FANTÁSTICA COVARDIA

Em Portugal, o falhanço é total. Quando seria de esperar que o défice recuasse, ele aumenta porque não houve coragem para cortar onde Espanha foi capaz de cortar, na Despesa, além do impacto ou encaixe proporcionado pelo IVA. Por cá, oprime-se as pessoas com uma fiscalidade brutal, o indivíduo é uma ilha de receitas fiscais cercado de fisco por todo o lado. PS e PSD não conhecem outro caminho que não seja esse. Quanto a evitar o desperdício, extinguir institutos, observatórios, certas parcerias público-privadas, assessorias, pareceres jurídicos externos, fundações, disso não se é capaz, mesmo o PSD é muito vago a enunciar o que fazer exactamente no âmbito da Despesa descontrolada do Estado. O Orçamento 2011, a ser aprovado, poderá continuar a evitar o que deveria enfrentar à cabeça. Foram anos a inventar lugares, tachos, prebendas, sinecuras, luxos, sumptuosidades. Será difícil abdicar de uma tão alargada fonte de delícias dos partidos da alternância no Poder. Ainda mal.

Comments

Anonymous said…
Espanha - e o resto da Europa - tem um problema parecido com o nosso, é verdade. Mas Rodríguez Zapatero cortou os salários na função pública, cortou a maior parte das obras públicas que estavam previstas e travou a fundo há uns meses - agora até destravou um pouco, porque também ele tem de fazer aprovar o Orçamento e não tem maioria no parlamento. Mas hoje os sinais são melhores em Espanha, sem esquecer, mesmo assim, que o país vizinho tem um altíssimo nível de desemprego (uns 20%, o dobro do nosso). E que perdeu centenas de milhares de empregos na construção civil com a queda abrupta do imobiliário. Mas Espanha (como a Alemanha) já tem alguns indícios de estar a arrancar para qualquer coisa diferente, enquanto Portugal dá sinais contraditórios e nada encorajadores, no pára e arranca que tem sido uma das nossas grandes opções em democracia. Ou se calhar não é opção, é apenas não sabermos fazer de outra forma. O padrão é esse, de qualquer modo.

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