JACTÂNCIAS DE REI-SOL

O sofrimento moral e material dos portugueses é cruel. Fartamente enganados ao longo dos últimos anos, tendo como paisagem essa dívida galopante criminosa, por longos meses negada, ninguém os representa verdadeiramente. Por falta de capacidade para a devida insurgência e a obrigatória indignação explícita, são obrigados a engolir o circo quotidiano de José Sócrates, a sua desresponsabilização permanente de mero títere ao serviço de poderes obscuros, mas sempre escarninho, ufano, em pose absolutista e jactâncias de rei-sol. São obrigados a beber o cálice da sua falácia até à última gota e por isso uma tristeza bem profunda assola Portugal. A maldade e o mau carácter indisfarçáveis na política vieram para ficar e, na sua voragem, dissolvem tudo o que possa haver de bom numa sociedade desmobilizada, descrente e desesperada. Horrendos na sua loucura por poder, na sua ganância por dinheiro e exclusivismo. Se a imoralidade do exercício do poder não interessa nada, nada interessará. O cidadão da rua já não suporta aquelas aparições encenadas e gesticulantes, doutrinadoras e convictas de qualquer coisa conveniente de última hora, tiques de tirano. Só faltava agora vir Capoulas Santos, director de campanha de Sócrates, incitar Manuel Maria Carrilho a uma disputa com isto, com o que o Primadonna representa, depois de aquele ter sido vaiado, impedido de discursar até ao fim, num célebre congresso de hienas pré-pantano. Este socialismo-socratismo não suporta críticas. Trata de eliminar adversários à nascença, como Herodes.

Comments

Anonymous said…
O SÓCRATES É UM FINGIDOR
E finge tão completamente - Que às vezes até parece que vai ser verdade a mentira que tem em mente.Isto só não é história para os portugueses de má memória.
Manuel Rocha said…
Até podes ter muita razão. Mas olha que exemplo escolhes. Esquecido da capacidade de encaixe de Carrilho a criticas como qd virou costas a Carmona Rodrigues sem o cumprimentar no final de uma debate televisivo pq ele o tinha criticado ? Criticar até pode não ser complicado, sobretudo qd se prefere o sound bit à solidez dos argumentos. Fazé-lo com autoridade moral já é mais complicado.
floribundus said…
'in oculo descansum est'
ou
'diz o melro para o picanço,
-no olho é um descanso'
Anonymous said…
Lamento que, depois das reles-presidenciais - onde só se revoleu lôdo às mãos cheias - a paupérrima sociedade civil, os políticos e politólogos só se entreguem ao comentário de intrigas e à análise do 'pequenino' e acessório. Ambas as barricadas se bombardeiam com insultos e outros mimos, enquanto o País se afunda. E não é só o País real que está esquecido e remetido para segundo plano: os 'media', as burocráticas TV's, a blogosfera - todos minimizam ou ignoram deliberadamente os gravíssimos acontecimentos no Norte de África, especialmente no Egípto, preferindo discutir com baixeza os domésticos pratos de lentilhas e as perrices políticas associadas. Mas o trotskista-BE, o da revolução constante e acéfala, presta atenção ao fenómeno, e tem já as coxas húmidas e tremelicantes de assistir a tanta barricada e a tanto vandalismo de cara tapada: quer o massacre da classe média árabe, quer o corte total com o Ocidente, quer a fanatização das facções, quer - com volúpia - a 'Irmandade Islâmica' no poder. Na Tunísia, no Iémen, no Egípto os jovens e os pobres não querem a Liberdade, pois nunca a tiveram e não sabem o que isso é, ou o que fazer com ela. Querem é emprego e poder matar a fome; querem um arremedo de vida normal; querem um mínimo de rumo e sentido para a sua pobre vida. Tudo isto devia fazer pensar as nacionais cabeças-de-toucinho, mais interessadas em saber se a euro-deputada-gomes recebe ameaças, ou se o velho e senescente almeida-santos considera Cavaco vingativo. E Carrilho, para quem é tão brilhante, tem uma decepcionante tendência para descobrir tudo ao retardador. Lamentável.

Ass.: Besta Imunda

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