas, para acrescentar às tuas t-shirts religiosas-arsenal publicitário,
um cool Jesus que te vai ficar a matar, salvo seja.
Consolidada popularidade.
Garantido voto.

CREPÚSCULOS MEUS


(Afurada, algures por Setembro de 2007)
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Que, no fim, me baste isto:
a serenidade completa e muda de um crepúsculo,
a devolução da vida total sem outras moções que as da pax Christi,
sem outras angústias que as pelo parto de um Mundo Novo
que há muito gestiona, embrião divino.
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Poder encher o meu peito com os doces ares nocturnos,
tão odorosos, prana silvestre búdico,
promessa de plenitude na carne dos nossos dias.
Estar contigo. Estares comigo, meu amor,
dadas as corpóreas mãos e as almas.
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Reflectir demasiado emburrece,
levar-se demasiado a sério e não ter senão o sério como fito, é estúpido.
Deixo-o a outros afadigados de ambição e do inchaço de si-soltura.
Que se esmerem aí e aí corroam.
A mim,
que me desprezem,
que me esqueçam, meneando a cabeça censória,
quando lhes parecer que desci o nível e abdiquei do chá
ou quando incorro em afirmar Cristo, que ousadia!, que arcaísmo!,
como quem afirma o que haja de mais derradeiro e mais âncora a afirmar,
enquanto se respire
cadavericamente adiados à porta da Glória.
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Que me esqueçam!
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No fim, basta-me isto: a doce suavidade de todos os crepúsculos,
quando os céus desmaiam em oiro e níveos fios rectilíneos
saturam de avio-humano o melhor e mais acetinado azul
no crisol dos meus ocasos.

domingo, novembro 25, 2007

A QUESTÃO DOS CORNOS: MEGALOCCEROS GIGANTEUS


É bom ler, de vez em quando, uma completa desdramatização
de esta condição de cornos que nos rege, pelo menos uma vez na vida pessoal
e, no plano da vida pública, a maior parte do tempo.
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Por outro lado, o problema dos orgulhos
e dos orgulhosos é simples: uma caganeira que os varra dos pedestais
e os obrigue a humanizar-se junto de homens que morrem,
que sabem que morrem e se comportam como quem sabe.


AUTOMATEMA ENTHVSIASMVS



Ai, meu Deus,
toda a gente tão amiga e eu tão incapaz de esse pacifismo amistoso.
O meu coração domou-se de ilusões, domou as crenças em gente
e só crê na palpabilidade de si.
Mas será que o meu amor refluiu, estanca cá dentro, pantano de ego?
Ser amado é difícil.
Ser julgado, o pão quotidiano.
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Quero Arte no respirar alterado dos meus coitos. Quero Arte!
Se tardais, se pensais resistir à minha orfeica voz, é tempo perdido.
Minha flauta agreste agride de acre as vossas lentes.
Tenho espinhos de doçura que vos dedique, dedilho sonoridades de desdém em zénite.
Zarpo para arrotar pulsões em rotas sagitadas, por vosso amor.
Embebei-vos da minha Palavra Sáuria, viva, régia.
Nela se acalente a vossa palavra mínima, roedora rabilonga.
Evolucionário, nada ordinário, pegada indelével sou por existir, por existir somente.
Lambo a letra, limpo interstícios de esperança.
Meu ser flutua além-desprezos, despreza além-fitos,
os alvos níveos de um dia-Céu.
Eis-me na minha noite em que me poeto e a loucura divina hauro em oiro - não ledes?!
De repente, é amar todo este derramar de tinta. É amar. Autodádiva sou,
de repente, repentino, predador.
Gente aporta deslizando por lages em luz. «Boa noite!»
Boanoitizam-me mulheres secas, húmidas, frias, tristes, com sorrisos góticos, dentes grotescos.
Colmos ancestrais trespassam frios e fumos fogueira fagueiros.
Ovelhas balem, blateram políticos. Uivam populares opiáceos em estádio vazio.
Quero Arte nos meus arfares arfantes de cio em coito, quero Arte!
Tenho-a sem plangências.
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Que foi, mulher, por que te lamentas?
Dói-me agora mesmo o teu olhar dorido. Sei-te a espessura, sondo-te os rins,
conheço-te inteira, nada do teu fígado me é alheio.
Se te amo?
Não conheço outro verbo e a todo o momento respiro-o sobre ti.
Reparo nos teus seios, reflectem-se dos teus olhos índios amendoados no meu ventre.
Que temes? Não vês os meus frémitos por ti?
Afago-te por longas horas.
Se há uma saudade satisfeita, preenchida, é ter-te as noites, é a certeza de invadir-te
e ver-te a cidade já minha, já rendida, mulher. Sou-te o invasor.
És-me a cidade ansiada.
Por isso, o mundo dilui-se-me em nulo. Juntos nos fazemos. Juntos, nós, os que se amam,
curámo-nos ontem. Curamo-nos hoje, momento clépsidra a momento.
A trama que me trama é competir nas minhas competências. Atarantem-se outros.
Eu estou firme. Poiesis é o trabalho do aço incandescente. Torno é a minha mente e mão,
unas. Fora dos fora ainda há vida, a minha. Aqui.
Perante o medo que os portugueses querem ter e coleccionam por causa de um governo
que sabe que pode ir mais longe nos cortes, nas sortes,
apetece-me algo. Algo entre o foder com tudo em rebeliões solitárias e fogosas
e o limitar-me à palavra convexa, côncava nova nau com que aportarei a Sião
e a seduzirei e a cativarei pelas eras. Há brandura num coração português.
Ele assimilou, mais que nenhum outro, o lado dos cabritos evangélicos,
tive fome, e anseia por assemelhar-se aos cordeiros, ovelhas nas lãs mansas
de assemelhar-se ao aborígene. Queimo os vossos jogos e os vossos livros avessos
à energia vital que percorre omnisciente o Cosmos e há o véu.
Como és pagã e vã, ó Cristina! A tua ética do oco enfeita de medos a carne infinita.
Quando menstruas, espermas-te de relativo.
Aborto é abutre, Cristina!
Abdica sem básico. Queimas. Há infernos no teu hálito. Soas a estéril contra.
Capas o touro do nascer. Não te vens a ver-me?
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Requiesço em paz pós-poema. Chego ao fim de página como numa noite inspirada
de muito corpo entrando o teu muito.
Sem parança, sigo e prossigo, cilindro-te, comprimo-te de gozos
até à tua irrespirabilidade feliz e ao meu alívio.
Assim, vai a minha página em fim. O poema revolve o tesouro do verbo.
Meu poema sou eu e vou direito ao imprevisto, ao forçoso,
como uma depressão desaba sobre um país lavando-o em lágrimas,
quando a torrente rege de lamas o caminho.
Alinham-se cadáveres. Contabilizam-se. Afinal, não custou nada as nossas Páscoas.
Afinal, ser pobre passaportiza-nos numa morte indolor.
Afogámo-nos. E daí? É sem quisto-câncro que partimos.
E donde estamos dor nenhuma nos tira.
E vós, que vos pensais vivos, é só mais um bocadinho e vereis.

sábado, novembro 24, 2007

LUÍS CAMPOS E CUNHA OPINA. ALGUÉM AÍ PARA O CALAR?


Ex-ministro das Finanças escreve que a Estradas de Portugal é um mistério.
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Opinião de Luís Campos e Cunha:

E.P., EXTRAORDINÁRIAS NO PRELO?
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O Governo nunca perdeu nenhuma oportunidade

para perder a oportunidade de explicar o OE para 2008.
E, em particular de explicar a Estradas de Portugal, SA (EP, SA),
que permanece um mistério.Porquê? Não sei,
mas o nevoeiro levanta a dúvida e legitima a especulação.
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Li dezenas de artigos, entrevistas;
li ainda, com aquela dificuldade dos economistas,
a lei que cria a EP, SA, o comunicado do Conselho de Ministros...
e tirei as conclusões (possíveis).
Erros meus ou má fortuna, mas, juntando as peças,
agora parece-me um pouco mais claro.
A discussão do OE resumiu-se a: Sócrates ataca forte com 2005;
Santana atrapalhado contra-ataca com 2004;
o primeiro argumenta com 2003;
Santana ataca, sem convicção, com 2001.
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Ficaram-se por aqui e não chegaram a D. Carlos e a 1891
- cessação de pagamentos de Portugal -
porque não houve tempo (graças a Deus!).
Sócrates ganhou a discussão sobre o passado;
o povo pedia sangue e os jornalistas queriam parangonas.
Ficou-se por um não debate, tanto mais surpreendente
quanto o Governo tinha não só os votos para uma vitória assegurada,
como se apresentava no Parlamento com resultados orçamentais excelentes.
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Não responder durante o debate foi estranhíssimo.
No caso da EP, SA talvez a ambiguidade seja propositada;
aliás, só pode ser. Pelo que leio e penso, a história poderá ser pouco dignificante.
Os argumentos fundamentais para as EP passarem a ser SA (sociedade anónima)
são a maior flexibilidade e a maior eficiência.
Esta não pega, pois o que agora se pode fazer já o era possível com a EPE
(entidade pública empresarial).
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A desorçamentação não pode ter lugar,
porque o INE e o Eurostat não o permitirão,
nem me parece que esse seja o desejo do Governo, pelo menos para já.
A privatização foi (apenas) afastada nos próximos dois anos, sublinhe-se.
Como é que a EP, SA vai viver?
Com basicamente quatro tipos de financiamento:
receitas da contribuição do serviço rodoviário (CSR);
dívida não avalizada pelo Estado (reiteradamente dito);
receitas das portagens e receitas de concessões e subconcessões.
O resto são amendoins.
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Primeiro, neste caso, a consignação de um imposto
- CSR - é particularmente grave,
pois faz-se uma consignação ao abrigo de um contrato com uma sociedade anónima
que pode vir a ser privatizada.
Introduz-se uma rigidez orçamental do lado das receitas que vem adicionar
à bem conhecida rigidez do lado da despesa.
Já agora, uma pergunta ingénua:
têm a certeza que os carros daqui a 75 anos andam a gasolina?
Segundo, a EP, SA irá financiar-se junto da banca em substituição do Estado,
o que implica, necessariamente, um custo significativamente maior.
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Obras públicas que não sejam financiadas por Obrigações do Tesouro
implicam sempre custos (juros) acrescidos a serem pagos por todos nós:
será o dobro? Mais 50%?...1)
A terceira via de financiamento são as portagens.
Estas, para os próximos anos, implicam portajar as Scut,
que o Governo já disse que sim (e que não) várias vezes,
embora nada tenha acontecido.
Mas, caso o venha a fazer, deve render uns 100 milhões,
o que é manifestamente insuficiente para as necessidades:
só as Scut custarão uns 700 milhões por ano e por muitos anos.
Restam as concessões e aí está a questão.
No próximo ano parece vir a existir um encaixe de uns 350 milhões
com as concessões do Douro Litoral e da Grande Lisboa à Brisa e Mota Engil, respectivamente.
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Mas muito mais preocupante, de acordo com um outro jornal 2),
é que está em estudo o prolongamento das actuais concessões
da Brisa, Mota Engil e Ferrovial.
Tal nunca foi assumido, mas também nunca foi desmentido,
que eu tenha conhecimento.
Este encaixe do prolongamento das concessões dos actuais (cerca)
de 20 para os 75 anos daria para pagar as novas estradas
e pagar as Scut nos próximos dois ou três anos. 3)
Mas, a acontecer, o grave é que estamos em presença de receitas extraordinárias puras
e duras, embora intermediadas pela EP, SA, mas apenas isso.
Este cenário bate certo, desde logo, com a necessidade de o período da concessão
ter de ser muito dilatado, não podendo ser de 25 anos, por exemplo.
Bate certo com o desejo de consolidação das contas da EP, SA com as contas públicas
(para uns dois ou três anos);
bate certo com a não privatização imediata da empresa
(para os próximos dois ou três anos);
bate certo com as declarações de Paulo Campos,
secretário de Estado dos Transportes:
a gestão vai ser feita por "profissionais muito eficazes na gestão de contratos,
portanto, engenheiros, gestores financeiros e gestores justamente de contratos". 4)
kjh
E quando, em política, se fala de "solidariedade intergeracional",
geralmente significa "vamos gastar hoje e alguém no futuro que pague".
Tudo bate certo, tudo parece apontar para receitas extraordinárias disfarçadas
por uma sociedade anónima cujo único accionista é o Estado e que com ele consolida.
Vamos pagar o que gastamos hoje com receitas que só existirão daqui a 50 anos?
E daqui a uns três anos? Bom, a essência das receitas extraordinárias
é que daqui a três anos esse mesmo problema financeiro ressurge
aumentado e amplificado.
lkj
Todos nós pensávamos que as receitas extraordinárias
tinham morrido com Durão-Santana.
Será que afinal a sua morte foi enormemente exagerada?
Ou não será assim? Apesar de tudo, espero (desejo) que tal não venha a acontecer.
Infelizmente há muitas variantes para o simples cenário atrás descrito de receitas extraordinárias disfarçadas, o que pode dificultar o escrutínio público.
E a oposição, nesta como noutras,
ficou a ver passar o comboio, quando se discutia a rede rodoviária.
Quando se discutir a rede do TGV, vai ficar a ver passar os carros, imagino.
kjh
Professor universitário
lkj
1) Iguais observações se aplicam a uma extensão dos prazos contratuais das Scut.
2) Leia-se, por exemplo, o Sol do último fim-de-semana.
3) Note-se que a taxa de desconto utilizada pelos privados neste negócio de prolongamento dos contratos vai, naturalmente, ser elevada, porque o risco é grande, pelo que a observação atrás feita sobre os custos desnecessários do financiamento das obras públicas se mantém ou mesmo se agrava.
4) Leia-se o Diário Económico de 13 de Novembro.
lkj
in Público

ARGENLIBRE - BLOGUE EM DESTAQUE


(Contra o retrocesso que Chávez simboliza.)
lkj
Se há um blogue nas Américas que se vai insurgindo
contra todas as palhaçadas prepotentes, todos os abusos de poder,
ridicularizando-os, denunciando-os incansável,
lkj
Há pontes que se devem fazer cedo
e eu tenho o gosto de ter feito uma com este blogue
desde há já muitos meses. Estamos em sintonia
num combate a este assédio universal de determinados portentados
aos direitos dos pequenos que visam erodir.
lkj
É um combate determinante, neste início de século,
para o qual não poderá haver tréguas.

PREVISTO SANEAMENTO DE MILHARES NA EDUCAÇÃO


Sala com as mesas dispostas em u,
somos aproximadamente cinquenta professores do Departamento de Línguas.
Uma acta foi lida e aprovada. Acta excelente, devo acrescentar.
Como eu mesmo gosto de escrever.
Quando a meada da ordem de trabalhos começa a desenrolar-se é que ficamos a saber
de modo límpido e trespassante
com que leis e dispositivos novos e criativos anda o Ministério
a tentar e a conseguir foder connosco.
lkj
Há uma pressão por resultados, por 'boas notas', por 'sucesso' educativo de aviário,
tal vontade de onerar e responsabilizar os professores
quando esses resultados faltam,
que eu digo tratar-se da mais vergonhosa violentação,
associando Ministério, certos lóbis de pais, e entalando do ónus exclusivo da culpa
os professores. çlk
lkj
Porque quem tem de pagar a factura são os professores.
Nós, os professores é que temos culpa dos jovenzinhos de 15 e 16 anos
a viver maritalmente com as primas divorciadas e com filhos,
de 28, enquanto os pais emigraram do problema de terem tido filhos.
Nós, os professores é que temos culpa se um menino entretanto
descobre o prazer, pelos vistos infinito, na língua imensa de um Serra da Estrela
sobre o seu pénis erecto nas noites em que ninguém está a ver
até ser surpreendido e fugir com ele na mão. Nós, os professores é que temos a culpa
dos divórcios, do desprazer do estudo, da insegurança e do desinteresse que nascem em casa,
da violência gratuita sobre nós,
dos desequilíbrios vários,
várias misérias que interferem nos números desejados pelo Ministério.
lkj
O regime espartano que actualmente rege de medo e rigor a docência,
e que vigora de norte a sul, veio de facto moralizar comportamentos e atitudes laxas,
fomentando a responsabilidade, o cumprimento dos deveres presenciais importantes,
o empenhamento físico, psíquico e anímico de quem queira estar na carreira vocacionado
e dedicado.
lljk
Mas, de repente, nada disto é verdade. Os alunos desaparecem do sistema,
leccionar é secundário. Na era da informática, o Ministério dos portáteis,
que anda a
foder com os professores,
tem preparado para eles um processo saneatório
que Noruega nenhuma viu alguma vez: uma montanha de mapas, planos, papéis e mais papéis,
relatórios, entrevistas multipassoais e multi-organizacionais, pareceres - lixo,
toda a trampa inútil, todo o oco, que mais ainda desgaste e desanime,
mais ainda, se é possível!,
foda com os professores.
lkj
Na verdade, a máfia anda lá em cima e faz tudo para cobrar.
A mim, o Fisco veio penhorar-me as cuecas, levou-as e há-de voltar para penhorar-me
os pêlos do cu para encher fronhas. E o Ministério da Educação, o mais sem-vergonha
que Portugal já vez viu, inventou uma polé (vejo o sorriso de nojeira
dos secretários de estado atrás da inominável) - o Documento da Ignomínia Avaliadora.
kjh
Gosto de ensinar porque gosto de semear mansidão e de alunos
que ajudamos a crescer livres, com todo o potencial humanista, sensato e sensível,
que transformará o mundo. Mas vem o Ministério e monta uma pirâmide de papéis,
de burocracias, irresponsabiliza ainda mais os alunos,
abre caça demissionária e extintora dos docentes que cá sobejem.
Imaginem um perfil de avaliação que monta tal devassa às pessoas com filhos e anos
de ensino, as quais, como eu já vi, começam a sentir-se inseguras, a acusar colegas,
a vigiá-los de perto, tutelares e bufos, tentando comprar as suas costas quentes,
e dentro de um estilo de denúncia e de exposição,
nem assim se livram de fazer a dança do pânico.
lkj
Lembro-me de uma professora de História, mulher trabalhadora e dedicada à escola,
omnipresente nela, omnisciente nela, não apenas profissional, mas extra-profissional,
obediente às papeladas, de um profissionalismo transcendente e assexuado,
viúvo e órfão de outras obrigações, mesmo tendo-as. Porém, era achacada a tais
calinadas linguísticas que não me admiro não passasem impunes aos avaliadores.
Uma mulher e mãe assim, com este calcanhar, passa ao ataque.
Ataca quem estiver mais à mão, para poder prosseguir e sobreviver.
lkj
Eis as baixezas que um Ministério ao serviço do corte pode gerar!
Muitos professores, caso sejam assim molestados, por poderem salvar-se disso,
e não estarem para ser massacrados, maltratados, encostados às cordas,
dirão adeus à carreira, adoecerão, sairão da frente, aliviarão o sistema
e a sua sofreguidão gestionária por números.
lkj
Mentindo, mentindo sempre e muito, um Ministério assim irá comer professores,
triturá-los e palitá-los dos dentes sem uma reacção massiva
revoltada?! Não sei responder. Sei apenas que há quem se mexa e conteste.
Há quem, nos sindicatos, desenhe e explique os contornos de este saneamento
ao professorado português. Greves?
As greves não servem de nada. Um Governo que não fica atrás do pior do chávezismo,
no constrangimento dos números e dos impactos das constestações
sairá sempre por cima das greves, de quaisquer greves.
É tempo de ser mais imaginativo.
Criar modos de reacção mais eficazes e duradouros.

Eu confesso, educo os meus alunos para a insatisfação,
para a des-cretinice da desumanidade, para o melhor e mais mobilizado espírito de grupo.lkj
Nesta reunião, falamos ainda dos processos de branqueamento dos números,
das vitórias mentirosas nos exames da Matemática, de como a coisa habilidosamente se faz.
O Ministério que fode com os professores não pode nem vai parar de acoçar pessoas
e aperfeiçoar processos sofisticados e imperceptíveis para
foder com os professores.

O perfil insuportável e incompetente das consoantes e das vogais de este Ministério iníquo
não é passível de inflexão. Só por despejamento compulsivo
ou ruptura da insuportabilidade imagética acrescida
haverá condições para respirar novos ares, superar o clima de guerra instaurado
por um Mininstério empossado só para
foder com os professores.
çlk
As rodas novas que rodam por cima das Estradas de Portugal rodam por cima das pessoas,
com o mesmo atabalhoamento e metas orçamentalísticas: é todo um não olhar a meios
para sacudir as pessoas do miolo da despesa pública (por ser mais fácil e não tocar
nos grandes interesses, nos grandes beneficiários de este grande redil passivo e passento
chamado Portugal) e de que também faz prioritária parte
foder com os professores.

quinta-feira, novembro 22, 2007

RASGÕES NA CARNE


Introspecciono-me. A minha noite começará agora mesmo.
Há uma árvore de natal lá na Avenida dos Aliados. É enorme e metálica.
Uma multidão automobilizada que voga sempre ao sabor de estas coisas
veio há uma semana aprisionar-se no trânsito nocturno a fim de poder beber
aquela luz portuense inaugural.
Penso no meu blogue, no frio que faz já e neste silêncio preliminar.
Penso no poder enquanto fenómeno concentracionário. Penso que todo o poder
compete por mais espaço que aquele de que realmente necessita.
Visa tornar-se um absoluto. Aspira a ser indiscutível.
Com efeito, está frio.
Estou só.
lkj
Há uns dias, um dos anunciantes online a que aderi
e que anunciara nesta página ao longo de quase três meses, suspendeu a minha conta.
Mais um, a juntar ao Adsense. Assim, abruptamente. Averiguei.
Fiz o login e havia lá uma mensagem engripada e depenada de sentido: "Dear , " tal e qual,
só isto: "Dear , ..." Sem o meu nome. Mais adiante, duas ou três linhas
onde se argumentava a falta de qualidade de este blogue como razão determinante
para a imediata suspensão dos seus anúncios.
Não me emocionei.
Não esbocei a menor reacção contestatária.
Mantive-me frio: BIDVERTISER, tal como a GoogleAdsense
e certamente outras companhias igualmente abutrinas a explorar um admirável mundo novo
de oportunidades e de papalvos passentos à hipótese de ganhar alguns euros
sem descolar o cu do assento, praticam uma lógica desonesta com vítimas passivas e ansiosas,
crédulas e ingénuas, como eu.
Mas como eu pelo menos durante algum tempo. Impossível por todo o tempo.
Têm o poder de o fazer. Desrespeitam o indivíduo, mas não imaginam a perda de credibilidade
e a autodestruição em que incorrem com este tipo de procedimentos.
A meus olhos, ficam manchadas de abuso e discriminação. Que se danem!
É a mesma tonalidade lesa-indivíduo que as nossas sociedades praticam.
Esses dentes serrilhados dos Bancos piranhescos,
esse desequilíbrio injusto de vencimentos e regalias,
essa construção activa e deliberada de um sociedade com cidadãos de segunda
e de terceira, sendo os de primeira completamente intocáveis,
faz do Ocidente e de quase todo o mundo que o imita e aspira a ele,
um território do mal e da vergonha, democraticamente ilusório. Nada mais.
Esse cinismo, esse circo permanente desaguando da boca dos nossos governantes
é somente o sinal mínimo de uma corrente que se abrutalha e triunfa selvática.
lkj
Sem o apoio mínimo dos meus familiares, eu estaria eliminado, na rua.
Sou já informalmente um sem-abrigo,
Faço parte dos eliminados e dos excluídos, esses que crescem para além do discurso
nirvanesco do Ministro Vieira de Castro.
Somos pessoas que podem até ter um vencimento durante certo período do ano,
mas que é reabsorvido inteiramente nas engrenagens sugadoras de todas as instâncias
públicas e privadas que nos sugam e agora a palavra está dada:
máxima cobrança até ao final do ano significa perseguir e vitimar, dentro da lei,
quem não tem qualquer saída ou alternativa. O que o Fisco fez comigo não é perdoável
porque ignorou completamente a responsabilidade da instância bancária,
o seu oportunismo, o seu fechamento de arquivos, notas, informações,
que completamente me ilibariam da negligência de que fui acusado e coimado
e punido e miserabilizado.
Os erros acontecem. São mais fáceis de acontecer com quem é só e é fraco,
com quem não paulo-pederoso-beneficia das isenções e das pressões
sistémicas do lóbi partidário. Já li algures: sem seita, sem lóbi.
Sim, o blogger Miguel, do Combustões. Talvez já haja e se insinue o lóbi dos sem lóbi.
Sei lá...
lkj
O que me gelou os ossos ultimamente foi ter ouvido a um dos meus alunos,
por sinal um dos mais inteligentes e brilhantes, o quanto admirava no estilo José Sócrates
precisamente o tão verberado autoritarismo como algo positivo, disciplinador.
Era numa aula. Isso veio a propósito de nada.
Ser adolescente deve ser isto. Gostar de quem manda. Gostar da aspereza do mando duro.
Ir em pelotão a defender uma Berlim sitiada e condenada,
onde se enforca sumariamente qualquer odor a deserção.
Ter de obedecer por haver quem manda à bruta e ser isto encantador.
lkj
E fiquei assim: gelado.
lkj
A pensar que há qualquer coisa de adolescente nas sociedades
que reclama pancada, coça velha, moralização. Um país dócil assim é o paraíso.
Portugal, três países dentro de um rectângulo.
Um banca forte e competitiva internacionalmente um dia, depois de nos esmifrar.
Um pequeno grupo de empresários e abençoados de recursos,
de políticos e dirigentes com sentido do ganho e do autobenefício infinito e legal.
Uma massa de escravos do trabalho,
de desempregados, de doentes, miseráveis, infortunados,
daca vez mais miseráveis, desmoralizados,
sentindo na pele o peso dos dois países em cima de si-país.
É fácil governar sobre sobre a massa bruta estrategicamente embrutecida,
sobre um povo dividido e desigual. É fácil governar sobre três países dentro de um.
çlk
É fácil! Ah! Meus Deus, que tristeza:
leis que imitam as lógicas eliminacionistas do universo nazi,
modos de pensar temerários quanto à vida nascitura,
vaidade em cascata, orgulho em abismo determinou o aborto à vontadinha
até às dez semanas mais ou menos.
Esta amizade com o Diabo engrossará o poder em quem já o tem.
Hitler e o Diabo foram dois bons amigos. Beneficiaram-se recíprocos,
enquanto a liberdade magoada não soube emergir.
Calcado aos pés, Deus não tinha argumentos para o Darwin florescido no Partido Nazi
ou o Darwin incubado no Partido Comunista.
Não matarás! Mas não matarás porquê, se sou mais forte?
Mas não matarás porquê, se tenho o poder discricionário de suprimir bebés
no estágio de fetos?
Não matarás porquê, se posso chantagear e dobrar o disposto no Código deontológico
por não ser pragmático, descritivo da realidade e compaginado com o veredicto referendário?
Há um Amazonas inteiro de vítimas que transborda do seu leito.
Há um cálice de indignação que se enche.
lkj
Esse boomerang de insensatez regressará agressivo, devolvendo violência aos violentos.
O Diabo passeia-se de mãos nos bolsos pela cidade. Assobia.
Sorri triunfal porque todos o acolhem, a lei protege-o
e reserva-lhe os seus acepipes-iguarias humanas para pedófilos.
As cúpulas resguardam-no e resguardam-se nesses sinais de desumanidade,
nessas negociatas tecidas nas clínicas de sangue. E quem não pode nem sabe defender-se
está só. O Diabo de Norman Mailer, que embalava Hitler e o beijava fêmeo e paternal
na fronte, que o salvou da Valquíria,
passeia-se hoje por aí desalmado e insensível no mesmo circo.

CASA PIA: UMA JUSTIÇA RETARDATÁRIA


Segundo plano das notícias e rarefacção da indignação geral?
Só num país que resolva não fazer justiça e fazer de conta
que esquece isto.

NOTAS SOLTAS, IDEIAS TONTAS, DESCULPEM TODOS, MAS HOJE ACORDEI ASSIM!


Depois de uma reunião de Departamento ontem
na Escola em que sou Precário,
este Ministério da Educação apareceu-me ainda mais associado ao Diabo
com o Documento de Avaliação dos Professores
previsto para entrar em vigor a partir de Janeiro
e com efeitos retroactivos desde Setembro último.
lkj
Para que tudo corra bem e sem espinhas,
o Ministério já comprou a CONFAP, isto é,
anda a subsidiar ineditamente, maquiavélico como é,
a Confederação de Pais e a forjar aclamações falsas ao Documento
que foi pensado pelo Diabo de quem a Ministra é muito amiga.
lkj
Numa sala com mais de cinquenta professores,
todos se mostraram horrorizados com a tramitação
que esse processo supostamente observará,
além do facto de ser completamente inexequível
só na perspectiva temporal quanto mais nas demais.
lkj
Gosto mais de um Scolari enfurecido
do que os caralhos dos hipócritas políticos,
jornalistas e advogados, sempre num registo sereno,
suave, seguro e politicamente correcto.
Sempre frios e sempre sérios.
Ninguém se enfurece e perde a calma?
São então todos uns autómatos de merda.
O meu cunhado, que é brasileiro e nordestino,
é como Scolari, que é gaúcho.
Eu sou como Scolari, que é gaúcho.
lkj
Todos os que não fazem cenas como Scolari
devem ser é marcianos, maricas ou ter ideias tontas.
lkj
Posso estar em baixo e não o esconder
nem aqui nem em lado nenhum.
Mas isso não significa que não tenha uma vontade
espartana de lutar por mim, pela minha mulher,
pela minha única filha de 18 meses,
pelo meu blogue também de 18 mesinhos, bebé igual.
Sou de grandes combates e retalio todos os assédios
com mais luta e nenhuma imposturice.
lkj
Quem me quer liderar, quem me quer cavalgar,
tem de ir para o caralho, que eu não perdoo veleidades.
Chego à minha escola provisória pelas oito horas da manhã.
Comento infalivelmente o Notas, em cuja caixa de comentários
não tenho coragem de deixar frasesinhas ou telegramas.
Visito outros blogues nunca dantes navegados e jornais.
Posto alguma coisa no meu próprio blogue.
Saio de casa sempre às 6:45.
À noite irei para a Noite passar cartões.
Começarei às 10:30 e sairei às 6:00.
Partirei directa e novamente para a Escola sem dormir.
lkj
Cheguei à conclusão de que a minha semana de trabalho na escola
custa-me 120 euros em combustível e palha para mim-burro.
A Noite paga-me por semana 111 euros (mas não me paga à semana).
E estou sempre naturalmente fodido e a contar os trocos.
Gasto 4 euros no totoloto todas as semanas.
O MegaComputador da SCML não dá prémios a ninguém
e é a perfeita enguia magnética que faz mangito a toda a gente
(borro a minha cara de merda se há ainda quem não veja a falácia óbvia
no sistema de jogos sociais português! Se todos são falaciosos,
o português tem um quid de ainda mais falacioso.),
também está a seguir imitativo à risca o assédio do Estado
do ponto de vista Fiscal que é ir para cima dos mais fracos
já que sobre os mais fortes e os prescritos prescritivos das prescrições
não vai ou só vai a medo e com consabidas bocas gays.
Vai, portanto, a SCML, para cima dos mais fracos
sobretudo se desesperados e desgraçados,
que os há cada vez mais em Portugal, estimulando-os à crendice
com aquela publicidade sorna, obscena, intragável por todo o lamechas lado.
çlk
Ontem, no Quadratura do Círculo, tive pena do Pacheco Pereira
que se queixava do mesmo, embora ganhe muitíssimo bem e o tenha admitido.
Tem de pagar a contabilistas para lhe preencherem papéis complicados
para efeitos Fiscais. Falou de si. Foi lírico no bom sentido.
(Há por aí blogues sem lirismo nenhum. Metálicos e demonstrativos.
Argumentativos e sérios, sem que um caralho de um eu-que-sofre se manifeste jamais.
Talvez o Rei dos Leitões, mas não é suficiente).
Seja como for, Pacheco Pereira
disse que o Estado obriga as pessoas a despesas desnecessárias aí. E eu, compassivo, compadeci-me dele sinceramente, compungido.
lkj
Conclusão: se eu pensava que um psicólogo me bastava,
e admiti-lo já foi um começo,
sei agora mesmo de manhã que um não basta.
Preciso de dois Psicólogos. Dois!
De preferência Psicólogas que eu não gosto de homens.

MÉDIO ORIENTE NUCLEAR


quarta-feira, novembro 21, 2007

CARICATURQUE - BLOGUE EM DESTAQUE


Onde houver um pouco de humor pode ser que haja
um pouco mais de amor. A visitar.

DEM HIMMEL SEI DANK


Suicídio, de Édouard Manet, 1877.
lkj
Salvos in extremis,
só espero que não seja de um precoce finar-se adiado.
Esta notícia deveria garantir um pacote psiquiátrico com Psicólogo grátis.
Eu, que a espaços ando a roçar tal abismo negro,
a esbracejar no mar alto de tensões com que se faz a vida no rectângulo,
a tentar respirar no País claustrofóbico que nos fornecem irrespirável,
a tentar ter bússola no meio de tão cruéis e tão cavadas desigualdades portuguesas,
preciso de um. Não o escondo. Preciso!
lkj
E nunca pensei que pensaria em precisar,
quanto mais em dizer que precisava.