GLOBALIZAR A RESISTÊNCIA
A crise europeia é o que é: entre outras coisas uma forma de sucumbir sem luta ao poderio emergente da China, da Índia, do Brasil. A Europa esboroa-se na sua natalidade residual e com evidente regressão industrial, produtiva, criativa (milhares de cérebros europeus radicaram-se há muito e por muitos anos nos Estados Unidos) em favor dos países atrás enunciados. Quem paga é o célebre e demagógico Estado Social europeu. Quanto ao Estado Social português, esse anda na boca dos "socialistas" como um chupa-chupa meramente propagandesco que escamoteia a sua fragilidade mortal. Os sindicatos foram capturados pelos Governos e serventuarizaram-se ao Estado porque tudo se amacia com privilégios bem untados. Se há uma globalização do Lucro, dos portentados económicos planetários, que se sobrepõe muitas vezes ao interesse dos Povos e dos próprios estados, falta uma outra globalização mais subtil porque unificadora dos interesses e da defesa dos que trabalham, sejam chineses, europeus, sul-americanos, indianos, brasileiros: globalizem-se reivindicações, coordenem-se os interesses comuns. O Lucro não tem pátria. Nem o trabalho muito menos o trabalho escravo. Aquilo que permite ver e adoptar uma obra de arte, uma Gemma Atkinson, assim, ubíqua e acessível, à mercê dos olhos do Planeta, permitirá lançar as bases de uma resistência comum às violentações sociais operadas pelo Lucro Global. Meios para isso existem. Só não funcionam entre gado disperso e dividido. É só reverter a arma de marketing e manipulação mediática que nos divide e dispersa.

Comments