quarta-feira, julho 31, 2013

UM CONAS CHAMADO RIO

O País e o Porto têm tido em Rui Rio um austero e severo líder autárquico. Trata-se de um homem sério? Sem dúvida. De um político pelo qual podemos pôr as mãos no fogo? Sim, quase em absoluto. E no entanto, é um conas. Um elitista. Alguém que corta relações com parte da alma portuense, o FC Porto, e acha que é assim que se amputa a passada promiscuidade clube-autarquia. Não esteve mal na requalificação dos bairros da cidade, na remoção do Bairro de São João de Deus, mas não teve nada para oferecer às camadas mais pobres da população, um dinamismo novo por mais emprego, um projeto de vida. Rui mostrou-se muito preso de movimentos e imaginação para combater o desemprego da cidade, coisa a que um autarca menos merceeiro poderia obstar com mais cultura, novo petróleo do empreendimento jovem. Gritou na questão SRU, é certo, mas do enfraquecimento da liderança do Norte e do Porto falam anos de silêncio em torno dos dossiês da ANA, da RTP-Porto, do Porto de Leixões, da Casa da Música, do túnel do Marão, do comboio Porto-Vigo, dos voos para Bragança e Vila Real. Nisto foi conas. Passado é passado, embora isto nos esteja atravessado. Agora lembrou-se de dar alvitres e judicar acerca da democracia adulta em que ainda não vivemos a propósito das declarações erráticas da Ministra Albuquerque no Parlamento. Rio tem um punhal bastante comprido, na hora de dar facadas morais e desleais aos seus oponentes e adversários internos, sendo que, tanto quanto me dei conta, os principais adversários e oponentes de Rio encontram-se precisamente no próprio partido, talvez em exclusivo, o que o irmana com Pacheco Pereira, outro que é basicamente um espírito de contradição e de uma fertilidade intelectual estéril simplesmente atroz. Outro conas. Mas adiante. Certo é que Rio diz mais, na sua entrevista conas à RTP, cuja superioridade moral é todo um tratado absolutista do à-vontade para julgar do alto da burra. Ignorando deliberadamente a complexidade do caso e o peso político da contenda PS-PSD subjacente aos swap, Rio simplifica o seu ataque dizendo que a Ministra não diz a verdade, o que faz pressupor como inteiramente honestos e assertivos os testemunhos de Teixeira dos Santos, Carlos Costa Pina e Pedro Felício. Nada mais parcial. E acrescenta que, sendo assim, com ele, a Ministra perderia as condições para desempenhar o cargo. Insiste que ela já é um problema para o Governo de Pedro Passos Coelho. Diz que a avaliação que faz das capacidades técnicas da ministra é muito má, [parece Soares] diz que Albuquerque é uma pedra no sapato, um erro e o elo fraco do Governo, mas também diz que não deve sair agora. Lindo. Rio, manhosamente, contribui para sedimentar uma opinião lapidatória de uma mulher e recomenda que apodreça mais algum tempo antes de ser evacuada do cargo. Em suma, é muita opinião destrutiva, muita emissão cortante, muita imputação definitiva e convicta sobre uma só mulher, num caso penoso, é certo, mas repleto de sujidade política que a poucos poupa, onde a rapina da Banca e a leviandade caucionadora dos políticos merecem total execração. Vingança?! Há muitos anos que não via tanto asco misógino nem um entrevistado tão peremptório numa entrevista. Por que é que Rio não organiza um pelotão de fuzilamento?! Pode convidar os secretários de Estado demitidos por este Governo à conta da questão. Mas há mais. Já todos perceberam, especialmente os munícipes portuenses, que a Câmara do Porto será habitada em breve por Luís Filipe Menezes, muito simplesmente porque a intuição e a sensibilidade portuenses não têm outro remédio, além de estarem cansadas da fronha avara de Rio ou de alguém como ele e queiram substituir a sua prudência baça pela visão, pelo carisma repleto de iniciativa que há comprovadamente em Menezes. À falta de melhor, mais capaz, mais recto e mais sério, Rio averbou justamente três mandatos quase imaculados, certinhos, direitinhos. Não se espera que Rio apoie Luís Filipe Menezes. Mas se há um problema de hipocrisia e de oportunismo tem a ver com as questões pessoais que embaraçam o que está em causa e é do interesse do Porto: não basta dizer que Menezes faz promessas e promessas e promessas, é preciso dizer se fazem sentido, se mobilizam os munícipes, se nos fazem sonhar e acreditar num ciclo novo de futuro na Cidade, de engrandecimento dela. Ora, até aqui Rio representou nada mais que o pensamento pequeno, as favas contadas, as águas paradas da vida como habitualmente. Pode passar-se três mandatos sem dar um grito, um protesto, uma marcação directa a falhas e más opções do centralismo contra a Cidade e Região do Porto? Pode. Rio foi a abstinência quase total de uma voz que se ouvisse e o apagamento quase total do Porto enquanto ventrículo sincopado com o outro ventríloquo, o Sul, Lisboa. Basta essa noção do apagamento e inexistência de uma voz no Porto, com Rio, para termos a obrigação ética de nos demarcarmos muito claramente desse perfil passado, que, apesar de outras virtudes, também destruiu e silenciou a nossa afirmação. Também isso descredibiliza. Não basta ser sério, é preciso LIDERAR. Não vale golpes baixos, dr. Rio. Tanto nos pode desgostar os efeitos na nossa carne do facto de o PS ter sobreendividado o País como a paralisia, a ausência de ideias e iniciativas para dar vigor ao nosso Porto e pensar para além das elites e dos seus interesses. Há todo um povo à espera de pulsar pelo Porto e com o Porto para quem um Rio não cabe na cova de um dente do sonho. Luís Filipe Menezes, em Gaia, por mais que o detraiam, criou todas as condições para um Turismo de Excelência, criou todas as condições para a capacitação de uma malha industrial pronta para o investimento; pensou a Cidade, ousou pensá-la, no plano das infraestruturas com incidência nos negócios, sob um ciclo nacional há pouco iniciado e anunciado e que só pode e só deve pensar na reindustrialização, na produção de bens transacionáveis, como única saída do paradigma esgotado da especulação financeira global. Rio, em Política, symboliza aquele que enterra o talento ou a quem faltou talento para mobilizar. Aquele que não ousou multiplicá-lo. Menezes é, pelo contrário, aquele que arrisca e multiplica os talentos recebidos. Rodeia-se dos melhores, dos mais capazes para pensar fora da caixa, como deve ser. E faz. O que faz, faz bem. A Rio fica mal assassinar o carácter de Maria Luís Albuquerque e em desconsiderar Luís Filipe Menezes, através da RTP, como se este não tivesse deixado uma obra que nos orgulha, a nós gaienses, da Afurada a São Félix da Marinha. Temos a obrigação de nos demarcar de atitudes frouxas e conas. Para além das boas contas, é preciso rasgo. Claro que sou completamente contra a que Rio seja sancionado pelo PSD pela posição assumida nessa entrevista à RTP. Esse partido, o PSD, tem a obrigação de ser incomparavelmente mais tolerante, plural e aberto que qualquer outro. Para partidos castradores, trauliteiros e insultadores gratuitos da diferença interna e da opinião externa, basta o PS com os seus chantagistas velhos, a sua maçonaria controleira de tudo o que mexe, e basta a Ala Socratista duplipensante para quem, após anos de xupismo e irresponsabilidade, grasnar «a Direita isto e aquilo» é argumento o bastante para insultar, rebaixar, destruir o Outro. Para perseguir, assediar e acossar de modo reles os adversários de opinião, bastam outros supostamente de outros partidos, os quais, se pudessem, assaltariam a cidadela do opinador, à maneira medieval, violariam mulheres, matariam crianças e passariam todo o adversário ao fio da espada. Lêem ad nauseam o que abominam e declaram que ele se repete ad nauseam, mas lêem. Depois vêm insultar a mulher do blogger, as filhas do blogger, o blogger apenas por existir e ser livre, como se não houvesse mais vida além de uma opinião com picante. Tristeza! Esquecem que nesta casa não é a divergência nem a oposição de pontos de vista que impedem a Amizade Incondicional, a Admiração Recíproca e uma defesa leal dos companheiros aventadores entre si. É por isso que vale a pena aventar no Aventar

8 comentários:

Tiago Mouta disse...

Lendo isto fico com a sensação que não há maçonaria no PSD, o que seria uma anedota de Montenegro gosto... :D

Groink disse...

Por razões óbvias acabei por ver o seu post no Aventar.
O que mais me chocou foi o chorrilho de comentários inqualificáveis (bem, são qualificáveis como sendo o resultado de gente intolerante, malcriada em sem qualquer capacidade de argumentação).
A primeira coisa que me passou pela cabeça foi "eu nunca passaria por este tipo de abuso". Mas só posso sentir admiração por quem é tão livre que aceita continuar perante as hordas de apaniguados da esquerda sem qualquer capacidade de encaixe.
Espantoso como a esquerda se arroga de ser tolerante e nunca aceita a argumentação contrária ou sequer a opinião levemente divergente.
Só posso expressar a minha admiração pela integridade e perseverança.
É algo de raro e bastante revelador do carácter dos envolvidos de um lado e doutro.

Vasco disse...

Não sei por que motivo o Porto tem de ser um buraco tribal quando pode ser uma cidade aberta e cosmopolita e sem o provincianismo parolo do futebol

Anónimo disse...

provincianismo parolo do futebol?
Outro vermelho a auto-promover-se a consciência nacional.
Deixa-te lá a marrar pelo Campo Grande, e poupa-nos às tuas bacoradas

Joaquim Carlos disse...

Groink, um enorme abraço. Obrigado pelas palavras e pela inspiração quotidiana.

Anónimo disse...

Ao Porto, à Madeira, aos Açores, ao FCP, ao Sporting e Benfica, e a mais todos os que queiram, não podemos dar-lhes a puta da independência? Ou melhor: obrigá-los a todos a serem independentes? É que já estou farto de ser roubado nos impostos para sustentar estas matilhas...
Melhor ainda: independência para cada português, e cada um que se desenmerde como for capaz. A trabalhar, ao tiro, a vender droga, mas foda-se já tou farto de ser pai desta malta toda.
Saúde

João Pedro disse...

Caro Joaquim, não percebo essa do "Já todos perceberam, especialmente os munícipes portuenses, que a Câmara do Porto será habitada em breve por Luís Filipe Menezes, muito simplesmente porque a intuição e a sensibilidade portuenses não têm outro remédio". Que eu saiba, isto é uma eleição, não uma entronização. E os munícipes não perceberam de todo isto, e espero que não vão por esse caminho, para eleger um demagogo que representa o pior do populismo, do aparelhismo e do despesismo autárquico. Se critica tanto Sócrates, porque é que quer ver um ser em tudo semelhante (para pior) na Câmara do Porto?

jose disse...

ao anonimo das 1:19:00

porque nao se independentiza vocemece mesmo acabando assim com a sua contribuicao para sustentar a matilha?!