UMA CORJA QUE SACA
«Isto dos ditos populares já não é o que era. Lembram-se dum que assertivamente determinava que "ou há moral ou comem todos?". Pois parece que nos tempos modernos, onde muita coisa de antanho foi esquecido, se adaptou a coisa para um mais politicamente correcto "não há moral e só comem alguns!" Serve isto para dizer que em Portugal não há moral, comem alguns e, consequentemente, há várias categorias de portugueses. Em nome da estabilidade fiscal... permite-se que grandes empresas distribuam dividendos aos accionistas fugindo ao pagamento duns cobres ao Estado! Em nome da competitividade... permite-se que a CGD e os hospitais de natureza empresarial mantenham intocáveis remunerações! Em nome da insularidade... tira-se 5% à função pública mas oferece-se em compensação um subsídio que, se calhar, vai ser de 10% ou mais por cento! Ernâni Lopes, que faleceu anteontem, disse uma vez na televisão que se não ensinássemos aos nossos filhos valores como os da honradez, apego à verdade e civilidade, então não havia PEC ou austeridade que nos valessem. Tinha razão. Anos e anos de desleixo e de incúria produziram estes espécimes que por hoje se pavoneiam pelos corredores do poder e se riem de nós sem dó nem piedade. Em tempos cheguei a pensar que a solução seria passar a votar nas putas, levando-as ao poder pois os filhos já lá estão; hoje, temo bem que a solução só passe por sairmos à rua e correr com a corja à pedrada ou a tiro!» Tarantino
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