JERÓNIMO SOPORÍFERO POIS MESSIAS NEM DORMIU
Entendo a vinda a terreiro de Jerónimo de Sousa para colocar alguma água na hilariante fervura do Jorge Messias e sua mente convulsa. De uma assentada, Jorge conseguiu divertir meio Portugal, o meio esgalgado que ainda lê jornais e velhas bíblias resilientes, e conseguiu também trazer à memória o PCP que afinal existe. Comparado com os rostos da política que corta a direito e nos empobrece ainda mais a direito, ónus que cabe agora a Passos, Jerónimo, pelo contrário, funciona como uma espécie de Anjo Papudo ou Pai Natal da esquerda «empalhada». Lá veio ele, cheio de solicitude, a proteger o opinador divertido Messias e a desviar de estigmas o bode expiatório judeu e o bode expiatório jesuíta/vaticanista porque o bode comunista também foi expiatório tal como o bom bode povo português vai sendo expiatório dos mercados e do capital. E bem necessário foi que Jerónimo defendesse o pobre homem acossado. Calçadas as pantufas, era necessário olhar para o ensaio messianesco, publicado no Avante, com outros olhos: «Os comunistas, tal como o povo judeu, pagaram bem caro a barbárie nazi». Ainda bem que Jerónimo é bom. Dadas as reacções de fresco e bom humor, provenientes um pouco de todos os quadrantes, o pobre do cronista Messias nem logrou dormir nessa noite. Agora já poderá dormir consolado.
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