PATRIOTISMO PORTUENSE VS. PORTOFOBIA
Sou utente e sei a importância que teve para mim a tomada de posição dos trabalhadores desta empresa modelar. Subscrevo na íntegra a opinião de Rui Moreira: «Enquanto os trabalhadores das outras empresas de transporte de passageiros entravam em greve, complicando a vida a muitos portugueses que, por norma, não gozam sequer das suas benesses, os trabalhadores do Metro do Porto apresentaram-se ao trabalho e cumpriram com as suas obrigações. No mesmo dia, um grupo de entre eles tornou público um manifesto a explicar as razões pelas quais se recusavam a aderir a essa paralisação. Na verdade, uma só: os trabalhadores da Metro do Porto pretendem que se olhe para os méritos da empresa e do seu modelo de gestão e declaram, em dia de greve, que não abdicam dos seus direitos e que assumem o compromisso solene de cumprir com todas as suas obrigações. Como se assinala no documento, a Metro do Porto é "uma empresa que se rege por um modelo de gestão idêntico ao do melhor sector privado". Relembra-se, ainda, que, na sua empresa, "nunca houve aumentos salariais equivalentes aos da Função Pública, apenas cortes salariais equivalentes aos da Função Pública". Sem pretender reinterpretar este grito de revolta, creio que merece uma leitura atenta de muito dos nossos políticos, e em particular pelo senhor presidente da República, porque ajuda a destruir os raciocínios mais enviesados sobre a questão da equidade no que diz respeito à repartição dos sacrifícios. Não me parece justo que, numa altura em que o Estado tem um problema financeiro que o obriga a reequilibrar as suas contas públicas, sejam os políticos a reclamar a solidariedade dos trabalhadores privados, que têm vindo a ser os mais discriminados. Não me parece que se possa olvidar a segurança e conforto entre os trabalhadores do Estado, cujo vínculo é inatacável, equiparando-os aos trabalhadores do sector privado, sempre à mercê da falência das suas empresas, que os lança no desemprego. Bastará, aliás, para comprovar este argumento, avaliar que percentagem dos desempregados tinham vínculo laboral no sector privado, e quantos tinham um vínculo efectivo ao sector público. Não me parece que o senhor presidente da República ou o líder do Partido Socialista tenham algum dia questionado a equidade nessa questão, ou se tenham perguntado por que razão uns têm de trabalhar até aos sessenta e cinco anos para atingirem a idade de reforma, enquanto outros se reformaram pouco depois dos cinquenta, ficando muitas vezes a acumular essa reforma com a receita da prestação de serviços, a recibo verde, a instituições onde antes trabalhavam.» Rui Moreira

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