BRUNA REAL "CAPELA SISTINA"

Sou dos que entendem que Bruna Real foi indevidamente lesada nas suas aspirações profissionais enquanto docente pela amplificação mediática da sua nudez. O caminho da retaliação que sofreu foi objectivamente contraproducente para qualquer pedagogia do Ético e do Belo, do Exemplar. Uma nova estrela até aí anónima nasceu em Portugal, pense-se o que se quiser. Ela sofreu por ter sido uma espécie de Capela Sistina dos que não perscrutam escândalo no nu feminino à flor da vista. Visão a qual, diga-se, nasceu para ver o Belo, para n'Ele se deleitar de coração limpo e ânimo puro. Capa da Playboy do mês de Maio, 2010, Bruna tem sido por diversas vezes assediada pela mesma Playboy para se voltar a despir e ser, de novo, capa. Mas Bruna é antes de mais professora. É natural que se sinta triste e desgastada pela polémica levantada com o seu afastamento de uma escola em Mirandela onde o que poderia passar discreto explodiu, por um lado, numa nuvem ainda mais potente de testosterona em riste e, por outro, no velho ressentimento fêmeo entre o mulherio de puxo e sabonete Clarim. Tem, por isso, negado o convite: «Eles insistiram diversas vezes e, apesar de gostar muito do meu sonho de ser modelo fotográfico, prezo e prefiro a minha profissão.» Já que as labaredas ambíguas da condenação lúbrica foram o que foram, só lhe fica bem. Mais vale cair em graça que ser engraçado. Não deveria, porém, conformar-se aos pressupostos da linha persecutória que a vitimou.

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