segunda-feira, abril 02, 2012

ABORTOGRAFIA, CRIME NEO-COLONIALISTA

«Se o acordo fosse adoptado, em menos de uma geração a pronúncia de muitas palavras ficaria desfigurada em Portugal e nos países em que ela é falada, com excepção do Brasil. Todo o sistema de abertura das vogais que antecedem, na grafia actual, as impropriamente chamadas consoantes mudas, seria afectado. Para dar um exemplo, a palavra adopção, se fosse escrita adoção, passaria a ler-se adução, aumentando as ambiguidades e gerando equívocos, pois uma coisa é o verbo adoptar e outra o verbo aduzir. Por outro lado, introduzir a regra da facultatividade da grafia em certos casos introduz uma desorganização caótica da maneira de escrever. Isso também é um crime. E, para não falar das confusões induzidas pelas regras relativas ao uso de maiúsculas e ao emprego do hífen, acho que no acordo também se cometeu, por omissão, um crime neo-colonialista, uma vez que não se criaram regras para a grafia de vocábulos das línguas africanas que foram ou venham a ser incorporados no português. Portugal e o Brasil puseram e dispuseram a seu bel-prazer e convenceram os representantes dos outros países a assinar praticamente de cruz.» Vasco Graça Moura

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