quarta-feira, julho 31, 2013

SWAP: IR AO OSSO DA QUESTÃO

«Há cerca de um mês que o Governo e as oposições andam às turras a propósito dos célebres swaps. A discussão não é, como seria suposto, sobre o monumental buraco tóxico escavado pelo anterior Executivo, ou como se vai pagar a dívida, mais de 5,2 mil milhões de euros, mas se a ministra das Finanças conhecia a sua verdadeira dimensão. Maria Luís Albuquerque pode ter dado um tiro no pé ao negar ter sido avisada sobre o problema criado por empréstimos contraídos em condições criminosas por diversas empresas do Estado. Peço imensa desculpa, mas parece-me irrelevante saber se a senhora mentiu quando afirmou no Parlamento não ter sido informada pelos anteriores governantes ao serviço de José Sócrates. A história dos swaps é como se uma quadrilha de bandidos que assaltou um banco durante seis anos resolvesse, no final da carreira, avisar a polícia de todos os roubos. Os ladrões queixam-se mais tarde, que ela – a polícia – nada fez durante os dois anos seguintes, a não ser evitar que o cofre voltasse a ser arrombado. De quem é o crime?» PPM

O MEU MINIMALISMO II

«Há quase vinte anos, um pequeno livro, escrito por uma ex-agente imobiliária norte-americana, deixou milhares de leitores a olhar de outra maneira para a tralha que acumulavam nas suas casas e para as suas vidas aceleradas. A autora chama-se Elaine St. James e o livro tem um título que diz tudo: Simplify Your Life: 100 Ways to Slow Down and Enjoy the Things that Realy Matter (qualquer coisa como «Simplifique a sua vida: 100 maneiras de abrandar e aproveitar as coisas verdadeiramente importantes».) Foi também o que aconteceu com Rita Domingues. Há dois anos que simplificar e dedicar-se àquilo que realmente importa se tornou o lema da investigadora na Universidade do Algarve. Podíamos dizer que esta mãe de dois rapazes tem o livrinho de Elaine St. James na cabeceira, mas... Rita não tem mesas-de-cabeceira. Percebeu que não precisava delas, nem de uma série de outros móveis, que foi doando ou vendendo, enquanto se despojava também de roupas, calçado, louças, livros e revistas. A bióloga marinha de 32 anos, natural de Lisboa e a viver em Faro, tem sido uma grande divulgadora da simplicidade voluntária e tornou-se, ela própria, minimalista.» Notícias Magazine, #1100 23, Junho, 2013

PÍLULA CONTRA A ESPIRAL RECESSIVA

Uma pequena boa notícia é melhor que boa notícia nenhuma, com atenção para o facto de a taxa de desemprego não ajustada à sazonalidade ser de 16,9%: «A taxa de desemprego em Portugal recuou pelo segundo mês consecutivo, baixando em Junho para 17,4% da população activa.» Público

PORTO E LISBOA

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A rivalidade Norte-Sul faz o País avançar.

UM DIA HISTÓRICO

«O parlamento da Galiza deverá aprovar, até outubro, legislação que potencie a utilização da língua portuguesa naquela região autónoma de Espanha, indicaram hoje à Lusa os promotores da iniciativa popular que esteve na génese do processo. Trata-se de uma proposta de lei subscrita por mais de 17.000 pessoas, desenvolvida durante o ano de 2012 pela comissão promotora da Iniciativa Legislativa Popular "Valentín Paz-Andrade", reclamando "o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos com a lusofonia". Foi aprovada no parlamento da Galiza, na generalidade, em maio, e já durante o mês de julho, explicaram os promotores, foram produzidas emendas ao texto original, por parte dos quatro grupos parlamentares. "O debate e aprovação final [do texto da lei] terá lugar em setembro. A comissão promotora está a realizar três relatórios, um por cada artigo da lei, desenvolvendo as suas possibilidades de aplicação", explicou à Lusa Joám Evans. As emendas, disse ainda este responsável da comissão promotora, serão discutidas e votadas na Comissão de Educação e Cultura, antes de o texto final voltar à sessão plenária do parlamento, "no final de setembro ou início de outubro". O primeiro dos três artigos originais que constam da proposta - que está a ser revista -, definia que o Governo galego "incorporará progressivamente, no prazo de quatro anos, a aprendizagem da língua portuguesa em todos os níveis de ensino regrado" e que o domínio do português "terá especial reconhecimento para o acesso à função pública e concursos de méritos". O segundo artigo estabelecia que o relacionamento, "a todos os níveis", com os países de língua oficial portuguesa "constituirá um objetivo estratégico" do governo regional, nomeadamente fomentando a participação das instituições regionais em fóruns lusófonos económicos, culturais, ambientais e desportivos, bem como a organização na Galiza de eventos "com presença de entidades e pessoas de territórios que tenham o português como língua oficial". Previa ainda, no terceiro artigo, que aquele governo "tomará quantas medidas forem necessárias para lograr a receção aberta em território galego das televisões e rádios portuguesas mediante Televisão Digital Terrestre". Aquando da aprovação da proposta na generalidade, por todos os partidos, os promotores afirmaram tratar-se de um "dia histórico", aproximando linguisticamente o que foi separado no passado. "Acho que vai ser, para todos nós, para todos os galegos e galegas, para os que virão depois de nós, um dia histórico e lembrado. O dia em que voltamos a unir o que a história separou", afirmou, a 14 de maio, Xosé Carlos Morell, daquela comissão. O aproveitamento do português é visto naquela região como uma forma de potenciar a utilização do galego, dada a sua proximidade, facilidade de compreensão e tronco comum de origem, em termos linguísticos, relegado para segundo plano pela língua nacional. "Não se trata de construir impérios, que já passaram, ou novos poderes, mas de recuperar humanidade e relações económicas, naturalmente", admitiu Morell, reclamando a "representação" da língua galega e da região autónoma, "por direito próprio", na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), enquanto "origem e parte da lusofonia" DN

UM CONAS CHAMADO RIO

O País e o Porto têm tido em Rui Rio um austero e severo líder autárquico. Trata-se de um homem sério? Sem dúvida. De um político pelo qual podemos pôr as mãos no fogo? Sim, quase em absoluto. E no entanto, é um conas. Um elitista. Alguém que corta relações com parte da alma portuense, o FC Porto, e acha que é assim que se amputa a passada promiscuidade clube-autarquia. Não esteve mal na requalificação dos bairros da cidade, na remoção do Bairro de São João de Deus, mas não teve nada para oferecer às camadas mais pobres da população, um dinamismo novo por mais emprego, um projeto de vida. Rui mostrou-se muito preso de movimentos e imaginação para combater o desemprego da cidade, coisa a que um autarca menos merceeiro poderia obstar com mais cultura, novo petróleo do empreendimento jovem. Gritou na questão SRU, é certo, mas do enfraquecimento da liderança do Norte e do Porto falam anos de silêncio em torno dos dossiês da ANA, da RTP-Porto, do Porto de Leixões, da Casa da Música, do túnel do Marão, do comboio Porto-Vigo, dos voos para Bragança e Vila Real. Nisto foi conas. Passado é passado, embora isto nos esteja atravessado. Agora lembrou-se de dar alvitres e judicar acerca da democracia adulta em que ainda não vivemos a propósito das declarações erráticas da Ministra Albuquerque no Parlamento. Rio tem um punhal bastante comprido, na hora de dar facadas morais e desleais aos seus oponentes e adversários internos, sendo que, tanto quanto me dei conta, os principais adversários e oponentes de Rio encontram-se precisamente no próprio partido, talvez em exclusivo, o que o irmana com Pacheco Pereira, outro que é basicamente um espírito de contradição e de uma fertilidade intelectual estéril simplesmente atroz. Outro conas. Mas adiante. Certo é que Rio diz mais, na sua entrevista conas à RTP, cuja superioridade moral é todo um tratado absolutista do à-vontade para julgar do alto da burra. Ignorando deliberadamente a complexidade do caso e o peso político da contenda PS-PSD subjacente aos swap, Rio simplifica o seu ataque dizendo que a Ministra não diz a verdade, o que faz pressupor como inteiramente honestos e assertivos os testemunhos de Teixeira dos Santos, Carlos Costa Pina e Pedro Felício. Nada mais parcial. E acrescenta que, sendo assim, com ele, a Ministra perderia as condições para desempenhar o cargo. Insiste que ela já é um problema para o Governo de Pedro Passos Coelho. Diz que a avaliação que faz das capacidades técnicas da ministra é muito má, [parece Soares] diz que Albuquerque é uma pedra no sapato, um erro e o elo fraco do Governo, mas também diz que não deve sair agora. Lindo. Rio, manhosamente, contribui para sedimentar uma opinião lapidatória de uma mulher e recomenda que apodreça mais algum tempo antes de ser evacuada do cargo. Em suma, é muita opinião destrutiva, muita emissão cortante, muita imputação definitiva e convicta sobre uma só mulher, num caso penoso, é certo, mas repleto de sujidade política que a poucos poupa, onde a rapina da Banca e a leviandade caucionadora dos políticos merecem total execração. Vingança?! Há muitos anos que não via tanto asco misógino nem um entrevistado tão peremptório numa entrevista. Por que é que Rio não organiza um pelotão de fuzilamento?! Pode convidar os secretários de Estado demitidos por este Governo à conta da questão. Mas há mais. Já todos perceberam, especialmente os munícipes portuenses, que a Câmara do Porto será habitada em breve por Luís Filipe Menezes, muito simplesmente porque a intuição e a sensibilidade portuenses não têm outro remédio, além de estarem cansadas da fronha avara de Rio ou de alguém como ele e queiram substituir a sua prudência baça pela visão, pelo carisma repleto de iniciativa que há comprovadamente em Menezes. À falta de melhor, mais capaz, mais recto e mais sério, Rio averbou justamente três mandatos quase imaculados, certinhos, direitinhos. Não se espera que Rio apoie Luís Filipe Menezes. Mas se há um problema de hipocrisia e de oportunismo tem a ver com as questões pessoais que embaraçam o que está em causa e é do interesse do Porto: não basta dizer que Menezes faz promessas e promessas e promessas, é preciso dizer se fazem sentido, se mobilizam os munícipes, se nos fazem sonhar e acreditar num ciclo novo de futuro na Cidade, de engrandecimento dela. Ora, até aqui Rio representou nada mais que o pensamento pequeno, as favas contadas, as águas paradas da vida como habitualmente. Pode passar-se três mandatos sem dar um grito, um protesto, uma marcação directa a falhas e más opções do centralismo contra a Cidade e Região do Porto? Pode. Rio foi a abstinência quase total de uma voz que se ouvisse e o apagamento quase total do Porto enquanto ventrículo sincopado com o outro ventríloquo, o Sul, Lisboa. Basta essa noção do apagamento e inexistência de uma voz no Porto, com Rio, para termos a obrigação ética de nos demarcarmos muito claramente desse perfil passado, que, apesar de outras virtudes, também destruiu e silenciou a nossa afirmação. Também isso descredibiliza. Não basta ser sério, é preciso LIDERAR. Não vale golpes baixos, dr. Rio. Tanto nos pode desgostar os efeitos na nossa carne do facto de o PS ter sobreendividado o País como a paralisia, a ausência de ideias e iniciativas para dar vigor ao nosso Porto e pensar para além das elites e dos seus interesses. Há todo um povo à espera de pulsar pelo Porto e com o Porto para quem um Rio não cabe na cova de um dente do sonho. Luís Filipe Menezes, em Gaia, por mais que o detraiam, criou todas as condições para um Turismo de Excelência, criou todas as condições para a capacitação de uma malha industrial pronta para o investimento; pensou a Cidade, ousou pensá-la, no plano das infraestruturas com incidência nos negócios, sob um ciclo nacional há pouco iniciado e anunciado e que só pode e só deve pensar na reindustrialização, na produção de bens transacionáveis, como única saída do paradigma esgotado da especulação financeira global. Rio, em Política, symboliza aquele que enterra o talento ou a quem faltou talento para mobilizar. Aquele que não ousou multiplicá-lo. Menezes é, pelo contrário, aquele que arrisca e multiplica os talentos recebidos. Rodeia-se dos melhores, dos mais capazes para pensar fora da caixa, como deve ser. E faz. O que faz, faz bem. A Rio fica mal assassinar o carácter de Maria Luís Albuquerque e em desconsiderar Luís Filipe Menezes, através da RTP, como se este não tivesse deixado uma obra que nos orgulha, a nós gaienses, da Afurada a São Félix da Marinha. Temos a obrigação de nos demarcar de atitudes frouxas e conas. Para além das boas contas, é preciso rasgo. Claro que sou completamente contra a que Rio seja sancionado pelo PSD pela posição assumida nessa entrevista à RTP. Esse partido, o PSD, tem a obrigação de ser incomparavelmente mais tolerante, plural e aberto que qualquer outro. Para partidos castradores, trauliteiros e insultadores gratuitos da diferença interna e da opinião externa, basta o PS com os seus chantagistas velhos, a sua maçonaria controleira de tudo o que mexe, e basta a Ala Socratista duplipensante para quem, após anos de xupismo e irresponsabilidade, grasnar «a Direita isto e aquilo» é argumento o bastante para insultar, rebaixar, destruir o Outro. Para perseguir, assediar e acossar de modo reles os adversários de opinião, bastam outros supostamente de outros partidos, os quais, se pudessem, assaltariam a cidadela do opinador, à maneira medieval, violariam mulheres, matariam crianças e passariam todo o adversário ao fio da espada. Lêem ad nauseam o que abominam e declaram que ele se repete ad nauseam, mas lêem. Depois vêm insultar a mulher do blogger, as filhas do blogger, o blogger apenas por existir e ser livre, como se não houvesse mais vida além de uma opinião com picante. Tristeza! Esquecem que nesta casa não é a divergência nem a oposição de pontos de vista que impedem a Amizade Incondicional, a Admiração Recíproca e uma defesa leal dos companheiros aventadores entre si. É por isso que vale a pena aventar no Aventar

terça-feira, julho 30, 2013

A LIDERANÇA DE SEGURO ESTÁ MORTA

A moção de confiança que se ritualizou agora mesmo no Parlamento foi uma humilhação para António José Seguro. Poderia ter sido a moção de confiança à cooperação estratégica do PS com as condições de governabilidade para a próxima década, encaradas realisticamente e sem sombra de preconceito; poderia ter sido a moção de confiança à igualdade, não de dois, mas de três partidos de Governo perante responsabilidades, metas e desígnios inscritos no Memorando. Mas não foi. Serviu exclusivamente para desfile triunfal de uma maioria reconsagrada, com dois anos para fazer toda a diferença. Da moção surgiu um Governo arregimentado, coeso e focado, no sentido de conduzir a Política segundo os imperativos de retoma económica, sob a legitimidade constitucional segregada pelas últimas eleições legislativas. O PS voltou a não estar à altura do País e das aspirações da sua juventude capaz de comparar países, partidos, políticas, caminhos de sucesso por esse mundo: um Partido que ilegitimamente trai as aspirações de milhões de portugueses no sentido de um entendimento alargado no âmbito da governabilidade, ostraciza-se a si mesmo. O PS perdeu uma oportunidade ímpar. Quer de eleições antecipadas, quer da possibilidade de fazer parte da solução e não do problema, do vício empata e do clube engonhante a que se reduz a Oposição. Se houve quem acreditasse que do PS viriam propostas construtivas e capacidade de entendimento, sem palas nem esporas, deve estar desiludido. Mil vezes desiludido. Até aqui, parte do aparente fracasso das políticas da Troyka [nulo crescimento e empolamento da dívida] advinha basicamente da cisão entre duas formas de conceber a governação dentro da Governação. Cisão na gestão do imediato, entre dois pólos e enfoques complementares, mas em contenda dentro do mesmo Governo, onde Gaspar pontificava. Os pólos da consolidação e do crescimento. A consolidação levou sempre a melhor. Demasiado. Agora, a sobrevivência deste Governo está indissociavelmente ligada a quantos sinais de crescimento e consolidação, com inversão de ciclo, se confirmarem na economia. Esta moção marca, portanto, o tiro de partida para dois anos onde não será de menos mobilizar e convencer o País das vantagens de libertar a sociedade para a magna tarefa de ser e fazer mais, fazendo recuar o Estado de pesar sobre cada um, sufocando-nos fiscalmente e tolhendo a iniciativa privada graças a uma teia inextricável de obstáculos e burocracias. Dois anos em que se assistirá ao acantonamento do PS, por moto próprio, incapaz de uma agenda credível, incapaz de outra retórica senão a eleitoralista e a do facilitismo frouxo e oportunista. E porquê?! Por se ter submetido à velhice mais asna e politicamente mais esclerosada que alguma vez imaginámos poder tutelá-lo, nesta Hora crítica do País. Seguro perdeu em toda a linha. Perdeu-se a si mesmo. Perde internamente, pois é vítima dos efeitos da sua capitulação às vozes de facção e reduto; perde eleitorado que lhe lê a fraqueza, a superficialidade e a imaturidade para acordos com significância nacional abrangente, chamem-se ou não de salvação nacional. A Oposição Parlamentar já não é liderada por Seguro, se é que chegou a ser. A sua sobrevivência política, antes de um Costa qualquer que avance, tem dois meses para mostrar capacidade de superação. Seguro está encostado às cordas. Uma bancada hostil. Uma fronda de velhos movimentando os bastidores, mal-fodida, igualmente hostil, indiferente à ternura segurista, antes ferindo-lhe as ilhargas com esporas de Esquerda. Ele é alguém que já não pode passar má figura perante um Novo Governo Passos disposto à negociação perpétua e à adopção mesmo de soluções com que o próprio Seguro obtivera convergência negocial na ronda de iniciativa presidencial. Quando o Governo patinava e a crise interna estava iminente, Costa simulou avançar, mas travou. Agora, perante o crescer de uma vontade governativa de fazer mais, melhor, diferente; perante a suspeita de uma economia a florescer, quem ousará avançar e disputar, em Outubro-Novembro, o lugar esmagado de Seguro?!

MANOBRAS DE DIVERSÃO

«Já sabemos isso tudo. Foram os socialistas que afundaram Portugal e destruiram o futuro do país. Foram eles que fizeram os swaps e assinaram a grande maioria das PPPs mas agora desviam a atenção para uma querela sem interesse nenhum e com com o jogo do disse e não disse ou que informaram ou não informaram a actual Ministra das Finanças. Who cares? O que é que isso interessa? O ponto principal é que entornaram o leite! Se entornaram o leite isso apenas devia reflectir o facto de serem péssimos gestores. Deviam dizer abertamente que as swaps foram uma burrice e que foram incompetentes por o terem feito O ponto principal foi a burrice que eles (socialistas) próprios fizeram e não a actual conversa de chacha!» Anónimo

MAQUIAVEL ESTÁ VIVO

«Ao não aceitar a demissão de Portas e ao promovê-lo na hierarquia do governo, Passos Coelho protagonizou a mais maquiavélica jogada da política portuguesa. Liquidou o futuro e a autonomia do CDS. Complementarmente, ao vincular os centristas a uma futura coligação pré-eleitoral, compromete a possibilidade de vitória do Partido Socialista nas próximas legislativas e aniquila Seguro.» Paulo Morais

QUEM NÃO MENTE?

Hoje, Maria Luís Albuquerque poderá retractar-se ou não da imprecisa formulação inicial acerca da transmissão do terrível dossiê swap. Já observámos uma sensível evolução discursiva do «nada lhe foi transmitido relativamente à matéria dos swap» para «o que lhe foi transmitido acerca da matéria dos swap era insuficiente para tomar decisões». As modulações discursivas são imperdoáveis em Política [em comparação com o facto de se ter lesado os contribuintes e o erário em vários milhares de milhões de euros, coisa de que nem se fala nem interessa para nada], especialmente quando o que se pretende é abater alguém seja a que pretexto for, por daí se extraírem vantagens mesquinhas na contenda política. E a questão é muito simples na sua extrema e intrincada complexidade: interessa ao País que as Oposições explorem este filão de putativa inconsistência até às últimas consequências ou o que interessa ao País é perceber quantos contratos swap os Governos Socialistas autorizaram, por que motivo os autorizaram e por que, na altura da transição, Pedro Felício, Carlos Costa Pina e Teixeira dos Santos sabiam tão pouco ou quase nada acerca dos prejuízos potenciais e virtuais de esse tipo de negócios ao ponto de ter sido aos bochechos que toda a informação se reuniu para formar um quadro só inteligível ulteriormente? Por que motivo tem de ser a nova Ministra das Finanças a pagar toda a factura de uma matéria por que não foi responsável directa enquanto governante, tendo herdado um dossiê escabroso?! Ok, talvez Albuquerque o tenha engonhado e não o poderia engonhar. A vingança serve-se fria, mas o Regime Socialista Português serve-a a ferver sempre que um titular de cargo público ouse encalacrar o Partido Socialista, os seus ex-titulares de cargos públicos, entalando-os nas gravíssimas irresponsabilidades em que incorreram. Isso é que é imperdoável, em Portugal. Denunciar abusos, excessos, malfeitorias políticas costuma ser mortífero para o atrevido denunciante. É por isso que está interdito falar no socratismo [raro é o companheiro do BE que convoque, invoque, relacione o passado socratista com muitas das opções políticas em decurso, pacta sunt servanda] e muitos preferem falar no cavaquismo e nas culpas da monarquia às riscas a abordar o hiato de irrespirabilidade antidemocrática dos anos 2005-2011. Albuquerque meteu a unha no mau trabalho dos socialistas, denegriu-o, quis dar a entender que os titulares desse Governo não lhe transmitiram nada porque pouco ou nada saberiam. Azar. Quem se mete com o PS, leva. E hoje, quem se mete com o PS ex-Governo, leva dos galfarros do PS e pode levar com toda a violência e toda sanha dos esbirros não-PS, iludidos com futuros e convénios de Esquerda que nunca sucederão, bem pode vaca tossir e os agentes do Grande Satã branquear todos os dias a pessoa política e pública do grande embusteiro. Nós, os que amamos a verdade, não temos culpa que a verdade incrimine os governos socratistas. Pela dívida. Pelos improvisos. Pela inaudita vertente casino trazida para a governação. É a vida.

A MÃO QUE SE ESTENDE AO PS

É um Governo patriótico, defende os mercados para poder defender o País. Estamos a pagar uma Troyka para que os mercados ganhem confiança no País, logo, na economia do País, logo na sustentabilidade da dívida, logo, na estabilidade que permite os negócios e o emprego. A dívida é um calçado de chumbo para quem quer nadar à superfície. Defender Portugal não pode ser a fingir e o PS tem todo o interesse em contribuir para a pagabilidade da dívida e a sustentabilidade do Estado Português, o que implica cortes. Necessariamente. O PS só tem soluções despesistas para a Economia. Tudo o que demagogize e eleitoralize o palavrório político é PS.

MÚSICA DE COMER

segunda-feira, julho 29, 2013

CENAS MENORES CONTRA UM BODE EXPIATÓRIO

É preciso deixar de repetir o que muitos socialistas e outras abéculas do fanatismo insultador dito de Esquerda têm-se esforçado por demonstrar e tem falhado no âmago: que Maria Luís Albuquerque recebeu a totalidade da informação pertinente relativa aos swap aquando da transição de pastas entre Governos cessante e empossado, em Junho de 2011. Perante o Parlamento e os portugueses, Albuquerque disse que não recebera tal informação cabal nessa altura. De todas as vezes o disse. Modificou a forma de o dizer, mas manteve o que disse. Afinal, farrapos de emails, informações avulsas a seu pedido, relatórios tardios, resumos, elementos posteriormente enviados, acrescentados, portanto informação em construção, indicam que mentiu segundo a sindicância peremptória da Oposição?! Porquê?! O ataque concertado de que Albuquerque é hoje alvo também é uma manobra, mais uma, que fundamentalmente branqueia e oculta as aselhices e incúrias dos Governo Sócrates. Sobre a matéria de facto e os acontecimentos passados relativos aos swap importaria explorar por que se fizeram em tal número e quem deles beneficiou lateralmente. Nunca o saberemos porque sabê-lo não é típico do modo como se sindica dolo e desgoverno em Portugal. Não se sindicam. Insista-se na mentira da Ministra e sindicar-se-ão ainda menos. Não temos razões para acreditar que, neste imbróglio, só Teixeira dos Santos, Carlos Costa Pina e Pedro Felício é que são a parte rigorosa no relato dos factos. Pelo contrário, tendo em contra o fluxo de informação subsequente àquela transição solicitado pela então secretária de Estado, este tripé de sábios pouco saberia do que lhes foi por ela solicitado. Pouco ou nada saberiam os facultadores da informação. Andariam aliás tão às aranhas quanto caloiros à entrada no Curso Superior, sendo que aqueles estavam de saída do regabofe governamental e ignoravam as perdas escandalosas que aqueles contratos comportavam. Quem esteja apostado em fazer escola na grosseira inquisição da Ministra relegando o escândalo dos cento e quarenta e tal contratos swap assinados sob Governos Socialistas, deveria mudar de agulhas e tão pronta e hipócrita acusação: quem é que, no sistema político português e na baixa barganha PS-PSD, pode cantar de galo por gerar demissões imediatas quando há perda de credibilidade técnica ou política ou por cada um desses partidos não tolerar a impunidade após uma mentira ou uma reformulação da linguagem para dizer o mesmo?! A informação recebida por Albuquerque era lacunar e não permitia tomar decisões no imediato. Demonstrem que não é assim, se puderem. Se isto é ser a má moeda que expulsa a boa moeda, no paleio hiena de Daniel Oliveira, é uma pena que a má moeda do comentário político se encarnice por aí: no meu baixímetro do comentário político, medidor de lambe-botas, tendenciosos e contorcionistas da opinião, por exemplo, Pedro Marques Lopes e Daniel Oliveira são a má moeda, a moeda facciosa, a moeda ambivalente e viscosa do comentário, sempre para o mesmo lado, que expulsa a boa. Ora eu não gosto, mas vivo muito bem com isso. O enfoque numa suposta mentira sem olhar ao entorno e à gravidade do assunto é o resumo da porcaria em que labora a política doméstica e o respectivo comentário: ater-se ao supérfluo, branquear o cerne, julgar sumariamente uma parte. Por trás, nada mais que o tardo-socratismo a tentar desesperadamente salvar a própria pele e a não olhar a meios para deslizar airosamente das responsabilidades pela decisão política que engendrou sobejos swap, sobejas PPP e sobejos parques chular. Nisto, não há escrúpulos nem princípios. Trata-se de um trabalho degenerado que procura dar à generalidade da população uma opinão que só agitadores avençados e vingativos formulam, que só tendenciosos cultivam. Maria Luís Albuquerque não é santinha. Ok. Mas não passa de pretexto para uma caçada e um biombo para esconder a imponderável responsabilidade e o padrão danoso das governações socialistas. Se cair, o circo que foi montado pelas oposições partirá para outra. Se não cair, os palhaços, pantomineiros e focas das oposições moralóides e convictas mudarão de assunto de orelhas murchas. Tudo cansa. Mesmo mentir acerca de uma mentira que vai-se a ver e é verdade. 

CONTRATOS SWAP MADE BY PS

«1. O governo do partido a que pertence este MERDAS chamado Zorrinho, empurrou as empresas públicas para se financiarem de maneiras criativas, nomeadamente fazendo contratos de swap com características especulativas que poderiam render ganhos. No caso presente perdas, como parece ser apanágio das decisões tomadas por estes MERDAS em que sai tudo ao contrário. A RESPONSABILIDADE destes contratos e da falta de controlo sobre os mesmos cai sobnre os ombros de responsáveis deste partido de MERDA. O PS 2. Quando se fez a passagem de pastas a informação não existia na forma necessária para tomar qualquer decisão. Antes da tomada de posse não responderam a Maria Luis Albuquerque e apenas de pois da posse foi revelado que 4 entre muito mais empresas acumulariam já 1200 milhões de perdas. Quem a informou tarde e mal foi o MERDAS que foi à comissão parlamentar dizer que tinha comunicado TUDO. Aparentemente conseguiu viver bem sem informação durante muito tempo, já que só a teve quando já nem sequer o PS era Governo.» Groink

É MENTIRA?

«Agora tudo tem de se fazer neste período de três anos, tudo. A reforma do Estado, a reforma das Parcerias Público-Privadas, dos contratos swaps - tudo o que constitui risco elevado para o país, tudo o que nos impediu de crescer durante anos, tudo o que aumentou o peso do Estado e obrigou os portugueses a pagar mais impostos. Tudo o que se foi fazendo ao longo de anos sem pensar no que haveria de ser a situação de futuro. Tudo agora tem de ser resolvido nestes três anos. E toda a indulgência que houve durante estes anos todos para estas situações inexplicáveis agora desapareceu. Agora temos de enfrentar a maior exigência e crítica com tudo o que se decide e se faz.» Pedro Passos Coelho, Festa de Verão do PSD, em Vila Pouca de Aguiar

O PROPRIETÁRIO DO PARTIDO

Acabo de ler mais uma entrevista de Mário Soares, o proprietário do PS. Elas são semanais. Quantas mais entrevistas, mais desespero, menos poder efectivo na sombra de eminência pardacenta do Regime. Lê-se aquilo e fica-se com imensa piedade de qualquer um que resolva ser líder desse partido, tirando a suprema besta desavergonhada, Torpe Playboy, que fez o que bem lhe apeteceu, devastou, estropiou, e ainda se queixa da coligação negativa que o conduziu a demitir-se, após anos sob um chorrilho de críticas públicas, tsunami de detestação geral e razões fundadas para processos consecutivos numa Justiça que não fosse mero penduricalho impotente, à vez, do Partido no Poder. Todos os líderes do PS têm sido títeres de Soares, tendo o beneplácito inicial do octogenário-viciado-em-aparecer, até ao momento em que resolvam efectivamente liderar, tomar posições próprias, demasiado livres da tutela opinativa e chantagista da eminência parda Soares, formatador do Regime segundo um perfil soba do tipo venha-a-nós-sou-rei. Mesmo Passos foi acalentado e apoiado inicialmente por este Dono do Regime [há outros, como Almeida Santos, patrono de centenas de empregados no Aparelho de Estado], até ao momento em que Soares se viu ignorado ostensivamente, traído e vexado no velho vício de influenciar, pressionar, condicionar um Primeiro-Ministro de cada vez, assegurando o velho fluxo de recursos com que se paga alguma paz mediática e opiniativa para um Governo. A senecta e triste figura quixotesca soaresiana apresenta-nos um estertor em forma de gagá. Mimalho, birrento, simplista, conspirativo e completamente confuso sobre o estado geral do mundo, para quem a Austeridade não é terapia nem método, mas o próprio Mal Incarnado e os seus defensores menos que fanáticos inquisidores, Sua Alteza soaresesca simplifica simploriamente a realidade em que vivemos. Cola-se ao radicalismo mais abstruso, rejeita absurdamente compromissos, o que pode ser bom para fanáticos sanguinários, carbonários, gajos de Esquerda que escrevem dicotomicamente e com ódio, com nojo e outras visceralidades com que assassinariam levianamente o adversário de argumentos, mas não é bom para um enfrentamento inteligente da realidade complexa em que vivemos. Soares diz que adora o Papa. Eu também adoro o Papa e comovo-me muito com ele. Mas Francisco, na sua simplicidade e espontaneidade desarmantes, também denuncia a corrupção dos políticos, a malícia dos chupistas, dos abusadores de posição privilegiada, os viciados na Política-Religião, como Soares toda a vida adulta, todo ele barriga em todo o tempo, tutelar e papal no mau sentido laico e controleiro da palavra. Por que é que Soares não descansa de lutar para manter tudo o que está tal como está para si e para os seus?! Que tal deixar o País respirar, por uma vez, crescer, por uma vez, ter superavits, por uma vez, longe da tenaz corrupta que nos humilha?! Ter poder na sombra pode ser muito bonito, mas é um vício muito feio, Vossa Arqueológica. Deixe Seguro perder ou ganhar, Vossa Exma. Vampireza, deixe-o acordar ou não acordar acordos com a Direita [A Direita, ahahahahaah! Machete e Soares, Dias Loureiro e Sócrates, Almeida Santos e Oliveira e Costa são a Direita em forma de dinheiro, offshores, influência, cara de pau]! Do outro lado, o PSD não é o Demónio, Dr. Sonecas. É apenas a sede de ideias diferentes para o País das Bancarrotas e dos Faxes de Macau, dos Freeport, dos BPN, da politiquice ávida de Esquerda Impostora que estigmatiza e condena este Regime a dar ciclicamente com os burros na água. Seguro, coitado, tão tenro no posto e já condenado apenas porque V/ Vampireza Cagarreta amuou, arrufou e pigarreou desilusão. Isto admite-se?!: «Não posso negar que [Seguro] me desiludiu, principalmente com a maneira como ele me mandou dizer, por Almeida Santos, que estava magoado comigo por ter salvo alguns dos melhores militantes do PS. Tanto Manuel Alegre como eu evitámos que eles se demitissem antes de Seguro se pronunciar. Mas confesso-lhe que fiquei desiludido com o discurso brando com que anunciou o desacordo e deixou algumas portas abertas para uma nova discussão. Também fiquei desiludido com a entrevista que deu depois a Ana Lourenço, como já disse atrás, em que numa hora falou sobre ele e uma só vez no PS.» Três desilusões. Um só vácuo. E a Liberdade para um líder se afirmar?! E a Liberdade para um gajo brincar ou não brincar o seu jogo, dr. Soares? E a liberdade para sair de um Partido ou ficar na merda de um Partido, dr. Soares?! A Liberdade, caralho! A Liberdade, foda-se!!!! Só conta quem está, dr. Soares. Nem o dr. Soares é eterno, embora se comporte como incontornável. Definitivamente, esta canalhada com idade para ter juízo pensa que ainda está na Primária a trocar recados e a zangar-se no recreio. Quem pensa assim não pode pensar no País. Só na Igreja do Partido. Coisa fanática e cega. Com Salazar também foi assim. O Partido era o Poder e toda a symbólica dele. O País tem outra agenda. Tem de ter.

sábado, julho 27, 2013

O NÃO-ACORDO DE SALVAÇÃO NACIONAL

Ao ouvir o Primeiro-Ministro, percebe-se desde já que o PS está amarrado ao não-acordo de Salvação Nacional, isto é, o facto de não ter havido acordo formal entre os três partidos convocados pelo Presidente não impediu a obtenção de aproximações em inúmeros pontos. Logo, será com essa base que a decisão governamental se construirá nos próximos dois anos: numa convergência democrática entre PSD-CDS-PP e PS, quer este queira, quer não, quer diga que sim, quer diga que não. Quem disse que era preciso acordo assinado e vinculativo? O que era preciso afinal era uma espécie de abertura à negociação perpétua para satisfação das aspirações da maioria da população portuguesa, paz, pão, povo e liberdade. Para além disso, repare-se no acolhimento feito em Pombal ao PM: bastou ter-se mostrado um baluarte do País, na primeira semana de Julho, para começar a emergir... Espantoso. Apesar dos Pachecos e dos imitadores de Pachecos.

A CILADA

A tomada de posse do Governo Passos Coelho II foi um momento de esfuziante êxtase. Paulo Portas surgiu felicíssimo, confiantíssimo, sorridentíssimo, o que enfatiza um excepcional grau supercola na coligação. Ainda bem. Ele, que era o principal santo para o peditório socialista por ruptura, demissão, divisão na coisa governamental, deixou de poder ser um alvo. Já não há uma brecha para a Oposição explorar obsessionadamente, tirando a vulnerabilidade aparente da inamovível Maria Luís Albuquerque ou o estatuto gagá de Machete, espécie de sumptuário tardio, senecta anedota num ministério esvaziado em forma de sinecura, coisa que lhe não é estranha, depois de uma vida inteira a passear estilo e boa vida. A pergunta agora é esta: a quem e a quê se agarrará o PS, na sua mó retórica por eleições antecipadas ou por demissões forçadas?! Regressar esse PS ao comunicado demissionário de Portas, ao alarde da sua consciência, ao cansaço do adjectivo irrevogável já está gasto. Mas alguém tem paciência para essa insistência e essa merda?! Por que não se entretém o PS a conferir as suas próprias propostas apresentadas na Távola da Salvação Nacional e que o Governo Passos II engatilhará como passíveis do voto coerente favorável do mesmo PS?! Esqueçam Paulo Portas: sim, dissera que «ficar no Governo seria um acto de dissimulação», mas não é. Não é simplesmente porque o Governo já não é o mesmo. Não é materialmente o mesmo. Não é pessoalmente o mesmo. Não é retoricamente o mesmo. O segundo ciclo de governação, com Paulo Portas colado à cadeira, será o ciclo do negocialismo crescimentista, da multiplicação dos pães e dos peixes da convergência alargada de esforços: com Portas, o Governo Passos II negociará com um PS ancorado e vinculado ao que ele próprio subscreveu em cortes, medidas de estímulo e de crescimento. Com Portas, o Governo Passos II, além de aproveitar todas as propostas razoáveis apresentadas pelo PS, na semana soteriológica nacional, negociará com todos os agentes sociais e económicos, com empresários, com as forças vivas culturais, sem o bloqueio abrasivo das restrições passadas. É o céu a abrir-se na governação. Na verdade, não há ninguém mais entalado-obrigado a cooperar como o PS e ninguém mais feliz e livre como um passarinho que Paulo Portas. O PS passará à concordância forçada com este novo ciclo, dissimulando oposição. Dissimulará oposição, mas concordará com a baixa do IRC e com quantas medidas similares teria apresentado, se fosse Governo. Temos, portanto, oficiosamente um Governo de Coligação Alargada, PSD, CDS-PP e PS, sendo que, infelizmente, ninguém do PS tomou posse, mas não poderá dar o dito nas rondas pela salvação nacional por não dito: a cilada do Presidente da República funcionou, amarrou o PS a um compromisso tácito, e, por isso mesmo, o estatuto do PS na arena da Oposição só poderá ser o da dissimulação de discordância e alternativa. Alternativa a quê, se o Governo se prepara para absorver parte da sua agenda?! Para o PS, estar contra será um penoso acto ou efeito de dissimular; fingimento, disfarce; ocultação. Estar contra passará a coito envergonhado sob o íncubo governamental e não importa vir agora auspiciar o estado de morbilidade desta segunda versão: se as coisas começarem a mudar sensivelmente na economia, na doxa, na impressão de desanuviamento emocional das massas, o percurso aparentemente desastroso dos últimos dois anos será esquecido com a maior das facilidades: se duas das minhas irmãs de repente tivessem emprego, nós, cá em casa, esqueceríamos os últimos três anos sem esperança dele-emprego. E se, em vez de merda, passássemos a comer de modo mais variado e nutritivo, também esqueceríamos a merda que andamos a comer e porquê. Esquece-se de tudo, quando temos ou passamos a ter pelo menos mais dinheiro para gastar em carne e outros alimentos de que nos privamos como milhões de famílias empobrecidas, idosos sós, e animais domésticos negligenciados por força das circunstâncias. Este não será um novo ciclo apenas porque o Governo quer. Será um novo ciclo porque a maior parte do mal que era preciso fazer foi feito. O gasparismo foi um processo de destruição criativa, de terraplanagem possibilitadora de uma variegada reflorestação. Quando o PS vem, raivoso, falar-nos dos 127% de dívida pública, dos 10,6% de défice no primeiro trimestre, dos 4% de recessão acumulada e dos quase 18% de desemprego vem precisamente descrever o perigeu deliberado do gasparismo-troykismo, a partir do qual é, porque só pode ser, sempre a subir. A Fé, meu caríssimo e amado amigo Cardoso, a Fé faz acontecer. Tu hás-de concordar que os dois últimos anos não foram anos de falhanço, de desastre económico e de tragédia social por incompetência e incapacidade, mas por estratégia e movimento deliberado pensado em Berlim-Bruxelas e executado em Lisboa. Sempre que um homem quer, um novo ciclo nasce. O Governo Passos Coelho II dá-nos, finalmente, um negociador que ladra, morde e dá caneladas. Portas. Os portugueses pressentem que, perante a Troyka, Portas será um leão feroz e uma mãe de família acossada. Com a devida demonstração aos credores, acredito que ninguém senão Portas, transformará o Orçamento para 2014 e o corte de 4.700 milhões de euros num processo humanizado, mais dilatado no tempo, amenizando a austeridade, apesar de mais cortes nas pensões e nos salários a que este Governo, ou qualquer outro, está vinculado, para não falar no acréscimo de despedimentos na função pública, desemprego acrescido. Só mesmo Paulo Portas para enfrentar caninamente a Troyka, para fazer peito e defender os contribuintes e os pensionistas com os argumentos do crescimento incipiente observável e do que só ele saberá e ainda não disse. O tabuleiro de jogo foi virado. Os fracos passaram a fortes. Os fortes, que pedinchavam eleições e apontavam a nudez da governação, vão débeis, com risco gravíssimo de esvaziamento de bandeiras e argumentos. Havia uma cilada presidencial no meio do caminho.

IMPRUDÊNCIA, ABUSO E NEGLIGÊNCIA

«Para lá de eventuais crimes que o Ministério Público estará a investigar (DN, 23-6-2013), que aqui não tratamos, todo este assunto dos swaps tresanda a negligência. Imprudência, abuso e negligência, dos Governos Sócrates; e negligência financeira e política do Governo Passos-Portas. Para lá da eventual responsabilidade penal, a cidadania exigia, neste caso de perdas de cerca de 2,5 mil milhões de euros, a responsabilização política consequente dos envolvidos no abuso e na negligência. Mas, neste azarento Portugal de 2013 tudo se ignora e nada sucede. Quer a ministra das Finanças recuperar credibilidade política, agora que a trégua política com os socialistas foi quebrada? Comece por publicar o despesismo dos governantes socratinos nos cartões de pagamentos pessoais «IGCP Charge Card» (ou «Cartão de Crédito Unibanco Business IGCP»), que Vítor Gaspar encobriu (por falar nisso, como está o inquérito do DIAP, aberto em março de 2012, sobre as despesas em cartões de crédito e comunicações do governo socratino?); e já agora mande investigar a venda de dívida pública do Estado pelo IGCP (Agéncia de Gestão de Tesouraria e da Dívida Pública) nos tempos do socratismo, cujas pontas há-de conhecer, pois trabalhou lá. Tudo a nu! Quem sabe não passaríamos a ver os soberanos com outros olhos...» ABC

sexta-feira, julho 26, 2013

CONTRA O SWAPISMO SUBVERSIVO

«Durante a vigência deste Governo nenhum contrato ‘swap' foi celebrado, acho que isso é que é importante recordar.» Miguel Poiares Maduro

TOO BIG TO FALL O CARALHO!

Um Banco que instiga a assinatura de mil e uma PPP rodoviárias à vista da desgraça nacional; que perpetra na sombra toda a espécie de merdas lesivas dos interesses de um Povo por décadas e décadas; um Banco que persegue cidadãos, como eu, com penhoras filhas do Diabo, e fica sempre a rir e a ganhar sobre os mais vulneráveis, recebendo em dação o imóvel que lhe é devolvido, leiloando-o em seguida, lucrando com isso, e ainda por cima ficando a mamar por penhora 100 000 euros pelos anos, graças a uma reavaliação manhosa do capital em dívida e do valor estimado do imóvel; um Banco que nem pestaneja na hora de ganhar, portanto, quatro vezes em cima de um só ex-cliente, por ele esmagado e por ele extorquido, um Banco assim merece o pior possível e o pior ainda é pouco. Por exemplo acabar. É bem feito e deveria ser pior. Too big to fall o caralho!

SWAP-GATE

Os detractores da Ministra Albuquerca falam, falam, mas no email de 29 de Junho de 2011, o ex-Director Geral do Tesouro, Pedro Felício, ao abordar o ponto de situação dos Mark-to-Market dos derivados e instrumentos financeiros nas principais empresas do Sector Empresarial do Estado, disse que essa era uma informação que ainda estava em actualização no âmbito do programa da Troyka, e que o grosso dos valores residiria em quatro empresas, quando o que se sabe é que foram contratualizados 145 swap por nove empresas públicas, com valores de perdas potenciais e testes de sensibilidade. Portanto, Albuquerque tem razão ao dizer que a informação que lhe foi passada era omissa e muito por baixo nos números que hoje se dominam. Só em Portugal pode o pirómano apontar o dedo ao bombeiro sem se rir.

OS BLOGUES E A POLÍTICA

Nada mais imediatista e volúvel que os blogues políticos e a linguagem cortante dos blogues políticos. Evidentemente que muitas vezes tais bloggers têm expectativas de carreira política e acalentam uma vaidade descomunal por sentirem que, aqui e ali, da sua escrita e opinião, decorre algum apreço e consideração, flato de alguma influência pública. Não se pode dar demasiado peso ao que se escreva num blogue: um blogue é a manifestação de um tipo de reflexão rápida, quase sempre precipitada, ensaística, incipiente, húmus, afinal, de um outro tipo de pensamento, para quem dele for capaz, esse, sim, mais pesado, mais fundo, num livro ou sob uma função de responsabilidade pública da qual os consensos e o diálogo nunca podem estar arredados. Portanto, perdoem ao Bruno Maçães, coitado. É um puto. Os putos são fodidos. Era era assessor político de Passos Coelho. Escreveu umas coisas. Agora é secretário de estado dos Negócios Estrangeiros. Um dia destes fica desempregado e esquecido. É a vida.

ISTO FAZ LEMBRAR

... os últimos tempos do socratismo. Era uma corrida de velocidade contra o desemprego do pessoal ávido do partido. Espero estar redondamente enganado.

BE E PCP, SEDUZIDOS E ABANDONADOS

É prodigioso observar o fenómeno do passa-culpas no dossiê contratos swap. A Oposição acaba de encontrar um gnu manco na manada governamental. Saltam leoas, hienas e abutres no seu encalço. Pedem sangue e demissão. Pobre Maria Luís Albuquerque! Bem tenta espernear, aparar os golpes, mostrar que não mentiu. Mas nada parará a magna tarefa patriótica dos partidos da Oposição de moralizar o Governo Moribundo, Morto, Inumado, Exumado, etc., coisa a que se prestam, à falta de mais o que fazer. Portugal, que já engoliu elefantes e baleias com licenciados falsificados, com decisores absolutamente criminosos, não pode, ai Jesus, engolir o girino Albuquerque, as imprecisões e graduações da verdade da Ministra das Finanças! Coisa curiosa é a sintonia de propósitos e princípios entre BE, PCP e a Ala Socratista do PS: dir-se-ia que os primeiros estão a ser seduzidos para a grande convergência de Esquerda, materializável em eleições a qualquer momento. Pobres partidos! São como a mulher ingénua e simplória para a foda oportunista e o engano que a descartará sem qualquer sombra de dúvida. Entretanto, com a barafunda, o pó levantado, a vozearia estéril, em torno da tenra Albuquerque, perde-se de vista quem em primeiro lugar contratualizou os swap, quem os autorizou e recrudesceu autorizações, quem, em seis anos de Governo, não fez a ponta de um corno para suspendê-los, renegociá-los ou abortá-los. Não. Pelo contrário, com a bênção tendenciosa dos media nervosos com o estatuto indeterminado da RTP, somos obrigados a determo-nos, com olho exigente, no que em dois anos não foi feito. Isso é que é gravíssimo. Cenas fúteis e cínicas que nem a remodelação do Governo permitiu secundarizar e fazer esquecer. Mordido daqui e dali, o gnu Albuquerque sangra e ainda esperneia. Talvez, na caça dada à Ministra das Finanças, o que está em causa é a caça à política gasparista que subscreve. O horizonte de curto prazo é pasto de enormes e profundas incertezas. Vamo-nos dando conta de que a situação do País não permite tranquilidade nem margem para improvisos. Há um Governo mantido em funções. Sabe-se, por A mais B, que o maior Partido da oposição eleitoralizou completamente o Processo Negocial de Salvação Nacional promovido pelo Presidente e só saltou fora, sabe deus porquê, um dia depois de ter dado a entender a iminência de um acordo. Agora, empossado o Governo Passos Coelho II, a paz política regressou e todo o zunzum de crise política redundou no silêncio sepulcral da expectativa. Vai-se a ver, e as exéquias do Governo haviam sido manifestamente exageradas tal como as notícias de uma Oposição vicejante, grávida de alternativas para além do aventureirismo mais bacoco. Outra coisa que mudou foi a retórica do Governo. O problema é que e com essa retórica que se contemplam os escombros da economia nacional. A degradação da situação económica e social tornou-se uma evidência, sendo que a receita do Governo fora mesmo essa: destruir para redimir, não cuidando que destruir de mais poderia inviabilizar redimir o mínimo. A saída de cena de Vítor Gaspar parece um símbolo. Sai a face mortífera da moeda do Ajustamento: Gaspar implementou uma via que, sobretudo pelo aumento brutal dos impostos, destruiu emprego, economia, consumo interno, a par de efeitos benéficos inegáveis e até inauditos, na democracia: dos índices de poupança, do equilíbrio na balança comercial, ao desendividamento familiar e empresarial. Mas após a saída de Gaspar, o que sucedeu foi somente política, politiquice e politiqueirice. A economia seguia impávida e serena no seu remanso dorido até que a política governativa, aterrorizada com os números do primeiro trimestre, entrou em fase de pânico e deserção só sustida pelo já célebre: «Não me demito!»., enquanto mercados e bolsas ardiam. Agora voltamos ao ponto de partida. O que fazer para acelerar uma saída sustentada da recessão?! O que fazer perante uma taxa de desemprego cuja gravidade não pode deixar de apavorar?! O défice tanto mostra sinais de controlo como indicia derrapagem: o que se fará por uma execução satisfatória dos orçamentos rectificativos?! A dívida parece gritar por um PIB improvável pelo qual se suspira há décadas, após anos de estagnação e dois ou três de recessão. Quais as políticas novas, europeias, berlinenses, passistas, capazes de inverter esta lógica abissal da economia?! Não será sustentável somar mais um ano a este 3.º consecutivo de recessão; mas também não é esperável nem desejável que o Estado regresse a um tipo de investimento socialista cuja transparência eficácia deixaram imenso a desejar, sendo que, de 2010 a 2013, a queda desse investimento terá sido de 35%; da mesma forma, não se pode ser hipócrita na consideração da dívida pública escamoteando dela os montantes do resgate e a regressão do PIB como explicação para os actuais 125%. Mudança. Fala-se de mudança de política económica. Na Europa. Na Troika. Mas poderão as economias europeias parar de alavancar o sistema bancário do pé para a mão e, logo, parar a austeridade nos Estados, meio para outros fins, mas também esse?! Poderemos ter uma economia no médio prazo que sustente o nível de despesa actual permanente do Estado Português?! Os cortes de €4.700M são, cada vez mais, uma meta na ordem das miragens e não na da concretização, embora o Tratado Orçamental os exija. Acredito que esse tipo de cortes fasear-se-á ao longo de mais anos. É fatal. Foi o espectro deles que tornou explosiva a situação na coligação e contraproducente a situação política das primeiras três semanas de Julho, em Portugal. Portanto, devidamente negociado, cortes daquela magnitude serão feitos aos bochechos e 2014 não se ressentirá recessivamente deles com um impacto tão brutal. A política europeia, essa seguirá como até aqui. Tudo o que force na economia ganhos de competitividade, equilíbrio ou vantagem na balança de transações, poupança nas famílias e nos Estados, tudo seguirá e prosseguirá, sob o alto patrocínio e estímulo alemão, como até aqui. A nossa fome não interessa. Bem poderemos continuar a comer merda e a contar os trocos para sobreviver. Nada se fará pelo consumo interno. O consumo interno recuperará por si sem estímulos governamentais, sem a artificialização de um dinamismo qualquer independente do real músculo do sistema económico. Basicamente, não mexer, não inventar, não proceder senão a alterações mínimas fiscais que lentamente levantem os bloqueios que suportamos. A crise política está debelada. Falta vencer a outra, a da moeda e a da economia. As oposições entretêm-se com a ministra gnu Albuquerque, ciosos de uma brecha a explorar, embevecidos por uma aliança zelota BE, PCP, Ala Socratista do PS, em futuras legislativas. Prontos para passes de sedução, coito fogoso e abandono cretino, partido mulher usada e abandonada. O País, esse está alheio. Ainda há bocado, em Gaia, em plena hora de ponta, a cidade parecia uma ruína do far west, desertada de gente, centenas de lugares de estacionamento vazios, ninguém nas ruas: onde param as pessoas? Em que algarves, tunísias, caraíbas, brasis, para onde emigram e desaparecem os meus conterrâneos?! A crise económica e financeira está num impasse, num crescendo de incerteza, estando por estabelecer o grau de cumprimento ou afastamento das metas para este ano. O terror que o País experimentou só à conta dos efeitos de duas demissões e da putativa chicotada psicológica do Presidente, chegou e sobrou para prevenir aventuras futuras do mesmo género. Se há coisa que põe em causa o fim do Programa de Assistência é a instabilidade. Um Governo quieto faz milagres e a aparência de milagres. Bastam-nos as incertezas do desempenho económico, da arrecadação fiscal, das privatizações e cortes que nos garantem necessários, acordados desde a primeira versão do Memorando. Os partidos que se prestam à sedução e ao abandono pela Ala Socratista do PS tem uma Albuquerque peluda entre mãos. Andam entretidos com isso. Têm mais olhos que barriga.

MACHETE

Pode sobreviver décadas fora de um Governo,
e passar décadas numa sinecura.

quinta-feira, julho 25, 2013

O ÁLCOOL ERA A ADRENALINA E A INSOLÊNCIA

Afinal, Francisco José Garzón Amo não estava em si havia muito tempo. Há muito perdera a noção de prudência e de observância dos limites por amor daquelas centenas de passageiros por que era responsável. Este acidente era uma bomba-relógio em contagem decrescente. Perante tanta dor, tão crua, injusta, escusada, é uma pena que tenha sobrevivido.

PINA MENTE. PINA EMPINA

Se o ex-secretário de Estado do Tesouro do Governo PS garante que Maria Luís Albuquerque, actual ministra das Finanças, teve acesso a “toda a informação” sobre os swaps subscritos por empresas públicas, aquando da transição de pastas em Junho de 2011, por que é que o ex-secretário de Estado do Tesouro do Governo PS emitiu um despacho em Junho de 2011 a exigir às empresas públicas o envio de informação sobre os derivados à Direcção-Geral do Tesouro e Finanças e à Inspecção-Geral de Finanças, com o objectivo de estas duas entidades prepararem um relatório sobre os impactos dos contratos?! Porque o ex-secretário de Estado do Tesouro do Governo PS também não sabia lá grande coisa acerca dos impactos dos swap e menos saberia então, quando estava de saída. Se não sabia grande coisa, não estaria interessado grande coisa nem poderia transmitir grande coisa. A mentira, em política, é uma porta basculante, tipo saloon.

UM OXÍMORO COERENTE

Quer dizer então que, para além do nosso incorruptível Álvaro, não há nada que se aproveite no Governo de que fizeste parte?! Nada, nada, nadica de nada?! Gostava que me explicasses um tal oxímoro político. Estou a ler-te os posts mais recentes e parece que leio Pacheco. Começo a pensar que Pacheco sabe de mais e diz de mais naquela negatividade desalentadora que um intelectual, para ser bom, parece que tem de ter. Um ano de desemprego ou sem mecenas materiais e espirituais, nesta vida dura, pode tornar-nos extremamente negativistas. Tenho contrariado esse pendor negro com a praia e o sol possíveis. Tens de voltar aos mergulhos na salsugem atlântica. Como eu. E passar fome militantemente, como eu.

TÃO BOM NÃO SABER NADA

«Desde que o engº Henrique Gomes bateu com a porta por causa das negociatas multimilionárias com os patrões (actuais e futuros) dos oportunistas pusilânimes que nos governam (foi assim que v. Gaspar os caracterizou lapidarmente na carta) que se tornou claro para quem tenha ouvido com atenção o professor Paulo Pinho («Olhos nos olhos», c/ Medina Carreira há uns tempos) que A. S. Pereira tinha a cabeça a prémio. Tanto Henrique Gomes como A. S. Pereira podem dar-se ao luxo de imunidade ao tráfico de influências: ambos têm currículos inatacáveis e emprego por direito próprio (Henrique Gomes está já reformado). No entanto, o apparatchik agora respponsável pela Energia, cujo currículo é uma mera soma de 2 lugares de favor, ainda não há muitos meses andava a bater à porta das empresas do sector eléctrico em busca de um lugarzinho de estagiário enquanto o secretário de estado da energia fez a carreira às costas do pai que é, nada mais nada menos, que o homem de mão de Fernando Ruas (Mexia rules). Às vezes seria tão bom não saber nada...» Anónimo

CAUSAS HÁ MUITAS

«O troço de via férrea onde se deu o acidente não estava dotado de um sistema de segurança que obriga o comboio a parar quando o maquinista não obedece à velocidade à qual nele se pode circular. Esse sistema – que consiste numa transmissão de dados permanente entre a via e a cabine do comboio – termina umas dezenas de metros antes do local do acidente.» Público

SUPER-DANILO

Vi em directo o jogo do meu FC Porto, ontem, contra o Milionarios e fiquei boquiaberto com a qualidade dos golos. Os três de um super-Danilo e o último de Jackson Martinez. Um monumento de subtileza e classe. Para além deles, o jogo forte, intenso, pleno de entrega e concentração, a personalidade fortíssima dos nossos jogadores, completamente libertos de uma pressão exterior qualquer, pressionadíssimos, sim, a partir do interior de cada um no sentido de entrelaçar um futebol vertical, coeso, solidário, mortífero para os adversários, jogue quem jogar. Foi o que se viu. É o que se tem visto. Promessa de um FC Porto implacável em todas as frentes, mormente a da Liga dos Campeões, onde nunca será de mais explanar todo o charme futebolístico do nosso Clube.

OBSOLESCÊNCIAS

Ontem, parido e empossado, surgiu o Governo Passos Coelho II. Nasceu para levar a jangada até ao fim e mostrar resultados, se houver tempo e o Daniel estiver errado. Terá de fazer violências. Apanhará provavelmente com mais greves por mês que o Governo Passos Coelho I, mais débil, muito mais medroso. Muito menos articulado do que este promete. Precisamos de greves na função pública, apesar da compressão de direitos e rendimentos, das requalificações e evacuações? O mundo europeu da Moeda Única carece delas? Claro que não. Do que precisamos mesmo é de menos Fisco, mais indústria, mais emprego, mais actividade privada e um caminho de competição directa com outros pólos planetários hoje com regras mais favoráveis para eles e que nos vão deixando mais e mais para trás e a dever-lhes dinheiro. A Ásia, sim, precisa de greves. Urgentemente. Nunca as terá. E mesmo que as tenha, delas pouco ou nada se falará. O Brasil também. Greves por mais direitos laborais, pela humanização da sua indústria e de outras estruturas produtivas, greves por condições gerais mais justas de remuneração. Cá, na pequena paróquia política portuguesa, por exemplo, pensar em greve, neste contexto em que uma hora conta, já antecipa ineficácia e cansaço levados ao limite e é um contrassenso quando no horizonte muitos aventam um novo cenário de bancarrota. As sociedades europeias que intuíram e inventaram o Estado Social e a aspiração ao bem-estar têm de redescobrir estratégias novas de protesto, mais cívicas e inteligentes, menos tiro-no-pé, à medida da massa crítica que constituem, à medida da realidade demográfica e cultural que habitam, e sobretudo à medida da nova consciência ambiental que se traduz em novas práticas individuais libertadoras, minimalistas, capazes, só elas, de engendrar uma felicidade pouco compatível com a loucura consumista, a ganância e a ambição competitivas que trucidam a concorrência e pisoteiam as caveiras dos derrotados e menos capazes. Há outras formas de protestar com eficácia. Não tem de nem pode passar obrigatória e monotonamente pela greve: note-se que, de 2007 para cá, as greves, todas as greves, demonstraram que qualquer Reforma do Estado explicável e entendível pela Opinião Pública só passará com um tipo de apoio bem maior que aquele que cada Governo consegue mesmo em maioria: trata-se de uma mudança de princípios e de relação entre a política e a cidadania e que os partidos terão de abraçar, sob pena de desaparecerem a bem ou a mal. O que revolta as pessoas? A opacidade das decisões e a nítida consciência de que o rendimento das famílias está sob sequestro por parte dos Governos e dos decisores transgovernamentais, acima deles em benefício sistemático da Banca. Há cortes de que não poderemos escapar, por mais que o Partido e o Sindicato anunciem o inverso lutando pelo inverso. É o caso do PS com as propostas ridículas, simuladoras, que ousou levar à célebre Távola da Salvação Nacional: o que é que, por exemplo, Carlos Silva pensa dos cortes de apenas 2 mil milhões sugeridos aí pelo Partido Socialista?! Concorda ou não concorda? E como é que se pode, por um lado, cortar 2 mil milhões e, no mesmo passo, apresentar a sugestão do aumento de despesa e, portanto, da diminuição de receita dos mesmos 2 mil milhões?! Como? Repondo pensões, actualizando salários congelados, congelando os despedimentos encapotados na função pública?! Dou de barato a utilidade de proceder ao abaixamento do IVA da restauração, uma imbecilidade troykista que pouco ou nada trouxe de bom à actividade económica, ao emprego e à receita. Mas gostava que Carlos Santos, o socialista-sindicalista, comentasse isto. O seu PS, ainda com a psique formatada para a existência de dinheiro e a possibilidade de o esbanjar, negociou na dita Ronda objectivos miríficos, não foi, Carlos?! Pagar é verbo que ninguém nesse partido quer conjugar no futuro, faltando à realidade da verdade e à verdade da realidade, não é, Carlos?! Que sugestões propõe o socialista-sindicalista Carlos Silva para o nosso delicado problema de défice e de dívida?! Na verdade, as alternativas à austeridade só promovem mais austeridade por mais tempo: o PS acha que nos convence de que a saída para a crise se faz com aumento da dívida e do défice, conservando um Estado Opaco, Rançoso, encavalitado na iniciativa privada, sufocando-a. Mais do mesmo. O mesmo parasitismo. Empresas públicas monopolistas a secar, como eucaliptos, quem ao lado possa fazer melhor. Não. Não acredito na eficácia das greves nem na eficácia do crescimento assente novamente em investimento público, segundo critérios mais que duvidosos, impressionistas, simpatiquistas, amiguistas. Essa retórica já era. O principal inimigo de Portugal e dos Portugueses não é a Direita Austeritária nem é a Esquerda Mãos-Largas Vazias. É a corrupção e a incompetência político-económica. A corrupção a pretexto da política para as pessoas; a incompetência incrustada na distorção das relações humanas a partir de um complexo de superioridade moral da Esquerda sem bases económicas sólidas para sustentar a viabilidade de direitos impossíveis de garantir, umas vezes saindo do Euro, outras rasgando o Memorando, outras renegociando unilateralmente com a Troyka, outras vociferando o «Não pagamos!» do deputado socratista não me lembro agora o nome e que jurava que os alemães se cagariam de terror. A julgar pela grande capacidade de insultar adversários de argumentos e de ideário, dir-se-ia que, para a Esquerda, ninguém fora da Esquerda e do braço socialista impostor dela, é democrata o suficiente para merecer conservar os dentes intactos. Só a Esquerda em geral e em Bloco é democrata; e só ela, com o Partido Socialista a Reboque, garante a defesa da Constituição, da legitimidade e legalidade democráticas com que se enchem barrigas e se oferece empregos. Quem não pense como esta Esquerda Talibã merece morrer, ser cuspido e destratado. Dá-me por isso um infinito prazer acontecer-me ser tratado segundo essa democracia sublime que quer fuzilar o adversário para ter razão e espezinhá-lo, caso ele defenda que a greve já não funciona nem convence, que o irrealismo dos socialistas desmobiliza eleitorados, e que ter de suportar o visco rançoso dos Sócrates anti-Salvação Nacional, dos Alegre ou dos Soares anti-Salvação Nacional é como frequentar a paralisia, a hipocrisia, a estagnação mais torpe e mentirosa, assente nas estratégias de insistência mediática do tipo nazi ou estalinista. O País tem o dever de caminhar na direcção oposta desses figurões mais democratas que eu e mais democratas que qualquer um, se quiser sobreviver. É preciso fugir, como quem foge da peste, do exclusivismo fechado e faccioso dessas vozes anacrónicas, conspurcadoras da rectidão, do interesse nacional e de um sentido de união pluralista e multicultural. É preciso rejeitar a manutenção das rendas, ganhos e recursos quase ilimitados que títeres como esses garantiram para si apenas porque tomam o Regime como seu, tutelado por si, coisa para eles. Os que não querem rupturas e se mostram incapazes de uma mudança de vida [desafiante e dolorosa, é certo] estão petrificados em si mesmos. As greves, os berros, as palavras de sonsa impaciência eleitoral que a Esquerda e a Impostora Ala Socratista corporizam, neste momento, são um serviço de traição aos mais altos desígnios do País, de interesse egoísta da pequena política, de destruição de Portugal. Não é preciso muito para perceber isto: todo o alívio de condições e maior favor que as potências ingerentes possam vir a conceder-nos acontecerão no patamar da lealdade. Não no do lodaçal da ruptura.

quarta-feira, julho 24, 2013

EMPATAR

O Sport Lisboa e Benfica empata que se farta. A única coisa que me falta saber é em que minuto o resultado, derrota ou empate, se sentencia só para descartar a ideia de psicose e fixação nos traumas que todos conhecem.

A MALDIÇÃO FERROVIÁRIA

Nada mais verde, mais económico e com mais futuro que a ferrovia e, no entanto, não tem sido poupada a terríveis desastres, recentemente. Parece maldição. Ou economia. Crise. Contenção suicidária de recursos em manutenção de máquinas e carris.

A SANHA DE DENEGRIR

Denegrir faz parte do grande jogo político português, que joga baixo. É verdade. E é verdade que uns jogam mais sujo que outros. O Rui acerta. Há fanhosos que não precisam de ser denegridos, pois são montes de estrume ambulante e as suas más acções falam por si. Outros são simplesmente vitimados pelo currículo ou pelo que dele rezem os adversários e as adulterações que promovem. A Esquerda denigre a Direita e a Direita denigre a Esquerda. No meio e para trás fica o País.

COMEÇAR DE FRESCO

Deixem o dr. Rui Machete trabalhar, coitado. Ele, com setenta e quatro anos, está somente a começar de fresco. Um espécie de terceira vida. Vocês, media e opinadores de três tostões, têm poupado a apupos velhos repetentes da vida pública com os microfones sempre falicamente espetados à frente. Nunca vos passou pelos cornos escavar bem escavado o Fax de Macau e dar nomes aos bois de todos os BPN que o Regime pariu.

terça-feira, julho 23, 2013

SEGURO TEM INIMIGOS

Nunca é de mais recordar que Seguro tem inimigos internos não negligenciáveis. Para começar, a bancada parlamentar não é sua, da sua lavra e livre escolha. Depois, se a vingança parisiense sobre Cavaco já mostrou os dentes e já mostrou os dentes sobre o Governo Passos, particularmente quando este se viu mais vulnerável no conceito público com a recente crise política, o tripé vingativo parisiense só fica completo com variadas formas de tortura intelectual, desprezo pessoal, menoscabo táctico-político e, por fim, trabalho de sapa pela mais humilhante possível remoção de Seguro de uma liderança que ainda há dias tremia sob uma chusma de morsas habituadas à eminencialidade parda no Partido e no Regime. Ter cedido a elas explica hoje parte da perda galopante de crédito deste líder e deste Partido Socialista junto dos portugueses, ainda que sossegue as facções mais torpes. Por trás, a insolente cambada de socratistas move-se na sombra apostada em que, mais dia menos dia, Seguro perca o Partido e em que a sua vida seja um inferno: as notícias do CM, «Seguro queixa-se de escutas» e «Escutas - PS suspeita há mais de um mês» confirmam um padrão consistente que observámos, ao longo dos anos 2005-2011, e o meu caríssimo amigo António Balbino Caldeira sistematiza, e muito bem, como «operações negras do regime socratino» materializadas em «vigilância ostensiva, intimidação, perseguição, intrusão, escuta, intercepção, intromissão, infiltração, ameaça, chantagem e pagamentos.» Seguro esperava o quê?! Não se abispe, não...

MENTIR PARA GANHAR ELEIÇÕES

Vai um homem desprevenido ler certas coisas e queda-se a pensar que entre um pseudo-suposto economista e um aprendiz de amestrador de gambuzinos não há diferença. Não pode haver. Há mistificadores para todos os gostos, mas nada se compara ao mistificador demagógico socialista. O mistificador demagógico vive preocupado com a opinião dominante, hoje arrasadora da gestão demagógica do País, entre 2005 e 2011. O mistificador demagógico anda aterrorizado com o alastrar das evidências, provas, números da dolosa incompetência e malignidade de um Estado Socialista Gastador e completamente desenfreado a comissionar, por exemplo, PPP rodoviárias dispensáveis, sob o estímulo igualmente pernicioso e parasitário do banqueiro Salgado. O mistificador demagógico socialista vive apavorado com a rejeição liminar por parte de milhões de eleitores portugueses da demagogia socialista que promete o céu, se tivermos eleições antecipadas, e promete a suavidade do dinheiro abundante em qualquer circunstância, se se remover o actual Governo e o actual Presidente, hereges blasfemos da sacral casa socialista dos soares, dos alegres e do diabo que os carregue. O mistificador demagógico socialista cai no descrédito nas televisões, rádios, jornais, nos cafés, nos transportes públicos, quando insiste na folga e na possibilidade de folga para parar com a austeridade ou na capacidade de unilateralmente a parte portuguesa obter mudanças na parte troykiana. Todavia, insiste. O mistificador demagógico socialista não tem aderência à realidade, mas continua a mistificar demagogicamente porque estas coisas, muito convictas e muito engajadas na sensibilidade social, avençam-se: há milhões em offshores para avençar e branquear patranhas passadas e patranhas futuras que possibilitem o modelo soarista de organização do Estado Português: falar muito em democracia e em igualdade, sugar os recursos do Estado, socializá-lo aos milhões entre amigos e amigalhaços plutossocialistas, socializar umas migalhas com o eleitorado sensível a aumentos e a actualizações de pensões. Depois dar com os burros na água das bancarrotas e passar à segunda fase que é atacar a Direita. Mentir para ganhar eleições ainda está na cabeça dalguns artesãos socialistas de uma opinião pública inquinável por falsidades e por meias verdades. O mistificador demagógico socialista vive para deformar um juízo público válido sobre as responsabilidades passadas e vive para inventar oníricas alternativas políticas à austeridade presente, garantindo que para resolver os nossos problemas será possível regressar às grandes enxurradas de dinheiro em vez de promover e manter uma sólida sobriedade na gestão das contas públicas. Ao populismo optimista gastador descontrolado socialista opõe-se porventura o populismo passista do cumprimento demasiado férreo das nossas obrigações de devedores e até é possível que por isso mesmo se degrade a qualidade da democracia. A primeira forma, porém, de deformar a qualidade da nossa democracia passou por garantir à Opinião Pública que o Estado Português poderia continuar a suportar as prestações sociais que o eleitoralismo passado pariu. Não pode. Habituem-se. A mistificação socratista continuará, denodada, a fazer o seu caminho a grande velocidade em direcção à grande parede do corte epistemológico político em decurso onde partirá os cornos. Os espíritos leigos e independentes já perceberam que, em Portugal, não há receita fiscal para tamanha vontade de gastar, de comprar votos, de artificializar a generosidade social, e já perceberam que, se gastar foi a forma de os Partidos  especialmente o PS e especialmente sob a forma de prestações sociais assentes em dívida  foi a forma de os Partidos, repito, ganharem eleições, já não é possível ir por aí. Acabou o dar com uma mão, para extorquir quem trabalha com outra. Acabou o mentir para ganhar eleições. Alguém ajude Seguro a domar os macacos do grande circo socratista de reescrita do passado e engendramento de novas ilusões para o futuro, se os néscios lho derem.

segunda-feira, julho 22, 2013

É PRECISO MUDAR

O LAMENTÁVEL MIGUEL GASPAR

Este artigo de Miguel Gaspar faz lembrar os textos insultuosos da figura do presidente por parte dos blogues socratesianos, rascas, tendenciosos e enviesados. Tem quase tudo, mesmo os argumentos radicais que se ouvem mais à Esquerda. Só não tem os insultos. Miguel Gaspar escreve não segundo uma perspectiva livre e moderada, mas segundo a sanha que quer fazer escola e para a qual, por exemplo, se por um lado Cavaco Primeiro-Ministro destruiu a capacidade produtiva de Portugal, já não se fala nem se pode falar nas duas bancarrotas de Soares ou, mais para trás, nas imbecis colectivizações agrícolas e expropriações industriais comunistas que apressaram a primeira pré-bancarrota da Democracia. Esta é a terceira porque o que sucedeu ao Estado Novo foi o Estado Igualmente Corrupto e Corporativo dos eternos almeida santos e soares, colonizadores de uma coisa feita para favores, arranjos, lugares, uma coisa desenhada para estourar, mais década menos década, em cima da agulha gananciosa de um cretino mais atrevido, como se viu em 2011. Agora, Cavaco agiu segundo o bom senso e decidiu segundo o que a esmagadora maioria da população desejava: estabilidade, correcção e robustecimento do percurso governativo. Já se sabe que decidindo como quer que decidisse, o Presidente sairia sempre a perder na opinião tendenciosa de muitos, os quais antes de abrirem a boca já sabemos o que vão dizer. Opiniões tendenciosas não servem o País. Talvez esteja na hora de remodelar Miguel Gaspar.

À PROCURA DA CONFIANÇA

Havia, entre as propostas do PS, na negociação tripartidária de Salvação Nacional, o enunciado desiderativo de "parar a austeridade" sem aderência à realidade do País e das respectivas obrigações de corte na despesa. O verbo «parar», quando repetido mil vezes, não produz espontaneamente a paragem de um navio de cruzeiro em velocidade de cruzeiro. Nem um milhão de vezes repetido a gerará. A austeridade acabará. Queremos que acabe. O quanto antes. Ela é um meio doloroso para chegar a um fim virtuoso. Equilíbrio orçamental e crescimento económico. Para que conste, leia-se com atenção este ponto eloquente do PS: «1.1.1. Parar com as políticas de austeridade Parar com os cortes de 4,7 mil milhões de euros acordados entre o Governo e a troica na sétima avaliação, nomeadamente, parar com os despedimentos na função pública,com mais cortes nas pensões atuais, com a “contribuição de sustentabilidade do sistema de pensões” e com a redução de vencimentos.»

OU PORTUGAL OU A AUTÓPSIA DAS CULPAS

O Presidente falou. Sublinho a aposta inovadora que fez para o futuro nos entendimentos e acordos interpartidários em Portugal, especialmente no eixo da governação, os quais devem passar à normalidade, como nos países europeus mais ricos, mais prósperos e mais descomplexados. O Presidente havia promovido uma negociação aberta, leal, entre os três partidos de Governo, PSD, CDS, PS, negociação sensível às actuais exigências do País no sentido de um acordo que robustecesse a parte portuguesa no confronto negocial com a Troyka. Esse acordo não foi gerado, mas as portas de diálogo ficaram abertas e nunca mais se podem fechar. Com a sua palavra, o Presidente mata a crise aberta a 1 de Julho. Fora só uma crise política. Uma crise conjugal no Governo. Essas crises superam-se sem esmagar os filhos pelo meio, na refrega estúpida por atenção, por mais sexo ou por outra coisa qualquer que atrapalha a vida de um casal. Ganha o Governo, com a garantia de remodelação que preparara e vai agora propor. Ganha o Governo com o fôlego novo e o novo foco para os próximos dois anos, a economia. Ganha o Presidente porque define uma saída daquela crise, onde anteriormente se via prolongamento e indefinição dela por sua mão. Repito: era só uma crise política. Um nada comparado com a crise financeira e económica que impacta injustamente na vida das pessoas com cuja realidade os semedo, os jerónimo, os galamba, os sócrates, os soares e os alegre não estão nada preocupados, ocupados que estão no grande jogo-religião fanática do xadrez táctico político, na movimentação de peças cegas que não produzem um prego nem colhem um pepino, mas lançam o azedume, a cizânia do ressentimento e do facciosismo primitivo e insultador. Ganham os portugueses por escaparem a eleições, isto é, aos reles desejos de vingança baixa da Ala Socratista do PS, ainda no Parlamento a instigar a humilhação de Seguro e nos corredores minoritários e demagógicos da baixa conspiração. Perdem todos os grupos e facções que apostam todas as fichas no pior desempenho possível do Memorando, na destruição preso-por-ter-cão-preso-por-não-ter do Presidente, apostados na manutenção no Estado Português da velha pressão vampirista e corrupta das morsas dos partidos que, em 39 anos, têm sempre comprometido um País Viável, um País capaz de Superavits, um País como os outros do Norte europeu, capaz de gerar e distribuir riqueza. Investe-se demasiado na autópsia das crises políticas e das respectivas más-disposições, Ricardo. Que tal privilegiar o Povo que sobrevive, que muda de vida antes que lha mudem, parafraseando Carlos Sá, o Povo que não vive de política nem para a política, mas de trabalho e de sofrimento pessoal apenas para sobreviver?! O Povo que recusa perguntar o que é que Portugal pode fazer por si e age no sentido de fazer o máximo por si mesmo e por ele?!

sábado, julho 20, 2013

A CULPA É DO PS

O PS é uma nódoa. Tudo o que o PS fez no passado agudizou os problemas portugueses do presente e basta isso para não merecer qualquer espécie de felicitações pelos próximos cem anos. Tudo o que o PS faz no presente é empatar. O PS não disse que não. Fingiu voz grossa. O não de hoje, impostura e fingimento, será o sim de joelhos amanhã. O PS não é mais decente nem menos que aquela gente do PSD e do CDS. Se formos a falar de demagogia, na medíocre competição demagógica entre a Esquerda e a Direita Portuguesas, não há defesa possível para ninguém, mas a necessidade fisiológica de flagelar as nádegas da Esquerda e da Direita pelos próximos cinquenta anos. Além de ser uma nódoa, o PS é medíocre, filho da mediocridade económica-financeira do dr. Soares, sobrinho da mediocridade intelectual do coiso Alegre. Foi o PS que governou os últimos treze anos e fez deslizar Portugal para a Bancarrota. Não foi o PSD e o CDS. Foi o PS que armadilhou as Contas Públicas com um número infindável de ónus, dívidas, trapalhadas, swap, PPP, dívidas, dívidas, dívidas, compromissos pesadíssimos aos contribuintes pelos anos e as décadas, o que explica parte da necessidade de ir além da Troika, se tal, mesmo exigindo muitos mais sacrifícios no curto prazo ao povo português, significasse menos sacrifícios por menos anos e o fim dos sacrifícios em poucos anos. Não foi o PSD e o CDS. Foi o PS que deixou as empresas públicas de transportes num estado verdadeiramente calamitoso, com resultados operacionais negativos, défices acumulados. Era o PS que desorçamentava inúmeras parcelas que agora comparecem nos exercícios orçamentais, passando anos a disfarçar a real dimensão da dívida, tal como fizera o último Governo Grego, antes da respectiva bancarrota. Um Estado miserável, esventrado, apenas útil à cambada de rapaces e parasitas da política, um Estado assim herdado não permite que se cumpra com facilidade um único resultado positivo em termos de indicadores económicos e sociais, coisa aliás consistente com o facto de estarmos sob resgate, com um magno problema de dívida pública, da qual é preciso sair segundo a realdade e não os nossos mais generosos e voluntaristas desejos. Foi o PS que apresentou Orçamentos sucessivamente eleitoralistas e demagógicos. Nunca foi o caso  do PSD e o CDS no pós-pré-bancarrota. Antes da demissão do Ministro das Finanças Vítor Gaspar, o PS já vinha exigindo eleições antecipadas e a rasura constituicional da Maioria Parlamentar, pressionando dia sim, dia sim, o Presidente para sampaionar. O PS não tem moral para apontar o dedo à Srª Swap porque foi sobretudo sob ministros e sob a caução do Governo Socialista que todos os Mr. Swap e Mrs. Swap swaparam. O PS não demitiu o Ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas, mas dentro do PS, o dr. Soares conspirou, suspirou e espirrou para que Portas rompesse com  a coligação, a Ala Socratista frequentou o insulto grosseiro e frequente à instituição Presidente, e nunca nos foi dado a perceber com que força negocial à partida pode este PS forçar a mão da Troyka a parar a austeridade e outros delírios que constam das propostas socialistas nas pseudo-negociações desta semana. O PS deveria saber que para o Presidente da República a remodelação do Governo só faria sentido caso a realidade do País e os desafios da intervenção externa nesta fase crucial não exigissem mais força, mais coesão, uma só voz dos partidos da governabilidade, mesmo para atendimento das ideias, argumentos e sugestões que o PS quisesse apresentar à Troyka com o apoio do PSD e do CDS-PP. Se o Presidente da República perdeu a confiança no PSD e no CDS-PP, acabou de perder também a confiança no PS, que terá de se haver com os problemas acrescidos que a fraqueza negocial da parte portuguesa passe a comportar, sem este acordo. Se o Presidente da República não tem confiança no PSD, nem no CDS, nem no PS, por que razão haveria de suscitar eleições para delas surdisse um empate técnico Direita/Esquerda ou mesmo um enfraquecimento eleitoral italiano do PS, do CDS e do PSD?! O povo português foi muito claro em 2011: estava na hora de limpar a sujeira, a rapacidade e os frutos danosos que PS relegara a quem viesse depois. Quem é o PS para dizer que o PS não deve fazer nada para que o povo português se veja livre da Troyka, no prazo previsto?! A verdade também é esta. Não é nada líquido que o PS chegue ao poder. É, sim, muito provável que, em coligação do tipo Bloco Central, vá pôr em prática, porque obrigado, políticas muito piores que as dos últimos dois anos, pois tempo é dinheiro e quer o Presidente quer o PS têm-no malbaratado. Foi o PS que pariu a bancarrota de que esta crise é um mero pormenor formal e um episódio picaresco definidor da merda de classe política que nos coube em sorte. Se houver eleições imediatas, num horizonte tão crítico e tão passível de incerteza interna e externa, rodeados de países em crise semelhante ou até pior, como a Espanha e a França, uma crise que promete explodir, Portugal e os portugueses ficarão ainda mais vulneráveis, serão os únicos prejudicados, serão ainda mais prejudicados. Ontem o PS rompeu o que já se sabia que iria romper. Fê-lo com pompa. A política-puta ganhou. A política chula triunfou. A classe política em Portugal quer experimentar toda a espécie de fauna à frente dos nossos destinos. Depois de um perfeito delinquente, Sócrates, de um neo-salazar frágil, como Passos, já espreita e vem sorrindo uma merda politiqueira qualquer com medo dos animais ferozes e cricas vorazes do próprio partido, Seguro.

sexta-feira, julho 19, 2013

«PS, PARTIDO ASSASSINO»

Nem de propósito, a primeira coisa que o vizinho apartidário do bairro me disse, depois de ouvir Seguro, foi isto: «O PS é um partido assassino. Seguro jamais poderia inovar e fazer diferente dos perfeitos sacanas que o antecederam!» Afinal, desde o primeiro minuto estava escrito: Seguro sucumbiu à sombra tutelar do avozinho Soares que já lhe tinha ralhado. Se bem entendi, Seguro esteve a encenar toda a semana. Foi teatro. Este desfecho já estava engatilhado. Disse que houve conversações e negociações que mostraram que nalgumas propostas é possível haver convergência, mas assassinou a convergência ao canto das sereias internas. Portanto, prefere instabilidade. Prefere eleições a compromissos com os restantes partidos de Governo! Portanto, deu ouvidos ao lastro mais parasitário, rançoso e incompetente que a Política em Portugal alguma vez já viu, Soares e Alegre… e os outros. Em suma, com o PS no Governo, podemos esperar aumento das bolsas de estudo, aumento das reformas, subida do salário mínimo, aumento subsídio de inactividade social, e carroças com investimento público. Com Seguro a Primeiro-Ministro, poupar ficará no passado, esse conceito salazarista do impreprado Passos. Saldar as dívidas, conforme constava do Memorando, era só para enganar. Venham daí eleições, Cavaco. O PS vai ganhar. Fará correr leite e mel assim que gritar bem alto, com a restante Esquerda Nefelibata: «Não pagamos! Exigimos renegociar!» Lindo.

DETROIT E O TUGA PASSA-CULPAS

As bancarrotas acontecem. Declaram-se. Os caminhos e causas que conduzem a elas podem estudar-se, menos no Largo do Rato, onde a especialidade é gerá-las e aprender a passar culpas. Em 2011 estávamos de rastos. Hoje, dois anos depois, a culpa é toda do PSD, da Troyka, do Diabo. Se levarem a melhor os imbecis que conspiram para que isto da política-puta, da pequena barganha eleitoralesca, estrague qualquer solução dos nossos problemas, voltaremos ao cenário de 2011 e repetiremos os passos e lógicas que nos deram três pré-bancarrotas. 

SOARES CONTRA SOARES

Parece que João Soares vê-se em palpos de aranha para acompanhar, com a aparadeira, onde quer que o seu velho papá Mário bolse intratáveis insanidades estapafúrdias, só possíveis nos idiotas esquerdóides que sonham rasgar o Memorando. Se assim é, João Soares tem aqui um respeitoso companheiro.

A FACTURA QUE O PCP NÃO PAGA


«Já lá vão 240 milhões com a brincadeira... Alguém sabe a morada da sede do PCP para enviar a conta para lá? Parece-me da mais elementar justiça que este partido de desvairados e irresponsáveis pague pela porcaria que fez de forma abundante nos anos quentes da revolução.» Groink

SUCUMBIRÁ SEGURO À PRESSÃO INTERNA?

Repare-se no triste espéctáculo que nos dá o PS, pelas suas figuras e figurões com acesso fácil aos microfones patéticos do Regime e às antenas repetidas e passentas das TV e das Rádios. Dois PS avultam. O PS extinto e o PS ainda a fumegar de ter sido Governo. Ambos exercem uma pressão insolente e pornográfica sobre Seguro, capaz de suscitar compaixão por Seguro, terna condescendência por Seguro. Quantos PS há, afinal?! Quantas falanges, falangetas, alas, nichos? E por que motivo a Esquerda dentro do PS esperneia tanto?! A ameaça de cisão desse partido é a mais cómica e sonsa ameaça de que há memória na história recente politico-partidária nacional. Refresquemos a memória de rato dos promotores da pressão interna com que Seguro tem de se haver: a crise política não começou com uma grave crise no Governo de Emergência Nacional. Começou com o grave desafio eleitoral colocado pelo cumprimento escrupuloso e sério do Memorando só pela via financeirista, cujo peso foi quase absoluto até 1 de Julho último. Mesmo a admissão de falhanço a que inaudita e humildemente o próprio Vítor Gaspar alude é, antes de mais, a admissão de um falhanço pessoal, não das políticas. Um falhanço das previsão. Um falhanço da dose e da temporização dos seus efeitos negativos antes que os efeitos virtuosos começarem a surgir. O falhanço, sobretudo, do apoio e adesão, dentro do próprio Governo, para que, junto da Troyka, Gaspar puder manter a face e declarar possível garantir o cumprimento dos cortes mais decisivos para 2013 e 2014. Já a demissão de Paulo Portas representou um acordar para a dimensão eleitoral dos partidos do Governo, antes de Setembro próximo, dimensão até aí completamente descurada em favor de uma linha de conduta que privilegiara as finanças em detrimento da economia. Esta é a terceira semana de impasse e esperança sob a qual pende o futuro do País, a sua viabilidade, e a honestidade politica de qualquer Governo nos próximos anos. Ora, aquilo que o PS assinou em 2011 continua válido. Passível de revisão e aperfeiçoamento, mas válido. Se a crise governativa foi um episódio com raiz na prioridade que deveria ser dada expressamente à economia e na consciência do duro custo eleitoral das medidas necessárias dos cortes, não pode estar em causa a evidência do sucesso de Portugal, na execução da sétima versão do Memorando: sucesso, com o regresso aos mercados; sucesso com o início, ainda incipiente, da espiral virtuosa de crescimento sustentado e emprego; sucesso na estabilização política e nas fundadas razões para a paciência de todos os agentes sociais e económicos, a fim de se evitar um segundo resgate ou a destruição dos méritos estruturais no caminho seguido. Perante a seriedade e a complexidade das políticas que protejam Portugal de males muitíssimo maiores, foi preciso promover um acordo a celebrar entre os partidos do Governo e o Partido Socialista. A situação do Governo é secundária. O País é que terá de sair reforçado. Deste acordo, podem sair certezas legíveis pelos mercados e pelos actores internacionais, no sentido de assegurar cumprimento e realismo por parte seja de que Governo for, pelo período de um ano ou para além dele. No juízo das responsabilidades passadas, o PS [o PS extinto das morsas alegres e das morsas soares e o PS socratista furioso por Poder] não tem qualquer moral para apontar o dedo ao Governo pelas consequências dos seus esforços no sentido de apagar os incêndios esmagadores e sucessivos que a avidez socialista recente semeara nas Contas Públicas. Se se mantivesse, aliás, esse reduto e essa retórica — violinos a tocar no tombadilho — não seria possível negociar e Portugal iria ao fundo. As crises políticas são o que são e resolvem-se de variados modos. O desentendimento entre os dois partidos da coligação foi, como ontem se pode re-testemunhar, superado. A maioria saiu reforçado. Resta ao PS, se tem aspirações a governar segundo os princípios de boa governança e não da recorrente demagogia, resta ao PS um papel “patriótico e responsável”. Tendo em conta a divulgação dos argumentos e contra-argumentos dos três partidos pelo acordo ou contra o acordo, no fim destas generosas rondas negociais, a inexistência dele-acordo implicará que o PS se confronte com a matemática e a racionalidade aritmética da sua eventual recusa: recusar um acordo justo e honroso para todas as partes pode ser fantástico para ganhar o partido e impedir as cisões ronhosas e rançosas dos donos morais de Portugal, mas será certamente o começo do fim da perda do País, da dissolução da fiabilidade e credibilidade para governar junto de um eleitorado verdadeiramente preocupado com o Futuro. Ontem, a base de apoio parlamentar do Governo robusteceu-se e um orçamento equilibrado pode passar em Outubro: o nicho esquedista-socratista dos galamba, das isabel moreira, dos pedro silva pereira, dos soares, dos alegre, do diabo que os carregue, o que deseja é discórdia, caos e todas as condições para artificializar a derrota do País pela derrota dos executores do Memorando, como se pudessem fazer melhor ou diferente. Ora, nada há de transcendente em acordar um calendário de eleições legislativas antecipadas, a partir de Junho de 2014, acordar medidas de execução do Memorando até ao fim do Programa e acordar compromissos orçamentais e de governabilidade para o período pós-troika. Portugal depende disto. Os partidos são instrumentais. Portugal depende da abrangência disto. Sucumbirá Seguro à pressão das morsas-soares do partido? Não sabemos. Se o Governo Passos Coelho I ou II-remodelado, puder governar em real plenitude, com o acordo implícito do PS, o PS salvar-se-á a si mesmo. Nós, portugueses, estamos todos a ver. Nunca mais poderemos votar num candidato demagógico e mentiroso a Primeiro-Ministro. Se tivéssemos seguido esse critério avançado, moderno, nunca Sócrates teria sido re-eleito em 2009, nem Passos o será em 2014-15, caso opte por anúncios paliativos e auto-estradas de facilidade. Viabilizar o actual Governo e obter do PS apoio tácito ou explícito às medidas de austeridade negociadas com a Troyka, significa reabilitar o PS como partido com aspirações a governar segundo as exigências desta crise internacional, segundo as exigências do Euro, segundo as responsabilidades directas de Portugal nos tratados europeus assinados, bem como na superação da Crise Europeia, mandando às malvas a retórica primitiva e secessionista das Esquerdas. Secessionista com a Europa. Secessionista com a Nato. Secessionista com a Realidade. Tirando Cuba e Coreia do Norte, secessionista com o resto do Mundo Ocidental desenvolvido. A escolha é claríssima. Só à velhice fóssil, decadente e apodrecida dos soares, dos alegres; só à malta pseudo-esquerdóide socratista é que não interessa sair do estrito âmbito da pequena e baixa política, enquanto puta.