Meu amor, ontem chovia e ventava, enquanto, ao fim da tarde, caminhava de regresso a casa, meio febril e combalido. A espaços, desde o âmago do breu envolvente, céu carregado, um filamento de lua luminosa rompia, enorme, rente ao poente de entre farrapos de nuvens que cavalgavam para norte. Mal jantámos, quis embrenhar-me nos nossos cobertores, pois um frio estranho deixava-me estranhamente transido. Bem viste que tiritava de um tiritar anómalo e foi em espasmos, convulso de frio, que pasmaste o deitar-me tão cedo. Cuidaste bem de mim, vigilante, no desvelo de sempre. Hoje amanheci outro. Já passou. Oiço mas não escuto, quando me recomendas, vez após vez, meiga e feminina: «Não exageres na tua entrega. Protege-te do frio e da chuva. Há dias de tempestade tais que obrigam a medidas de excepção.» Respondo-te que não posso. Digo-te que não quero retroceder do meu voto. Obstinações sofridas, causas inglórias, derrotas anunciadas, alguma coisa enrijece e depura esta vontade ávida por sublime.
«After he has suffered, he will see the light of life and be satisfied; by his knowledge my righteous servant will justify many, and he will bear their iniquities.Therefore I will give him a portion among the great, and he will divide the spoils with the strong, because he poured out his life unto death, and was numbered with the transgressors. For he bore the sin of many, and made intercession for the transgressors.» Isaiah 53
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2 comentários:
meu lema
«de pé ou morto,
nunca de cócoras»
cuidado com a saúde
estes teus momentos fascinam um pobre analfabeto como eu. Bravo Joshua.
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