terça-feira, novembro 30, 2010

PURA HIGIENE

Quando António Costa declara que “são maus caminhos” os caminhos daqueles que, peregrinamente ou não, pretendem a partir de um certo PS evacuar Sócrates da devastação governamental em decurso, está a ser um mau amigo de Sócrates, do País e dos seus colegas socialistas. Os bons amigos percebem quando o amigo já não tem condições para liquidar o País todos os dias em parte pela nula credibilidade com que agenciou a execução das políticas. Presidente da câmara de Lisboa, António Costa, deveria ter mais em que pensar, mas faz, enfim, aquele pastoso raciocínio habitual na Quadratura: algo entre a lógica de paxá socialista e a conversa de chacha amiguista que procura tapar o sol com a peneira como se a sucessão do Primadonna José Sócrates, Taliban Escanhoado, e restante peçonha, não fosse absolutamente premente, questão de pura higiene.

MULHER BANHANDO-SE NA TORRENTE

A Woman Bathing in a Stream, 1655, National Gallery, London,
was painted by Rembrandt at about the same time as Bathsheba.
E ao olhar esta mulher morta na tela viva rembrandtiana
deu-se-me algo que nunca poderei explicar:
torrente de lágrimas que irrompe, 
epifânica, superveniente luz 
adveniente do mais puro 
fundo, ígnea sarça
do Deus Vivo.

RIO

segunda-feira, novembro 29, 2010

O TALIBAN ESCANHOADO

Eu não duvido do que Cavaco diz se Cavaco o diz, mas é preciso olhar para trás antes de olhar para a frente. Para trás fica o legado de seis anos de uma enorme passividade institucional da Instituição Presidência com o Taliban Escanhoado investido no desgoverno da Nação. Avulta demasiado calculismo algemando a liberdade de movimentos e a urgência da ruptura. Cavaco garantiu a estabilidade do esbulho, o sossego da paz podre, foi o garante da imobilidade em paralisia democrática. Uma paz tumular, pastosa e viscosa, estável, eis Cavaco. Como, pois, confiar na “magistratura activa” que promete exercer caso seja reeleito na Presidência da República? Activa como? Deixando andar? Se ficou definida como uma das suas prioridades o combate ao desemprego, «o maior flagelo social da actualidade», há que actuar antes de mais sobre o flagelo da corrupção, sobre o saque ao Erário por parte do Bloco Central de Interesses, bem como pôr cobro à obscena sobrevivência política do 'nosso' Taliban Escanhoado que ensaia compor os cacos da sua governação falhada: credibilidade interna zero, juros da dívida a rebentar, FMI a caminho.

DE PÉ E MAIS ALÉM

Ainda hoje, caro Daniel, companheiro, há muitos blogues que nos rejeitam e deixam de pé. Um dos argumentos sornas para sermos assim ignorados e rejeitados é simples: demasiada independência; nenhuma vassalagem aos partidos do sistema rotativista. Pois permaneçamos de Pé como as árvores ou como os sem-abrigo na sua indeclinável dignidade sem lugar a não ser o que Deus nos reserva Mais Além.

WIKILEAKS E O ESTOURO PORTUGUÊS

O que vai sendo divulgado pelo Wikileaks é altamente embaraçoso para os EUA e as relações harmónicas com os diversos países coligados, mas eu colocaria a questão ao nível da divulgação dos humores de Edite Estrela apanhados nas escutas a Vara: muitos preferiram olhar para o dedo em vez de olhar para a lua para onde se apontava, matando o mensageiro. Agora é como se um momo estivesse a puxar as saias ao Império Romano em campanha na Germânia, isto é, no Iraque, no Afeganistão e por aí fora: o ridículo, o cúmulo do impróprio está ao léu. Lamentavelmente, a coisa não será diferente do que se passa em Portugal, onde a podridão política bóia e ninguém quer saber do estouro que por aí vem. Por mais fugas de informação nacionais e mais podres que se denunciem, segue tudo como habitualmente: o PS-Governo mete à pressa a sua rapaziada, o saque geral ao Erário prossegue, todos os maus cheiros do Poder permanecem intactos, nada se renova.

domingo, novembro 28, 2010

A LENGA-LENGA QUE NOS VENDEM

«... o endivimanto não resulta de uma bebedeira consumista que leva os povos a viver acima das suas possibilidades, mas de um desvio dos recursos disponíveis de parte da população para os mais favorecidos; que a crise não resulta, como nos querem vender, de um excesso de Estado Social, mas de um falhanço no papel redistributivo do Estado; e que as medidas que estamos a aplicar, com redução de prestações sociais e dos custos do trabalho, apenas agudizarão a crise. Como em quase todos os estudos que vão saindo, os números contrariam a lenga-lenga que nos vendem todos os dias.» Daniel Oliveira, PNETcrónicas

PENTHOUSE: «DEVEM-ME DINHEIRO»

«José Sócrates em 2001 prometeu que não ia aumentar os impostos. E aumentou. Deve-me dinheiro. António Mexia da EDP comprou uma sinecura para Manuel Pinho em Nova Iorque. Deve-me o dinheiro da sinecura de Pinho. E dos três milhões de bónus que recebeu. E da taxa da RTP na conta da luz. Deve-me a mim e a Francisco C. que perdeu este mês um dos quatro empregos de uma loja de ferragens na Ajuda onde eu ia e que fechou. E perderam-se quatro empregos. Por causa dos bónus de Mexia. E da sinecura de Pinho. E das taxas da RTP. Aníbal Cavaco Silva e a família devem-me dinheiro. Pelas acções da SLN que tiveram um lucro pago pelo BPN de 147,5 %. Num ano. Manuel Dias Loureiro deve-me dinheiro. Porque comprou por milhões coisas que desapareceram na SLN e o BPN pagou depois. E eu pago pelo BPN agora. Logo, eu pago as compras de Dias Loureiro. E pago pelos 147,5 das acções dos Silva. Cavaco Silva deve-me muito dinheiro. Por ter acabado com a minha frota pesqueira em Peniche e Sesimbra e Lagos e Tavira e Viana do Castelo. Antes, à noite, viam-se milhares de luzes de traineiras. Agora, no escuro, eu como a Pescanova que chega de Vigo. Por isso Cavaco deve-me mais robalos do que Godinho alguma vez deu a Vara. Deve-me por ter vendido a ponte que Salazar me deixou e que eu agora pago à Mota Engil. António Guterres deve-me dinheiro porque vendeu a EDP. E agora a EDP compra cursos em Nova Iorque para Manuel Pinho. E cobra a electricidade mais cara da Europa. Porque inclui a taxa da RTP para os ordenados e bónus da RTP. E para o bónus de Mexia. A PT deve-me dinheiro. Porque não paga impostos sobre tudo o que ganha. E eu pago. Eu e a D. Isabel que vive na Cova da Moura e limpa três escritórios pelo mínimo dos ordenados. E paga Impostos sobre tudo o que ganha. E ficou sem abonos de família. E a PT não paga os impostos que deve e tenta comprar a estação de TV que diz mal do Primeiro-ministro. Rui Pedro Soares da PT deve-me o dinheiro que usou para pagar a Figo o ménage com Sócrates nas eleições. E o que gastou a comprar a TVI. Mário Lino deve-me pelos lixos e robalos de Godinho. E pelo que pagou pelos estudos de aeroportos onde não se vai voar. E de comboios em que não se vai andar. E pelas pontes que projectou e que nunca ligarão nada. Teixeira dos Santos deve-me dinheiro porque em 2008 me disse que as contas do Estado estavam sãs. E estavam doentes. Muito. E não há cura para as contas deste Estado. Os jornalistas que têm casas da Câmara devem-me o dinheiro das rendas. E os arquitectos também. E os médicos e todos aqueles que deviam pagar rendas e prestações e vivem em casas da Câmara, devem-me dinheiro. Os que construíram dez estádios de futebol devem-me o custo de dez estádios de futebol. Os que não trabalham porque não querem e recebem subsídios porque querem, devem-me dinheiro. Devem-me tanto como os que não pagam renda de casa e deviam pagar. Jornalistas, médicos, economistas, advogados e arquitectos deviam ter vergonha na cara e pagar rendas de casa. Porque o resto do país paga. E eles não pagam. E não têm vergonha de me dever dinheiro. Nem eles nem Pedro Silva Pereira que deve dinheiro à natureza pela alteração da Zona de Protecção Especial de Alcochete. Porque o Freeport foi feito à custa de robalos e matou flamingos. E agora para pagar o que devem aos flamingos e ao país vão vendendo Portugal aos chineses. Mas eles não nos dão robalos suficientes apesar de nos termos esquecido de Tien Amen e da Birmânia e do Prémio Nobel e do Google censurado. Apesar de censurarmos, também, a manifestação da Amnistia, não nos dão robalos. Ensinam-nos a pescar dando-nos dinheiro a conta gotas para ir a uma loja chinesa comprar canas de pesca e isco de plástico e tentar a sorte com tainhas. À borda do Tejo. Mas pesca-se pouca tainha porque o Tejo vem sujo. De Alcochete. Por isso devem-me dinheiro. A mim e aos 600 mil que ficaram desempregados e aos 600 mil que ainda vão ficar sem trabalho. E à D. Isabel que vai a esta hora da noite ou do dia na limpeza de mais um escritório. Normalmente limpa três. E duas vezes por semana vai ao Banco Alimentar. E se está perto vai a um refeitório das Misericórdias. À Sexta come muito. Porque Sábado e Domingo estão fechados. E quando está doente vai para o centro de saúde às 4 da manhã. E limpa menos um escritório. E nessa altura ganha menos que o ordenado mínimo. Por isso devem-nos muito dinheiro. E não adianta contratar o Cobrador do Fraque. Eles não têm vergonha nenhuma. Vai ser preciso mais para pagarem. Muito mais. Já.» Penthouse, Novembro de 2010

FÉNIX MOURA GUEDES

Quando o ambíguo e roufenho Marinho Pinto insultou Manuela Moura Guedes, insultou-nos a todos porque era ela uma das poucas vozes que insistia na clamorosa nudez do rei, com factos e investigação, contra o abafamento mafioso de todos os podres e todos casos envolvendo figuras repetidas da decadência portuguesa, como Vara e Sócrates. Agora que a maligna malícia de governar com o mau carácter em riste deu nisto, no desastre, já é tarde, pois nada pode valer a um povo provincianamente alheado e nada perspicaz, a não ser emigrar e começar de novo. Milhões de cidadãos broncos na sua clubite partidária podem agora pensar que faz falta avisar a malta através de milhares de Moura Guedes quando, com o seu "mau jornalismo" preventivo e denunciatório, pelo menos alertava os crédulos portugueses para os males morais que desaguaram no que hoje temos para lavar e durar por longos anos. Folgo, por isso, estar prestes a ver MMG na SIC, no mesmo registo, espero.

HOJE VOU MATAR UM LINK

Não sei, deve ser deste frio. Apetece-me ir ali matar um link, rasurar inteiramente uma existência, ignorar por completo alguém que por sua vez ignora de mais. Acho que é uma boa prenda que me dou, num tempo cruel e seco, onde os que nos cumulam de silêncio e superioridade falida são às centenas e passam cadavéricos e neutros na minha Rua do Almada e na minha espantosa Avenida Facebook, na caverna do meu blogue. Vistas bem as coisas, a frieza desamorosa que por cá abunda é de querer morrer e de querer talvez matar, a julgar por tanta violência doméstica orientada contra pobres mulheres em vez de organizada contra os ladrões de gravata que nos deprimem e esmagam a todos. Vou ali matar um link. Entretanto, ASS foi descansar e veio outro socialista fazer declarações de vácuo fátuo. Habitualmente mais moderado a atirar banais opiniões de barro à parede a ver se colam, Vera Jardim dá prova de vida sobre o tema novo da remodelação. De tanto aparecerem e ficarem colados à merda em que isto jaz, já se trata de um verdadeiro heroísmo um socialista gasto dar a fronha. 

O ENFATUADO INSINUA-SE

Zapatero lembrou-se de federar as maiores empresas exportadoras espanholas conferenciando com elas e prometendo umas coisas, acelerar a reforma do mercado de trabalho, do sistema de pensões e do sistema financeiro. É uma boa ideia espanhola. Em Portugal, o Primadonna quer fazer o mesmo, num plágio de desespero entre muitos outros que penosamente dele aturaremos. Mas há um problema entre milhentos: a falta de credibilidade de um Governo e de um Primeiro-Ministro que submeteu o exercício do poder à sua vaidosa e autossuficiente autarcia e não às exigências da realidade e da partilha de esforços por Portugal. Em vigésimo primeiro lugar no ranking dos países endividados, com 507 mil milhões, o que equivale a 233 % do PIB, qualquer um sabe que Portugal não é o mais endividado no concerto das nações, mas é dos que possuem a economia mais débil, mais permeável e menos independente e daqueles países cujo Estado mais dissipa a riqueza produzida. Mas enfim, no momento em que o Primadonna de novo se insinua catedraticamente para enfatizar a sua liderança vazia e forçada, eis aquelas que estão entre as maiores empresas exportadoras portuguesas e que se sentarão à mesma mesa para mais um momento Zen. Quem poderia perder os últimos gases do PM ilusionista português? São elas a Petrogal, Amorim, Soporcel, Autoeuropa, Efacec, Continental, Bosch, Somincor, Peugeot-Citroen, Repsol, CACIA e a BA Vidro. É na terça-feira e promete orgasmos múltiplos.

VIGILÂNCIA PALAVROSSAVRVS REX

sábado, novembro 27, 2010

FMI: IMPOSING MISERY FOREVER

Quem coopera com as mentiras, mente. Quem condescende com falsificações, falsifica. Quem assiste ao processo de desmantelamento nacional, desmantela cooperativamente. É por isso que o ano de 2011 será o ano do passento PSD em união de facto com o FMI, após um casamento orçamentalmente gay com o PS, que vai estrebuchando com duas de letra, ora agora nas palavras "credíveis" de ASS ora mais tarde nas palavras de ninguém, porque poucos mais socialistas se arriscarão ao vexatório processo de vir para as rádios e para as TVs fazer o frete de Mohammed Saeed al-Sahhaf, disfarçando o indisfarçável. Ao PS nada o pode salvar das responsabilidades pelo imponderável peso da dívida e o obsceno descontrolo do défice, coisas para as quais não pode haver perdão ou atenuante. Este OE, tosca repleta de erros e de opacidades manhosas, foi aprovado como uma marcha funerária é executada a propósito. Já se sente o cheiro a  FMI, embora, segundo os especialistas, a Espanha, por ser tão pesada e suculenta, tenha tudo para ser a próxima vítima dos mercados e não Portugal, que lhe sofrerá as ondas de choque demolidoras a que já está habituado. Cavaco, um medroso com bom coração, íntegro como um sol de Inverno no Pólo Norte, lá terá de ser o que nunca foi, político. Uma vez reeleito, teremos o mais alto magistrado da Nação a cortar a fita de um País a capitular num grande naufrágio nacional urdido e acalentado pela nata do "pensamento" político e da "visionária" estratégia "socialistas". Este pessoal não brinca em serviço e é extremamente competente a desgraçar. Quinze anos sempre a dar-lhe! Ah, valentes!

O FILME DE TERROR PORTUGUÊS

Tem calma, Tarantino, que isto tem petróleo ao largo de Peniche e também terá gás natural directamente embalado do cu dos portugueses. Ainda há esperança.

O NOSSO FALIR PÓRNOI

França é vanguardista em tudo, incluindo no inexorável desaparecimento da cena mundial na vertente linguística e como ascendente cultural. Uma nova tendência de anúncios de oferta de trabalhos domésticos, que dá sentido à expressão “pagamento em géneros”, está a agitar os franceses. O jornal francês Le Parisien conta como se está a transformar em moda trocar certos serviços como arranjos de canalização ou traduções e explicações em casa, por favores sexuais. Por cá, vamos muito à frente, pois esse domínio foi nacionalizado pelo OE 2011. Tal como Grécia Antiga possuía uma grande quantidade de πόρνοι / pórnoi, prostitutos, parte deles "trabalhando" para uma clientela feminina, estando documentada a existência de gigolos desde a Época Clássica, hoje todos os portugueses trabalham para a insaciabilidade do Estado-PS Português Falido. Quando na comédia «Pluto», Aristófanes coloca em cena uma mulher de idade avançada que gastou todo o seu dinheiro num amante que depois a rejeita, mal se poderia imaginar que o Estado Português gastou todo o seu dinheiro em clientelas, em projectos danosos e abusos sem fim. Enfim, à parte a história e o regresso ao passado, francesices. Porém, com o Estado Português à cabeça a fornicar os portugueses, já não há nicho para imitar os franceses.

POSSUM NON CREDERE ID VERUM ESSE

Tendo como principal características o duplo pensar socratista e sendo um delambido apoiante do socratismo visceral, que o truculento e proporcionalmente inconsequente Marinho Pinto tenha sido reeleito como bastonário da Ordem dos Advogados é um verdadeiro desafio ao gosto de sofrer nacional e à reincidência nos mesmos males, males que João Correia, agora demissionário desta governação, imputa a uma parte do PS ao estar essa parte "naturalmente" «contra a Justiça». Ou então tudo isto, a vitória de Marinho, se explica com base na complexa técnica de ganhar eleições testada com sucesso em 2009. Seja como for, é o masoquismo reincidente nacional que está no bom caminho. Parabéns, masoquistas!

sexta-feira, novembro 26, 2010

DO OPTIMISMO FUNAMBULAR

«Repito, pois: golpe de asa ou eleições a curto prazo. E, acrescento, se a oportunidade do relançamento falhar, isso vai inexoravelmente impor  e bem mais cedo do que se tem pensado e dito  uma incontornável alternativa ao PS: a de continuar, com o statu quo, entrincheirado num balanço "impossível", sobrepondo a obsessão de durar à capacidade para governar. Ou a de optar por uma autêntica mudança ao nível dos valores, da estratégia e da liderança, que o liberte do optimismo funambular que o tem anestesiado, assumindo que não haverá novo projecto nacional sem um novo contrato social, sem uma constante valorização da competência e da deliberação na decisão política, sem uma descomplexada cultura de negociação e sem uma forte exigência de exemplaridade no exercício de funções públicas.» Manuel Maria Carrilho, DN

TODOS DESMENTIRAM

A Grécia não tinha problemas nem necessidades de maior, até admiti-los, aos problemas e às necessidades. A Irlanda insistia que nada tinha a ver com a Grécia, até a inevitabilidade chegar, após dias de desmentidos sucessivos. O Governo português, isto é, da grande e hermética pátria venha-a-nós socialista onde pontifica o clarividente ASS, vai dizendo que nada tem a ver com a Irlanda nem com a Grécia. Sendo embora verdade, na especificidade, é mentira na generalidade, o que equivale a reincidir no mesmo erro: em vez de calar e agir, os socialistas vão andando de desmentido em desmentido, usando palavras enfáticas como "categoricamente" com risco de ir ter de engoli-las. Sabem que a confirmar-se as piores notícias do FMI e do Fundo Europeu, não haverá povo que lhes perdoe a gravosa inépcia década e meia à frente da governação, com a corrupção bem lá em cima e a produção e o PIB bem lá em baixo. Agora, o que se desmente "categoricamente" é a notícia de que o Estado português está a ser alvo de pressões por parte de vários países da zona euro para pedir ajuda financeira externa. A Comissão Europeia diz desconhecer as pressões que o Financial Times Deustschland veicula. Nós, nesta matéria, já sabemos que nem o impotente Mastodonte Europeu nem o ridículo Apêndice Português falam verdade.

MAÇÃS

A memória é curta no desporto e especialmente no futebol, onde a amnésia selectiva impera. Moutinho, de repente, transmuta-se de "maçã podre" em "maça luzidia": trata-se de um «profissional fantástico» para JEB. Jesus vai apodrecendo na podridão do ambiente no balneário onde poucos correm e a empatia está partida. Os maus resultados avultam. Aquele velho Jesus raçudo e combativo deixa cair por terra uma ligação que parecia, em tudo, perfeita, ao ponto de Vieira ter colocado no contrato do treinador um prémio de vitória na Liga dos Campeões. Pelo menos no plano internacional, esperava-se bem mais da equipa portuguesa que, na época passada, perfumava os campos de futebol com uma raça e uma ambição assinaláveis. Foi Jesus que mudou? Mudaram os jogadores? Onde pára a antiga empatia? Agora parece tarde de mais. As malas da ruptura estão abertas, à espera de se encher para um adeus baço e amargo.

quinta-feira, novembro 25, 2010

QUANDO TUDO SE DESFAZ

Em Portugal, enquanto tudo se desfaz, a desfaçatez ganha a dianteira. Não pondo de parte possível dolo destas urgentes melgas dos últimos recursos do civismo, o certo é que todo o ano de 2010 demonstra à saciedade que há um défice de violações ao segredo de justiça comparado com o excesso de impunidade entre os políticos ladrões, mentirosos e desonestos e as suas danosas clientelas devoristas. Aliás, todo o Regime português assenta numa série de perversidades que, tal como o mesmo Regime, se estão a desfazer graças ao grande crivo e à grande verdade inscrita na iminência de bancarrota. Há males que vêm separar o nosso trigo do nosso joio e tivéssemos Povo lúcido e inteligente capaz de punir e de aprender, já que manifestamente se mostrou incapaz de prevenir isto, tão estupidamente indiferente e alheado ao que lhe diz respeito — a Política é algo de Nobre e exige Excelência! ao ponto de se deixar conduzir para o matadouro de empobrecer, para dizer o mínimo. O esmagamento prometido para 2011 tem responsáveis. Activos e passivos. Responsável activo absoluto e sintético, o Governo PS. Uma matilha sôfrega de políticos pela politiquice de prevalecer a todo o transe sem honra nem sentido de Estado. Responsáveis passivos e trangalhadanças, os eleitores frouxos e distraídos na clubite de votar, sem estudo nem sabedoria, ou não votar. Responsável passivo, tosco, o PSD pela desordem interna e a transigência com a devassidão de processos do PS-Governo/Estado-PS quando os piores sinais eram há muito por demais evidentes. Responsável passivo, totó, o Presidente da República, absolutamente frouxo e conivente, apesar de ser uma pessoa decente, sóbria e boa, o que, perante chantagistas e ladrões, exige bem mais que avisos e outros gestos a medo. Agora que é tarde, faça-se ao menos luz sobre o lodo.

quarta-feira, novembro 24, 2010

DECOTE PARA MEMÓRIA FUTURA

DA INSÍDIA

Passos, antes de liderar, amparava benévolo Sócrates sob silêncios e bonomias. Era a mão que embalava o berço vil de víboras, lixando professores e outras classes dos «inúteis mais bem pagos», como grafou sabiamente Miguel Sousa Tavares, quem lhe dera fosse apócrifo. Mal pôde, foi a mão apressada, estendida, para dançar o tango. Agora, mil vezes traído pelo mestre da insídia, prepara-se para ser a mão inútil e repetida que ou pívias bate ou dança o vira. Era o orçamento. Eram os mercados. É a execução orçamental. [É o caralho, meu amigo!]

GOTTA GO HOME

MERKEL ESCAVACA

Citando Teresa de Sousa, que não deixa de ter alguma razão, os corporativos, isto é, assessores governamentais, isto é, ninguém, perguntam sabiamente se Merkel acordará tarde? O objectivo destas sôfregas citações e referências é agora assessorar o governo no choro impostor de inocência e ajudá-lo a passar ao registo do coitadinho. Mas além de não pegar, já é tarde para isso. Sócrates brincou aos berlindes, fantasias cortantes e ilusões mortíferas. Trapaceou primeiro o eleitorado. Depois teve a mão nupcial do PSD ingénuo, que atraiçoou duas ou mais vezes. Teve tudo. Beneficiou da infinita condescendência de quase toda a gente, até finalmente lhes espetar a frio com a realidade do défice e da dívida, dos cortes salariais e das perdas sociais. Quem poderia ser mais sonolento, irresponsável, e brincar mais à consolidação das contas públicas dos seus estados, Merkel ou Sócrates? Sinceramente, há muitos portugueses que consideram providenciais os petelecos que a chanceler vai dando, sempre que fala, porque talvez sejam a única forma, porventura deliberada, de sacudir da União governos ineptos, desonestos, que prezaram muitíssimo mais a manutenção do poder, com os seus esquemas malignos, que o bem objectivo dos seus povos. Fala e de facto escavaca com as escassas hipóteses dos periféricos na sua crise. Povo que é Povo não admite abusos e enganos consecutivos. Nós admitimos. Nunca me rebelarei contra Merkel e a sua falta de tacto sem antes começar por demolir o socratismo e quem o apanhar por tudo o que vai destruindo à medida que dura por durar.

«SOB O CHASCO E O INSULTO DA CANALHA»

INVESTIMENTO EXTERNO GEORGIANO

Em carne de primeira, supomos, mas também começo de conversa quando, no resto, as coisas e o País vão de falo falido.

CUMPLICIADOS

Que PSD e Cavaco são cúmplices do PS não resta qualquer espécie de dúvida. A diferença é que o PSD (e Cavaco) amam-nos um poucochinho mais e sabem fazer as coisas mais bem feitas, quando mandam, entre a delicadeza e a excelência técnica dos seus quadros, quando não entram em tentação. Com o PS, a ladroagem é à bruta e à descarada tal como a impunidade. O assalto ao Estado é mais que evidente, apesar de todos os sinais e recomendações, como quem pede urgente intervenção externa. Note-se como a excepcionalidade manhosa, as más surpresas e as más notícias  tudo se faz à bruta, sem respeito pelo facto de estarmos todos a ver. Que pena, nesta hora, PSD e Cavaco ficarem do lado do PS e da magna corporação clientelar, miríade incontável de sanguessugas sem sentido de justiça ou de povo ou de Pátria ou de bem comum! Não fosse essa fraqueza terrível que os cumplicia bem cumpliciados, feita de sussurros, medos, cautelas, uma estúpida prudência sem par, poderíamos ser tão mais felizes, há imenso tempo livres do socratismo "socialista", do seu galope infrene rumo ao abismo, das suas malfeitorias contra os mais frágeis e inermes da população.

AS RODAS DO JIPE

Quando o sangue sobe à cabeça do patrão, as rodas do veículo fazem o resto e os outros corpos é que pagam: o proprietário do Intermarché de Vila Nova de Famalicão avançou com o seu jipe, hoje de manhã, quarta-feira, contra um piquete de greve que se encontrava no passeio junto ao supermercado. Duas pessoas ficaram feridas. Evidentemente que o povo é pacífico. E sereno. Sugestão de leitura: o direito à Greve está consagrado na Constituição da República Portuguesa (Artigo 57.º) e traduz-se numa garantia, competindo ao trabalhador a definição do âmbito de interesses a defender através do recurso à Greve. Mais se acrescenta na Constituição da República: a lei não pode limitar este direito! Pois, mas na prática, avulta o assédio, a violência, a progressiva castração de esse velho direito do século XX, inútil porque neutralizado no século XXI, ao qual se deverá aprender a dizer adeus, parece. 

EXCEPCIONAL PROSTITUTA

Ontem, no Parlamento, o esperado tornou-se inesperado. Esperava-se que as empresas do Estado pudessem, de alguma maneira, fugir ao corte salarial de que os demais não escaparão. E assim foi. É injusto, revoltante, obsceno? É, mas, quando o PSD dá a mão, o PS toma o braço todo e a respectiva clientela pode continuar a mama em sossego. Esperava-se que o PS aprovasse um regime de excepção para evitar fuga de quadros da Caixa Geral de Depósitos, coitados. Devem ter uma vontade enorme de fugir para o fim do mundo. E assim foi. É injusto, criminoso, obsceno? É, mas, quando o PSD dá a mão, o PS toma o braço todo e a respectiva clientela pode continuar a mamar descansada. Sabe-se que tal medida pode ser adoptada pela TAP, CTT, CP, Refer e ANA, no mínimo. E cá temos o sentido de justiça de José Sócrates, do PSD, de braço dado com a protecção ao pessoal político introduzido nos tachos das EPs. Assim se discrimina negativamente nos cortes e se destrói Portugal com a velha competência e a ainda mais velha ratice cretina que nos trouxe ao limiar da bancarrota e mais além.

O JACTO

FAZ TODO O SENTIDO

«Estar na Greve Geral porque se é possível isentar os accionistas da PT de mais de 250 Milhões em impostos, seria possível não cortar o abono de família; se é possível entregar mais de 7.000 Milhões de euros ao BPN, seria possível aumentar o salário mínimo em 25 euros ilíquidos; se é possível a banca pagar 4,3% de impostos (em vez dos 26,5% da generalidade das empresas), seria possível não aumentar o IVA para 23%; se é possível a banca ter um lucro diário de 4,6 Milhões de euros, seria possível não congelar as carreiras e não roubar mais um ano de serviço; se é possível manter elevados níveis de gastos com benesses e mordomias, publicidades e diversas despesas inúteis, seria possível não reduzir o salário a quem trabalha. É muito importante tornar visível a nossa indignação e o nosso desacordo face a tamanhas injustiças, exigindo a mudança de políticas!»

terça-feira, novembro 23, 2010

CACICOCRACIA

Goste-se dela ou não (na verdade, não adianta aos comentadores inscritos no caderno de encargos do PS insultar a mulher, conforme têm feito) o certo é que a chanceler alemã voltou a falar, o que tem sido grave só por si. Desta vez afirmou que a probabilidade de haver mais resgates na zona euro é “séria”, conforme dá conta a Bloomberg. Ela tem-se comportado como uma espécie de Teixeira dos Santos ao Finantial Times: dispara, erra e depois tenta (ou não) a corrigir o disparo, coisa impossível sobretudo quando é no pé que acerta. Enfim, dias negros virão e os portugueses o sentirão. Foi tudo contra. Um Governo rapace e ultraclientelar. Uma Europa desnorteada. A Europa só alberga aprendizes de líder e deles segrega os piores. Parecem todos clones do nosso PM, entra as lantejoulas e a arrogância, entre o fanfarrão e o trambiqueiro com lata. Sobrepõem o cálculo eleitoral interno imediato à sustentabilidade do projecto europeu e ao sossego dos mercados, enervando-os acrescidamente com anúncios alarmistas. Sócrates também comprou a vitória eleitoral de Setembro de 2009 com um afundanço clamoroso do erário nacional, com a devastação mortífera das contas gerais do Estado. Ano de ajustes directos massivos e despesas clientelares não previstas, a cacicocracia socialista rebentou com o País. Deve ter valido a pena, visto que o queixume é pequeno, amordaçado. Por um consentimento silencioso, por uma fome angustiada a sós, há demasiada gente a pactuar com isto: que a imoralidade e a irresponsabilidade permaneçam intactas no seu posto.

DAR COM OS BURROS NA ÁGUA

Triunfalisticamente, o primeiro-ministro insiste em dobrar o aço com os dedos, e, naquela pose de quem nada tem a ver com o estado a que chegámos, insiste em remeter para os que desejam o FMI em Portugal, ou disfarçam mal esse desejo, todo o ónus de qualquer culpa porque, de acordo consigo, tal entrada não será necessária. Valeria mais estar calado e perder a pose pedante com que nos mimoseia, felino fornicador com muito mais que nove vidas porque lhas consentem. No limite, há dúvidas quanto ao momento da entrada do FMI. Mas não há quaisquer dúvidas de que a oficialização das ajudas à Irlanda vai aumentar a pressão sobre Portugal e se isso se tornar incomportável, é irresponsável suportar juros assassinos. É fácil emitir desejos, coisa em que se desdobram os responsáveis políticos socialistas de que o que vai acontecer é o contrário. A ajuda à Grécia não susteve a crise do euro nem evitou a capitulação da Irlanda. Porém, a narrativa dos casos grego e irlandês mostra-se suficiente esclarecedora para não se andar por aí a cantar de galo, como se vê no Sociedade das Nações, até porque os primeiros sinais de ataque especulativo a Portugal já começaram. Infelizmente.o preço de um seguro contra o incumprimento de Portugal  credit default swaps , foi ontem o que mais subiu em todo o Mundo. Mas por que será que as dúzias de assessores, boys, gestores públicos, e demais membros do albergue espanhol socialista-devorista não dão sinais de cedência indiferentes ao que qualquer outro português vai perder e sofrer? Por que será que, de treta em treta, de embuste em embuste, com estes socialistas só se pode esperar que dêem com os burros na água?

MEU AMOR

Nunca vi um minuto sequer, mas deve ser boa: a telenovela portuguesa "Meu Amor" foi ontem distinguida em Nova Iorque com um Emmy para melhor novela internacional. Esta é a primeira vez que uma produção nacional é nomeada e vence este prémio. A ficção é uma fonte de receitas fiscais e outras que não deveremos negligenciar. Aguardo com fervor a estreia da novela "Meus Boys", com um elenco de luxo, arrojado, de vampiros em carne e osso. Os socialistas e a ficção fazem um casamento perfeito. 

segunda-feira, novembro 22, 2010

INDEFESOS E EM GREVE DE FOME

Estás enganado, Rodrigo. Não serão nada necessários. O pessoal já está a amochar porque fazer greve, protestar, está pela hora da morte. Em Portugal ninguém parte montras nem grita demasiado. Era preciso anos de gritaria e ficar-se-ia afónico em vão. Ninguém parte coisas. Passa é a comer pouco. Mal. Nada. Tens de meter na cabeça que, por aqui, o indefeso Povo Português, quando apertado pelos erros de políticos amantes de banqueiros e dos restantes donos de tudo, passa de imediato ao protesto mediante a greve de fome escondida e à colecção heróica de cêntimos: de esbanjadores a Tios Patinhas. E eles, esses pantomineiros sapateiros governamentalescos telepontísticos, sabem disso. Por isso mandam vir tão poucos blindados e tão tarde. Um País assim belo com um clima assim ameno não convida a gestos brutos. À fome, sim. Uma fome avinhada e com tarjas a mandá-los àquela parte e para o inferno. Esfomeados, mas repletos de estilo e elegância. Quando o PM chegava no carro eléctrico e dele saía, na última Cimeira das Cimeiras, parecia uma flor preciosa, delicada, esvoaçante como uma princesa. É o que temos para jantar, Jugulares e Abrantes: vós deste-nos glamour e lantejoulas a engolir. Os blindados apodrecerão encostados. [Eu disse protesto? Terei dito elegância? Estava a pensar nos teus protestos mediáticos como o suprassumo do protesto e do estilo e da elegância, se me permites que melgue e o faça com pleonasmos. Rodrigo, tu és o Mourinho do protesto. És o Ronaldo da finta contestatária e eu beijo-te na boca por isso como Gorbatchev beijava Honecker.]

É DIFÍCIL TER PENA DELES

De olhos postos no chão e a moral nula, o Governo é um farrapo que dá pena e no entanto não a merece de todo. Há escassas razões para ter compaixão de essa gente (assessores, ministros,  opinadores regimentais, o Primeiro-Ministro) hoje silentes como ratos, mas que estilhaçaram com Portugal, começando por perseguir gente de carne e osso com muitos anos de docência (para rigorosamente nada); depois dissipando milhares de milhões de euros do erário a garantir as eleições de Setembro, 2009 e depois ainda, isto: como um cancro, o pustulento optimismo falsário daquela gente superficial foi corroendo todas as contas e todas as opiniões mercadistas. Hoje a despesa do Estado descarrilou, a bancarrota iminente tem um rosto, e mesmo o FMI, que há que evitar a todo o transe, pode entrar cá, triturando as negaças e as negativas de Teixeira dos Santos, tal como sucedeu com os tristes e inúteis compassos de espera grego e irlandês. Por cá, traição das traições, os impostos estão no extremo do suportável. Os salários na função pública caem a pique, as prestações sociais são extintas ou estranguladas. É difícil ter pena deles. Poder, Poder e Poder e vai tudo ao fundo, salvo algum milagre de petróleo ou ouro ou suor a triplicar.

EM HOMENAGEM A TI

Apareces em frases curtas e dizes secamente
qualquer remoque viciado; pesa-te o mundo,
pesa-te que coma e que não coma,
falas da minha barriga; tenho sempre algo de censurável,
atacas e contra atacas e tens um argumentário
sôfrego a favor do sim referendivo à dignidade
Ah, o cansaço que mora em rio riste,
espada, sono, gume, estrada,
riqueza de sonhos, picadas de pulga. Pêlo de cão, Pêlo de gato.
Dai-me algo com que me enfureça,
algo com que espume e estrebuche,
a adrenalina da palavra, dai-ma!
Já que não estou extático no museu d'El Prado,
Já que ainda não voei nem estou onde quero,
Dai-me a palavra e o pretexto, explodirei nuclear
verbal, farei uma hecatombe,
amplificarei uma gripe de vírgulas, pontos e acentos.

ESTRAGOS À ZANGARALHÃO

Se de repente começasse de novo toda a aventura da governação socialista, mas nela se notassem novas formas de exercer o poder, escutando mais os avalizados, sendo mais sensível aos clamores da sociedade, servindo mais as pessoas comuns, accionando e facilitando uma economia baseada nos produtos transaccionáveis, especialmente os agrícolas, juro que perdoaria todos os estragos à zangaralhão do socratismo altivo; condescenderia com toda a dissipação e desperdício de energias na esterilidade da pequena disputa partidária em detrimento dos nossos interesses imediatos enquanto Estado; teria paciência com a cultura da dissensão em vez da federação leal das energias vivas da totalidade dos portugueses. Quem sabe?, esqueceria até o amiguismo e a deslealdade, o favoritismo e a perseguição às vozes discordantes, o controlo obsessivo da Justiça e a manipulação esmagadora dos media. Como isso não parece possível, alguém, para além dos cidadãos inocentes, terá de pagar por estes seis anos de Circo e de Espora socratista. A começar de novo, na frescura de uma remodelação total e completa, quem quer que venha, está forçado a promover com urgência a distensão no País e fazer esquecer tudo o que há para esquecer de um arcaico exercício unipessoal do poder, demasiado centrado na virulência voluntarista e no amadorismo exclusivista de um só actor com demasiados tiques tiranos para que alguma coisa funcione verdadeiramente. Tal como nós, Luís Amado deve é estar cansado disso. 

domingo, novembro 21, 2010

RESISTIR AO CONSENSO

Se eu gostei da Cimeira da Nato em Lisboa e a considerei prestigiante para Portugal? Gostei. Considerei. O prestígio do País pela excelente organização de esse evento reverberou o suficiente, apenas para contrabalançar um pouco as notícias quotidianas da nossa bancarrota contra a qual devemos combater, trabalhando mais e denunciando ao máximo todos os desmandos da política e dos políticos. Se isto é mesquinho e denota somente maledicência, santa paciência! Mais que o comprazimento de muitos na nossa derrota e na nossa pequenez, a pretexto de qualquer oportunidade para o País brilhar em cimeiras e galas que nos devolvem ao centro do mundo, o que deve revoltar-nos é o silêncio pactuante de muitos com os que rasuram os mínimos democráticos e falham nos mínimos económicos. Perante a decadência e a indecência dos partidos, sobretudo do Partido Socialista, há que fazer um combate sem quartel aos que se escondem nesses eventos, biombos internacionais para disfarçar o mau trabalho governamental, lobista, anti-patriótico, laxista, porque demasiado ocupado com toda a sorte de questões políticas, de sobrevivência, mas não tão incansável a facilitar a vida aos pequenos e médios cidadãos empreendedores, sempre desconsiderados e traídos. Com maledicência ou sem ela, resistamos ao consenso morno de comer e calar que agora nos exigem e por que implora este PS à tona-latrina. Cimeiras e coisas lustrosas são demasiado fáceis comparadas com a organização de um País tragável, onde valha a pena viver sem sobressaltos desnecessários. Perante isso, o que opinamos sobre elas-cimeiras, mais amargo e negativo ou menos negativo e amargo, não interessa nem faz a diferença, quer sejamos ou não sejamos insignificantes. Qualquer intelectual é acre e cínico a fim de dizer o inédito ou dar a ouvir o inaudito e isso será sempre enriquecedor numa sociedade livre, plural e tolerante. Também há uma tara, um comportamento compulsivo, na alienação de omitir lá, onde o que se impõe é denunciar e rebelarmo-nos legitimamente. É uma evidência que muitos se calam e procuram ignorar o mal que se vai fazendo a Portugal porque são pagos para se calarem. Em favores. Em dinheiro. Tal venalidade pode ser quase traição, mas é inquestionavelmente anti-patriótica.

DA SEXUALIDADE CRISTÃ

Do ABC do PPM: «Pode haver casos pontuais, justificados, como por exemplo a utilização do preservativo por um prostituto, em que a utilização do preservativo possa ser um primeiro passo para a moralização, uma primeira parcela de responsabilidade para voltar a desenvolver a consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer. Não é, contudo, a forma apropriada para controlar o mal causado pela infecção por HIV. Essa tem, realmente, de residir na humanização da sexualidade.
Quer isso dizer que, em princípio, a Igreja Católica não é contra a utilização de preservativos?
É evidente que ela não a considera uma solução verdadeira e moral. Num ou noutro caso, embora seja utilizado para diminuir o risco de contágio, o preservativo pode ser um primeiro passo na direcção de uma sexualidade vivida de outro modo, mais humana.»
l
Bento XVI, Luz do Mundo – O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos – Uma conversa com Peter Seewald, Lucerna, 2010

DO MESMO VENENO DUAS VEZES

Amado, por aquilo que ousou denunciar urgente um governo forte e alargado  e em risco  o Euro  e pelo que evidenciou capitular na governação socratinesca, é já um alvo a abater pelo spin de assessores/gestores "políticos" das Palavras, Imagens e Aparências socratescas, Clara Ferreira Alves do Eixo Maligno incluída, já que o desancou como se o herege tivesse blasfemado contra a Pátria, ousando desvelar ao mundo a já universalmente consabida nudez do rei. Por sua vez, Santana, na TVI, propõe, na mesma linha de consenso amplo, um arremedo administrativo credível, mas não legitimado, para atravessar a Crise, a Dívida, o Défice: como se para si tal ideia fosse uma moça loira, suculenta, irresistível, deixa-se de novo levar pela defesa de uma espontânea e bem intencionada Coligação Salvífica Geral da Pátria que depois alguém trataria de liderar. Estava evidentemente excitado no directo com Carrilho. E essa excitação até é compreensível uma vez que, em última análise, a evacuação violenta, a 28 de Novembro de 2004, das funções que por sua honra jurou desempenhar substituindo Barroso desaguou nisto. Neste lixo, nesta desagregação insana da economia do País às mãos "suaves" e "competentes" do "abnegado" socialismo rapace e amiguista. Eu, por mim, compreendo Santana muito bem, mesmo quando, tendo sofrido o que sofreu após a Deserção Barroso, concebe como ainda putativo que se tome duas vezes do mesmo veneno. Há ali um fundo bom que sofre por Portugal e tem urgência. Quem o poderá censurar?!

UM CÍNICO VOYEUR

Está excelente o teu ponto de vista, João!


sábado, novembro 20, 2010

HEAT

STOOGES

DEMAGOGIA À SÉRIA

Paulo Portas poderá ser incapaz de despir aquela fraqueza populista e demagógica que aliás o Pedro sabe ver e crivar muito bem. Nessa demagogia cai quem quer. Mas todos caímos por acção da demagogia governamental. O efeito lesivo que nos advém da forma como o socratismo ensaia governar está bem à vista e é irremissível. Omitindo os factos brutos da economia até ao limite da dissimulação, mantendo a população na ignorância acerca dos números e das contas do Estado, distraindo toda a gente com espectáculo, circo, boicotando as nossas possibilidades de programar a vida em função dos sinais fiáveis da economia  fez-nos chegar aonde chegámos. Por outro lado, ficará na história, porque é inaudita, a atitude agressiva do socratismo de ASS (Augusto Santos Silva), de Pedro Silva Pereira e do próprio PM perante qualquer outro líder opositor e qualquer voz adversa: todas as armas são admitidas e praticadas a fim de cravar os dentes e as garras no Poder a qualquer preço: repetir mentiras até serem verdades, viver da duplicidade e da desonestidade, tudo isso contamina a vida pública. Se há uma demagogia imoderada e perigosa é essa porque manipula todos os recursos e estratagemas a fim de cloroformizar e conformar a sociedade em qualquer direcção que a murche e divida; porque não olha a meios para se perpetuar; porque nunca se retracta; porque reincide em erros e abusos contra Portugal. A acrimónia socratista não é por acaso nem a conflitualidade nem a crispação. Dissipar energias. Nada fazer, mas ser Poder.

LE PORTUGAL GLISSE VERS LA PAUVRETÉ

«C’est la crise sans les bulles, une épouvantable gueule de bois sans s’être vraiment enivré. Le Portugal s’enfonce dans une profonde atonie économique sans avoir connu les délires bancaires de l’Irlande, les folies immobilières de l’Espagne ou même les colères de la rue grecque. De tous les surendettés de l’Union européenne (UE), c’est le pays qui a le plus de mal à compenser par des ” points forts ” les ” points faibles ” recensés par les analystes. Il n’est pas forcément menacé d’une banqueroute immédiate, mais comme dépourvu de perspectives d’amélioration.» CL

SNU, SEGUNDO NATÁLIA CORREIA

«(Sá Carneiro)  Natália, que tal é a nossa editora [Snu era a responsável pela Publicações D. Quixote]. Você conhece-a bem e...
(Natália Correia)  É melhor não querer saber como ela é. É uma princesa nórdica que jaz adormecida num esquife de gelo à espera que venha o príncipe encantado dar-lhe o beijo de fogo. Esse príncipe encantado é você. Porque ela é a mulher da sua vida. Corra para ela! Telefone-lhe e convide-a.» Maria José Oliveira, Público

A ÚNICA COISA

«A única coisa que espanta neste fulgurante currículo é que Portugal não use a sua "capacidade de organização" para se organizar a si próprio, uma coisa por que ninguém certamente o criticaria. De resto, há por aí gente, como a sra. Merkel, que é muitíssimo capaz de preferir Portugal com uma dívida externa mais pequena, um défice razoável e uma economia em crescimento.» VPV, Público

PALONÇADA

A palonçada política nacional do partido socratista recreia-se, recria-se e renasce das cinzas continuamente: porque deles vivem, dêem-lhes eventos, cimeiras e jantares de gala. O olhar brilha-lhe de salvação, do insuportável Primadonna ao execrável ASS. A memória do portuga é extremamente curta. Após sonegação dos problemas do défice e da dívida até ao limite, matérias que os socialistas nunca enfrentaram, nunca referiram, nunca priorizaram, bem pode Obama dizer, balsâmico e alienatório, coisas simpáticas e superficiais como esta: «Obviamente, Portugal está a enfrentar desafios colocados pelos mercados financeiros. Penso que é importante saber que o primeiro-ministro português se comprometeu com um pacote vigoroso de medidas económicas.»

A CURA QUE MATA

O plano socialista para reduzir o défice é esperar. Esperar acima de tudo no plano político porque nenhuma indignação aflora nem há massa crítica para antever a cruz de vida para 2011. Com paciência e lata, os socialistas esperam que passe o amuo com que o eleitorado os contempla. 2010 provou à saciedade que o Partido Socialista não leva a governação a sério, senão pelo lado do spin marketingesco da imagem e da ilusão. O amadorismo e baixo perfil da governação engolfaram-nos. É um País sem mais desígnio que ficar à espera de Godot. Há muita coisa por que esperam os socratistas: o impacto positivo na despesa das energias renováveis e da produção pelas mini-hídricas, ignorando e desprezando olimpicamente a agricultura para a qual nunca existiu qualquer discurso ou entusiasmo. Apertados de fisco e de baixa salarial, veremos a taxa de crescimento portuguesa para 2011 ser praticamente nula. A austeridade sentenciará de garrote e retrocesso a consolidação orçamental. Levados, de pior em pior, pela cura que mata.

PERDOEMOS A OBAMA

Ontem, mais uma vez, Sócrates pôde respirar e passar por entre os pingos da chuva. No plano internacional ninguém o conhece. A glória efémera de ser elogiado pelo ignorante e circunstancial Obama pela forma como, imagine-se!, «tem lutado pela estabilidade da economia Portuguesa» vale como um elogio ao sentido cívico e humanista do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, riquíssimo e igualmente resistente como indiscutível timoneiro rapace do seu povo. O presidente norte-americano ignora quem seja Sócrates, condescendamos. As aparências contam muito e calam fundo nos homens de papel. Apesar de tantos pontapés na gramática da boa e frugal governança, tantos insultos à nossa inteligência, tanta rasura da democracia, podridão praticada e insistida, Sócrates, o Primadonna fatela ainda lá está, gozando com o pagode, numa sobrevivência escarninha, infecta. Atropelou, atropela e atropelará tudo e todos porque só a pontapé sairá quem chuta para canto o País a fim de, precisamente, durar, sobreviver para além das evidências de devastação que lega. Durará, perdurará, portanto, chantagisticamente, em todas as coisas como é seu timbre. Nem mesmo o PS de Amado e de outros emitentes soaristas de estados de alma, se bem que a medo, o farão retirar-se dignamente para o hospício de onde nunca deveria ter fugido. Dêem-lhe cimeiras. Dêem-lhe poses. Ofereçam-lhe casiões para esgares e acenos para a fotografia. Temos ali o grande anti-mourinho da política, repleto do prestígio fátuo dos grandes rufiões.

sexta-feira, novembro 19, 2010

«THANK YOU, MR. PRESIDENT!»

Obama, por mais humano e sensível que seja, nunca poderia arrostar com os sonhos sociais e pacifistas que os seus eleitores e o mundo nele depositaram. Os poderes domésticos que lhe subjazem são fortes de mais. Nos tempos que correm, já é muito bom quando aos agentes políticos assistem valores de auto-exigência, frugalidade no exercício de funções, tudo temperado com índices de nobreza, elevação moral e uns pozinhos de competência inclusiva, capaz de ouvir e seguir as vias mais sábias de actuação. Daí até à histeria mediática de hoje, há que ter calma. Lisboa derreia-se numa fixação obamista como num Papa da política sobre o santuário do mediatismo mundial. É como se a adoração obsessiva que lhe vota Mário Soares fosse multiplicada por largos milhares e toda convergisse para a capital ocasional do Mundo da guerra e da paz. E para quê? Cessando a maratona de palavras circunstancialmente simpáticas, será o regresso frio ao esquecimento habitual.

NATA

A nata do mundo aporta a Lisboa. Pode descansar a ilha de Lesbos que não é nada com ela. Entre Berlusconi — com a sua fixação em operações plásticas, seja ao próprio rosto seja às relíquias arqueológicas da fantástica Roma, veja-se o estapafúrdio restauro que decretou para a bimilenar estátua de Adriano  e Obama, estrela que se ofusca perante a esperança mundial por não passar de mero títere de outros megapoderes internos, dezenas de líderes vêm falar da guerra e da falta de paz em toda a sua pátina. Por cá, haverá quem folgue as costas e se funda à glória efémera das luzes e das fotos. A pressão mercadista continua. As perspectivas de desemprego para 2011 são angustiantes. Mercados e incompetência, eis o cocktail. Hoje será a Irlanda a sucumbir. Amanhã, nós. 

quarta-feira, novembro 17, 2010

ANIMAIS IMPLACÁVEIS COM UNHAS

O Jumento tornou-se absolutamente digno de ser lido. Há aqui uns braços abertos para tal lucidez escarninha relativamente a uns espécimes devastadoramente sôfregos. Trata-se de uma casta de jovens trigres cunhados pela indigência moral dos políticos e acantonados ao poder habitual. São eles que, pela ventosa implacável e devorista com que se amontoam pela res publica, nos condenam a todos: «Estes jovens tigres são inexperientes, deslumbrados com o poder e mordomias dos gabinetes ministeriais, num dia andavam a comer sopas, no outro andam de BMW com motorista, num dia ganham mil euros num escritório de advogados onde desempenham as tarefas rotineiras, no outro são distintos adjuntos de secretários de Estado ou chefes de gabinete. Sem experiência, ávidos de poder e com um profundo desprezo pela Administração Pública tem como único objectivo fazer currículo e regressar aos escritórios e consultoras com direito à promoção.»

O BURACO LUSO-IRLANDÊS

Se o caso irlandês se deve à contaminação da dívida pública pela grave toxicidade contraída pela Banca local, o caso português tem exclusivamente a ver com a toxicidade das políticas e dos políticos socialistas: contaminaram de dívida acrescida, pela desastrosa execução orçamental, um Estado à deriva. Ser poder e exercê-lo à maneira socialista representa rapina, irresponsabilidade, negócios ruinosos, abusos de toda a espécie: eis o verdadeiro contágio letal que paralisa todas as nossas hipóteses. O caso português é, por isso, muitíssimo mais grave que o irlandês porque a imoralidade e perda da face por parte dos "nossos" actores políticos socialistas no executivo não nos garante, porque não nos pode garantir, absolutamente nada de bom. Pelo contrário, quanto à credibilidade dos agentes políticos irlandeses nada há a apontar, mas o esforço dos socialistas por durar e por passar incólumes através de todos os lixos por eles segregados é uma coisa que está bem acima de quaisquer outros imperativos colectivos. O durar/perdurar socialista está além da fome e do desemprego que minam o País. É em nome de esta sobrevivência pífia, repleta de dolo, que a guarda pretoriana socialista nos atira à cara com qualquer coisa: mercados, a chanceler alemã Angela Merkel, o FMI, a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu. Foi muito a medo que o ministro de Estado Luís Amado ameaçou romper com o apodrecimento socialista, arranhando uma dramatização inconsequente à maneira burlesca de Jack Sparrow. Há qualquer coisa no socratismo que atemoriza e aterroriza, está visto.

PRÉMIOS BLOGO-KULA 2010

Muito grato pela bela bracelete conferida pelo jpt, no blogue Ma-Schamba, na categoria de 'comentador residente'. Vale bem a pena figurar entre os ilustres contemplados pelos prémios Blogo-Kula 2010.

CLONE BOY DOLLY DO PM

Quem tiver um pouco de amor pela literatura portuguesa, encontrará na farsa Auto da Índia, de Gil Vicente, uma cómica abordagem à infidelidade feminina na cidade de Lisboa, mais de dez anos decorridos desde o início da aventura oriental, pimenta e canela, quando, armada após armada, se partia da cabeça do Reino, Lisboa, a conquistar, comerciar e a pilhar pelas Índias e pelas Mecas. Levada à cena em 1509. A trama é simples: partido o Marido na armada de Tristão da Cunha, em Maio, a Ama alterna deleitosamente com os pelintras Lemos, ex-escudeiro, e um Castelhano rufião. Um na rua e outro na cama, declara a Moça, sua criada, num aparte. Por falar em alternar, em adultério, em prostituição, em dissipação, a forma de o PS estar nos cargos públicos, toda a genética PS, não cessa de nos surpreender. Criatividade maligna! A notícia a seguir transcrita mostra-se paradigmática: «Um jovem de 26 anos [Pedro Silva Gomes], sem currículo profissional nem formação de nível superior, foi contratado, em Dezembro, como assessor técnico e político do gabinete da vereadora Graça Fonseca na Câmara de Lisboa (CML). Remuneração mensal: 3950 euros ilíquidos a recibo verde. Desde então, o assessor - que estava desempregado, fora funcionário do PS e candidato derrotado à Junta de Freguesia de Belém - acumulou esse vencimento com cerca de 41.100 euros de subsídios relacionados com a criação do seu próprio posto de trabalho.» Público Celebriza-se assim essa insigne prole de Sócrates, a mãe, e de Vara, o pai, com os seus pequenos e grandes clones boys dolly comportamentais. Campeões da incúria, sem qualquer decoro, aspergem toda a espécie de injustiças sobre os cidadãos, escarram sobre eles, ultrajam, devoram, mentem, descuram. E no entanto, pretendem durar, durar muito. Esta gente indescritivelmente má e desonesta, a começar pelo PM, só sairá a pontapé.

GAMBUZINAGEM-DE-PÊLO-CURTO

«Por isso são justamente classificados como "tudólogos". Tal como eu, falam de tudo com desenvoltura (e propriedade) — mas são bem pagos para isso e vestem bem, ao passo que o "je" contenta-se como oscilantes e magros proventos de trabalho de preparador-de-obra-projectista (construção civil...) e usa botas-de-biqueira-de-aço. Mas sou feliz e independente!... Não é senão justo. Alguns desses bravos rapazes — os mais novos — até os conheci na faculdade, quando eram todos pelintras e se comia da cantina, às Forças Armadas, onde a nossa ementa preferida era coroada por Pudim-Royal (em forma, sabor e cor de esponja). Tal como na América-das-oportunidades, todos podem chegar alto e isso diz algo acerca do seu esforço... A melhor formação em tudologia-Nato será Direito, Relações Internacionais e Ciências Sociais (beurk!...), Gestão, e até História. Em outras épocas dão bons politólogos e peritos em gambuzinagem-de-pêlo-curto.»

SNU

ALJUBARROTA

Para sempre rivais. Irmãos e tal, mas sobretudo adversários. Entre nós não há jogos amistosos nem derrotas toleráveis, mesmo a feijões. «A Batalha de Aljubarrota decorreu no final da tarde de 14 de Agosto de 1385, entre tropas portuguesas comandadas por D. João I de Portugal e o seu condestável D. Nuno Álvares Pereira, e o exército castelhano de D. Juan I de Castela. A batalha deu-se no campo de S. Jorge, nas imediações da vila de Aljubarrota, entre as localidades de Leiria e Alcobaça no centro de Portugal. O resultado foi uma derrota definitiva dos castelhanos e o fim da crise de 1383-1385, e a consolidação de D. João I como rei de Portugal, o primeiro da dinastia de Avis. A paz com Castela só veio a estabelecer-se em 1411.»

terça-feira, novembro 16, 2010

ADEUS AO ADEUS

Mencionado no Público e replicado a partir do I Made You Look

EUROPA DE ROMPUY

Quando Rompuy fala, isso quer dizer que ninguém falou. Em todo o caso, o homem perorou e o que disse é grave num tempo em que tudo o que se diga é sempre grave e pretextual ao gatilho leve dos mercados. O pobre líder-fantoche do eixo franco-alemão simboliza a obscuridade planetária para onde a Europa já caminha. Como? Subvertendo a lógica de força inter-estados, ostracizando os Estados Menores atolados em dívida, como os periféricos de que fazemos parte. Se há um risco de colapso e enterro do desenho burocrático europeu chamado União, risco para o qual Rompuy alerta, esse enterro começa na neomoralidade oportunística franco-alemã, com terreno livre no nosso caso apenas porque o amadorismo governamental voluntarista português foi uma constante. Por isso, para além dos erros próprios, que são imensos, os tempos de clarificação europeia que vivemos vão exigir-nos metas novas já a partir da hecatombe orçamental de 2011: a) um novo paradigma económico que "esqueça" a Europa 'milagreira' para onde exportamos pouco e de onde importamos de mais. b) Um qualquer acesso de orgulho nos transforme no que evite um presidente endoidecido de uma República Checa qualquer insultar-nos o défice, hostilizando grotescamente quem da nossa parte o visita.