Tenho visto demasiada miséria pelas ruas, ultimamente, e são muitas as que percorro a pé, na minha cidade. Habita-me uma esperança misteriosa, radicada no humanismo e na fonte de Vida que é Deus, no sorriso impossível que muitos mantêm, apesar de tudo. Tenho tido garra para lutar contra uma podridão tão grave como aquela que antecedeu o 25 de Abril de 1974, denunciando-a. O colete de forças contra a Liberdade de então é hoje um colete de forças contra a Verdade. Assistir à miséria moral e material em decurso no meu País é um duro e imerecido golpe para minha geração e a dos meus filhos. A miséria assume muitas formas tristes. Seja a velha mulher que me aborda na rua, atirando como de improviso: «O senhor não tem qualquer coisa para me dar?». E não tenho. Seja aquele aluno que falta por sistema e a sua magreza extrema denuncia o límpido despropósito de passar fome na sala de aula, quando pode sofrê-la mais bem com uma bola nos pés e o consolo proporcionado pelo convívio dos iguais. Assistimos ao cair de um pano negro, negado e renegado por uma índole rara de faustosos cabrões, do mais reles e ávido que a história pariu. Não são propriamente socialistas. São uma merda híbrida e sôfrega qualquer e terão muita sorte se saírem vivos da devastação criminosa que urdiram e que muitos cobrem de eufemismos para não descreverem desmandos, abusos, grosseiro devastar da sustentação e bem estar da maioria, sobretudo na última década e meia. Putarias público-privadas em troca da minha pele e da tua, leitor sem clubite politiqueira. Vamos sofrer? Bom apetite, que não é propriamente para todos.
«After he has suffered, he will see the light of life and be satisfied; by his knowledge my righteous servant will justify many, and he will bear their iniquities.Therefore I will give him a portion among the great, and he will divide the spoils with the strong, because he poured out his life unto death, and was numbered with the transgressors. For he bore the sin of many, and made intercession for the transgressors.» Isaiah 53
2 comentários:
Que mais no resta a não ser lutar! O prazer que tivermos na luta, é a nossa força! Agarra a vida amigo, vamos para as ruas!
Um abraço em tempos de rotura
Joshua,
"Fanfare for the common man" de Aaron Copland - é o que por vezes me vem à cabeça, ao ver o nosso pobre país. E tudo isto sem qualquer glória! Criminosos do Rato!!!
Saudações
Ass.: Besta Imunda
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