sábado, novembro 03, 2012

PASSOS É PORTUGAL A VER-SE AO ESPELHO

Sorrateiramente, Sócrates destruiu as nossas contas públicas e hoje anda a pastar gloriosamente por Paris, incólume a um dedo exaustivo e acusador. A sorrateira esperteza compensou, vê-se. A seguir veio Passos, muito compenetrado na execução do Memorando assinado à pressa pelo mesmo Governo Sócrates, pelo PSD e pelo CDS-PP. Disse que queria ir além dele-Memorando e apanhou com a realidade. A realidade, só por si, superou o voluntarismo passista e foi além das previsões, ocorrendo na receita um efeito de retracção que os técnicos não esperavam. Não é fácil acertar. Só aldrabões, de que o PS está repleto, e distraídos [quase toda a gente hoje de calças na mão] fariam supor ou suporiam que o chamado Ajustamento não seria doloroso e um processo violento e longo e, também, imprevisível. No meio de tudo isto — e penso muito nos velhos funcionários da CGD em protesto com cara de virgens traídas — Portugal e os Portugueses pagam a sua pesada factura de relapsos do civismo, relapsos do escrutínio político, por isso mesmos demasiados fáceis de manipular e trapacear. Vá, Portugueses, insultem Passos a vosso contento, descarreguem a vossa bilis: o insulto recai sobre todos nós porque é um insulto feito ao espelho. Um Povo que absolve todos os filhos da puta que enriqueceram precisamente a alimentar a sua infinita ilusão, só tem o que merece e até tem sorte que elogiem e encorajem lá fora precisamente o que nos parece insuportável e absurdo cá dentro. Quando tudo é mau ainda pode piorar: basta que essa gente imbecil e tardia venha, raivosa, revolver do pavimento um paralelepípedo que seja e passe à fase Galamba, o deputado que emite Molotovs da bífida língua socratista, e sofreremos em duplo, somando tragédia ao nosso drama. Não há turismo nem negócio que sobreviva a um Povo lento de compreensão de repente armado em histérico.

1 comentário:

Anónimo disse...

Nem se atreva a comparar o Sócrates com este Coelho, ao menos o Sócrates defendia-nos la fora.
Antes 5 Sócrates que este mentiroso do Coelho.