domingo, abril 29, 2012

MIGUEL E PAULO, UMA «AMIZADE IRREDUTÍVEL»

JÚPITER E AS SUAS LUAS

MIGUEL, VIDA E MORTE QUE NOS UNEM

Longe dele estiveram sempre a crispação estéril e a deselegância sectária porque Miguel Portas é uma personalidade que federa os portugueses apenas com as armas da persuasão argumentativa. Uso o presente do indicativo deliberadamente. Federa-os na vida. Federa-os na morte, não fosse palavra ou conceito-chave seus, a união, que «é sempre melhor do que a divisão». Daí que mereça justa homenagem, a maior das quais um País unido contra todas as injustiças da economia e da vida social e de um Regime largamente traidor do que prometia. «Longe das lutas partidárias e dos palcos políticos, todos, da direita mais conservadora à esquerda revolucionária, passando ainda pela cultura e pelo jornalismo, se quiseram despedir de Miguel Portas, cujo corpo esteve durante a tarde deste sábado em câmara ardente no Palácio das Galveias, em Lisboa. E à porta ficaram ainda centenas e centenas de pessoas.» Nada mais justo e exemplar para o resto que nos falta fazer.

GUARDIOLA, A OUTRA FORMA DE CORROER E PICAR

Agora que Guardiola disse adeus ao FC Barcelona convém que os adeptos portugueses do símbolo maior político-desportivo da Catalunha não lhe façam uma espécie de encómio mortuário. Continua vivo e provavelmente trabalhará num outro clube qualquer. Não acho nada que a taciturnidade de Guardiola seja estratégica. Corresponde ao seu modo de ser, o que é muito diferente, e só prestigiou o seu clube tendo em conta os vincados valores colectivos que inculca a todo o seu futebol. Se cada qual é como é, considero tão admirável que se possa ser como Guardiola, um cínico suave, um subtil provocador, um manuseador dos segundos sentidos e dos implícitos e inferências, assim como outros só podem ser como Mourinho, que não esconde o gigantismo do ego e se entrega aos jogos florais da palavra provocadora, performativa, perdendo-se ou encontrando-se na agressividade verbal, pois: «Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar», segundo o Eclesiastes 3, 1-5. A vida pública, afinal é um teatro onde se exacerba a palavra e a imagem, caso contrário pouco lhe resta de modelar ou digno de atenção e de público só terá placidez e sono, autofagia e antítese do que é mediático e público por definição. As polémicas fazem parte da vida. Saber criá-las e matá-las é uma arte. A arte mediática de Guardiola foi, e é, o apagamento e a simplicidade pessoais. Mas não confundamos as coisas — há também beleza na raiva e na ambição feroz de vencer, expressas em conferências de imprensa duras, onde outros as fazem sempre plácidas e modorrentas, fingindo o desapaixonado, quando dentro ardem labaredas de competição, apenas sublimadas por se fica calado. Portanto, não vale a pena beatificar Josep Guardiola i Sala. A palete da vida tem muitas cores. Para quê preferir o cinzento, quando há tanto azul, amarelo e verde?!

VASCO OU A SOLDADESCA TROPA FANDANGA

«Os capitães de Abril estiveram ausentes da celebração oficial da efeméride. É um direito que lhes assiste. Incomoda-me, contudo, o teor do manifesto da Associação 25 de Abril e das declarações de Vasco Lourenço, contestando a legitimidade da "democracia formal" e invocando o "espírito de Abril". É claro que, ao contrário do que se lê no manifesto original do MFA, esse "espírito" não assentava na liberdade democrática. Representava uma opção ideológica oculta que rapidamente foi imposta aos portugueses entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro. Durante esse período, a liberdade foi condicionada e a democracia esteve reservada à minoria que concordava com a agenda caudilhista. Em poucos meses, a descolonização, que era necessária, foi feita com irresponsabilidade. Enquanto os militares se dividiam em grupelhos e fações, Portugal arruinou-se. O aparelho produtivo foi nacionalizado e destruído. Os direitos, liberdades e garantias, que haviam sido prometidos, foram raptados por alguns, que reclamavam o direito adquirido de o fazer em nome do interesse do povo. Felizmente, esse mesmo povo não se comoveu com os argumentos dos autores da revolução e reclamou-a para si. Agradecendo-lhes a liberdade, recusou a sua tutela. Por isso, não correspondeu ao apelo do MFA para se abster nas eleições para a Assembleia Constituinte. Desde então, os partidos políticos democráticos obtiveram resultados esmagadores em todos os atos eleitorais. A democracia aprofundou-se, apesar de ficar refém de uma Constituição com peias e teias que foram impostas pelo pacto MFA-partidos. O regresso dos militares aos quartéis, no distante ano de 1982, resultou de uma deliberação por maioria qualificada dos representantes eleitos pelo povo e foi útil para a sociedade, porque terminou com o clima de putchismo que até aí se viveu, e contribuiu para o prestígio da instituição militar, que hoje é inatacável. A Associação 25 de Abril é um fóssil onde se guardam as memórias desse tempo, e que reúne os autores da revolução. Nela coexistem várias fações. Estão lá aqueles que no 25 de Novembro estiveram em lados opostos das barricadas: os derrotados, e os outros, os vencedores desse dia, entre os quais muitos que, por convicção, queriam que o país seguisse o rumo da liberdade, e ainda os sobreviventes que, ao passarem para o lado certo no momento adequado, fizeram uma escolha inteligente, até porque já tinham apanhado um valente susto no "Verão quente". A sua intervenção política e social é rara, só ocorre por ocasião do aniversário da Revolução dos Cravos ou quando alguns dos seus membros - seja Vasco Gonçalves, Rosa Coutinho ou Corvacho - se confronta com a mortalidade, e suscita dos camaradas uma última e cega homenagem. Entre estes senhores de provecta idade, há quem sinta que o poder político é ingrato. Alimentam-se do saudosismo de um tempo em que confiscaram o poder e, depois, largos sectores da economia. Afligem-se porque vivemos numa democracia adulta, em que a maioria dos portugueses, que lhes é reconhecido por terem derrubado um regime anacrónico, não tem todavia saudades da sua passagem pelo poder, nem os vê como fonte de inspiração ideológica ou cívica. Naturalmente, Vasco Lourenço e os seus camaradas têm todo o direito e razões de sobra para se sentirem desiludidos com o rumo que o país leva. Têm uma inatacável legitimidade para criticar o Governo enquanto compreenderem que este Governo, goste-se ou não dele, tem também uma inatacável legitimidade para governar. Por isso, não é útil para o país que a associação adote um tom de intriga putchista, ou que suscite dúvidas sobre a qualidade da democracia. Vasco Lourenço pode entender que o povo escolhe mal, mas dizer que os eleitos não representam o povo é um ultraje. Quem nunca representou o povo português foi Vasco Lourenço, que nunca foi a votos, o MFA, que perdeu a aposta na abstenção, e Otelo, que foi derrotado nas urnas. Como estes senhores devem saber, até porque a senha escolhida para a revolução o explica, o povo é quem mais ordena. A isso chama-se democracia.» Rui Moreira

sábado, abril 28, 2012

FALTA CRISTO À ESQUERDA SOLISTA

Pensar na Associação 25 de Abril e logo depois em Mário Soares, em Manuel Alegre e em Vasco Lourenço é pensar em indivíduos que genericamente têm mau perder democrático e, na generalidade, são broncos, nada mais que parasitas da política e do Regime. A vaidade que os penetra, especialmente ao sonso Ego-Rei de Soares, grande ávido de cargos e ainda maior fornecedor de bitaites social-comiserativos, cega-os. Haverá coisa mais antidemocrática que, por incompetência e malícia, arruinar-se um País?! Onde ou quando essas pedantes vozes de Esquerda se levantaram?! Soares colaborou activamente com os pressupostos e antecedentes da bancarrota em decurso, talvez porque era extensa a clientela de beija-mão socialista a cevar-se no desastroso processo. Alegre beneficiou de um apoio cínico, lento e arrastado, do seu próprio partido às presidenciais, soarística e deliberadamente fadadas à derrota, e por isso calou-se, mesmo quando a iniquidade desgovernava e acabava de arruinar Portugal, coisa que ele bem conhecia. Vasco Lourenço é demasiado adicto e fiel ao Bridge, isso define bem as suas prioridades e a acuidade balofa dos seus pruridos tão recentes quanto insinceros. A nossa carga fiscal e a despesa do Estado foram absurdamente aumentadas muito antes de Gaspar e, que se saiba, só os apparatchiks socialistas é que enriqueceram largo, coisa de que é proibido falar, novo tabu do Regime, ocupado em ousar alguma coisa só na Madeira. Todo o Povo empobreceu. As novas PPP suicidariamente urdidas nas duas últimas legislaturas foram não apenas um crime contra os Portugueses como um escarro nas suas faces. Nada mais antidemocrático que elas. Vemos algum tipo de censura retroactiva, um impulso de censura dos Serigaitas de Esquerda, Soares ou outros?! Não. Portanto, à Esquerda não temos nobreza nem equidistância na Política, mas facção e estômagos camuflados de humanismo como poderiam estar camuflados de caca. Não existe abnegação e grandeza moral na Política. Não existem na Esquerda. Não existe Justiça, depois de se ter assaltado um Estado pela porta escancarada e despudorada da Política. A Esquerda Solista da nossa pseudo-democracia com as suas Três Bancarrotas em 38 anos não tem Cristo no modo de actuar, não O tem, quer nos interditos morais a abusos no exercício do Poder quer nos valores profundos da solidariedade social e intergeracional de que não é capaz, tão dissipadora se mostrou. Temos uma classe política parasitária e uma democracia esgotada que representa somente os interesses dos políticos de carreira, dos sindicalistas de carreira, dos negócios e vantagens habituais, bancários, advocatórios ou outros, de dentes fincados nos Orçamentos. Precisamos de outra democracia onde a Pessoa Humana esteja no centro absoluto de tudo, finalmente. Precisamos de escrutínio holístico e permanente à Política e aos Políticos. Alheamento e desânimo cívicos servem somente os propósitos assaltantes dos corruptos, agora refastelados nos seu exílios protegidos por pseudo-procuradoras e ainda mais pseudo-procuradores. Depois que é eleito pelo Povo ingénuo que ainda vota [e pelos mortos que naturalmente se abstêm], o Poder empossado corta com essa massa de estúpidos que o elegeu e coloca-se ao serviço de quem manda e de quem pode. Chegado aí, o Poder empossado não se toma de compaixão pelas Gentes, senão por uns momentos iniciais. Não faz do amor ao próximo, do serviço recto e da solicitude pelas Pessoas os princípios basilares de funcionamento do nosso Estado, a tal Constituição Implícita, mas impraticada. Nós podemos mudar essa lógica e havemos de mudá-la. Entretanto, falta à nossa Esquerda Rançosa, nos seus melindres exclusivistas e postiços, como falta à nossa Direita Sádica, na sua sanha impessoal liberalóide, uma só coisa, cristificar-se e cristificar a Política.

RESCALDO AO REGIME

«Mário Soares desagrada-me ainda como pessoa, pois simboliza aquilo que detesto e de que desdenho na burguesia portuguesa: a falsa pachorra, a jovialidade de pechisbeque, o modo paternal, o sorriso pronto, a mãozada, os Ora viva!, a festinha aos humildes; por detrás de tudo isso a ganância, o cálculo frio, o desprezo do semelhante, a presunção, o sentimento bacoco de casta, os rapapés, a mediocridade.» J. Rentes de Carvalho via Miguel Carvalho

AUTÓPSIA AO SOARISMO II

«Há anos atrás, conheci em Washington um jovem economista de reconhecido talento que fazia parte da equipa do presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan. Naquela época, o chamado fenómeno dos yuppies atravessavaa sua fase douradae David Stockman, com trinta e quatro anos de idade, era já apontado como um dos jovens políticos mais promissores do seu país. Com apenas vinte e oito anos, tinha sido pela primeira vez eleito congressista pelo estado de Michigan. O presidente nomeara-o director de «Management and Budget», o equivalente a ministro do Planeamento. Tinha o futuro à sua frente. Quatro anos depois, desiludido com a hipocrisia e o tráfico de influências que caracterizavam a vida política, a todos surpreenderia abandonando-a para escrever O Triunfo da Política. Ê um livro surpreendente, que revela a falta de transparência da vida político-partidária e acusa o parasitismo daqueles que passam a vida a apregoar que estão na política por patriotismo e com sacrifício pessoal, pois poderiam estar muito melhor se se tivessem dedicado a actividades do sector privado - mesmo quando se sabe que, antes de entrarem na política, não tinham obra nem dinheiro. Num país em que as autoridades, os media e o público exercem um controlo rigoroso sobre o rendimento e financiamento dos políticos e sobre as suas actividades políticas e privadas, como é o caso dos Estados Unidos, que se regem por códigos de transparência acima de qualquer suspeita, David Stockman revelou a subtileza de meios que, mesmo assim, permitem o compadrio e o tráfico de influências no dia a dia da política americana. Em Portugal, neste pequeno país periférico, diminuído pela indigência e obscurecido pela opacidade, ensaia-se um sistema político-partidário moldado pelo Partido Socialista, onde só duas décadas após o restabelecimento da democracia se começa a discutir o tráfico de influências, a transparência e, enfim, o cidadão. Discussão envolvida em tanta hipocrisia e por métodos tão falaciosos que poderemos considerar que o nosso país, neste capítulo, se encontra num espaço cultural de transição entre o fascismo e um «estado de juízes», que não vislumbra um regime de verdadeiro controlo e legitimação democrática das instituições.» Rui Mateus

AUTÓPSIA AO SOARISMO

«Para além da ausência de regras que permitam, pela vida individual, o acesso do cidadão à actividade política, não existem regras idóneas de financiamento dos partidos nem da sua transparência para os políticos. Um pouco à semelhança dos "pilares morais" do regime, a Maçonaria e a Opus Dei, tudo se decide como se o direito dos cidadãos à informação completa e rigorosa de como são financiadas as suas instituições e dos rendimentos dos seus governantes e dos seus magistrados se tratasse de algo suspeito, de algo subversivo.» Rui Mateus

EANES

Tenho estado atentamente a ver e a rever esta entrevista. Eanes é dos raros políticos que nunca terá às costas o estigma, justo ou injusto, de, quanto ao Estado Português, ter sido parasita ou oportunista. Não é assim que a História o julgará, como julgará certas bestas repetentes e repetidas com o rei na barriga, como o sonso Soares e os seus filhos espirituais, quase todos inenarráveis delinquentes políticos e ainda para mais exclusivistas, vestais do exercício do Poder eleito. Os portugueses em geral são bons no que fazem, ainda que liderados por jumentos e gorilas sem escrúpulos. Se forem sérios e tiverem chefes denodados e sérios também, desbravam novos mares, globalizam o mundo.

PRIMEIRO BEIJO, BRITÂNICA RACISTA, O VEADO

sexta-feira, abril 27, 2012

POR UMA DEMOCRACIA SEM PARTIDOS

«Creio que o país ficaria muito mais rico se empresas como esta transportadora aérea irlandesa, a Ryanair, os fabricantes de automóveis alemães e os novos TGV italianos da Ferrari tomassem o lugar das nossas desaparecidas ou falidas empresas privadas e público-privadas, enquanto os nossos usurários falidos eram todos, incluindo a Caixa, engolidos por bancos espanhóis, alemães, ingleses, suíços, brasileiros, japoneses, árabes e chineses. Depois de semelhante lavagem, a cereja no bolo da inevitável metamorfose que nos espera deveria ser o fim do imprestável regime partidário que temos. Numa primeira fase, reduziam-se o número de autarquias para metade, fundiam-se todas as câmaras municipais das regiões metropolitanas de Lisboa e do Porto, reduziam-se drasticamente os poderes do indígena que está em Belém, e encolhia-se para um terço o número de deputados que pastam pela Assembleia da República. Numa segunda fase, que poderia ser desde já agendada para 2020, acabava-se mesmo com os partidos, substituindo a partidocracia corrupta e incapaz que levou o país à bancarrota por uma democracia sem partidos.» O António Maria

AO CAMARADA APÓSTOLO PASSOS

O camarada primeiro-ministro Pedro Passos Coelho nem imagina o impacto psicológico da critica que hoje fez aos mais poderosos e favorecidos pela «enorme injustiça» de estarem a criar obstáculos à mudança. Não podia ter sido mais claro: «As escolhas que, no passado, foram privilegiadas e que criaram núcleos de privilégio injustificados, mercados protegidos, rendas excessivas, contratos desequilibrados para o Estado e o contribuinte, terão de ser resolvidos rápida e decisivamente». Sim, é o pescoço do Camarada Passos-Relvas. Saiba o camarada Pedro Coelho o nojo que nos era inoculado pelo até aqui silêncio governamental em face de tal dualidade e arrastada ambiguidade. Óbvia vai a resistência sonsa à respectiva quota de sacrifícios e abdicações precisamente por aqueles que fatalizam forçoso termos de passar fome e dificuldades, vivendo eles bem à larga, como sempre viveram. Mostrar-se o Camarada Passos sensível, ainda que simbolicamente, às nossas expectativas quanto a um sentido de justiça, nesta hora, era de suma importância e, não sei porquê ou talvez saiba, tardou de mais. Ouvimos as palavras. Falta ver operativa a boa-vontade do Governo no sentido da rápida renegociação dos contratos das Parcerias Público-Privadas e da redução das rendas excessivas do sector energético. No momento em que, por fidelidade aos Portugueses [que deveria ser espontânea, mas decorre de mil pressões e mil protestos nossos], o Governo for salomónico na austeridade, outro galo cantará. A bem do conjunto nacional, já que começou pelo lado mais fácil e inerme, regresse-se a um mínimo de sintonia entre o grosso dos portugueses interessados na sustentabilidade e realismo do Estado e o Governo do Camarada Apóstolo Liberal Passos. Talvez cesse a crassa perplexidade que nos devorava.

O SAPO, O CÃO... A MOÇA DAS SOBRANCELHAS

quinta-feira, abril 26, 2012

CAMARATE, O ATENTADO

«Eu, Fernando Farinha Simões, decidi finalmente, em 2011, contar toda a verdade sobre Camarate. No passado nunca contei toda a operação de Camarate, pois estando a correr o processo judicial, poderia ser preso e condenado. Também porque durante 25 anos não podia falar, por estar obrigado ao sígilo por parte da CIA, mas esta situação mudou agora, ao que acresce o facto da CIA me ter abandonado completamente desde 1989. Finalmente decidi falar por obrigação de consciência.

COMO SE PERDE CREDIBILIDADE

José Pedro Pereira tem razão. Se pode ser verdade que “certos ministros do senhor Passo Coelho deveriam ser investigados”, e ainda mais verdade que imensos actores políticos socialistas estão podres de ricos e todos sabemos todos porquê e como. É também com certeza verdade que as prisões nacionais estão vazias de extensos delituosos da política em geral. Passos Coelho começa a perder toda a réstia da esperança e credibilidade que nele, em desespero de causa, colocáramos. Em primeiro lugar, porque se mostra nada mais que uma sequela do partido rapace que o antecedeu: pouco se muda, não se procedem a rupturas, por exemplo na Educação. Em segundo, porque não há equilíbrio entre o que se exige a quem não pode e a protecção aos interesses instalados. Não se pode chegar ao Governo para reeducar o Povo nas delícias liberais do cada qual por si, o Estado por quase ninguém, a não ser as empresas e grupos do costume, tendo prometido exactamente o oposto na peregrinação eleitoral.

BERLUSCONI. MÁFIA. RAMALHO. SOARES. MATEUS

1. Nunca cessaremos de nos surpreender com o modo como ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi tudo fez para enriquecer e, o que é mais importante, para continuar vivo. Viver: eis tudo o que nenhum dinheiro garante, embora o que o tenha do contrário se convença. Mas Berlusconi queria viver, não ser apanhado de surpresa pelo próprio falecimento, a fim de poder gozar as delícias do Poder, alcançar o feito de ter comido muitas mulheres, o que costuma sair caro antes, durante e depois, especialmente se forem menores. Talvez, quem sabe?, com um pouco de sorte, fazer o mesmo a quase todo o povo italiano. Um dos modos como garantiu continuar vivo para ter o seu sexo, para ter as suas orgias, para submeter-se às suas plásticas com implante capilar lá, onde deveria brilhar uma luzidia calva, foi pagar à máfia siciliana «somas consideráveis de dinheiro» para assegurar a sua protecção nos anos 1970. É o que revelam documentos do principal tribunal de recurso de Itália. Isso são amendoins italianos. 2. Por cá, pudemos inferir coisas novas a partir do testemunho de Ramalho Eanes, em entrevista à RTP1, conduzida por Fátima Campos Ferreira precisamente em dia 25 de Abril. O que é que Ramalho sente por Mário Soares? Nada. Nem afecto. Nem admiração. Nem estima. Nada. Não foi preciso muito. Bastou ter lido o livro de Rui Mateus, cujas referências de qualquer espécie jazem estranhamente apagadas, não há motor de busca que nos valha.

quarta-feira, abril 25, 2012

SOLIDÁRIO COM OS 'PALHAÇOS' DA PONTINHA

«A Es.Col.A ocupou ontem a Fontinha. Não se sabe até quando. Não sei mesmo se, quando o leitor vir este texto, já a Polícia de Intervenção 'limpou' de novo a escola e impôs a ordem. Que ordem? Há realmente uma ocupação ilegal? Vejamos em detalhe. 1. O edifício da escola da Fontinha é da Câmara do Porto? Oficialmente sim. Mas o ponto é este: servia para alguma coisa antes do grupo Es.Col.A lá estar? Não. E aquele prédio é de quem? Do ponto de vista público 'pertence' à Câmara, ou seja, aos moradores da zona. Quando o presidente da Câmara os manda sair à força não sei exatamente em nome de quem é que actua. Os munícipes que contam são aqueles que estão ali (não os que moram na Foz ou em Miragaia). Aquela velha escola devia estar ao seu serviço e finalmente estava. 2. A Câmara exigiu 30 euros de renda e um contrato de comodato (empréstimo). Parece sensato mas Rui Rio poderia ver que, por detrás da Es.Col.A, há uma cidade a 'mudar'. Uma história: na década de 80 em Curitiba, no Brasil, a edilidade não conseguia lutar contra o crescimento das lixeiras na favela. O que fez o presidente Jaime Lerner? Decidiu pagar um pequeno valor pelo lixo recolhido e entregue no local certo. Assim, em vez de ter os moradores a contribuir para o caos, contou com eles para mudar radicalmente a cidade e fez Curitiba figurar como um dos casos mais extraordinários de mudança social e ambiental no Mundo. A decisão permitiu-lhe ainda poupar muito dinheiro em serviços públicos. Curitiba era um caso muito mais complexo do que o que estava em curso na Fontinha. Há inúmeras escolas da cidade abandonadas. Há jovens adultos com vontade de participar em movimentos de solidariedade social, até como meio de encontrarem um sentido para a própria vida. É uma mudança gerada pelos novos tempos do desemprego jovem e do regresso à agregação social de proximidade. Mas o que faz a Câmara? Recusa perceber o que aí vem. Faz mal, porque os novos tempos do Porto também se fazem destas pessoas que estão disponíveis a viver uma vida de pobreza em prol dos outros. Ora, num tempo em que é tão mais fácil entrar pela marginalidade ou emigrar, isto parece uma boa ideia. A cidade precisa de gente assim - desde que os moradores aprovem. O novo Porto cultural e jovem também é isto e não apenas a 'movida' ou os bares dos universitários. 3. A Fontinha não encaixa no formato "pobres" ou "político que ajuda/povo que agradece" tão ao agrado do "populismo democrático" de Rui Rio. É mais fácil pintar os bairros sociais e colocar-lhes televisão por fibra do que encontrar um modelo económico e social para a cidade. O Porto é um vazio de novo emprego, exceto o cultural (que surgiu à revelia da Câmara, nunca o esqueçamos). A Es.Col.A é uma forma não-convencional de cultura urbana. Naturalmente não aceita a exigência de menção obrigatória do "apoio da Câmara do Porto" em todas as ações culturais. O ridículo da dupla Rio/Teixeira não tem limites. Exigência essa, recorde-se, que impede qualquer instituição da cidade de criticar a Câmara sob pena de perder a esmola. Obrigar a 'Fontinha' a agradecer a oportunidade faz de facto lembrar a propaganda nazi no gueto judeu. É triste, mas é verdade. Duas notas de rodapé: este 25 de Abril começou a tornar clara a cisão política do PS com a troika/Passos Coelho. A decisão reflete uma coisa mais perigosa: a mentira do Governo quanto ao corte dos subsídios em 2014 pode ter sido a gota de água na coesão social e Seguro percebeu obviamente isso. O candidato que achava pesado o PEC IV transformou-se no primeiro-ministro que se esqueceu de avisar os portugueses que a austeridade dura mais um ano do que o previsto... Mente ou é apenas um jovem alto e loiro? A segunda nota: finalmente o 'buraco' da Madeira transformou-se num caso de Polícia. O "Diário de Notícias" fala em mais dois mil milhões de dívida escondida tendo por base o sistema do costume - construção civil e investimentos feitos à socapa das contas públicas. Será que nem assim Jardim se senta no banco dos réus? Se assim não acontecer, é melhor fechar de vez os tribunais.» Daniel Deusdado

SÁFICOS E FÚFICOS

O grupo de activistas do movimento Es.Col.A reocupou há pouco a escola da Fontinha, no Porto, quebrando o cadeado de protecção e entrando no espaço de onde tinham sido expulsos pelas autoridades. Podemos pegar no precedente e ir em massa ocupar as casas dos responsáveis do BPN e sobretudo as casas de onde a Banca nos expulsou por dificuldades de pagamento naturais?! Também pode ser uma mega-manif no Largo do Rato. Não fazemos manifs onde é preciso: por cada manif sáfica e fúfica, que não é mais que uma grande festa, há milhões de manifs por fazer apenas por causa do pão, da habitação e da saúde.

O GRANDE COITO VICIOSO QUE AMEAÇA ABRIL

As ameaças a Abril são muitas ou, melhor, o falecimento de Abril tem algozes variados. Internos e externos. Os assassinos externos são complexos e não podem ser ignorados, já que a forma de os Países emergentes competirem connosco passa pela aviltação mais completa do ser humano, o que, se nos derrota economicamente, ameaça-nos também outros velhos equilíbrios sociais e humanos, já para não falar na ameaça a certas certezas idealistas: não havendo tecido produtivo nem dinheiro, quase nenhuma economia, quase nenhuma renovação geracional, não há sistema social e outras almofadas que resistam. Perante isto, o nosso futuro a médio prazo é quase um filme de terror nacional que só não atinge Américo Amorim e as demais flores de estufa da impropriamente chamada elite nacional. Os assassinos internos do 25 de Abril, de uma Democracia plena, passam, desde logo, pelos impunes, pelos desonestos e a impunidade geral de que beneficiam. Políticos corruptos riem hoje de quem sofra. Eles só se cevaram e se mantêm graças ao Putrefacto Sistema Instalado que os protege bem como aos detentores de privilégios imorais acumulados, reformas imorais ou outro tipo de benesses do Regime. Não há 25 de Abril que resista à gente parasita da Política no Grande Coito Vicioso Económico-Político. Foram três décadas alheadas de haver um Povo a cujo serviço deveriam devotar-se: «Encerrado que está o ciclo do desenvolvimento básico, importaria percebermos que, muito para além das partidarizações paroquiais, as grandes ameaças ao regime saído do 25 de Abril são de natureza global. Verdadeiramente, são as mesmas que ameaçam a Europa nos seus níveis de qualidade de vida e de garantias sociais.» Manuel Tavares

HOJE NÃO É VINTE E CINCO DE ABRIL

É mais ou menos esta relíquia, esta traição crassa, esta tristeza que não passa. E não é mais nada.

FAZES FALTA, MIGUEL!

Um exemplo de Ousadia, Inteligência e Pluralismo.

terça-feira, abril 24, 2012

ADEUS, GASPAR! VENHA BALTASAR!

Efectivamente, os agentes do Regime não têm em grande conta os cidadãos. Têm-nos em nula conta. Marca do Regime, aliás, é o profundo desprezo por quem é fraco e vulnerável a malfeitorias fiscais ou ao jogo económico proteccionista das clientelas, principal desporto dos Governos deste Regime. No Grande Centrão de Interesses e Gamelas Habituais, esse comportamento é-lhe transversal. Uns porque roubam à fartazana entre espectáculos de circo retórico e braçadas de pães com farinha de pedra. Outros porque implementam medidas implacáveis, conducentes à morte, à fome, à peste e à guerra de muitos, dentre tantas outras escolhas possíveis. E bastaria aqui ser-se simplesmente justo: «O ministro Vítor Gaspar veio para o governo com dois objectivos: empobrecer os portugueses e equilibrar as contas públicas. E se o primeiro está praticamente conseguido, o segundo redundou num estrondoso fracasso. Os portugueses estão mais pobres, não há dúvida. O aumento das taxas de imposto e a redução generalizada de pensões e salários degradaram o nível de vida. Com empresas a fechar diariamente, o desemprego atingiu um valor recorde. Enquanto isso, as medidas de Gaspar são comunicadas de forma ambígua, como a do prazo de supressão dos dois subsídios aos funcionários; ou são anunciadas de supetão, como foi com a proibição das reformas antecipadas. A ambiguidade e a surpresa provocam um ambiente de incerteza que paralisa os investimentos e gera o pânico nos cidadãos. Entretanto, todas as medidas fiscais tomadas pelo governo relevaram-se contraproducentes. O aumento das taxas de imposto levou à redução da colecta. Ao contrário do que previa Gaspar, a receita fiscal está em queda livre. O IVA caiu 3,2% no primeiro trimestre, por comparação com 2011; o imposto sobre veículos teve uma redução de 47,5%! Ao mesmo tempo, os cofres da segurança social estão a esvaziar-se ao ritmo de três milhões de euros por dia, com o subsídio de desemprego a subir 23%. As contas saíram furadas. As finanças públicas estão a derrapar e sem controlo. Além do mais, Gaspar falhou as promessas de cortar nas enormes gorduras do Estado, de terminar com os negócios em que o Estado favorece os grupos económicos do regime e de combater a corrupção. Gaspar não renegociou as escandalosas parcerias público-privadas, para não incomodar as concessionárias. Não reestruturou a dívida pública, o que pouparia milhares de milhões, optando por continuar a favorecer os bancos. As finanças nem sequer ousaram reduzir os valores de alugueres e rendas de favor que o Estado paga pelas suas instalações, muito acima do valor de mercado. Até agora, os únicos beneficiários destas políticas desastrosas são os grupos económicos do regime, que continuam, intocáveis, a lambuzar-se na gamela do Orçamento do Estado. Está pois na hora de mudar de políticas nas finanças e trocar de protagonista.» Paulo Morais

OS FACCIOSOS NUNCA SÃO FACCIOSOS

Meses depois de PSD e CDS assumirem a governação verifica-se isto: por mais que o PS-Sócrates tenha tido um papel determinante para a necessidade de resgate do Estado Português, e como é impossível escrutinar e julgar todo um Regime que traiu um Povo, não se pode ventilar sequer o menor sopro de incómodo pelos negócios ruinosos com autoria e supervisão socialista. Só se pode escrever e apostrofar a saga sacana e impiedosa do Governo Passos à pala da Troyka. Não se pode ser faccioso, vocifera o fanatismo bronco e o deboche dos protectores da impunidade. Daí a cassete da não criminalização da política como forma de essa gente facciosa, que não admite faccioso no outro, se defender e defender ter o Povo de suportar a factura que está a chegar e é uma factura toda socialista. Daí toda a impostura, uma vez mais e sempre facciosa, de Mário Soares. Nem por isso, campeia menos desatino no Governo e fora dele. Mesmo o FMI aplica o seu velho receituário falível sem contemplações com a gradualidade e a moderação que os mesmos socialistas apregoam necessárias porque o que é necessário é pagar a dívida e pagá-la a bom ritmo, custe o que custar. Facciosos e tribais, os socialistas-socratistas consideram ter feito tudo para evitar a ruína do empréstimo de emergência. Como? Com o PEC IV. Na hora defender o valor redentor do PEC IV, os socratistas-socialistas não assumem as mudanças radicais de contexto em que a Europa submergiu posteriormente ou o peso do caso grego ou todo um percurso governativo de seis anos a cavar dívida e mais dívida. Não. Os outros. Sempre os outros. Os outros boicotaram e anularam uma solução que evitaria a presente situação de imposição política externa. Os outros dizem que a responsabilidade por essa perda de soberania é dos socialistas-socratistas que, com o PEC IV, o que tinham não era mais uma negociata nas costas do Parlamento e do País, não, mas o acordo da Europa para manterem o domínio sobre as contas e protegerem o País da armadilha ideológica que agora se implementa. Qual é a cassete rasca, tonta, canalha dos outros? Que a culpa é toda dos socialistas. Qual é a cassete rasca, tonta, canalha dos socratistas-socialistas? Que a falácia grosseira e obscena das excentricidades na Parque Escolar é virtuosa e festiva; que as PPP são um produto negocial equilibrado e bem intencionado; que o PCP e o BE colaboraram na execração dos socialistas-socratistas. Porque o PCP e o BE são compostos por portugueses e no fundo de si também patriotas sensíveis ao enriquecimento rápido de muitos socialistas-socratistas e sensíveis ao empobrecimento acelerado da esmagadora maioria dos portugueses, também eles lêem bem em que coisa impessoal e nefelibata se converteu o PS e o seu lado Dormente De Repente Acordado de Esquerda. E assim temos um só partido, isolado de todos, mal visto por todos, o PS Socratista e o resto do PS que o aclamava como deus e totem. Mas quem é sectário por vocação e destino, quem é? Não os que se cevaram dos orçamentos, não os que defendem com unhas e dentes a não criminalização de decisões políticas criminalizáveis, mas os outros. Sempre os outros. Todos os outros. O socratismo-socialismo está só e derrotado, nas suas culpas muito peculiares e próprias. Outros culpados, alguma Banca amiga e alguma indústria amigada, assobia para o lado. Os partidos compreendem o lugar odioso, lugar do morto, que o PS ocupa. Falta acabar com a impunidade. Falta dar caça às afrontas feitas a Portugal. Falta que alguma organização cívica engrosse a voz para dar travão à sanha desumana do Governo Passos mas não deixar por corrigir a colossal impunidade e estupidez que consiste em deixar passar em claro delitos lesa-pátria. Os jornais investigam, informam, fazem o seu papel. Os blogues observam, comentam, crivam, dizem o que se ousa pensar. Na vida pública, a única indecência hoje é a Justiça não ter pedalada para o ritmo e noção exacta que temos dos motivos para a nossa desesperante indignação. A PGR, por exemplo, reforça todos os dias o nosso estatuto de inapeláveis encornados pela Política e pelos Políticos.

DERRAPAGEM SILOGÍSTICA

Que é que os ministros andam a tomar para derrapagens silogísticas como esta?! E por que este Governo monotemático austeritarizante não coloca já nas suas fileiras um Rui Moreira que lhe dê sensibilidade empresarial, arrojo nos caminhos novos a prosseguir, lições em negociês, língua que Passos parece dominar por alto?!

segunda-feira, abril 23, 2012

SÁDICOS E CÍNICOS

Acho uma piada a estes arrufos de Mário Soares e dos coirões de Abril. Nada poderá impedir que empobreçamos a um nível aviltante e ao mesmo tempo realístico. E empobreceremos pelo mesmo motivo por que, neste mundo, os que têm dinheiro nos desprezam. Não crescemos. Não nos organizamos. Somos Nada, Grandes Nada do desprezível e endividado Sul Europeu. Não subscrevo a visão, mas é isto. Só pelo trabalho óbvio, inteligente, dinâmico, audacioso, só pela atracção competitiva do máximo de investimento exterior algum dia sairemos da merda em que sobretudo década e meia de socialismo nos afundou. Entretanto, alheios a tudo isto, a Esquerda Cínica não tem senão amuos e grandes masturbações arcaicas a oferecer-nos perante a acção sádica e inamovível dos agentes da Troyka, internos e externos. Por exemplo, o indescritível e sonso Soares não se enxerga: não foi a aristocracia socialista a grande beneficiária do consulado larápio Sócrates, o outro lado da moeda Falência do País?! Não governou tal consulado estritamente a contento dos seus, em benefício dos seus, na satisfação dos mecanismos de opinião e favor cego ao Poder Pagante, não centrou todas as diligências no grosseiro comissionismo político dos negócios que nos fodem hoje e amanhã?! Todos, Sádicos da Alforreca Passos e Cínicos da Esquerda Mamar, não passam de coirões. Coirões do caralho! No meio, o Povo.

BOCHECHAS DE ABRIL

Sim, sim, muito obrigado, capitães de Abril, boa viagem, mas os vossos disparates e afastamento da realidade já cansam. Evidentemente que os ideais de Abril foram para o caixote do lixo, mas não é propriamente o Governo Passos o derradeiro agente de essa degradação e rasura aprilina. Coveiros há muitos. Desde logo a incompetência e sofreguidão em quinze anos de socialismo bancarrotista, passando pela fantástica tradução comunista-esclavagista da República Popular da China com o seu capitalismo extremo, a ditar cartas neste século XXI, algo a que não se pode fugir num País repleto de automóveis de luxo e quase nenhuma produtividade. Para além de engordarem como chinos, de se transformarem em admiráveis bígamos, onde estavam os capitães de Abril enquanto ainda há pouco o supremo reles político desgovernava, roubando Portugal?! A coçar a puta da micose e, mais recentemente, a ladrar revoluções, depois de casa arrombada, where else! Não há dinheiro, não há cabrões.

PASSOS-RELVAS E O MILAGRE DA ORDEM E DA LUZ

«Sócrates, por convicção e natureza, tentava sempre esconder ao público o mais que podia da actividade do governo. Quando saiu, poucos portugueses percebiam o estado calamitoso em que deixou as coisas e até que ponto o futuro próximo, e o longínquo, estava comprometido. Ainda hoje os jornais servem dia a dia horrores de que nunca tínhamos suspeitado e a lista não parece perto do fim. Depois da catástrofe, esta política de Sócrates, que na altura alguma gente condenou, não foi naturalmente popular. Por toda a parte se começou a exigir a “verdade” e o que por aí se chama agora “transparência”. Segundo essa doutrina, o primeiro-ministro, e cada ministro individualmente, deve por razões de moralidade e limpeza fazer o contrário do que Sócrates fazia: ou seja, contar o que souber sobre o que se passa no governo e no país. Sucede que um bom governo exige invariavelmente uma grande reserva e não há melhor receita para se tornar malvisto do que uma dose excessiva de tagarelice. Mas, com meia dúzia de excepções, nem Passos Coelho nem o seu pessoal se conseguiram esquecer do abominável homem do PS e desde o princípio se puseram impiedosamente a falar ao “povo”, quer o dito “povo” se mostrasse, ou não, interessado pela conversa. Esta verborreia criou, como era de esperar, incessantes sarilhos. Nem o primeiro-ministro nem os ministros manifestamente decidiam em conjunto o momento e teor do que lhes convinha revelar aos portugueses. Pior do que isso: ninguém decidia por eles. Veio então a interminável série de gaffes, contradições, desmentidos, asneiras, fatuidade e pura patetice, em que o governo corre o risco de se afundar. Infelizmente, para resolver o problema a superior inteligência que nos dirige (suponho que Miguel Relvas), num lapso de certa maneira desculpável, resolveu, em vez de aconselhar à sua volta discrição e silêncio, angariar três novos notáveis para colaborar na imprescindível e urgente defesa do governo: Miguel Macedo, Aguiar-Branco e a célebre dra. Paula Teixeira da Cruz. Nunca notei em nenhum dos três dotes de eloquência e de persuasão. Mas com certeza o erro é meu. Só que não parece muito lógico que, para fiscalizar e coordenar as linguinhas vibrantes dos srs. ministros, se juntem mais três (não exactamente respeitadas pela sua clarividência económica) e se imagine que do acréscimo de barulho nascerá por um suspeito milagre a ordem e a luz. Pedro Passos Coelho precisa de menos palavras (dele e da sua tropa), para que os portugueses o levem muito a sério e para que Portugal tenha um ponto fixo de confiança. O resto é conversa. » Vasco Pulido Valente

RATO A PARIR MONTANHAS

É bom sinal que, na Islândia, Geir Haarde tenha sido processado, para começo de conversa. Acontecer como em Portugal onde, que por mais horrendo e desonesto seja um titular da mais alta responsabilidade pública, nada o pode atingir e ainda lhe acontece beneficiar de protecção lá, onde deveria ser indiciado e flagelado  isso é que é de mais. A montanha islandesa pariu um rato, é certo, porque Geir Haarde só foi considerado culpado de uma das acusações: não ter discutido a crise de imediato, mas não será punido. José Sócrates, Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Paulo Campos, caso não estejam, deveriam estar já a experimentar um processo nos respectivos lombos celerados, mas algo a sério, não o costume, coisa meramente simbólica, quando se deixa aos media a superficialidade dos 'danos' na imagem desde que permaneçam no bolso dos danados os mesmos milhões furtados ao Erário. Os danos a Portugal perpetrados pelo primeiro da lista bradam aos Céus. Merece castigo exemplar. Se esse for algum dia castigado, acompanhe-o o cúmplice, absolutamente venal e inútil, Pinto Monteiro, e toda a tralha íntima, Paulo Campos, e quantos [mega-firmas lisboetas de advocacia], nas PPP, negociaram partes de cordeiro para o Estado-Contribuintes e partes de Leão para os Privados-BES. Ainda não perceberam nem se escandalizaram suficientemente perante a grosseria crassa desse crime?!

AS PPP E O VIRGINAL CRAVINHO CRAVANTE

«Diz-se, a propósito da renegociação das Parcerias Público Privadas (PPP) que o Governo tenciona levar a cabo que a troika terá prevenido Lisboa de que o caminho comporta riscos já que pode afugentar investidores estrangeiros. E pode ser assim, uma vez que se arrisca a criar uma sensação de instabilidade que, acrescida ao paupérrimo "rating" da República, terá um impacto muito negativo nos investidores, numa altura em que Portugal está empenhado num programa de privatizações. Entendendo o argumento, e compreendendo o risco de afrontar os grandes interesses, não me parece, ainda assim, que Portugal se deva resignar a uma tal condição de menoridade. Não se trata de defender, é claro, a opção do país pela solução argentina de nacionalizar investimentos estrangeiros e de se furtar à arbitragem internacional. Qualquer renegociação deve ser feita garantindo a segurança jurídica dos privados e tendo em conta o legítimo interesse de ambas as partes - Estado e seus parceiros - no cumprimento dos contratos celebrados, a apontar claramente no sentido da sua renegociação, já que de outra forma será improvável que o Estado possa cumprir com a sua parte. O baixo "rating" da República pode servir para persuadir os privados a reverem as condições leoninas que foram apostas nestes contratos, na medida em que estes sabem que, por essa razão, a sua exposição ao "risco país" é agora muito maior do que quando os negócios foram fechados. Tudo isto, naturalmente, se o Governo puder e quiser antecipar a amortização de uma parte da dívida, o que levará os privados a trocarem o duvidoso pelo certo. É essa uma das razões pelas quais não consigo entender o negócio entre a Caixa Geral e Depósitos e o Grupo Mello a propósito da Brisa. Se o banco público tem disponibilidades financeiras, não parece compreensível ou sequer lícito que aumente a sua exposição num negócio de risco. Melhor seria que esses fundos fossem reservados para adquirir posições de parceiros privados nas parcerias público privadas, reduzindo dessa forma as rendas excessivas. A propósito, João Cravinho veio dizer que ninguém é virgem nesse negócio das PPP e acusa o Governo de nada fazer para resolver o problema das rendas excessivas. É certo que, desde os tempos de Ferreira do Amaral, todos os governos optaram por esse modelo, mas Cravinho, que reclama para si o estatuto de paladino da transparência, não tem autoridade moral para falar no assunto, ou para acusar este Governo de se submeter aos grandes interesses. A ideia gasta e requentada de que todos temos culpas no cartório não convence, porque mesmo que isso fosse porventura verdade, há decerto quem tenha maiores responsabilidades objetivas, como é o seu caso. Ou não foi ele o ideólogo e o executor directo das nacionalizações ao tempo do PREC? Não foi ele o visionário da Ota e dos TGV, o inventor das SCUT, não foi quem defendeu que as portagens não eram necessárias porque já se pagavam muitos impostos nos combustíveis? Infelizmente, o seu idílico cenário de um país com uma capital gigante, a sua convicção de que o "spill over" dos investimentos faraónicos resolveria o atraso do país foram um gigantesco fracasso e deixaram uma fatura colossal. E, por muito que agora reclame quanto à submissão aos grandes interesses económicos, a verdade é que, no tempo em que esteve no Governo Guterres, foram muitos os negócios que beneficiaram precisamente esses mesmos interesses. De acordo com o Banco BPI, as PPP são um dos principais riscos para as contas públicas, já que o risco de tráfego associado aos contratos pode custar 2,3 mil milhões de euros ao Estado neste ano, ou seja, 80% da receita prevista para as privatizações. Terminada que esteja a auditoria em curso, mais uma vez adjudicada a uma grande empresa estrangeira, e não havendo virgens, haja ao menos quem tenha o sentido de Estado, a coragem e o engenho para assumir as rédeas desta negociação estratégica. Se assim não for, os sacrifícios do cidadão comum, que também abdicou dos seus interesses adquiridos, de nada servirão.» Rui Moreira

domingo, abril 22, 2012

SIMBÓLICO DE CONTRAPOSIÇÃO

Barça-Real: há já algum tempo que isto já não é só futebol. Para extensões portuguesas, passou a ser muito mais que ajustes de contas nacionalistas entre eles-espanhóis. As vitórias do Real Madrid, os títulos que conquiste, por causa dos portugueses que lá estão, passaram a ser a forma que nos faltava para contrapor símbolos fortes e resultados inquestionáveis portugueses ao português, qualquer português, insultado por terras de Espanha. Nenhum outro como Mourinho nem, algumas vezes, como Ronaldo ou Coentrão, foi tão maltratado na imprensa e nos estádios espanhóis! «Ese portugués qué hijo de puta es!», isto é, «Que filho da puta é esse português!» Nem que seja por isso e o que lhe subjaz, serão de menos todos os títulos, triunfos, conquistas, que vierem, enquanto lá estiverem. É para que los perros saibam quanto respeito nos devem somada à lembrança difícil porque chauvinista de que, quer queiram quer não, existimos.

O PRATO FERVENTE DA VINGANÇA

Foi como se fosse ontem. Ela estava de pé. Porta do carro aberta. Menina pequena lá dentro. Ela estava arranhada. Tinha o rosto lacerado. Sangrava. Estava ao telemóvel. Ali. Nada mais que o estacionamento de um Pingo-Doce como outro qualquer. Gente por perto na expectativa. O segurança, gigante, contemplava perto. Eu passava, atravessando esse estacionamento de nada me apercebendo e nada vendo senão o que vi depois e antecede o que passo a acrescentar. Por trás de mim, o rápido movimento de um Mercedes preto descapotável, que me quebra a passada, contornando-me, como num assalto. Contorno-o. Apeia-se dele um frango musculado nos braços, palito de pernas. Camisola simbólica. Nu nos braços rufiões, arqueados. Óculos escuros. Telemóvel na mão. Posta-se frente à moça de rosto sangrado: «Foi a outra? A menina viu?» Às duas perguntas ela responde sim. Não foi preciso mais. Poucos passos depois, a porta de uma casa com uma velha, guardiã do lar, ali, na dissuasão do pau de vassoura. Porta arrombada. Velhota pontapeada. Entra o frango. Entra a moça lacerada. Menino pequeno sai e vem para fora chorar, bater desesperos nas próprias pernas impotentes lá dentro. Louça que parte, a surdez dos punhos e dos pontapés. Velhota em gritos e descabelo. Silêncio. Violência silente. Os agressores saem. Dispersam. Vingança saciada

SAGA PORTUGUESA EM MARROCOS

Tenho passado horas a ler e a comentar cá em casa este post excelente acerca na nossa longa história por Marrocos. Diplomaticamente éramos de uma cepa que já não se vê. Também por isso não é de mais insistir no aprofundamento e estudo da nossa História, no seu valor exemplar, na redescoberta da nossa têmpera e sentido do ousar. Temos de olhar para trás com olhos de ver para aprender connosco mesmos na diacronia.

HOLLANDE DE PIRRO

Nem com populismos de última hora, estigmas generosos aos europeus do sul, espanhóis, italianos, portugueses, discursos anti-imigrante, e coisas do mesmo tipo, sem visão nem dimensão, Sarkozy logrou vencer esta primeira mão eleitoral. Cansaço é cansaço. Não deixo, porém, de olhar a vitória de Hollande como uma vitória de Pirro que nunca o seria se Dominique Strauss-Kahn não tivesse visto previamente o seu caminho natural armadilhado, coisa feia, sr. Sarkozy, coisa feia! É já a seis de Maio o tira-teimas. Veremos.

O BONECO

Temos todas as razões para considerar o procurador-geral da República, Fernando Pinto Monteiro como mais um apparatchik da pseudo-democracia portuguesa. Os lugares são 'importantíssimos'. Vive-se para os lugares. Servir a contento os que os fornecem é a prioridade número um. Quem os fornece e atribui são os partidos. Deve-se estar grato, infinitamente grato, aos partidos. O boneco articulado que está à frente da PGR disse que a perícia ao caso da corrupção na compra dos submarinos atascou por falta de verbas, mas a Ministra da Justiça disse precisamente o contrário: se havia falta de dinheiro, Pinto Monteiro não moveu uma palha nem sequer para pedi-lo. E mais: se alguma vez houve dinheiro para agir, não foi gasto. Como se vê, imensa diligência nisto como no resto dos casos que andaram 'depressa' e 'bem'. Ironia das ironias, os peritos que fizeram a principal análise a todo o processo dos submarinos — que originou duas investigações — afastaram-se e renunciaram ao seu pagamento há mais de um ano, depois de decisões do procurador que levaram ao desmembramento da equipa do DCIAP que conduzia a investigação. Palavras para quê? O Procurador, como sempre, desprocura. Negligenciar grosseiramente um só caso permite folga e complacência com igual negligência grosseira em três ou quatro outros casos. Nem é preciso dizer quais. Uma mão suja a outra. 

VIVE LA FARCE ET LE FARCEUR!

Como Berlusconi, em Itália, e Sócrates, em Portugal, cada qual no seu papel desastroso, Sarkozy tornou-se gradualmente odioso e desconfortável à crítica política interna e externa, apenas pela lógica que cultivou da sua inevitabilidade, coisa inoculada na opinião pública local, pela demasiada e perversa afeição ao Poder, pelo jogo sujo da batalha política e pela demarcação do Estado Francês, através de comparações oportunistas, de Espanha, Portugal, Itália, tudo para capitalizar dividendos eleitorais a par da tentativa de colagem a Merkel com o cuspo da lisonja. É como se a encalacrada republique française não tivesse senão que acomodar o neo-bonapartismo sarkozyano e dar-se por muito bem zelada e servida. Acontece que, ao contrário do tarado Berlusconi e do larápio Sócrates, Sarkozy é manifestamente mais competente e mais patriota. E, na verdade, não há mais ninguém que valha aos franceses e sinalize ao exterior o que urge sinalizar. Farsa por farsa, é preferível escolher uma apesar de tudo um tudo nada virtuosa.

sexta-feira, abril 20, 2012

PÁTRIA FLATULENTA E INCONTINENTE

Em países de cíclica emigração, como o nosso, basicamente por causa da mediocridade endémica da nossa flatulenta elite política, em poucos anos tornam-se-nos estrangeiros e muito depressa estranhos os filhos dos filhos de Portugal em terra alheia: ouvi-los cá, noutra língua, aparvalhando a parvalheira, diz tudo daquilo em que se transforma um português realizado fora daqui. Alheado. É assim e não poderá ser de outra maneira. Para tal espécie de bancarrota moral de uma Pátria incontinente porque a abandonam, derrota do sangue e do solo, para tal irremediável sangria, não há glória que baste. Ironia é que se vá ser político a valer onde valha a pena, se saiba e mereça sê-lo.

KIRCHNER E A FLECHA PETRIFICADORA ARGENTINA

«Em "A volta ao dia em 80 mundos", o argentino Julio Cortázar explicou a "maneira simplicíssima de destruir uma cidade: aguarda-se escondido no pasto que uma grande nuvem cumuliforme se posicione sobre a detestável cidade. Lança-se então a flecha petrificadora, a nuvem converte-se em mármore, e o resto dispensa qualquer comentário". É isso: o resto dispensa qualquer comentário. É uma tragédia certa.» Pedro Santos Guerreiro

NOS BRAÇOS DA ALFORRECA PASSOS

Especialistas honestos acordam neste facto de límpida transparência: à grave crise internacional eclodida em 2008 somou-se a festiva dissolução imprudente, para não dizer amadora, dos recursos públicos perpetrada pelos Governos Socratesianos. Os dois factores conjugados tramaram Portugal. Álvaro Santos Pereira recorda, e bem, que a economia portuguesa começou a padecer de desequilíbrios graves sobretudo a partir do momento em que, sem o nomear, o Coração de Guterres veio distribuir o que não havia e habituar um Povo autónomo e capaz de se desenrascar às delícias da facilidade rendosa e do ócio fácil.

É POR ISSO QUE ADORAMOS FUTEBOL

Parece que dentro do FC Bayern, apesar do avanço na eliminatória da Liga de Campeões perante o Real Madrid, a testosterona fala mais alto e por isso mesmo o desatino também. Não é que Franck Ribéry e Arjen Robben, segundo o Sport Bild, chegaram mesmo a vias de facto?! Foram separados pelos colegas não fosse dar-se o caso de se matarem antes da segunda mão. Tudo por causa de uma divergência na marcação de um livre umas horas antes, essa coisa suprema. As grandes derrotas começam assim. Com excesso de carácter. As grandes vitórias também. É por isso que adoramos futebol.

GASPAR DEVE SER EVITADO OU IMITADO?

Longos anos pelos corredores da política e da economia internacionais fazem de Gaspar experiente em Mundo e inexperiente em Portugueses. Mas em todo o caso não mente nem erra quando garante à estrangeirada do dinheiro e da grande modelagem informativa global que somos um Povo absolutamente disponível para se sacrificar tendo em vista o heróico evitamento de males maiores, como os da Grécia, um Povo duro e inesgotável no combate pelo equilíbrio orçamental. Como já não temos o pára-choques agrícola, nunca tivemos e nunca pudemos aspirar aos rendimentos dos europeus mais prósperos, nem temos as matérias primas dos russos, angolanos ou dos brasileiros, só temos gente, restam-nos vários êxodos. O êxodo emigratório para quem puder. O êxodo degradatório, mendicância de rua, para quem tiver estômago. O êxodo do desespero silencioso e, alívio dos alívios, o êxodo da morte. A Troyka e os esmifradores da Segurança Social já estão a tratar disso.

PARQUE CHULAR, PPP E OUTRAS MERDAS

«... não se chame "custo excessivo" a custos justos que decorrem de opções extravagantes.» João Miranda

GAGUEJAR EM DOWNING STREET

«We are utterly committed to fulfilling our obligations. But while we are optimistic, we must also be realistic and pragmatic. This is why we accept that we may need to rely on the commitment of our international partners to extend further support if circumstances beyond our control obstruct our return to market financing.» Passos Coelho
Esta manhã, enquanto tomava o pequeno-almoço, tomei consciência do nosso azar: ergui os olhos e testemunhei Passos Coelho a gaguejar em Downing Street. Cameron metralhava o seu english nativo, exacto, em forma rutilante de razia redundante. Passos, o Pedro, não. Gaguejava ou, pelo menos, enchia de hiatos o seu inglês enferrujado. Foi pena. Jamais deveria abdicar da Língua Portuguesa, fosse onde fosse, tal como o faz qualquer chefe de estado que nos visite. Grão a grão com bicho, Passos vai provando que ainda não é ele o tal que fará justiça a Portugal. Oxalá me engane.

quinta-feira, abril 19, 2012

QUERO OS COMPRIMIDOS DO SPORTING

Falta ganhar a segunda parte, antes da Final. O Athletic Club Bilbau é uma equipa com calado, mas há qualquer coisa que o Sporting anda a tomar que eu também quero: simplesmente admirável a raça que estes jogadores colocam em campo, o querer, a concentração quase sobre-humana. Os refrões que Sá Pinto repete nas entrevistas e conferências de imprensa lá terão a sua quota parte somada aos efeitos dos comprimidos de moral e raça que eu também quero, repito. Sá esforça-se por recordar-nos, e grita-o aos jogadores, algo que sem culpa temos esquecido e soava cada vez mais longínquo: que o Sporting Clube de Portugal [também] é grande e respeitado na Europa. Estou para ver quantas mais vezes o Sá vai dizer isto e se o dirá antes e após cada jornada ainda por disputar da Liga. Post Postum: ainda bem que o Caso Cristóvão, com o que tem de sórdido e infecto, parece não contagiar o balneário, como aliás promete não contagiar nada de nada. Qualquer papoila que laureie investigação vê-se sufocada pela PGR ou por outros poderes obscuros que garantem todo o sossego possível no topo da cadeia alimentar portuguesa.

SEIS ANOS

EU EMPRESTO UM ISQUEIRO

Custa-me ver excesso de força e excesso de zelo em questões que mereceriam máximo bom senso e para as quais, já agora, falta esclarecimento suficiente que nos elucide: tem razão quem resiste, na Escola da Fontinha, ou tem razão que a evacua e despeja, Câmara Municipal do Porto? Em qualquer dos casos, se for preciso fazer reuniões e fumar um cachimbo pacífico entre partes, como deveria ser, eu empresto um isqueiro. Também o emprestaria para acender uma justa e legítima revolta contra quem rouba os contribuintes e continua a rir ou contra quem pensa que, em Portugal, estamos por tudo e resistimos a toda a sorte de esbulhos. Isto é Portugal: Nenhum pai se suicida. Nenhum mendigo se interrompe. Vai-se morrendo.

GRANDE VIVEIRO DE IMBECIS

Mário Soares inaugurou os novos tempos pós-moralidade pública salazariana, introduzindo na vida comum a habilidade retórica, o fingimento político e a incompetência técnica, com os resultados e as repetências que se conhecem. Depois dele, tirando Sá Carneiro, vieram trair-nos na governação ou imbecis políticos ou imbecis técnicos, alternando ente si, mas nunca coincidindo na positividade das duas vertentes, a bem da coisa pública. Pelo meio, súcias de carreiristas ávidos, igualmente imbecis, sem outra ocupação conhecida que não o parasitismo partidário, afiaram a experiência política no ataque aos recursos orçamentais. Tudo culminou no mais recente devorismo cretino e, claro, também imbecil, que o mesmo Papa Socialista apadrinhou efusivamente. Deflagra agora, segundo Soares, todo o esplendor da imbecilidade política passos-coelheana. Será. Mas vox populi, no seu clamor espontâneo ou pastoreado, é que a fome e a peste só andam no ar graças a trinta e nove anos de degradação moral e imbecilidade políticas. Não deixa aliás de resultar pitoresco termos de apanhar com o eterno direito de antena dos mesmos imbecis que apadrinharam a falência de Portugal, opinando com extrema lata sobre a suposta ou real imbecilidade política em decurso. Qualquer um já percebeu que, para este Governo, não parece haver outras soluções senão flagelar os flagelados e desproteger os desprotegidos, conservando tudo igual, em proventos e direitos, entre os grandes rendeiros do País, incluindo o PS e a sua escandalosa paz de espírito, viveiro insuperável de latrocínios legais, ricos súbitos e exilados ilícitos, partido onde cresce menos trigo que joio, chusma de vendidos, traidores, ladrões e imbecis, incapazes do exemplo sonso de Mário Soares: social-sensível na retórica; sorna e pragmático no venha-a-nós.

quarta-feira, abril 18, 2012

EXPROPRIAÇÃO E DESPEJO

Um sinal dos tempos em tempo de maus sinais.

NÃO DEIXA DE SER BELO

Globalização é isto. Globaliza-se a glória da ciência, globaliza-se o estrelato Messi, Ronaldo, globalizam-se a tragédia e a arruaça gregas. Nada é seguro. Nada é estável. Tudo pode ser negócio, especialmente a Poesia e a Futilidade. Já não se conhece a estrema entre o sublime, o espontâneo e a encenação de quaisquer minutos de fama porque a fama, pelo menos, pode ajudar com atenção e qualquer atenção sempre podem ser uns trocos a mais no bolso. No caso extraordinário de Maria João Coelho há qualquer coisa de tocante a que só o desejo de ver o Papa se compara. Certamente tremeram-lhe as pernas quando ouviu o "sim", ou quando ousou o beijo, o que não deixa de ser belo: «Acho que foi a minha simplicidade que desarmou o Jeremy Irons.» Público

SUBMARINO PORTUGAL

O episódio dos submarinos confirma a regra da impunidade portuguesa. A única coisa que o distingue de quanto coloca na berlinda essa espécie de político socialista no seu espavento burlão escondendo a grande saga de enriquecer o mais possível e o mais rapidamente possível, avidez recordista, arrivismo desastroso, é o facto de, por si só, o Caso Submarinos não acarretar a falência e o empobrecimento compulsório do Estado Português com a agravada e implacável desgraça dos mais pobres e vulneráveis dos portugueses. Não se ataca um caso. Não se atacam os demais. PSD/PS/CDS-PP unem-se nesta piromania corrupta que corrói o pecante projecto português de democracia e está na base do colapso de Nações, pense-se na bancarrota argentina e será suficiente compreender os antecedentes da nossa não muito diferente nem muito distante Tragédia. E tudo se anula na compita entre os vários episódios burlescos, um após outro: Submarinos vs. Freeport + Cova da Beira + Independente + Face Oculta. É muito fácil dizer-se que todos os partidos, sem excepção, são cúmplices da falência executiva e moral do sistema de Justiça, se isso servir para escamotear o papel derradeiro e determinado do Partido Socratizado em anular-lhe qualquer vislumbre de eficácia e independência, comprometendo profundamente a paz social e a dignidade individual, quando a coisa tangia José Sócrates. Com que é que ficámos? O nosso Estado de Direito não o é. Com impunidade e descriminalização de políticos sem escrúpulos, como ele, ainda o é menos. De nada nos servirá não temer polícias nem juízes, mas assistirmos ao sorriso airoso de políticos que nos condenam e ainda ficam postos em sossego a ver de fora e de longe, pode ser Paris, o trajecto degradante da nossa desgraça, bomba-relógio que armadilharam para nós. Tal representa o fim da democracia e o começo de ainda maiores calamidades.

O CASO CRISTÓVÃO

«Houve o caso Guímaro. E o caso Calheiros. E bem antes disso, o caso Calabote. Em todos eles, o árbitro foi protagonista. A crer na matéria divulgada até ao momento, José Cardinal é tudo menos protagonista do processo a que temos dado o seu nome. Não será altura, sobretudo se não aparecerem rapidamente mais dados que alterem a actual equação, de pararmos com a expressão "caso Cardinal"?» Joel Neto, O Jogo, 18 de Abril, 2012

O ESTOURO DO IMOBILIÁRIO

«No entretanto a "indústria" fez biliões atrás de biliões. Facturou. corrompeu, fugiu aos impostos. Fez de tudo um pouco. Não há caso de suspeita de corrupção ao nível autárquico que não esteja ligada ao imobiliário. Não há PDM neste país que não tenha sido mudado para fazer um jeito ao imobiliário.» Groink

MOHAMED ENVENENA PRESENTE DE JUAN

Depois de os anteriores Governos 'socialistas' de Espanha e de Portugal terem, de muitas maneiras, conspirado contra os respectivos Povos, especialmente os dementes que passearam optimismo criminoso e criminosamente desgovernaram e endividaram o nosso País, condenando-o com Causas onde outros, agora, nos crucificam com Consequências, vemos como mesmo a inocência do favor e a habitualidade do privilégio podem resultar envenenados para a paz podre dos respectivos Regimes: não poderiam ser mais devastadores os danos ao Regime que vigora em Espanha causados pela viagem do Rei ao Botswana. Nada a desculpa. Nem o facto de ter sido paga afinal por Mohamed Eyad Kayali. Permanecerão indeléveis a fealdade do secretismo e a fealdade do objectivo.

terça-feira, abril 17, 2012

AFINAL, HÁ DOIS OU TRÊS ZORRINHOS

Ontem, depois de ouvir atentamente Zorrinho no Masturbódromo Parlamentar do PS, percebi que me precipitara no optimismo relativamente à por mim suposta reconversão interior zorrinhoniana. Afinal, não há um, senão dois ou talvez três Zorrinhos. E parecem virtualmente incompatíveis entre eles. O Zorrinho solidário com António José Zeguro existe, mas depois há o Zorrinho que faz discursos segundo a narrativa urdida pelos Órfãos de Zócrates. Ora, se são estes espécimens dissolutos a fazer-lhe as homilias, no fundo, levando o Carlos a dizer que estamos pior e ficaremos pior por causa da rejeição do PEC IV e da grande conspiração anti-PS levada a cabo por BE, PCP, Verdes, CDS-PP, PSD, Presidente da República, os media, a Banca, todos os broncos que espumam de raiva contra o Primadonna Playboy PPP Parisiense, toda a gente rasca, eu e quantos andam por aí, então isso quer dizer que temos um segundo Zorrinho em conluio com os que têm feito a vida do TóZé um inferno. Ora, se temos um Zorrinho ao mesmo tempo solidário com Zeguro, mas ainda dependente dos assessores unha com carne de Zócrates, demasiado íntimo do velho spin de falsificar, isso quer dizer que temos um terceiro Zorrinho. Um Zorrinho em que se não pode confiar: não podemos confiar nele, apesar de ser boa pessoa. Não pode Zeguro confiar nele, apesar de lhe ser solidário. Não pode Zócrates e os assessores de Zócrates confiar no tríplice deputado e líder de bancada, apesar de este lhes ler os discursos manhosos. Se Zorrinho fosse só um, não encabeçaria a tese-mofo das desculpas e justificativas socialistas pela devastação corrupta e endividante do Estado Português que o odioso zocratismo pariu em primeiro lugar. Como Zorrinho afinal são três, então que organize um torneio de Bisca. Sempre ganhará de todas as vezes.

segunda-feira, abril 16, 2012

O VAGAR PASSISTA NA REVISÃO DAS PPP

«Quando a troika aterrou, trouxe os seus modelos. Falhou logo uma previsão: a de que o ano de 2011 seria pior que o de 2012. Não foi. Nos modelos da troika, o simples agendamento da austeridade levaria os portugueses a arrepiar o consumo. Mas só quando o dinheiro deixou mesmo de entrar, em Janeiro (quando convergiram as piores medidas, sobre salários, pensões e impostos) é que os agentes económicos congelaram. Mas há mais. Há a tolerância aos lóbis, que os espanta. Quando é posta em cima da mesa a recomendação de que aqueles que promoveram as parcerias público-privadas devem ser expostos à vergonha, não é nada de pessoal contra José Sócrates, Mário Lino ou Paulo Campos. É porque já não sabe o que mais se há-de fazer. É porque os contratos estão a ser revistos… poucochinho.» Pedro Santos Guerreiro

QUE BREIVIK VIVA É JÁ SOBEJO ULTRAJE

Há casos e casos e suponho que de um modo geral violência gera violência. Não se pode instituí-la para que o seu ciclo diabólico finalmente cesse: por isso a pena capital não pode preencher habitualmente os requisitos plenos de uma justiça justa. Não é o caso de Anders Breivik. Mediatizá-lo, para não falar no facto abominável de o terem deixado incólume e vivo, ofende e avilta os familiares das vítimas e contamina a humanidade de nojo. Cada frame e cada zoom feito à criatura, é uma suprema obscenidade difícil de aceitar. Por que não acabam, pelo menos, com o circo proselitista Breivik para que se interrompa a promoção da infecta eugenia unicultural por ele propalada?! 

FESTAS DA BAMBOCHATA

«Quando o Governo de José Sócrates anunciou o projeto Parque Escolar, defendi que a remodelação das nossas escolas era um bom investimento público porque, ao contrário de outros, poderia resultar num claro benefício para a economia. Para além de poder reanimar o sector da construção civil, já então em crise muito profunda, a oferta a alunos e docentes de instalações com maior funcionalidade poderia ajudar à superação do atraso educativo português face aos padrões europeus. A verdade, porém, é que logo que se conheceu o projecto em mais detalhe, se levantaram dúvidas sobre a sua implementação e se questionou, por isso, a relação entre custo e benefício. Uma boa ideia não resulta necessariamente num bom investimento e, neste caso, optara-se por escolher a dedo alguns dos arquitetos do regime e os concursos públicos foram feitos de forma a beneficiar algumas grandes empresas de construção civil em vez de se optar por adjudicações parcelares que teriam um maior impacto no sector. Houve, além disso, uma escolha pouco judiciosa e muitas vezes faraónica de materiais e de equipamentos sem tomar em conta a incorporação nacional, olvidaram-se as questões da sustentabilidade, e nomeadamente a importantíssima questão da eficiência energética. Por razões estéticas, recusaram-se, por exemplo, propostas de utilização de painéis solares que poderiam resultar em redução de custos e até numa receita para as escolas, na medida em que estão encerradas nos meses de verão, e poderiam então abastecer a rede eléctrica. No inverno passado, visitei uma escola nos arredores do Porto, em que pude constatar que as soluções arquitetónicas que tinham sido adotadas eram esplêndidas do ponto de vista estético. Contudo o luxo contrastava com as condições objectivas de funcionamento. Lá dentro, estava um frio de morrer porque, segundo me informaram, os sistemas de climatização exigiam níveis de consumo de energia que não eram sustentáveis pelo orçamento da escola. Não fiquei, por tudo isso, surpreendido quando tive conhecimento das conclusões do relatório do Tribunal de Contas em que se assinala, por exemplo, que face aos objectivos iniciais, se verificou um aumento no investimento estimado em, pelo menos, 218,5% (mais do triplo) não obstante abranger apenas 64% (26% abaixo) do número de escolas que se pretendiam modernizar. Ou seja, para fazer menos do que era prometido, gastou-se muito mais dinheiro do que era necessário e, como também é evidente no relatório, este foi muito mal distribuído. Se olharmos ao custo por metro quadrado da reabilitação das escolas, chegamos a um valor que concorre com o preço de construção de uma moradia de luxo na Foz. Já me surpreende que, perante esta evidência, se tente explicar aquilo que não tem justificação. A propósito, Maria de Lurdes Rodrigues chegou ao ponto de dizer, no Parlamento, que se tratou de uma grande festa. Incomoda-me que uma das maiores responsáveis por essa festa não seja capaz de admitir os erros da rapioca que caucionou, e que tenha o descaramento de dizer o que disse. Aflige-me que o Partido Socialista ainda não tenha compreendido, ou teime em não admitir publicamente que a festa socrática custou aos contribuintes portugueses mais de 80 000 milhões de euros em endividamento em seis anos, sem que isso tenha resultado numa modernização real do país. Numa altura em que o país se vê forçado a mudar de vida, a Parque Escolar é um exemplo de um tempo histórico em que muitos objectivos consensuais foram atraiçoados pelo despesismo, pelo clientelismo e pela irresponsabilidade. Não admira, por isso, o sentido das sondagens revelem que os partidos do Governo voltariam hoje a ter a maioria, se houvesse eleições. Os portugueses estão a sentir na sua bolsa a maior das crises de que há memória mas não esquecem a história recente. Como me dizia um velho amigo, que sempre defendeu os ideais de esquerda, as audiências parlamentares às antigas ministras da educação de José Sócrates foram uma extraordinária benesse para este Governo...» Rui Moreira

SÓCRATES NÃO É O ÚNICO CULPADO

São imensas também as culpas de Almeida Santos e, aliás, têm décadas de vida airada proprietária do País. E é igualmente estúpido que não se perceba toda a nossa tragédia nisso, nessa apropriação do Estado e nessa liberalidade de dar o que não se pode, mover influências para o que não se deve e distribuir prendas aos apaniguados em nome do Regime: reformas, subvenções, sinecuras, benesses, privilégios, favores, enfim, o grande tráfico de cargos e posições amiguistas que nos perderam a todos e que o mesmo Regime desavergonhadamente pariu pelas mãos liberais de padrinhos como o Almeida.

OS CORRUPTOS NUNCA CHEGAM À CADEIA

«O Governo proibiu que se fumasse nos carros privados, com crianças lá dentro. Em Portugal, os governos gostam muito de proibir (até para “apresentarem serviço”) e não gostam, nem sabem governar. Desde o “25 de Abril”, a nossa história tem sido uma história de oportunidades perdidas, que inevitavelmente acabou num grande desastre. Começou logo com a tentativa do dr. Álvaro Cunhal e de alguns militares para nos transformar numa espécie Vasco Pulido Valente de Bulgária do Ocidente. Um erro que nos custou 15 anos de atraso (até 1989) e deformou para sempre o regime político e a economia. Ainda hoje, a Constituição é absurdamente “ideológica” e as reformas principais (a da justiça, por exemplo) continuam por fazer. Tudo se paga neste mundo e a “festa revolucionária” também. Depois disto, que chegava e sobrava, o PS, o PSD e o PC (e companheiros de caminho) partidarizaram o Estado. A Assembleia da República é conciliábulo de indivíduos, sem responsabilidade ou independência, que obedecem ao “chefe”. A administração central um aglomerado incongruente de clientelas; a administração local uma seita de compadres políticos e de parentes sem melhor uso. Os “negócios” são repartidos por amigos do peito, com a cumplicidade do Estado. Os corruptos, não se percebe porquê, nunca chegam à cadeia. Mesmo o Tribunal Constitucional depende, em última análise, do Parlamento. No meio desta desordem endémica e tolerada, como se esperava a mais vaga racionalidade da gente que mandou e manda no país? Depois de cada asneira vinha invariavelmente uma asneira maior. E um ou outro crime. O dinheiro que se gastou (da “Europa” e do cidadão) acabou por ser gasto sem lógica ou sentido do futuro, à mercê de eleições que não serviam para nada, excepto para trocar o bando mais privilegiado. A Segurança Social anda, como de costume, perto da falência; a educação falhou; e o serviço de saúde, desequilibrado e mal gerido, sobrevive à custa da fidelidade de um pessoal mal pago. Esta democracia tão incensada e tão glorificada durante tanto tempo, não tem futuro. E o pior é que os portugueses, que em geral querem entusiasticamente a reforma de tudo, para se “modernizarem” e para “crescerem” como sucede lá fora, não querem qualquer reforma que os possa mudar a eles, nem àquilo a que por equívoco ou acaso se habituaram. Fica o recurso de proibir que se fume no carro com crianças. Deve chegar.» Vasco Pulido Valente

O REI JÁ NÃO QUER SER REI

Sinceramente, acho que o Rei de Espanha só pode estar estar farto de ser Rei de Espanha. Não há nada que ele não faça para cortar com o tédio, despir todo aquele oficialismo, para ser simplesmente humano e de exemplo valer o mínimo possível em consonância com a despreocupação de que carece. Não há nada que ele não faça para curtir a vida e olvidar-se do seu Reino pré-falido e em pré-desagregação. Incluindo magoar-se.

O CASO CARDINAL CHEIRA MAL

Logo agora que o Sporting Clube de Portugal estava a concitar a simpatia geral pelos bons desempenhos desportivos, especialmente internacionais, e havia entrado num clima mental robusto, tinham de deflagrar problemas graves provenientes da Direcção a que se soma a aselhice espúria do blackout que não tem ali tradição nem talvez cabimento. Há algo de muito torpe e muito errado e mais errado ficará se, manchado o futebol, nada acontecer ao clube, por exemplo, uma qualquer sanção desportiva. Há qualquer coisa de insólito e insuportável de conceber na polémica relacionada com o chamado “caso Cardinal”, em que o vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão, constituído arguido, é suspeito de denúncia caluniosa qualificada, depois de um membro de uma empresa sua ter depositado dois mil euros na conta do árbitro assistente José Cardinal, antes de um jogo com o Marítimo, para a Taça de Portugal, em Dezembro do ano passado.  

PRELIMINAR DEPRIMENTE NO MASTURBÓDROMO PS

Afinal, o Partido Socialista orgulha-se do Saque e da Rapina atinentes às legislaturas socratesianas. E homenageia-os, homenageando o devastador Primadonna. Um dia, ainda que longínquo, quando houver decência, socialistas irrespiráveis como Mota Andrade ainda hão-de homenagear Sócrates dentro da respectiva cela prisional, onde nunca lhe faltará a companhia nem Paulo Campos nem de Mário Lino, nem de toda a espécie de gente comprovadamente respeitável e séria como os nossos mais destacados assaltantes de multibanco. 

UM PAÍS MELHOR

MASTURBÓDROMO

Recentemente, Carlos Zorrinho subiu na minha consideração política. Primeiro, porque se demarca claramente dos farrapos imorais que compõem a ala socratista intra e extra-Parlamento, embora mantenha a respectiva retórica e porque parece ter purificado o pensamento dos viciosos tiques conspirativos socratesianos, da tralha socrática de que já foi parte demasiado leal para meu gosto. Segundo, porque está ao lado do TóZé, na sua missão espinhosa, torpedeado por todos. Terceiro, porque quanto diz e proclama sobre a acção do Governo Passos, de tão óbvio e tão devedor ao bom senso, merece concordância quase total. Mas não chega. É uma pena que o PS, ainda há pouco todo aclamativo de um tipo de absolutismo intimamente pervertido e que consagrou, no Congresso de Espinho, a sua pior Nódoa histórica, uma Nódoa Indelével, não possua por isso mesmo qualquer espécie de moral para falar de compaixão e sensibilidade sociais a partir do Governo. Lá está o mesmíssimo PS devorista em jornadas parlamentares, mesmíssimo PS do Gordo Vitalino, mesmíssimo PS do Gordo Basílio, mesmíssimo PS do Bojudo Lello e de outros grandes anafados da política. O que pensar, vendo-os agora cagando e perorando com a gorda lágrima social comiserativa ao canto do olho?! Somos nós descendo ao desemprego, sob Esmagamento Fiscal e num Desânimo Mortífero, e eles no Habitual Masturbódromo.

domingo, abril 15, 2012

UMA PERPÉTUA E MONUMENTAL DOR DE CORNO

Estes energúmenos do socratismo ainda não perceberam que a tese com que [aquilo a que chamam] a Direita venceu as últimas eleições está viva e pontapeia: era verdade que Sócrates mentia muito, falhava totalmente, enterrava Portugal, não federava ninguém em torno de coisa nenhuma. Sucedem-se infinitas lamentações e todos os sinais de dor de corno dessas alimárias, tendo como pano de fundo o ataque sistemático a António José Seguro. Coitados! Autofágicos e completamente cegos! Hoje, verdade se diga, Passos mente. Passos decide nas nossas costas. Mas não falha diante dos olhos internacionais que nos avaliam. Não enterra Portugal. Não condena o Estado Português. Só mortifica e pune os portugueses de sempre, o que já não é mau. 

MEDIDAS DE NECESSIDADE

Apesar de em seis anos a facção socratesiana do Partido Socialista ter acrescentado 80 000 milhões à dívida pública, não se notou que qualquer desses euros tivesse servido para pagar ou sanear sectores estrangulados. Dívida pública foi uma expressão proibida e um campo interdito na comunicação desses dois consulados perversos. Não. Parte desses 80 000 milhões serviu basicamente para pagar o próprio Poder, para gerar a coroa de espinhos da inevitabilidade Sócrates, artificializando sobre a cidadania uma falsa opinião geral favorável. Gerar uma aura artificial de eficácia comunicacional foi parte do embuste e isso absorveu imenso dinheiro. Em Portugal a objectividade e a verdade podem transformar-se em ductilidade da opinião e ambiguidade da conclusão, desde que bem pagas. Tivemos um exército de opinadores venais pagos para engonhar. Por isso, o esforço que agora nos é imposto pela Troyka para corrigir défices, passivos, dívidas, por exemplo, os das empresas públicas de transportes, só pode conduzir o Governo a uma imensa criatividade nas suas medidas de correcção e na própria disciplina, bem como à quebra radical dos velhos hábitos desonestos do Estado Português no grande jogo económico do dever e haver. Vivemos em necessidade, fruto do grande passeio festivo mentiroso do pindérico novo rico Sócrates mai la sua tralha. Os cidadãos são livres de viver ou não acima das suas possibilidades, mas o Estado não o é jamais. Só temos de ganhar pó às formas torpes de vida que definem como festa aquilo que agora nos desgraça e avilta.

O CÁLICE DA LIGA


Conquistada a taça-cálice do tamanho simbólico de um copito para shot, aqui pela vizinhança logo irrompeu um pequenito foguetório e aquela catarse, sempre tímida, das buzinas. Festejos destes por conquistas de vulto são, enfim, milagres só possíveis no Sport Lisboa e Benfica. No relvado de Coimbra, por fim, demasiada euforia para o vasilhame em causa, após um jogo que me fez bocejar e mudar de canal para ser recompensado. A páginas tantas, o aparato carnavalesco da procissão pascal em Múrcia, n'O Jardim das Notícias. Não se compreende tanto festejo dos jogadores rubicundos a não ser pelo facto de estas pequenas conquistas fazerem notícia no exterior, e convém ficar bem na foto, ou porque o mister Jesus está de saída ou porque é mesmo o que resta festejar. Seja como for, demasiada euforia por tão pouco até fica mal, tal como o hibridismo da procissão murciana.