EGIPTO, INDEFINIDOS SINAIS A ORIENTE

«Lamento que, depois das reles-presidenciais  onde só se revoleu lodo às mãos cheias  a paupérrima sociedade civil, os políticos e politólogos só se entreguem ao comentário de intrigas e à análise do 'pequenino' e acessório. Ambas as barricadas se bombardeiam com insultos e outros mimos, enquanto o País se afunda. E não é só o País real que está esquecido e remetido para segundo plano: os 'media', as burocráticas TV's, a blogosfera  todos minimizam ou ignoram deliberadamente os gravíssimos acontecimentos no Norte de África, especialmente no Egípto, preferindo discutir com baixeza os domésticos pratos de lentilhas e as perrices políticas associadas. Mas o trotskista-BE, o da revolução constante e acéfala, presta atenção ao fenómeno, e tem já as coxas húmidas e tremelicantes de assistir a tanta barricada e a tanto vandalismo de cara tapada: quer o massacre da classe média árabe, quer o corte total com o Ocidente, quer a fanatização das facções, quer  com volúpia  a 'Irmandade Islâmica' no poder. Na Tunísia, no Iémen, no Egipto, os jovens e os pobres não querem a Liberdade, pois nunca a tiveram e não sabem o que isso é ou o que fazer com ela. Querem é emprego e poder matar a fome; querem um arremedo de vida normal; querem um mínimo de rumo e sentido para a sua pobre vida. Tudo isto devia fazer pensar as nacionais cabeças-de-toucinho, mais interessadas em saber se a euro-deputada-gomes recebe ameaças, ou se o velho e senescente almeida-santos considera Cavaco vingativo. E Carrilho, para quem é tão brilhante, tem uma decepcionante tendência para descobrir tudo ao retardador. Lamentável.» BI

Comments

Popular Posts