sexta-feira, julho 19, 2013

SUCUMBIRÁ SEGURO À PRESSÃO INTERNA?

Repare-se no triste espéctáculo que nos dá o PS, pelas suas figuras e figurões com acesso fácil aos microfones patéticos do Regime e às antenas repetidas e passentas das TV e das Rádios. Dois PS avultam. O PS extinto e o PS ainda a fumegar de ter sido Governo. Ambos exercem uma pressão insolente e pornográfica sobre Seguro, capaz de suscitar compaixão por Seguro, terna condescendência por Seguro. Quantos PS há, afinal?! Quantas falanges, falangetas, alas, nichos? E por que motivo a Esquerda dentro do PS esperneia tanto?! A ameaça de cisão desse partido é a mais cómica e sonsa ameaça de que há memória na história recente politico-partidária nacional. Refresquemos a memória de rato dos promotores da pressão interna com que Seguro tem de se haver: a crise política não começou com uma grave crise no Governo de Emergência Nacional. Começou com o grave desafio eleitoral colocado pelo cumprimento escrupuloso e sério do Memorando só pela via financeirista, cujo peso foi quase absoluto até 1 de Julho último. Mesmo a admissão de falhanço a que inaudita e humildemente o próprio Vítor Gaspar alude é, antes de mais, a admissão de um falhanço pessoal, não das políticas. Um falhanço das previsão. Um falhanço da dose e da temporização dos seus efeitos negativos antes que os efeitos virtuosos começarem a surgir. O falhanço, sobretudo, do apoio e adesão, dentro do próprio Governo, para que, junto da Troyka, Gaspar puder manter a face e declarar possível garantir o cumprimento dos cortes mais decisivos para 2013 e 2014. Já a demissão de Paulo Portas representou um acordar para a dimensão eleitoral dos partidos do Governo, antes de Setembro próximo, dimensão até aí completamente descurada em favor de uma linha de conduta que privilegiara as finanças em detrimento da economia. Esta é a terceira semana de impasse e esperança sob a qual pende o futuro do País, a sua viabilidade, e a honestidade politica de qualquer Governo nos próximos anos. Ora, aquilo que o PS assinou em 2011 continua válido. Passível de revisão e aperfeiçoamento, mas válido. Se a crise governativa foi um episódio com raiz na prioridade que deveria ser dada expressamente à economia e na consciência do duro custo eleitoral das medidas necessárias dos cortes, não pode estar em causa a evidência do sucesso de Portugal, na execução da sétima versão do Memorando: sucesso, com o regresso aos mercados; sucesso com o início, ainda incipiente, da espiral virtuosa de crescimento sustentado e emprego; sucesso na estabilização política e nas fundadas razões para a paciência de todos os agentes sociais e económicos, a fim de se evitar um segundo resgate ou a destruição dos méritos estruturais no caminho seguido. Perante a seriedade e a complexidade das políticas que protejam Portugal de males muitíssimo maiores, foi preciso promover um acordo a celebrar entre os partidos do Governo e o Partido Socialista. A situação do Governo é secundária. O País é que terá de sair reforçado. Deste acordo, podem sair certezas legíveis pelos mercados e pelos actores internacionais, no sentido de assegurar cumprimento e realismo por parte seja de que Governo for, pelo período de um ano ou para além dele. No juízo das responsabilidades passadas, o PS [o PS extinto das morsas alegres e das morsas soares e o PS socratista furioso por Poder] não tem qualquer moral para apontar o dedo ao Governo pelas consequências dos seus esforços no sentido de apagar os incêndios esmagadores e sucessivos que a avidez socialista recente semeara nas Contas Públicas. Se se mantivesse, aliás, esse reduto e essa retórica — violinos a tocar no tombadilho — não seria possível negociar e Portugal iria ao fundo. As crises políticas são o que são e resolvem-se de variados modos. O desentendimento entre os dois partidos da coligação foi, como ontem se pode re-testemunhar, superado. A maioria saiu reforçado. Resta ao PS, se tem aspirações a governar segundo os princípios de boa governança e não da recorrente demagogia, resta ao PS um papel “patriótico e responsável”. Tendo em conta a divulgação dos argumentos e contra-argumentos dos três partidos pelo acordo ou contra o acordo, no fim destas generosas rondas negociais, a inexistência dele-acordo implicará que o PS se confronte com a matemática e a racionalidade aritmética da sua eventual recusa: recusar um acordo justo e honroso para todas as partes pode ser fantástico para ganhar o partido e impedir as cisões ronhosas e rançosas dos donos morais de Portugal, mas será certamente o começo do fim da perda do País, da dissolução da fiabilidade e credibilidade para governar junto de um eleitorado verdadeiramente preocupado com o Futuro. Ontem, a base de apoio parlamentar do Governo robusteceu-se e um orçamento equilibrado pode passar em Outubro: o nicho esquedista-socratista dos galamba, das isabel moreira, dos pedro silva pereira, dos soares, dos alegre, do diabo que os carregue, o que deseja é discórdia, caos e todas as condições para artificializar a derrota do País pela derrota dos executores do Memorando, como se pudessem fazer melhor ou diferente. Ora, nada há de transcendente em acordar um calendário de eleições legislativas antecipadas, a partir de Junho de 2014, acordar medidas de execução do Memorando até ao fim do Programa e acordar compromissos orçamentais e de governabilidade para o período pós-troika. Portugal depende disto. Os partidos são instrumentais. Portugal depende da abrangência disto. Sucumbirá Seguro à pressão das morsas-soares do partido? Não sabemos. Se o Governo Passos Coelho I ou II-remodelado, puder governar em real plenitude, com o acordo implícito do PS, o PS salvar-se-á a si mesmo. Nós, portugueses, estamos todos a ver. Nunca mais poderemos votar num candidato demagógico e mentiroso a Primeiro-Ministro. Se tivéssemos seguido esse critério avançado, moderno, nunca Sócrates teria sido re-eleito em 2009, nem Passos o será em 2014-15, caso opte por anúncios paliativos e auto-estradas de facilidade. Viabilizar o actual Governo e obter do PS apoio tácito ou explícito às medidas de austeridade negociadas com a Troyka, significa reabilitar o PS como partido com aspirações a governar segundo as exigências desta crise internacional, segundo as exigências do Euro, segundo as responsabilidades directas de Portugal nos tratados europeus assinados, bem como na superação da Crise Europeia, mandando às malvas a retórica primitiva e secessionista das Esquerdas. Secessionista com a Europa. Secessionista com a Nato. Secessionista com a Realidade. Tirando Cuba e Coreia do Norte, secessionista com o resto do Mundo Ocidental desenvolvido. A escolha é claríssima. Só à velhice fóssil, decadente e apodrecida dos soares, dos alegres; só à malta pseudo-esquerdóide socratista é que não interessa sair do estrito âmbito da pequena e baixa política, enquanto puta.

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