sábado, novembro 13, 2010

O DESPRENDIMENTO

Amado falou em desprendimento do cargo, sacrifício que faria, a fim de que um Governo alargado de salvação nacional fosse constituído. Uma das línguas que o socialismo socratista não fala, que aliás despreza, persegue e ignora, é a do desprendimento dos cargos, por mais apodrecidos que se encontrem. Há, por isso, alguém profundamente irritado com as palavras de Amado. Alguém que, como de costume, recrimina as Oposições porque elas efectivamente não podem querer assumir responsabilidades que lhes são alheias, associar-se a um malfeitor, um rei-sol absolutista e aldrabão. Aquele que esmaga, consome, esboroa tudo o que politicamente não seja socialista não merece o benefício da bóia. Nesta história de desprendimento dos cargos em troca de viabilidade nacional e sentido de Estado, o socratismo está-se a cagar. Quer é prevalecer, vexar os demais partidos, eliminar e desconsiderar os demais líderes e parceiros sociais, dividir para reinar e, assim, durar, durar, durar. O País que se foda porque o Amigo de Vara quer estar para durar. Ora, não haverá qualquer salvação nem saída para o cerco externo e a crise com um conflituoso, desonesto actor político, de sôfrega avidez desmedida por Poder, malignos vícios de cegueira irracional, aliás, que nos trouxeram até aqui. Alguém lhe meta isto na dura cornadura. Temo que a mensagem de Amado, sendo um começo de isolamento do cerne dos nossos problemas, será ainda insuficiente, tratando-se da feroz besta perigosa que se trata.

5 comentários:

Anónimo disse...

Com ou sem Luís Amado este Governo está a prazo. Mas no entretanto vai desgraçando o País. Portugal já não consegue inverter este plano inclinado em democracia. O País está refém de um enorme Polvo que se apoderou da vida Politica Nacional não para nos Governar mas para se governarem.

Anarca Coelho disse...

O energúmeno Sócrates ainda não percebeu, ou não quer perceber, que ele é o principal obstáculo a um maior e melhor entendimento entre PS e PSD. Donde, ele é o maior obstáculo à melhoria das condições económicas em Portugal. Sócrates há muito que é o problema e não a solução. Só que este energúmeno tem uma enorme sede de poder e sabe que se saír de PM passa a ser um zé-ninguém, inculto, incompetente e ignorante como é.

Ratax disse...

Mas alguém no seu perfeito juízo se quer associar a esta corja? Em particular a esquerda honesta que vem avisando desde à imensos anos que o que se passa actualmente ia acontecer, pelas politicas seguidas pelo PS e PSD?! Aliás, o que o PS quer não alguém para partilhar a governação, mas sim uns ingénuos sobre quem irá atirar as culpas se algo correr mal. É que do Largo do Rato só saem maquinações, trafulhices e esquemas de poder para dar tachos aos amigos como está mais que provado. Imaginem agora que o PCP ou o BE aceitavam entrar num governo de coligação... Se o PS, o irmão gémeo PSD, e o PP já responsabilizam a esquerda pelo estado do pais, sem nunca terem governado um dia que seja, o que não diriam depois disso? Até de serem responsáveis pela Peste Negra na Idade Média seriam acusados. Eu, pessoalmente deixaria estes gatunos cair de podre. Se bem que de pouco adianta pois pelas últimas sondagens a inteligência dos portugueses não é muita e vão votar de novo nos mesmos. Não lhes chega de miséria está visto...

floribundus disse...

sapatilhas
«comeu o isco,
cagou no anzol»

Anónimo disse...

Esta entrevista de Luís Amado ao Expresso constitui uma jogada de mestre, pela sinalização pública de uma dissidência fundamental relativamente àquilo que Sócrates encarna e representa, num momento em que alguns desabafam lamentos e parecem conspirar em surdina (os soaristas), outros dão uma no cravo e duas na ferradura (como Francisco Assis) ou outros, ainda, não têm coragem para afrontar Sócrates e fingem desejar remodelações governamentais, fazendo crer que o epicentro dos problemas e da força centrífuga, que afastará o PS do poder, não é o próprio Sócrates (como Ana Gomes).
No essencial, Amado salta fora do carrossel da degradação governativa e salvaguarda-se da derrocada do já insuportável estilo socrático de fazer política, sugerindo as seguintes trajectórias em contramão a Sócrates:
- à dimensão partidária de Sócrates (da qual nunca conseguiu descolar), Amado contrapõe uma dimensão de homem de Estado que coloca os interesses do país acima dos interesses partidários e da sua própria carreira política;
- se para sobreviver politicamente, Sócrates terá que se apegar, como lapa, ao poder, a sobrevivência de Amado dependerá da sua declaração de total desapego do poder (mesmo que estratégica, de forma a isolar e imputar a Sócrates, tanto a obsessão do poder, como a causa abortiva das soluções);
- em contraponto à arrogância e à prepotência socráticas, Amado explora uma postura de abertura, humildade, diálogo e serenidade;
- a sobriedade com que Amado exerce o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros, e que deixa perpassar na entrevista, projecta dele uma imagem de competência, rigor e eficácia, ao invés da bazófia e da megalomania de Sócrates, que o tornam presa de um protagonismo doentio, a maioria das vezes injustificado, distorcido, fútil ou, mesmo, alucinado;
- contraria o optimismo socrático com um realismo e um pragmatismo notáveis;
- exime-se da tragédia socrática e posiciona-se como um referencial de autoridade, de segurança e de confiança para o futuro do PS, sensível aquilo que são as preocupações de uma parte substantiva do eleitorado.
O aparentemente irónico, é que é exactamente o membro do governo que transmite a imagem de maior seriedade/decência (juntamente com Mariano Gago) e que concitaria a maior aceitação para uma solução de governo de coligação, aquele que se disponibiliza a sair. Todavia, Luís Amado transferiu, com esta jogada de antecipação, toda a pressão de abdicação do poder para cima de Sócrates.
Pelo sumariamente exposto, considero que Sócrates não terá Amado, pelo menos no duplo sentido a que a expressão se presta (sem procurar significações mais psicanalíticas), ou seja, terá ficado profundamente desagrado com o conteúdo da entrevista, no modo como o fulmina politicamente, mas também ficou a saber que não deverá contar mais com Amado na perpetuação das ilusões.