QUASIMODO MORAL
Simplesmente trágico! Todo o relato do jornalista Crespo permite compreender o papel frágil de José Leite Pereira e Nuno Santos perante um homem extremamente poderoso que olha singelamente para tudo quanto lhe seja opinativamente adverso como um «problema». Nem contraditam nem exercem o contraditório, não dão qualquer passo independente, como se no fundo os seus lugares estivessem presos por fios invisíveis de medo e dependência. Cada oponente e argumento contrário é um problema para o homem extremamente poderoso. Há, porém, somente um problema. Ele. Essa vigência problemática do Principe das Trevas. Cada ano que passou, viu somarem-se-lhe chifres, à Besta, para retomar alguma da linguagem encriptada do Apocalipse. A Besta cresceu em poder tão indiscutível quanto incapaz de discussão. Multiplicou a sua potência claramente em bases de barro coléricas e regimentos de interesses instalados, offshores espirituais de duplo pensar e duplo agir. Fez-se adorar pelas multidões frouxas e brutas. Passa incólume por todos os rabos de escândalo entretanto investigados na eterna moratória da Justiça portuguesa. Sobrevive ao acúmulo dos seus próprios lixos infectos. Lixa quem se lhe atravesse pela frente, seja o Papa, seja quem bem lhe apeteça. Temos, portanto, entre mãos um Quasimodo Moral. Não há meio de lhe explicarem o quanto nos enfastia com a sua deformidade interior, coisa fútil, vã, sempre bem vestida e ainda mais bem coreografada?

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