CRESPO E A CICUTA

Em Portugal, a história da cicuta é outra. Definitivamente outra. Quem a toma somos nós. Quem esfria e paralisa, desde a ponta dos dedos dos pés até ao coração, lenta e gradualmente, somos nós e por livre e espontânea vontade, se configura qualquer espécie de liberdade ser passentos com aquilo e com aqueles que nos colocam directamente em perigo. Nós, de esta vez,  e não o pedófilo filósofo sapiente, é que escolhemos de que morte morreremos enquanto ao mesmo tempo fazemos morrer o País. A esta hora, enquanto a voz horripilante e agreste da Fátima Campos Ferreira ferra o ecrã com agressivo paleio inquisitivo, penso na cicuta com que nos matamos. Mário Crespo, o homem de quem mais se fala no momento, e é bom que se fale, resumiu a história da cicuta com que nos matamos. Fez o relato, depois censurado por esse Pasquim do PS chamado JN, que deveria estarrecer o Dr. Soares e encher de caganeira mental o sr. Almeida Santos, esse grande padrinho da cunhas e benesses do Regime. Por que motivo não arreganham de Esquerda e Liberdade esses ânus falantes, Câmara Corporativa (sabe-tudo, até do livro que o jornalista publicará em breve), Jugular, Aspirina B, Da Literatura? Cerram fileiras com as meias-verdades e a nuvem de mentir habitual. Estou à espera de repúdio e notas de abominação por parte de grandes palradores da liberdade como, sei lá, os militares de Abril, quase todos com boas reformas do Regime acalentando uma boa morte forrada de notas de quinhentos euros. Ainda não tomei o pulso aos hipócritas bem nutridos da Justiça. Quando é que encaixam um microfone na bocarra de Marinho Pinto, omnipalrador, essa espécie de marreta Waldorf na bancada da Política? Então, ninguém se indigna? Continuaremos a matar o mensageiro? Continuaremos a beber essa cicuta paralisante, abraçando a morte como País, como Nação, como Democracia, como Liberdade? Assim seja. Venha, caro leitor, ser calhandreiro como o Governo diz ser Mário Crespo! Se Crespo é calhandreiro, eu sou o Pai Natal em lingerie vermelha e orelhas à Playboy.

Comments

Se todos os que não gostamos do Sol Sócrates (e do seu betão de Obrar) estamos doidos, cabe à Ministra Senhora Ana Jorge incrementar um Novo Manicómio do Tamanho do País, a fim de nos reeducarem a todos, mas com tal esmero que, futuramente, convictos, de cérebros bem lavados, façamos soar, com gritos P.S., o nosso profundo Amém.
Quint said…
Nessa figura, ficavas bonito!

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