terça-feira, julho 30, 2013

QUEM NÃO MENTE?

Hoje, Maria Luís Albuquerque poderá retractar-se ou não da imprecisa formulação inicial acerca da transmissão do terrível dossiê swap. Já observámos uma sensível evolução discursiva do «nada lhe foi transmitido relativamente à matéria dos swap» para «o que lhe foi transmitido acerca da matéria dos swap era insuficiente para tomar decisões». As modulações discursivas são imperdoáveis em Política [em comparação com o facto de se ter lesado os contribuintes e o erário em vários milhares de milhões de euros, coisa de que nem se fala nem interessa para nada], especialmente quando o que se pretende é abater alguém seja a que pretexto for, por daí se extraírem vantagens mesquinhas na contenda política. E a questão é muito simples na sua extrema e intrincada complexidade: interessa ao País que as Oposições explorem este filão de putativa inconsistência até às últimas consequências ou o que interessa ao País é perceber quantos contratos swap os Governos Socialistas autorizaram, por que motivo os autorizaram e por que, na altura da transição, Pedro Felício, Carlos Costa Pina e Teixeira dos Santos sabiam tão pouco ou quase nada acerca dos prejuízos potenciais e virtuais de esse tipo de negócios ao ponto de ter sido aos bochechos que toda a informação se reuniu para formar um quadro só inteligível ulteriormente? Por que motivo tem de ser a nova Ministra das Finanças a pagar toda a factura de uma matéria por que não foi responsável directa enquanto governante, tendo herdado um dossiê escabroso?! Ok, talvez Albuquerque o tenha engonhado e não o poderia engonhar. A vingança serve-se fria, mas o Regime Socialista Português serve-a a ferver sempre que um titular de cargo público ouse encalacrar o Partido Socialista, os seus ex-titulares de cargos públicos, entalando-os nas gravíssimas irresponsabilidades em que incorreram. Isso é que é imperdoável, em Portugal. Denunciar abusos, excessos, malfeitorias políticas costuma ser mortífero para o atrevido denunciante. É por isso que está interdito falar no socratismo [raro é o companheiro do BE que convoque, invoque, relacione o passado socratista com muitas das opções políticas em decurso, pacta sunt servanda] e muitos preferem falar no cavaquismo e nas culpas da monarquia às riscas a abordar o hiato de irrespirabilidade antidemocrática dos anos 2005-2011. Albuquerque meteu a unha no mau trabalho dos socialistas, denegriu-o, quis dar a entender que os titulares desse Governo não lhe transmitiram nada porque pouco ou nada saberiam. Azar. Quem se mete com o PS, leva. E hoje, quem se mete com o PS ex-Governo, leva dos galfarros do PS e pode levar com toda a violência e toda sanha dos esbirros não-PS, iludidos com futuros e convénios de Esquerda que nunca sucederão, bem pode vaca tossir e os agentes do Grande Satã branquear todos os dias a pessoa política e pública do grande embusteiro. Nós, os que amamos a verdade, não temos culpa que a verdade incrimine os governos socratistas. Pela dívida. Pelos improvisos. Pela inaudita vertente casino trazida para a governação. É a vida.

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