terça-feira, julho 16, 2013

A QUEM INTERESSA O CAOS E O TUMULTO?

Faz caminho uma retórica negativista e negrejante em muita da bloga afecta ao socratismo conspirativo. Sem nunca situar e especificar os porquês e as causas próximas e remotas, diz-se da dívida soberana que continua a aumentar a um ritmo mais acelerado, diz-se das empresas que continuam a ir à falência; diz-se dos banqueiros a verdade e o que não precisamos que nos digam: parecem viver noutro país; diz-se do desemprego que aumenta, mesmo quando diminui; diz-se dos investidores estrangeiros que fogem, mesmo quando afluem como de há muito o não faziam. A quem interessa pregar o discurso da morte e espetar a retórica mais desanimadora que se possa pregar?! A quem interessa fundamentalmente apoucar os resultados das políticas, mesmo quando são bons e necessitam da paciência e de extremo cuidado para que se não comprometam, os sinais, ténues que sejam, de que alguma coisa de bom está a emergir em Portugal?! Fundamentalmente aos socratistas. Move-os uma insaciável sede de vingança. Se os portugueses perderem a paciência e a capacidade de aguardarem pelo melhor, perante a disputa reles que a ala socratista promove contra a liderança segurista, presa por ter cão e por não ter, obviamente que isto não vai acabar bem. Isto não vai acabar bem para quem deseje que isto não acabe bem e possa tirar daí dividendos políticos óbvios. Passos Coelho conhece alguns dos bons sinais e primícias do sucesso, o que não adianta se ninguém falar neles e não houver quem explique convictamente como se sai de uma grave crise. Paulo Portas cometeu a maior imprudência do século: como o século vai fresco, bem podemos dizê-lo e repeti-lo. As Esquerdas, das quais hoje tanto se fala, aparecem a liderar os esforços de resistência e ruptura com a Troyka, seduzindo o PS para que vá a reboque de toda a sua clarividência revolucionária. O deputado Galamba chantageia Seguro com o risco de um compromisso assinado com a Direita-que-Governa representar um suicídio político do PS, mesmo que represente a acalmia dos mercados, a sustentabilidade do Estado Português a médio prazo e a inserção do País no reduto escasso dos Países que cumprem escrupulosamente aquilo que assinam e que, na medida em que cumprem, vêem suavizado o que a todos os títulos seria intolerável. O Presidente da República optou por um caminho ínvio, complexo, onde nada é claro, suscitando uma fórmula de negociação da Maioria com o PS que veio fazer o Pais perder tempo, dar azo à espiral de recessão em vez de tirar partido da espiral virtuosa que porventura se desenha nos indicadores recentemente divulgados da produção industrial, do emprego e da excepcional arrecadação fiscal. Estúpida, a crise política eclodiu e só eclodiu porque é imperativo ir mais além na brutalidade austeritária em vista da salvaguarda das condições de pagabilidade da nossa dívida, merda para quem a fez. Nunca teríamos uma crise política num contexto de frieza e confiança, diante dos resultados que surgem e de que não interessa falar. Quinze anos de socialismo não podem ser esquecidos. Não é honesto que se considere serem estes dois anos, dois anos perdidos: o colapso é precisamente a zona de onde saímos, após as restrições de 2011 geradas pelo socratismo e a completa destruição da nossa credibilidade externa; o investimento público e privado acontece quando há dinheiro e folga, não quando há um Estado atolado em dívida: queriam que o investimento viesse de onde?! Milhares de empresas foram à falência por falta de liquidez de caixa e restrições extremas do sistema bancário: nenhum Governo decreta a morte de milhares de empresas, a não ser que, por anos de incúria e governação com os pés, se comprometa de tal modo o Estado que alguém tenha de pagar em falências e desemprego, cidadãos e tecido produtivo; são a crise e o contexto europeu que promovem o desinvestimento, as falência e o desemprego; mesmo despedir parte dos funcionários públicos e intervir nas pensões não é senão o último recurso para evitar perdas e danos incomparavelmente mais graves, à vista de qualquer político suficientemente honesto. Evidentemente que estas políticas nos são impostas porque há uma Troyka, porque há um Memorando e porque há uma crise bancária europeia larvar, bem como um risco subjacente ao Euro, mas não haverá democracia nem Euro sem correcções estruturais muito duras, País a País. A quem interessa que Portugal borregue e dê o dito por não dito?! De quem é a mão por detrás dos arbustos socratina?! Quem é o palhaço socratesiano escondido que engendra e encoraja toda uma Reviravolta Copernicana de Políticas Anti-Troyka não passíveis de subscrição pelo PS?! Nem o Bin Laden detonaria com mais competência as torres gémeas como por duas vezes esse espécimen parece querer detonar com Portugal: a primeira, endividando o País à força toda, com absoluta avidez comissionista e dolo no modo e no tempo; a segunda, agora, aparecendo pela sombra, comentando, condicionando desesperadamente nos bastidores, colocando homens de mão nas posições negociais ou mediáticas-chave, formatando uma aliança de alienados e alienígenas à Esquerda que, na melhor das hipóteses, vincule o PS. Duas vezes sacana e incompetente. Duas vezes canalha e desmesurado. Mil vezes filho da puta, dominando na sombra, com extrema deslealdade, a política partidário-socialista por um desejo pessoal de vingança e de sabotagem que arriscam conduzir Portugal ao colapso e à desordem. Dizem que fugiu uma vez para Paris para viver do dinheiro que roubou, quando exigia obra e mais obra e mais obra. Talvez tenha de fugir de novo do País que hoje instiga à miséria e ao conflito. Está na cara. Só não vê quem não quer. E há imensa tralha ofuscada que não quer ver.

2 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns a análise politica está perfeita.
Só discordo do termo roubou, penso que seria mais diplomático a palavra comissionou.
Porque com tanta obra, tanto investimento publico que estoirou com o crédito do Pais. Porque dinheiro que era bom já não havia.
Com o despeito e a avidez com que eram feitos negócios ruinosos para o País dá a sensação que as comissões eram chorudas.
Esta gente não rouba apenas comissiona.

Isabel G disse...

Olá Joaquim!
Nem lhe passa a vontade que eu tenho de "saltar em cima" daqueles idiotas grosseiros e básicos dos comentadores do Aventar! Mas enfim, como deixei de comentar no Aventar, resolvi desopilar aqui. Continue a escrever, sempre! Desde que "limou umas arestazitas" no vernáculo, é uma delícia lê-lo!:)

Abraço!

Isabel G