quarta-feira, julho 25, 2012

QUERIDA, DESCOBRI UM ESTADISTA

Ao contrário d'O Jumento e da generalidade de blogues xuxas, nostálgicos e adoradores de uma Besta Apocalíptica, fiquei agradado com as declarações de Pedro Passos Coelho: «Se algum dia tiver de perder umas eleições em Portugal para salvar o país, como se diz, que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal.» Pôr explicitamente o interesse do País em primeiro lugar é de estadista; recusar medidas que eleitoralizam as psiques, chantageiam ou compram eleitorados, não é de estadista. PSD e CDS tornaram-se odiosos com o que estão a fazer: basicamente cumprir o Memorando que os xuxas negociaram. Foram-nos dadas metas e exigidas mudanças estruturais às quais que o Estado Português está comprometido com a Troika e, em rigor, não há caminho alternativo nem folga para fugir. Temos diante de nós uma escolha: ou a falência iminente ou a redução abrupta e brutal da despesa do Estado. Até chegarmos aqui, venha António Costa ou outros xuxas dizer o que quiserem, os Governos xuxas omitiram a realidade, nunca abordando este tópico singelo de se tratar Portugal de um País ultra-endividado, vivendo de empréstimos, sem PIB que os suportasse. Era uma corrida supersónica contra a parede. Quem é que falou e enfrentou, no passado, o défice das empresas públicas de transportes, 6 mil milhões, mais juros de empréstimos por pagar?! Os Governos xuxas estavam ocupados com outras coisas e prioridades. Até à chegada deste Governo, todos maquilharam a realidade e contornaram as regras para poder mentir muito e artificializar resultados, desorçamentando parcelas, dizendo «Está para nascer quem faça melhor que eu no défice.» Devemos à Maldita Troyka a percepção de toda a mentira e eleitoralismo que subjaziam às governações xuxas, em maioria na última década e meia. Não tínhamos estadistas. Só oportunistas. Foi precisamente o último Governo Xuxa que negociou as decorrentes privatizações, a decorrente redução de despesa, o corte radical dos benefícios sociais e também as alterações ao código de trabalho, mas quem ouve Seguro parece que nada foi acordado e que o caminho do Governo Passos deveria ser bem diverso. Qual? Não à privatização das empresas que os xuxas acordaram em privatizar? Não à terrível torção anti-despesista no sentido de baixar rapidamente o défice?! Não à rápida consecução de todas estas medidas?! Este flic-flac só poderia ser dado pelo xuxismo. Que se lixe Portugal. O que importa é salvar as próximas eleições. Por isso, sim, com Passos, temos, goste-se ou não, um estadista. Estarei sempre 'em cima' dele, supervisionando a verdade desta música para os ouvidos. Não se negue, porém, que é preciso romper com velhas formas de governar Portugal submetidas ao desígnio de ganhar as legislativas seguintes, com aumentos dos funcionários públicos antes das eleições, como em 2009, ou com os Complementos Solidários, filhos de dívida sobre mais dívida, em pleno e consciente descalabro. O xuxismo fez isto e faria pior, se se levasse em conta a recente sugestão do anafado Soares em improvisar um novo Governo já. 

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