terça-feira, novembro 13, 2012

BAFORADAS DE ESQUERDA

Temos muita pena, mas tornou-se manifestamente improvável ver o Bloco agregado ao PS num projecto de Governo. Em primeiro lugar, porque a ocorrer qualquer coisa do género, o Bloco teria de estar no lugar  do PS, ter o seu peso, para ditar condições por ter peso, ele-BE que dita condições sem ter peso nenhum. A Convenção foi um fracasso, mas um fracasso festivo e feliz, com imprecações ao Memorando, à Troyka e à Merkel, remetendo-se ainda mais esse pequeno partido a um nicho onde a esmagadora maioria de nós, portugueses, jamais se reverá. Mas este fracasso e nulidade tange na mesma medida aos que, no PS, têm vindo a dizer quase a mesma coisa que o Bloco, à testa dos quais Soares e outros ensandecidos do momento: rasgar! Ora, rasgar não cola. O PS já deve ter compreendido que não fica numa posição confortável no plano europeu, se cavalgar por demasiado tempo e demasiado a fundo a ruptura com os acordos internacionais que firmou, convertendo aliás esse PS de saída do Poder, aquando o Memorando, um PS Neoliberal antes do tempo passista. A menos que o que o PS assinou com a Troika, o Memorando gizado e assinado, tivesse sido uma fraude e um acto cínico de quem é apeado por obra e graça de eleições. É inegável que a sanha cumpridora de Passos-Gaspar jogou contra os interesses de Portugal, contra as receitas fiscais, foi e é uma sanha extremista e radical de obediência e cumprimento, em parte contraproducente no curto prazo. Mas foi uma tentativa de conquistar rápida credibilidade no plano internacional, aliás alcançada, mau grado o quanto sofremos aos mais variados níveis. Com a partida de Louçã, a orfandade do Bloco saltará aos olhos e será  letal, pois nem o contexto de crise e esmagamento social por si só levanta a nossa Esquerda Escatológica. Cedo perceber-se.á que não era Louçã que suportava o Bloco, eram as circunstâncias e as angústias de um tempo partido, onde o Governo actua numa coordenação sistémica europeia sem contemplações sobre quem desprotege nacionalmente. Ao Bloco, não serão João Semedo e Catarina Martins a levantá-lo, coitados. Pelo contrário, verão a tendência de queda e desaparecimento inexoráveis chegar mais cedo. É esse o paradoxo. Conformem-se.

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