segunda-feira, agosto 31, 2009

MAU PS MALIGNO MAU PSD BENIGNO

Incúria e desperdício são marcas de este Executivo, desde a baixa cómica do IVA e começo de campanha, nas palavras de Campos e Cunha. Mas mesmo antes. Não é sério oprimir a Nação de um Fisco Abusivo e depois respaldar, mantendo-as e cevando-as largamente, clientelas redundantes e assessorias excedentárias. É evidente que é do interesse de este Governo-PS, com as suas características cínicas, os seus actos violentadores e sobretudo com o seu desempenho global acabrunhador dos portugueses, nivelar a negro PS e PSD como se fossem duas realidades peçonhentas exactamente iguais. São semelhantes, mas o que está agora sob exame e em causa é o horrendo serviço de José Sócrates ao País, serviço só denodado à sua Imagem Soviética e em vão, pois talvez os portugueses não sejam tão previsíveis nem tão estúpidos como a classe política os tem tratado; o que está agora sob avaliação são as patranhas, as oprimências, as maldades, o poder abrutalhado e negligente para com os cidadãos, só agora hipocritamente emergentes e importantes no tempo que dure a campanha. Merecem toda a desconfiança esses partidos nada virginais que alternam no Poder. Partidos que, uma vez lá, se assumem parentela, fundindo e misturando nomes e tachos, desaparecendo mesmo do combate político com causas, conforme vimos ter desaparecido o PSD, em plena rapina clientelar e assessoreca e à flor do fingimento-fachada do socratinismo inicial. Ora a Portugal tal PS alienante e mentiroso não convém e deve ser punido em extremo pelas entorces graves à "democracia" e à coesão nacionais. Por sua vez, o PSD, olhando para este PS, e com o seu historial de agravamento do retrocesso em face da Europa, e corresponsabilidade na estagnação dos últimos dez anos, deve ter percebido o caminho por onde nunca mais se poderá seguir, a mentira que nunca mais se deverá praticar, a inautenticidade e a trapaça em que jamais se deverá incorrer: «O PSD acusou hoje o Governo de ter utilizado dinheiro público da empresa Rave para fazer propaganda eleitoral socialista a favor do TGV e anunciou que apresentou queixa desta situação à Comissão Nacional de Eleições (CNE).»

O FUNDAMENTAL

«Para mim, o fundamental é a constatação de que qualquer alternativa no leque partidário, seja ela qual for, é infinitamente preferível ao ataque ignóbil, sob a forma de afrontas, de invectivas mentirosas ao prestígio dos professores e de imposição de medidas discricionárias e aberrantes, que o PS de Sócrates quer continuar a mover e a impingir aos professores, como ainda hoje a ministra-general da guerra contra os professores o confirmou, num derradeiro esgar de impotência e de ressentimento generalizado, reduzido agora a uma história individual quase psicanalítica de mulher incompreendida e mal-amada.» Octávio V Gonçalves

LIEDSON TALISMÃ OU NÃO SERÁ

Estas coisas funcionam assim. Deco marcou contra o Brasil e Portugal triunfou. Pepe marcou contra a Turquia e Portugal prosseguiu. Pelo menos até aos frangos de Ricardo e à desestruturação mental da equipa perante o anúncio de Scolari. Agora Liedson pode demonstrar ou complementar a transcendência e o sentido quer da sua naturalização quer da sua convocatória. Estas coisas têm uma força intrínseca natural. Apenas por emergir no caso de Liedson: «O brasileiro, que adquiriu recentemente nacionalidade portuguesa e no domingo marcou o seu primeiro golo da época, foi convocado pela primeira vez e será um dos jogadores que vão juntar-se, de forma inédita, no estrangeiro.»

OPTIMIZE-SE MÁRIO ASSIS FERREIRA

A falta de escrúpulos veio para ficar. Nunca nos abandonou uma mentalidade esclavagista, mentalidade de negreiros. Só assim se explica que o lado do trabalho esteja sempre a perder. Ataca-se o trabalho com direitos. Anulam-se os mais antigos funcionários e chama-se a isso gestão. O Lucro excepcional terá de ser ainda mais excepcional: no primeiro semestre deste ano, os proveitos dos três casinos foram de 114,9 milhões de euros, menos 8,9 por cento do que em idêntico período de 2008. Mas não são os Mário Assis Ferreiras que contribuirão para esse peditório, sacrificando-se exemplarmente. Não. Pensar em cortar despesas é despedir, naturalmente. Trocam-se funcionários com décadas de casa e com direitos laborais adquiridos por outros mais dóceis à precariedade, à despedibilidade e à desprotecção social. Gestão deve ser isto. Optimização deve ser isto. E ninguém se rebela com esta converseta cínica?: «Para enfrentar a crise, diz Mário Assis Ferreira, é necessário encontrar um novo modelo de negócio, o que, por vez, implica mudanças na empresa, conduzindo a “uma profunda alteração na estrutura orgânica”. O que significa “não apenas a extinção de postos de trabalho que já hoje se evidenciam como excedentários” como “a equilibrada racionalização no esforço exigível em todos os sectores”. Não foi possível, no entanto, apurar o número de postos de trabalho que poderão ser atingidos.»

GROTESCO MACHIO COVARDE

Tudo começa com o machio doce. Depois é o inferno. O hábito de denunciar o machio covarde porque agressor desinibiu-se e aumentaram as boas razões para o fazer na certeza de alguma espécie de atendimento policial e institucional. Prevenir, erradicar essa infecta violência no cerne de muitas famílias não se faz certamente com Magalhães nem com mais educação fisiológica sexual, mas com uma componente ética na educação hoje muito secundarizada e até atraiçoada lá, onde deveria ser exemplar e inatacável. A vitimologia moderna permite aliás enquadrar as "responsabilidades" da própria vítima por ter tolerado uma primeira vez, o chamado potencial de receptividade vitimal, meios de vitimização e sua inter-relação com o vitimizador. Violentar a recta razão dos portugueses com propaganda enganosa é violência doméstica. Mentir, perseguir, corromper no seio do Estado é violência doméstica. Os cidadãos têm poder de ruptura com este estado de coisas e não o exercem ou então convencem-se de que a abstenção, o voto nulo ou o voto branco são a tal mensagem, quando na verdade agudiza o problema apassivando e neutralizando ainda mais a sociedade no seu sentido crítico, deixando-a à mercê de quem a suga, a sodomiza, a explora. Mulheres e homens agredidos têm poder. Podem quebrar o ciclo. Têm poder cidadãos descurados, empobrecidos, explorados pelos oligopólios enroscados na partidocracia ávida, medonha, que nos tem regido. Podem quebrar o ciclo. Então por que o não fazem?!: «Segundo os últimos dados da PSP, o número de casos de violência doméstica tem subido nos últimos três anos, tendo sido registados 17.647 processos em 2008, mais 4597 que no ano anterior.»

CARICATURA DE DEMOCRACIA

domingo, agosto 30, 2009

DAR FIM AO MEDO E AO INFERNO

Quantos terão sofrido na pele o organigrama de este PS no plano do Poder e dos pequenos poderes à sua imagem e semelhança? Quem terá sofrido aquela forma de caça insidiosa que não poupa ninguém opositivo, de repente defenestrado, exonerado, despedido, impedido, desempregado?! A Tempestade Perfeita e a Desparazitação ainda mais perfeita limpou o país de portugueses para deixá-lo disponível a pêiésses. Oceano de Assessores na termiteira governamentalesca, pagos a peso de ouro. Coisa ineficaz, despesa brutal sobre um País. Quem é que os tem pago e suportado?! Que esbulho fiscal tem permitido essa colonização massiva do Estado?! Espera-se que um tempo de morigeração e realismo advenha, desonerando-o de esse enxame de amigos de amigos de amigos, redundantes e inúteis: «Mais dívidas, mais pobreza e mais injustiça social. Foi desta forma que a presidente do PSD resumiu os efeitos dos quatro anos e meio de governação socialista. Manuela Ferreira Leite acusou também o primeiro-ministro, José Sócrates, de ter transformado o Estado numa “máquina ao serviço do poder” e de apenas ter sacudido o país com uma “tempestade de pretensas reformas”. Sobre o programa social-democrata, explicou que o principal objectivo será reduzir o peso do Estado.»

DO TERROR

Transparente.

TRESANDA A PEIXE ESTRAGADO

Graças a Deus, há mais PS para lá de Sócrates cuja usura da paciência geral superou todos os limites. Todos os apoios de que beneficia logo se dissiparão quando averbar 17% ou 18% ou 19% ou 20% nas próximas legislativas. Nessa altura se compreenderá que o Oceano de Assessores do Governo-PS de nada serve contra a autópsia operada pela bloga livre e cívica e por todos os que souberam conservar-se independentes e lúcidos. E se verá que essa treta de "progresso" e "modernidade" sôfregos, em registo feirante para enganar papalvos, não passaria da última pazada para cima de um País já agonizante. Refinado coveiro que tresanda a peixe estragado. Quatro anos e meio de marreta progressesca e moderneira com retrocessos violentos na Verdade e na Fiabilidade, na Justiça e na Liberdade. Um líder sem escrúpulos capaz de todas as entorces e violentações sobre pessoas e consciências apenas para ostentar índices melhorados e a pompa de aparentar. Grande pregador batido e coçado, rei do anedotário em Língua Portuguesa, excelentíssimo Quase-Passado, quase Nunca-Mais!: «O secretário-geral do PS, José Sócrates, afirmou hoje que nas próximas eleições legislativas estará em jogo uma escolha entre duas mundivisões, entre o progresso e a modernidade dos socialistas, e outra retrógrada e conservadora.»

CONVIDATIVOS POENTES DO PORTO

Doença. Depresso. Fugir. Saltar como um acto de glória, hino à suprema libertação. Voar por fim. Cessar, mas longe de todas paredes, de todos os muros, de todas a celas. Perto das aves e dos peixes. Longe da alçada dos homens. Cruel vulgaridade incapaz de outro olhar senão o do esterótipo vulgarizador! Chave na ignição. Caridoso automóvel. À ponte mais alta. Acabar.

sábado, agosto 29, 2009

ERECÇÕES TELEFONÍSTICAS DE LINO

É comovedora a preocupação social e laboral com os despedíveis da Groundforce por parte de Lino, precisamente em antecâmera eleitoral. Cada qual, no Ainda-Executivo, quer parecer mais social que o outro e mais pró-laboral, isto é, pró-trabalhadores, ou mediador, ou moderador. E então os telefonemas governamentalescos é que desempatam impasses, anulam a turbulência negocial, se havida, que logo termina, tempestade amainada. Magnífica eficácia do célebre Lino da Nova Alcântara, do TGV, da OTA, do Deserto, do jamais, de Alcochete, títere bonacheirão do Ainda-PM, acompanhando a resiliência do nulo Jaime Silva, anti-agrícola, do nulo Pinto Ribeiro, anti-cultura, do nulo Nunes Correia, invisibilíssimo ambiental. Títeres a toque de caixa do Ainda-PM, mas em breve, se houver juízo, Já-Não-PM e Nunca-Mais-PM: «Mário Lino, que falava aos jornalistas no final da cerimónia de inauguração do prolongamento a S. Sebastião da linha Vermelha do Metropolitano, disse que foi feito um telefonema do seu ministério para um dos sindicatos que representam o pessoal de terra dos aeroportos portugueses. [...] Na quinta-feira, André Teives, do sindicato dos Técnicos de Handling de Aeroportos (STHA), tinha acusado o ministério de Mário Lino de se ter desinteressado do caso.»

TARANTINO, CINEMA COMO INSTRUMENTO TRANSFORMADOR


NO PAÍS DOS SACANAS

Jorge de Sena conhecia por demais a espécie e caracterizou-a como ninguém. Ao ler o poema a seguir transcrito, pense-se no Bloco de Centro, mas sobretudo no lado particularmente pernicioso, cosanostresco, ultradevastador do erário público, mafioso de este PS, cuja dedada sôfrega não poupou departamento nem pessoa, não deixou pedra sobre pedra, tudo fazendo pelos seus. Este PS, partido de Elisa Ferreira, Ana Gomes, Vitalino, Lello, ASS e Vital, partido que vai estrebuchando, mentindo e cuspilhando até à urgente evidência da sua evicção, está todo dentro no poema de Sena:
lkj
«Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos o são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade da próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, das invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.
klj
Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?
lkj
Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência,
a justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.»
lkj
Jorge de Sena, 10/10/1974

NO PAÍS DOS SACANAS

Que adianta dizer-se que é um país de sacanas? Todos o são, mesmo os melhores, às suas horas, e todos estão contentes de se saberem sacanas. 

AOS DESILUDIDOS PROGRAMÁTICOS

«No fundo, ninguém, em Portugal, ousará «rasgar» o que quer que seja. Este é um país cuja tradição liberal é ínfima e cuja disposição para a mudança é inerte. É isso mesmo Carlos e Pedro: não se ganham eleições em Portugal dizendo que se vai acabar com as Golden Shares ou que se vai pôr em prática um sistema de protecção social misto (publico-privado) ou que se vai privatizar a Caixa Geral de Depósitos. Cairia o Carmo e a Trindade. Mais: a própria ideia de cortar a direito com o investimento público pode ser fatal. Não se trata do eleitorado ser maioritariamente de esquerda (também o é, de facto). Trata-se simplesmente de vivermos num país onde o ADN dos seus habitantes não comporta uma atmosfera de rarefacção do peso paternalista e dirigista do Estado, no qual o Estado Providencia (apesar de essencial) é uma espécie de altar onde todos vão rezar, pedir amor e protecção – porque, também é verdade, o que o Estado suga da economia e das famílias conduz a essa doentia interdependência. Esperar do programa eleitoral do PSD aquilo que ele não pode dar, dados os condicionalismos históricos, económicos e sociais, e a própria génese do seu povo, é que me parece confrangedor e potencialmente risível.» Carlos do Carmo Carapinha, 31 da Armada

PINA MOURA MATA PROGRAMA PS

Águas divisas. Os espíritos mais independentes sub-reptícia ou explicitamente vão exprimindo a urgência em dejectar este PS, um punhado de vampiros sem escrúpulos, mais interessados nas suas quotas, nas suas luvas, nos seus cargos, nos seus privilégios, tanto maiores quanto mais obras magalómanas, que verdadeiramente no Portugal sustentado e harmonioso. Nunca mais governos de Favoritismo, regimes de excepção e clientelas cevadas: esse Bloco Central não tem futuro e terá de ser combatido sem quartel. Nada na Administração prossiga e subsista sem total e completa transparência. Fim aos contratos fechados Nova Alcântara. Uma Oposição federada e honesta no sentido de priorizar o que jaz descurado em Portugal, sim. Primeiro a evicção de esta pequena trupe PS que tresanda a fétido, sequestradora do País, sem palavra de honra mas toda a lata do mundo. Depois a federação do máximo de vontades; escolhas sérias e claras em que se acredite, debate e negociação leais em sede Parlamentar e noutros Fora, onde todos aprendam com todos e se decida com boa fé o que robusteça Portugal no contexto da Crise, superando a dependência alimentar do exterior, reactivando o tecido produtivo. Fazer tudo ao contrário da crassa pseudo-Iluminância "Messiânica" socratinesca no plano da abertura ao diálogo, que foi nula ou caricatural. Toda a Oposição é Gente, tem o seu papel e terá de ser atendida e ouvida, assim como a sociedade e as suas forças vivas. Boas ideias são boas ideias. São sempre boas e sempre urgentes. Se o bom senso as cauciona, é imoral não serem atendidas. As ideias de uma maioria podem ser esterco e dano. Têm sido: «Joaquim Pina Moura, ex-ministro das Finanças do Governo de António Guterres, disse ao semanário “Expresso” que considera o programa eleitoral do PSD “mais duro e mais focado” do que o do PS. Nas palavras do ex-ministro ao semanário, o PSD apresentou um documento “clarificador” e “divisor de águas” e que tem como base a “assunção de que os recursos são escassos”. Pina Moura defende que não se pode continuar a deixar crescer a despesa pública..»

ESPUMAR DE ESTERTOR EMBUSTEIRO

Ninguém poderá esquecer o PS Autocentrado da Legislatura. Agora, Sócrates choraminga e ataca o programa do PSD, flanando as bandeiras-espantalho de todos os papões. Agora a palavra social não sai da boca do Ainda-PM. Agora o ministro bonzinho Vieira da Silva dá rosto ao canto de sereia PS. Mas para trás estão quatro anos e meio em que o Governo-PS fez sofrer os portugueses e ignorou olimpicamente quem sofria devido às suas políticas incompetentes, persecutórias, onde a punição e a exclusão pontificavam africanamente. Enquanto milhares se desempregavam a todos os níveis e a todos os níveis eram culpabilizados, todos podiam ver como paradoxalmente os PS respaldava, premiava, prebendava e sinecurava os seus. Como se não houvesse país senão essa ilha de interesses corporativos e favoritistas de um Partido apenas Ávido de cópulas com o Poder dos Mais Poderosos. Por isso, o descontentamento grassava. Engolir em seco e suportar um jugo desmesurado foi o que milhares tiveram de fazer. O descontentamente agravou-se com a reveladora Crise encarregada de denunciar essa promiscuidade activa governamentalesca com o Dinheiro e negligência grosseira com o Povo. E explodiu também de escândalo em escândalo, de abafamento em abafamento, de suspeição em suspeição. Por isso, federando insatisfações e descontamentos mais que justificados, toda a Oposição deseja repor Portugal. Apagar todas as marcas de um desastre falsário. Foram quatro anos de humilhações. Quatro anos de desdém pelo cidadão comum, esbulhado de Fisco e massacrado com propaganda espectacular para baralhar tudo e tornar a dar aos mesmos. Anos de empobrecimento. De desemprego estúpido, promovido na função pública e no sector privado, eliminando e desactivando pessoas para o vazio mais sacana e imperdoável. Massas foram privadas de dignidade, professores foram comprimidos de burocracia e menoscabados na sua função, segregados em função da sua opinião. Enquanto isso, a despesa pública não baixou. Pelo contrário. A sofreguidão clientelar pôde regalar-se ainda mais. Leis fiscais iníquas retroactivas levavam à miséria, sem apelo nem agravo, milhares de portugueses, atascados no bolso e desmoralizados na alma: «O secretário-geral do PS disse ontem em Faro discordar de uma Segurança Social em que esteja "cada um por si" e criticou o PSD por defender o plafonamento da Segurança Social portuguesa no seu programa apresentado publicamente quinta-feira.»

«OU SÓCRATES OU PORTUGAL»

«A escolha é entre a actual bandalheira mafiosa de um Regime abandalhado e refém de um punhado de bandalhos de esquerda moderna e socialista e o menos mau. Por um pouco de seriedade e credibilidade. Nada que obrigue a muitas análises, leituras, opiniões ou comentadores a que poucos ou ninguém liga. Ou Sócrates ou Portugal. Não parecendo é muito fácil.» Acção Directa, Bandeira Negra

sexta-feira, agosto 28, 2009

ULTRACLIENTELARISMO PS EM PERIGO

O PS-Governo fez da hostilização de tudo e todos o caminho supremo das políticas. É bem que seja hostilizado, tanto mais que o que periga não é nem pode ser o Estado Social, papão com que agora se procura poluir o ambiente eleitoral e assombrar o pobre eleitor. O que periga é o Estado Clientelar PS, à boca da fonte estatal, sequioso, aguardando por auto-estradas redundantes que derrapam 57% e por MegaObras, MegaDerrapantes, proventos chorudos à custa do Povo Idiota Português. A questão do carácter e da credibilidade está em causa. A Mentira como forma de Governo será plebiscitada. A Opressão Fiscal será plebiscitada. O entretenimento político como fingimento de acção e resolução de problemas será plebiscitado. A desonestidade velhaca, mestra da impunidade, cheia de lata, que nunca se manca e apesar de tudo se conserva sorridente será plebiscitada: «No próximo dia 27 de Setembro, altura em que os portugueses são chamados a escolher um novo Governo, vai decidir-se o futuro do Estado social que, segundo o ministro dos Assuntos Parlamentares, poderá ficar em “crise” com as propostas do PSD e se a restante oposição à esquerda insistir em "hostilizar" o PS.»

ESTÁ DECRETADO O PARAÍSO

O PM alertou para o azedume e a maledicência da Oposição perante a melhoria do indicador do clima económico como recentemente perante os 0,3% do PIB e Frei Teixeira procura colar a esse índice as medidas ou desmedidas do Governo. Se pudessem decretavam o Paraíso obrigatório com vigência até 27 de Setembro, data a partir da qual se poderia regressar aos sintomas deprimentes e estrangulatórios da economia que constituem um dos aspectos da pesada herança socratesiana: «O ministro das Finanças e Economia, Teixeira dos Santos, atribuiu hoje a melhoria do indicador do clima económico em Agosto às medidas que têm vindo a ser tomadas pelo Governo para combater a crise e relançar a economia portuguesa.»

quinta-feira, agosto 27, 2009

VÍTOR RAMALHO PERORA NA SICN

Particularmente irritadiço e desesperado, o argumentário de Vítor Ramalho rebate o programa do PSD de um modo obeso. Pedro Marques Lopes aparece irreconhecível rebatendo a desinformação intriguista incisa pelo primeiro. Este PS de Ramalho pensa em grande. Desinformar, poluir em grande. Portugal, a estatelar-se, que se estatele em grande, depreende-se. Isso, sim, vai plasmado no programa mega-investimentário e em grande de este PS. A partir de hoje, as construtoras clientelares do Regime estão à beira de um ataque de nervos.

PROGRAMA PSD USB FLASH DRIVE

Se a acção pífia de este PS Governo e os problemas gravíssimos por ele cavados são a serpente multicéfala mítica Hidra de Lerna, a simplicidade do programa do PSD mostra-se hercúlea no sentido letal do adjectivo e da respectiva narrativa. Queima e destrói cada cabeça do monstro. As fragilidades de concepção e consecução reformística de este PS expuseram inúmeros pontos fracos. Nada mais que atrito e conflitualidade com forças sociais confrontadas com factos consumados. Enquanto isso, a passarada política passeava impunidade, estatutos excepcionais, aura de aristocracia, prebendas, reformas douradas, legislação generosa em causa própria. O XVII Governo Constitucional pensava passear até eleições sem oposição sistemática e vigilante. Pois agora esses pontos frágeis e esses factos negros surgem explorados pelo programa do PSD de um modo que liquida. À dimensão ufana e pomposa do programa do PS apõe o PSD um elenco directo, USB Flash Drive, para debelar matérias altamente explosivas pela inabilidade brutal da legislatura cessante: «Manuela Ferreira Leite classificou esta tarde como “sucinto e objectivo” o programa eleitoral do PSD, sublinhando que não se trata de “um remédio para resolver todos os problemas do país ao mesmo tempo” e que todas as medidas apresentadas "são susceptíveis de ser executadas".»

EXCESSO DE EMBRULHO E IMBRÓGLIO

Naturalmente desorientado, este PS, que recua das suas imposições rígidas iniciais quanto aos debates televisivos, vai compreendendo melhor o impacto negativo inculcado pelo seu timbre absolutista impositivo. Porém, vender uma imagem magnânima agora, depois de ter consolidado uma outra impassível com manifestações, despreziva para com Sindicatos e Movimentos Cívicos, completamente peixeiresca e agressiva no Parlamento e omnipresente com o teleponto de demagogizar e gesticular estudado, tudo sob um culto da personalidade e da aparência jamais visto em Portugal, chega tarde e a más horas. Nada que provenha de Sócrates convence. Excesso de embrulho e de imbróglio para tanto Vazio acoberta um apetite imoderado por Poder, satisfação clientelar e nada mais: «O PS, que até agora só aceitava fazer debates frente-a-frente com Manuela Ferreira, recusando duelos com os restantes líderes de partidos com representação parlamentar, mudou de opinião, viabilizando assim os debates televisivos na campanha para as legislativas, apurou o PÚBLICO.»

INGLORIOUS BASTARDS, UMA CRÍTICA


Tarantino, um dos raros tremendistas da realização cinematográfica, pode variar de tema e até de época tematizada, mas a mensagem transforma a suas obras em clássicos ao incidir sobre os delírios da espécie humana no seu combate autofágico e experiência de limites. Em Inglorious Bastards, a Segunda Guerra Mundial fornece somente um pano de fundo histórico onde o ficcional tarantineano se entrelaça com as implicações sistémicas do tempo presente, incomparavelmente mais sofisticado e nem por isso menos capaz de carnificina, muitas vezes uma carnificina bem no centro da sua sofisticação. Inglorious Bastards estreia num contexto beligerante, com as problemáticas iraquiana, afegã e iraniana sob um manto de incerteza e tensão inquestionáveis. É ironia subjacente à arte denunciar a violência, porque a expõe e a explora, e ridicularizar novas derivas de Falcão. Porque a geração Bastards resiste e prossegue: «... ao centrar o filme, com uma expressão quase teórica, no poder das imagens e das palavras, no poder da linguagem visual e da linguagem falada, Tarantino conquista-lhe uma dimensão fria, "intelectual", nem por isso demasiado subterrânea, que transcende em muito a questão da Segunda Guerra Mundial.»

NOVA ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA

De educação percebem educadores. Ter sapateiros a tocar rabecão no ME foi praticamente a grande obra menor do Bloco de Centro ao longo de trinta e cinco anos de improviso e voluntarismo inconsequente ou então do torcionarismo brutóide recente. Um ME finalmente tutelado por um professor experimentado e inteligente, capaz de escutar e sem a regra e esquadro atávicos de resultados por pressão burocrática ou condicionamento artificial estatístico seria um enorme ganho nacional. Em face do que anuncia agora o PSD, parece que os espinhos entranhados na carne de milhares de docentes e colateralmente nas suas famílias privadas de paz e normalidade poderão ser arrancados, a Escola pacificada, a masmorra psíquica incriminatória do docente aberta e as grilhetas persecutórias quebradas. Todo o problema de este ME nunca foi apenas de substância. Também era uma questão de estilo e opção pela má fé: «Os dossiers polémicos da Educação dos últimos anos serão suspensos ou revistos se o PSD vier a ser governo. O programa eleitoral do partido defende a existência de um modelo de avaliação de professores que faça a “sua diferenciação segundo critérios de mérito”.»

EVIDÊNCIAS DE UMA ERRÓNEA REPÚBLICA ENVILECIDA

A República portuguesa representa hoje tudo aquilo contra o que porventura mesmo os republicanos originários mais fanáticos teriam lutado. Capitulação da soberania no seu cerne económico-financeiro por incúria de uma classe política mercenária; desmandos, delitos, latrocínios de toda a espécie nas instâncias e instituições superiores do Estado, coisa a que se chama suavemente "corrupção". De modo que quando Saramago perora sobre a República, na verdade seniliza eufemisticamente o que há a dizer sobre os seus mais devastadores efeitos. E seria fácil ao escritor a honestidade límpida de compreender isto: graças à vacuidade envilecida da República, Democracia e Regime nunca tiveram tão pouco a ver: «É evidente que a República, com a sua tosca falta de consideração pelas crenças que se confundiam com o ser e destinação de Portugal, foi o melhor aliado para quantos não haviam compreendido que a separação entre o Estado e a Igreja constituia, afinal, a libertação da esfera do religioso. É evidente que a República nos atirou para fora da Europa, nos provincializou e fechou portas às grandes correntes do pensamento ocidental. Compreende-se, pois, que só os inimigos da liberdade - à esquerda como à direita - a possam incensar, pois sem ela não medrariam. A República foi a lotaria para os messianismos desvairados e para o fim histórico de Portugal.» Miguel Castelo-Branco, Combustões

INDÍCIOS CLAMOROSOS DE PÂNICO PS

Como outrora Cavaco absolutista, hoje Sócrates totalitário mete o rabo entre as pernas e exprime o que realmente pensa do confronto democrático. Pensa com desprezo dentro do mais desprezivo estilo dos regimes mugabeanos que miraculosamente subsistem. Um injustificado e clamoroso Pânico Antidemocrático. A democracia e a partilha democrática de responsabilidades e soberania, na prática, é um grande embuste da boca para fora em Portugal. Uma vez governo maioritário, este PS tomou posse de uma coisa bem diversa da representação e mediação institucional dos altos interesses dos portugueses. Coutada! O Poder Executivo tem sido uma coutada esconsa, uma mesa de negócios para um punhado de "privados" postos a jeito, uma máquina de ignorar o clamor dos cidadãos, um intrumento de oprimir, de defraudar, de enganar. E é gravíssimo que os debates entre os líderes partidários não se realizem por recusa do PS em aceitar o modelo proposto pelas televisões que consistia num frente-a-frente entre todos os candidatos. Afunilar em dois frente-a-frente Sócrates e Ferreira Leite e um debate alargado a todos os partidos com representação parlamentar é claramente insuficiente e lesa a necessidade de confrontos esclarecedores. O PSD, ao aceitar formalmente a proposta conjunta das três televisões coloca-se num plano de superioridade e fair play no jogo democrático tal como outrora Guterres igualmente o fizera. Este PS acovarda-se revelando como para si conservar o Poder e continuar a satisfazer as suas Clientelas está muito para além do respeito e vontade de esclarecer os portugueses, colocando-se ao seu serviço, segundo as regras do mais cristalino bom senso. Não. O País é que tem de se submeter ao Totem Fálico PS e ao seu Príncipe Sheikh Mohammed Rashid Al Sócrateso. É o terror e o pânico nas hostes de este PS, privando-nos do instrumento de decisão eleitoral pelo confronto democrático entre todos os líderes partidários. Isto confirma a resposta esmagadora que votar no dia 27 de Setembro nos exige. Nunca mais maiorias estúpidas. Nunca mais estabilidade governativa cleptopermissiva esbulhatória dos pequenos, persecutória da classe média, desonesta e intrusiva. Nunca mais!: «Os debates entre os líderes partidários não deverão realizar-se por recusa do PS em aceitar o modelo proposto pelas televisões que consistia num frente-a-frente entre todos os candidatos. O PS só aceita dois "duelos" entre Sócrates e Ferreira Leite e um debate algardo a todos os partidos com representação parlamentar. Já o PSD aceitou hoje formalmente a proposta conjunta das três televisões.»

PSD, REFORMAR SEM ESTUPRAR

Houve qualquer coisa de demoníaco ao longo da legislatura cessante. A governação foi ainda mais um enorme biombo a acobertar desonestidades de vário tipo, fora do escrutínio dos Cidadãos e das boas práticas de transparência. A necessidade de reformas foi entendida como forçosamente fracturante, violentadora, atentatória da recta razão e do elementar bom senso porque executada de forma unívoca, impositiva, fazendo do Governo herói corajoso para um punhado de avençados do Poder, mas para a grande maioria dos portugueses certamente um algoz desastrado e desproporcional. Hoje é extensa a revolta e indignação que grassam pela sociedade portuguesa. Interessa primeiramente varrer do horizonte do Poder quem, uma vez [publicitariamente enganoso] eleito, dele se apossou glutoneira, ávida, desastrosa, chavística, penduricalhescamente, ignorando que governar é federar vontades e não esbulhá-las e humilhá-las repetidamente. Essa mole de portugueses resguarda-se no silêncio, por autodefesa, mas está lá, ciente que a imoralidade e a mentira não têm direito a segundo take. A sensação de injustiça e de absurdo transpassou Portugal, graças à Vaidade e à Estupidez de um só. Somente muito mal informados e tendenciosos não compreendem que a arte de reformar envolveria profundos consensos e diálogos fecundos, pressa nula, e não esbulhos morais, criminosos saques fiscais sobre os mesmos, sob o respaldo de uma maioria absoluta, pretexto afinal de abusos e discricionaridades amplamente documentadas. Por entender isso mesmo, o PSD comparece na cena mediática com propostas programáticas-adesivo e gaze que afinal visam curar as feridas rasgadas e expandidas pelo pseudo-reformador violentador PS-Governo. É pelo menos o que parece e que urge fazer parecer. Estaremos aqui para aferi-lo ou exigi-lo: «Afinal, há uma proposta bombástica no programa do PSD: os sociais-democratas defendem que deve ser alterado o regime remuneratório dos magistrados, de maneira a incluir uma parcela variável, que fará aumentar o ordenado consoante o mérito de cada profissional.»

quarta-feira, agosto 26, 2009

SUPREMO REGABOFE

Negar é mau. É preciso admitir por uma vez que a humanidade fraqueja aqui e na China. Sobretudo aqui, entre os pacóvios incapazes de indignação e murros preventivos na mesa vazia. Negar todos negam. Negar é um traço dos tempos e sobretudo de esta legislatura moribunda. Todos negam. Smith nega. Lopes da Mota nega. Alberto Costa nega. ASS nega. Toda a gente nega. Sócrates afirma com pose a mais teatral negação. Mas depois apura-se que todos prevaricaram grosseiramente e o país perdeu. Ricardo Cunha foi acusado de peculato e falsificação de documento por presumível apropriação de 344.299 euros, através da aquisição de objectos cujo pagamento era feito pelo Supremo Tribunal de Justiça e também pelo Gabinete do Ministro da República, o conselheiro José Mesquita. Teresa Alexandre é acusada de co-autoria de um crime de peculato e 21 crimes de falsificação. Além destes dois ex-responsáveis do Supremo Tribunal, uma dúzia de outros cúmplices foram recentemente notificados da acusação deduzida por uma procuradora do Departamento Central de Investigação e de Acção Penal (DCIAP). É incrível como as palavras de Ferraz da Costa* observam demonstração quotidiana. Que palavras? Não ter Portugal dimensão para se roubar tanto: «O Supremo Tribunal de Justiça nega que tenha sofrido uma situação de "alegado descontrolo administrativo", depois de o seu ex-administrador Ricardo Cunha e a sua ex-directora de serviços Teresa Alexandre terem sido acusados de peculato e falsificação de documento.»
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* 1. «Em termos de política económica foi uma legislatura catastrófica. O Governo só governou por ausência de oposição. Arrancou com uns slogans pró-tecnologia cujo apogeu foi a Qimonda, o que demonstra que tudo isso tinha pouca ou nenhuma substância.»; 2. «Temos uma classe política e nalguns casos até governantes, onde se inclui o ex-ministro da Economia (Manuel Pinho), que não têm conhecimento da realidade. Qualquer pessoa com experiência em negócios internacionais percebe que fazer uma oficina com um único fornecedor e um único cliente não podia dar resultado. Ao ministro da Agricultura (Jaime Silva) tenho-o ouvido dizer coisas espantosas como, por exemplo, que a crise ainda não tinha chegado ao sector. Ele não servia nem para director-geral...»; 3. «Ninguém pode ser a favor do TGV, cujo único objectivo deve ser ir a Madrid ver o Ronaldo... Há anos que se tenta destruir a viabilidade do aeroporto da Portela. Não se avaliam os investimentos que são feitos, quanto se gasta. Rouba-se muito. O país não tem dimensão para se roubar tanto.»

MAIS POEIRA DEMAGOGIZANTE

Jorge, e quem protege os trabalhadores de empresários grunhos, agressivos, sem classe, mal-educados, sôfregos, sovinas, malcheirentos, vexatórios dos que contratam sob a mais reles precariedade? É aí, precisamente aí, que Portugal se distancia da Europa e a Europa cada vez menos tem a ver com Portugal porque a cultura empresarial está muito longe da excelência humanística e holística em países zelosos dos seus povos. Definitivamente não tem sido muito português zelar pela felicidade e o prazer dos que trabalham para que trabalhem ainda mais motivados e eficientes. Hábito mais sueco, mais norueguês tal zelo. Se essa cultura humanística do trabalho reconhecido não se implanta reformando as mentalidades, comparado com os sistemas positivamente estimulantes da Europa, a iliteracia prosseguirá inalterada no seu cerne. Essa obsessão com a rigidez laboral portuguesa, incapaz de ver os limites mentais, intelectuais e atitudinais do empresariado, envenena a tua visão de conjunto, o que é lamentável. A cultura empresarial nacional é que tem de mudar e premiar a excelência, o rigor e eficiência na gestão de activos humanos. Uma legislação simplesmente restritiva ou simplesmente liberalizadora do despedimento não garante em nada que tal cultura mude. O circuito condenatório de Portugal nos rankings manhosos da OCDE começa precisamente na remissão de quem trabalha a uma vida apertada, miserável, o que se repercute e perpetua nos demais domínios. Não ter nada a que aspirar, não ver o mérito pessoal reconhecido, um sistema de cunhas político-económicas para gestores vicia o sistema da base até ao topo das principais companhias. A tónica colocada na rigidez laboral portuguesa esconde uma desonestidade fundamental e insanável: pura incapacidade de desdobramento ético. A baixa produtividade reflecte uma desmobilização laboral operada desde há décadas pelo sistema económico dos baixos salários. O bem-estar sonegado ou dificultado de raiz a trabalhadores por uma vida inteira de baixos salários determina que a situação portuguesa dentro da demagogia do ranking jamais sofra mudança. E isso por muito que a selvajaria dos despedimentos banais se banalize ainda mais. Por outras palavras, as mudanças fundamentais fazem-se e exemplificam-se no topo ou Portugal colapsará de rancor pelas injustiças larvares na estrutura económica nacional: «Pior ainda é o facto de na presente década ter aumentado a percentagem dos trabalhadores com menores qualificações, o que indicia que muitos dos empregos que estão a ser criados, sobretudo nos serviços, continuam a obedecer ao padrão de baixos salários, baixas qualificações e precariedade".»

CHEQUE-OBRA EM TEMPOS OBSCENOS

A pouco e pouco, emerge a noção completa de quatro anos e meio sob esbulho fiscal e de caça aos parcos rendimentos da classe média, vitimando-a a eito sem dó nem piedade. Clarifica-se cristalinamente até que ponto ficou assim soterrada uma esmagadora maioria de portugueses sob a totalitária debulhadora psíquica e prática do Estado-PS: «Demorou a perceber, no Estado, que não basta diminuir os rendimentos de quem trabalha, embolsando impostos e perseguindo a classe média. Há, também, uma responsabilidade social da riqueza. Neste caso, contrapartidas para o país – como é o caso do ‘cheque-obra’, uma iniciativa que propõe que as empresas de obras públicas ofereçam 1% do valor das empreitadas pagas pelo Estado em obras de restauro de monumentos nacionais e património classificado. Antigamente, os ricos que tinham sido pobres ofereciam bibliotecas, escolas, chafarizes e estradas municipais. Eles sabiam que a riqueza devia pagar um tributo para justificar a vaidade e o conforto. Hoje, os ricos amealham e só contribuem para o país embalados por benefícios fiscais e promessas de contratos do governo. São outros tempos.» Francisco José Viegas, A Origem das Espécies

ASS DIZ QUE GOVERNO NÃO É BANDO

O Governo não é brando. ASS atesta que «não é um bando de criminosos». Essa péssima escolha das palavras. Será então porventura um bando de assim-assim?! Uma das razões por que a questão das putativas escutas do Governo à PR acende enorme interesse na Opinião Pública é porque lhe parece perfeitamente plausível, de desconfiar. Sobretudo depois de todas as esquisitices formais, imposições, pressões e processos movidos que acoplaram toda a acção plástica do Ainda-PM. E em nada abona às pretensões do Governo ser precisamente a vez de ASS vir defender a honra da casa, ele que peca por excesso de zelo, um zelo denunciador e contraproducente ao difícil Upgrade Humilde do maçadense. Tudo em que ASS toca, aliás, esboroa-se nem que seja um tópico. Da mesma forma como, desde há meses, se percebeu que tudo aquilo em que o Governo toca, Qimonda, Pelamis, se merdifica: «O ministro Augusto Santos Silva acredita que a polémica sobre a vigilância a assessores de Belém "é uma manobra de mais baixa intriga política". "Este governo é constituído por homens e mulheres honestos, e não por um bando de criminosos", disse o ministro dos Assuntos Parlamentares, em entrevista ao Diário Económico.»

ENGRAÇADO COITADINHISMO SIMPLEX

Não consigo compreender esta conversa do Eduardo Graça sobre "pressões" e "a direita". Que Direita? Só conheço uma UltraDireita sem ideologia senão o próprio Bolso e o próprio Benefício, com olhos maiores que a barriga. Uma que ao mesmo tempo que estupra psicologicamente professores a pensar nos tostões contidos, lesa o Estado em Milhões Derrapados, Nova Alcântara; uma que sustém legislar sobre casamentos gay, protelando a questão, apenas por mero tacticismo político-eleitoral e para não melindrar o Portugal Profundo que gosta de fado e cada coisa no seu lugar. Chantageados para um Aborto Livre, por que nos não chantagearia com os factos consumados habituais, assim lhe dêem a repetente oportunidade?! Quanto a pressões, ainda está para nascer um Primeiro-Ministro que tenha feito mais pressões sobre tudo o que mexe em Portugal e lhe desagrade. Chamam-lhe Zé Neuras. Há uma mole de portugueses transidos, apáticos, postos fora de combate, por quem? Pelo mecanismo de pressões que Sócrates exerce pessoalmente, quando ninguém está a ver, ou delega a um vasto conjunto de esbirros parasitando Organismos-Sinecura, a própria Administração Pública, e com toda a lata para sanear subtilmente opositores e com lata para outro trabalho de sapa. Não faltam exemplos. Malhando em ferro frio, puxando a brasa ao coitadinho heróico sob fogo, Eduardo Graça de facto não tem o dom da persuação nem amplitude de fogo. Isto da bloga só funciona com muito sofrimento averbado e muito alombar com injustiças. Fretes pagos incumbidos a barrigudos dá em demonstrações flácidas e num trabalho inglório sem qualquer força moral interior: «Será que a direita em Portugal, nos últimos anos, perdeu influência nos centros de decisão, da finança à economia, da polis à inovação social, tecnológica…? Será isso que lhe dói? O PSD mostra-se incapaz de reinventar um ideário social-democrata e, longe de convencer a sua base natural de apoio, acolhe-se na busca de um consenso social negativo face ao programa político reformista do PS. Apresentará, certamente, propostas, que convém não subestimar, mas o essencial do seu programa pertence à esfera da “não inscrição”, ou seja, às insinuações do “governo sob suspeita”.» Eduardo Graça, SIMplex

EVICTO DEBATENTE FURIBUNDO

A bateria de comentadores políticos da SICN continua venal, babosa, completamente no bolso do poder socratinesco, não apenas pelas coisas correctas e prudentes que emite, mas pelas flagrantes omissões a que se entrega. Simplesmente não entendem (ou não o podem dizer) o quanto a sociedade portuguesa, flagelada pela incompetência e o totalitarismo desastrado do Ainda-PM, anseia pela sua evicção exemplar. O próximo acto eleitoral tem como prioridade absoluta purgar Portugal da peçonha imoral que o vara no cerne da actual Polítca Embusteira. O escasso eleitorado ciente dos seus deveres de acção sem demissão de responsabilidades será o evictor, como bem lhe compete e é tarde. Foi penoso ver ontem o desse-ponto-de-vista Luís Delgado, o vulgarizado Bettencourt Resendes, mesmo o arguto Martim Avillez Figueiredo, moderados por António José Teixeira, a fazer fretes argumentativos ao Ainda-Poder e a tecer considerações medrosas sobre o momento político e cenários putativos emergentes das próximas legislativas. Para além dos lugares-comuns sobre o que seja governabilidade ou o problema de governos minoritários [afinal, o parlamentarismo português tem sido devorado pela lógica estúpida das maiorias dispensadoras do concurso de toda a gente que opine e pense em Portugal, maiorias que permitem em alto grau devorismo de recursos, incúria, corrupção, corporativismos e promiscuidades várias, danosas ao País, bloqueando-lhe as expectativas de crescimento, a autonomia alimentar, uma resistência inteligente aos directórios globais e europeus que assegure e proteja Portugal da dissolução], ainda se atribui demasiado músculo persuasivo nos debates, em geral, e nos televisivos, em particular, àquele evicto debatente furibundo que exauriu Portugal e de quem toda a gente está absolutamente farta. Farta como se pode estar farto de ter fome, de ser entalado e retaliado por ser livre no pensamento. Toda a gente está saturada de Sócrates. Pensar e ser livre desemprega em Portugal. Outra vez! Dos debates não virá mais luz nem mais esperança que a remoção urgente do embuste e suas metástases: «O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, desafiou ontem à noite os líderes do PSD e do PS a pronunciarem-se, até hoje, sobre a proposta de debates para as eleições legislativas apresentadas pelas três televisões generalistas.»

FREEPORT SOB VEREDICTO ELEITORAL

Se as afirmações proferidas por Sócrates*, no Congresso de Espinho, tiverem ainda alguma validade, estas eleições legislativas permitirão à minoria do eleitorado votante pronunciar-se definitivamente sobre a matéria freeportiana na mesma lógica em que a população de Felgueiras que não se absteve nem votou noutros partidos igualmente se pronunciou sobre a sua Fátima, dando-lhe a vitória e um novo mandato. O escasso eleitorado votante nacional, por militância ou civicamente cumpridor, pronunciar-se-á sobre o que Charles Smith disse do Zé: «É corrupto!» E pronunciar-se-á para caucionar o secretário-geral do PS como o candidato que "garante" e "impõe" a "decência" na vida democrática. Em suma, ao votar, o eleitorado minoritário português que ainda vota dará razão ou não ao álibi das campanhas negras, calúnias, infâmias, insultos, difamações, caça às bruxas. É o chamado veredicto eleitoral. Antes que a Justiça emita o seu. Ou não emita, como é habitual. Lembre-se os anos em que a matéria permaneceu estrangulada, apesar da insistência britânica. Veja-se as dificuldades levantadas pelo circuito intrincado do dinheiro-luva: «A investigação já dura há quase cinco anos e tem sete arguidos. Nenhum deles é o primeiro-ministro, José Sócrates, à data dos factos ministro do Ambiente, cujo nome se encontra referido num relatório do Serious Fraud Office, que coordena a investigação em Inglaterra. O nome de Sócrates é também referido numa conversa gravada em DVD, em que é sugerido o seu envolvimento na corrupção.»
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* 1. «Há um combate decisivo a travar pela decência na nossa vida democrática." "Também estou aqui para que não vençam aqueles que fazem política da calúnia, da difamação e dos ataques pessoais"»; 2. «"Quem governa é quem o povo escolhe. Não é um qualquer director de jornal nem nenhuma televisão nem nenhum cobarde que se entretém a escrever cartas anónimas. Quem escolhe é o povo porque em democracia o povo é quem mais ordena!".»

LIBERAL À FERNANDO PESSOA

«Porque sou liberal, à Fernando Pessoa, odeio que artificalmente se criem clivagens entre a esquerda e a direita, ou, pior do que isso, entre laicistas e católicos, em nome de causas transversais, especialmente quando a demagogia pode levar à confusão entre política e religião e ao regresso às teorias da conspiração e da diabolização. Alguns catolaicos ainda estão na era de José dos Santos Cabral, esse que além da proposta de restauração da pena de morte, nos anos trinta do século XX, continuou até à primeira lei do regime do dito Estado Novo, já pleno de polícias secretos querendo extinguir aquilo que pensavam poder ser extinto, dando o primeiro sinal de ódio face àquele conceito de transcendência que se chama humanismo, mas que não pode ser medido por sacramentos, clérigos e dogmas, visando emancipar as consciências e não salvar as almas.» José Adelino Maltez, Sobre o Tempo que Passa

SOB O MANTO NEGRO DA NULIDADE

«O Governo de José Sócrates está gasto, é incompetente, estagnou a Justiça, dominou os bancos através do Processo Operação Furacão, e não conduziu a nenhuma condenação seja no processo Casa Pia, seja nos processos das fraudes bancárias, desde o BPN, ao Portucale, à Operação Furacão, à Cova da Beira, ao Freeport. Um manto de demagogia, de incompetência, de baixa política cobre Portugal. Por tudo isto ser inteligente é não votar PS. Ser inteligente é votar contra o PS de José Sócrates, cheio de ex-comunistas e dominado pelos sociólogos do ISCTE e pelo Lobby Espanhol, que desenvolveu uma política do bota-abaixo da nossa economia, dos nossos valores culturais. Aliás Sócrates teve a pretensão de ser "moderno" dizendo que não gosta de fado! Só falta dizer que não gosta de D. Afonso Henriques. Que não gosta de Nuno Álvares Pereira, que não gosta da Marisa, do Benfica, do Sporting, do Porto, que o que gosta é do Real Madrid. Ventos sopram a favor de Espanha, quando na televisão quando falam em castelhano já nem há tradução para português! Por isso em 27 de Setembro os portugueses têm uma oportunidade enorme de derrotar este PS Socratino / neo-comunista / maçónico / espanholado / ultradireitista. Derrotar o PS é renovar Portugal.» José Maria Martins

terça-feira, agosto 25, 2009

SOARES E A SOBRANCERIA MARIALVA

Reapareceu finalmente a partir do Porto, Paulo Rangel, no Frente-a-Frente de Mário Crespo, com Luís Fazenda. E foi brilhante quando se lhe colocou desmontar o ponto dois, hoje no DN, do artigo de Soares. Paulo Rangel apontou a atitude de sobranceria subalternizadora para com MFL como outrora para com Nicole Fontaine, a quem Soares não teve problemas em chamar "dona de casa" no sentido pejorativo e indelicado do termo, quando com ela concorreu, e perdeu!, à Presidência do Parlamento Europeu. Rangel coroou a sua análise aos pressupostos do artigo soaresiano sobre a entrevista de Judite de Sousa a MFL com a expressão "sobranceria marialva". É essa atitude de Soares indício de derrota e desorientação. Na verdade, não encontramos em MFL o político entertainment socratinesco dos passes espectaculosos de retórica-telepontística, mas pífios dissolvendo-se no esquecimento e na mais deplorável inverificabilidade. Não se descortina nela o político entertainer que empurra a Realidade com a barriga e engana a Hora com pirotecnia discursiva promitente, aspectos que Soares, o verdadeiro Marajá-mor de toda uma tribo facciosa de Marajás, e mesmo Luís Fazenda, desejariam porventura encontrar. O primeiro apanha com a sobriedade comedida que se impõe a um País Enganado. O segundo deverá reconhecer que o lado simultaneamente elusivo e totalitário da Legislatura moribunda socratesiana merece uma honesta e higiénica separação de águas.

GRANDILOQUENTE MALEDICENTE

Correcção, na verdade Porfírio Silva não é grandiloquente maledicente. Só miniloquente. Nuno Crato, Paulo Guinote e Ilídio Trindade dariam excepcionais ministro e secretários de Estado da Educação. Um Governo finalmente com gente capaz de ouvir milhares de seres humanos experimentados e envolvidos no terreno, acolher-lhes os pontos de vista e depois acondicionar sínteses decisórias inteligentes ao melhor estilo interactivo e directo que Obama parece implementar. Um Governo sem Sapateiros nem Medusas completamente à margem do terreno do Ensino, violentadores insensíveis, como o tripé cessante demonstrou ser. O que escreve então miniloquentemente maledicente Porfírio Silva sobre o suposto conselho programática pedida pelo PSD a Paulo Guinote?: «No caso da educação, o escolhido para dar um conselho ao PSD é o blogger/professor Paulo Guinote. O quotidiano i dá uma ajudinha aos fazedores de programa no PSD e lembra que é melhor inventarem uma equação qualquer que consiga meter no mesmo saco tudo o que disseram nos últimos tempos. E, além disso, pede a umas personalidades que avancem sugestões para certas áreas da governação.» Como se vê, sem qualquer fogo de convicção.

JOSÉ CARMO AMOLGADO DA COSTA


Infelizmente, José Carmo foi vítima de um gesto que muito responsável político e desportivo gostaria muitas vezes de praticar ou consentir que os seus motoristas e seguranças praticassem. Basicamente mimosear fotógrafos profissionais e jornalistas com pequenos sustos exemplares enquanto cumprem o abelhudo ofício legítimo de nos servirem com a verdade, a investigação, a imagem. E note-se quem em Portugal o jornalismo é basicamente respeitesco, cúmplice e submisso aos donos do Dinheiro e da Influência, sobretudo pelo poder pardo do grande avental maçónico. O jogo informativo está domado e controlado pela agenda dos que mandam e estão na sombra, gizando os seus lucros, as suas impunidades, as suas manipulações, subtraindo aos Cidadãos o que só a eles pertence: o verdadeiro poder democrático de oportunamente eleger Impolutos e sem demora remover Corruptos. Tal lógica perversa do Dinheiro e do Poder Pardo não deveria prevalecer conforme prevalece. O Público, a Opinião Pública, a Cidadania, deveriam exercer uma pressão fortíssima por informação a fundo sobre todas as matérias de manifesto interesse geral onde a transparência não abunda por laxismo geral. Fora estas considerações livres a respeito de um desastrado abalroamento, deseja-se recuperação rápida ao José e que se afiram as reais responsabilidades e falta de escrúpulos do pobre motorista ao serviço de Pinto da Costa: «O fotógrafo, José Carmo, acompanhava a saída da ex-companheira do presidente do FC Porto pela rua estreita onde se encontra o Tribunal São João Novo (Porto), quando o carro de Pinto da Costa (conduzido pelo seu motorista, que é também arguido num dos processos em julgamento) passou a grande velocidade.»

JEAN-PIERRE BAGARD, O QUARTO


Que motivos terão levado o presidente executivo (CEO) da Coca-Cola em França ao suicídio?! O paralelismo com casos recentes é siderante. Jean-Pierre Bagard, casado e pai de dois filhos, «é o quarto caso de empresários que cometem suicídio desde o início da actual crise. Em Janeiro passado, o empresário do sector imobiliário norte-americano Steven Good disparou contra si próprio dentro do seu Jaguar.Dias antes, o multimilionário alemão Adolf Merkle decidiu suicidar-se atirando-se para a frente de um comboio e, no final do ano passado, foi a vez de Thierry de la Villehuchet, da empresa gestora de fundos Acess Internacional, cometer suicídio, depois de ter perdido a fortuna graças aos investimentos feitos junto de Bernard Madoff, o financeiro norte-americano condenado a 150 anos de prisão por fraude maciça.»

BLOGUES ADICTIVOS


A minha caríssima amiga Cristina, do Estado Sentido, e o Daniel, do também meu 2711, consideram o PALAVROSSAVRVS REX um blogue adictivo, atribuindo-lhe o prémio "o seu blogue é viciante". São as seguintes as regras a observar: 1. Colocar no blogue o selo do prémio; 2. Indicar dez blogues que consideremos viciantes; 3. Informar os indicados. 4. Dizermos três coisas que pretendemos fazer no futuro. Passo a corrente por desordem aleatória aos também viciantes: Sobre o Tempo que Passa, Blasfémias, Rua Direita, Combustões, Corta-fitas, Pau Para Toda a Obra, Delito de Opinião, Portugal dos Pequeninos, Pleitos, Apostilas e Comentários, A Natureza do Mal. No futuro tenciono: 1. publicar o meu primeiro livro; 2. passar menos fome; 3. ser mais amado e compreendido e pagar na mesma moeda.

GENITÁLIA PARTIDÁRIO-COMPARATIVA

Na tabela da credibilidade dos Partidos deveria constar a proporcionalidade dos seus gastos tendo em conta a escala e as debilidades do País, hoje postas a nu com a desactivação económica massiva a todo o instante noticiada. Insensíveis à miséria em que inscientemente mergulham milhões de portugueses, essas anquilosadas estruturas gastam de mais, quando por via da Rede há formas bem menos despesistas de levar a persuasão e o argumentário a todos os recantos nacionais. O show off do PS, por exemplo, requinta-se e esmaga milionariamente o portuguesinho impressionável, embora de nada tenha valido para salvar o desastroso Vital, o que é sintomático do quão supérflua é hoje essa parafrenália: arruadas pré-fabricadas, ecrãs gigantes de aluguer/compra astronómicos, transporte massivo e carneiroso de vulneráveis e tristonhos figurantes do interior para os comícios com tudo pago, refeições, brindes. Comícios sem clareiras, comícios estilo reality-shows, com auditórios murchos e sorrisos amarelos, sincronização do aplauso e do apupo. A falta de respeito pelos cidadãos é, portanto, múltipla e deve ser punida eleitoralmente. Enfrentem os partidos as clareiras nos comícios que são absolutamente naturais, menos quando o PS e o PSD se põem aí a comparar os pénis. A cidadania exige o máximo de transparência dos partidos bem como dos Executivos contra o vergonhoso escândalo despesista com que nos mimoseiam: «O PS é o partido que apresenta maior orçamento para a campanha das eleições autárquicas de 2009: são 30,5 milhões de euros contra os 21,9 milhões do PSD, embora esteja ainda por explicar se os gastos nos locais em que os sociais-democratas têm coligações (mais de seis milhões de euros) já estão incluídos nestas contas. A situação inverteu-se face a 2005: os socialistas prevêem gastar agora mais três milhões, os sociais-democratas fizeram um corte radical de metade da verba.»

PALRADOR SOARES DORMITA EM MFL

Debitar propostas, medidas e pensamento político pelo teleponto e ignorar olimpicamente as pessoas deve agradar, bem lá no fundo, ao grande tubarão intocável e "democrático" Soares, cujo sonho, dizem alguns, era fazer disto um grande Macau. O País vai enfastiado com o MegaPaleio Fastidioso de Sócrates. Nunca nenhum vendedor de vassouras de porta em porta nos tem esgotado com tantos refrões sonoros todos os dias, numa insistência lunática. O palavrório mais soundbytesco invade-nos a paciência todos os dias. O Ainda-PM coloniza todo o espectro mediático com paleio redondo e previsível que não dá em nada, bate na tecla que lhe convém e convém a uma minoria de adesivos do Orçamento. Soares deve adorar esta derrapagem do Paleio Vão sequioso pelas obras regimentais. 35 anos de Conversa Fiada, palmando sabidolasmente o Estado, não bastam nem esgotam o grande palrador Soares, imbatível a dormitar. Precisa de se sentir surpreendido por MFL como um Rei enfastiado carece do seu bobo. MFL não lhe dá pica. Estou certo de que Sócrates muito o diverte e entretém com o seu show circense de pulgas amestradas. De propostas-paleio e paleio-programas estamos todos fartos. Urgente é ter bom carácter, ser leal, honesto, não ser ladrão, não mentir, não ludibriar os portugueses, não falsificar a realidade com estatísticas manhosas. Mas cuidado. Ai de quem mete o dedo na ferida. Ai do que ousar confrontar o fingimento de governar com a incúria pífia de só proclamar. Cego, surdo mas tagarela, Soares não ousa aludir à Farsa em que Portugal viveu atolado nos últimos quatro anos e meio. Prefere acossar o "egocentrismo ético" da venerável senhora. Nenhum problema. Nós fustigamos a patética bardinagem política, palavrosa e demagógica, do Ainda-PM: «2. A entrevista que a dra. Manuela Ferreira Leite concedeu à RTP1, que vi e ouvi com a maior atenção, constituiu, para mim, uma profunda decepção. Não esperava muito, confesso, dadas as intervenções que tem feito, desde que é líder do PSD. Mas foi pior do que supunha. De uma banalidade que, algumas vezes, roçou o patético. Só falou dela própria. É uma pessoa séria, decidida, que tem o culto da verdade, que só faz o que deve e não abre concessões para ninguém, sejam amigos ou não. Já o sabíamos. Mas tudo isto é o pressuposto para qualquer político, que tenha princípios éticos e não seja um oportunista. Não precisava, portanto, de o dizer, muito menos tê-lo dito à saciedade. Seria mais subtil - e ficar-lhe-ia com certeza melhor - se mandasse dizer a outrem todos os auto-elogios com que entendeu dever mimosear-se...» Mário Soares, DN

segunda-feira, agosto 24, 2009

NUNO GOUVEIA DESPE FREI TOMÁS

Esta posta de Nuno Gouveia demonstra, como aliás também as réplicas que se lhe seguem, o lado peixeresco e sem classe típico que este PS acomoda. Ter insultuosos a falar do insulto é o derradeiro sarcasmo para com a inteligência do cidadão comum. Terem os Portugueses de pagar a incompetentes facciosos, como Constâncio pai, a ideologicamente flatulentes, como o seu filho Joãozinho, e a insolentes, como o filho-da-putólogo João Galamba, uma vez eleito e no Parlamento, é dose cavalar para um Povo até agora tão manso. Como se se pudesse continuar a ser manso enquanto politicamente estuprado. E continuar a agir como não fosse nada com ele.

DESTRUÍDO MAS NUNCA DERROTADO

«Por isso, a tarefa dos que não alinham com os consensualismos estéreis que se instalaram, com as cumplicidades cobardes que se criaram ou com os adeptos domésticos do "partido universal do único" é parecida com a da filosofia. Incomodar a estupidez. E ver quem sobra, para que lado da refrega se inclina e por onde se abriga. Em suma, quem é que se distingue por ser um homem ou uma ratazana. Nem que fique a falar sozinho. Destruído mas nunca derrotado como o velho do Hemingway ou a "persona" de Hamsun*.» JG, PdP

GRANDE SANITA MISTIFICATÓRIA

O gato por lebre em que consistiu toda a legislatura e a acção omissa ou militantemente castrante do XVII Governo Constitucional não tem limites nem conhece pausa até ao último momento. Paradoxalmente, nada poderá ser pior para a fantasia socratinesca nem mais contraproducente para a sua propaganda que a insistência em ostentar o Carão Tenebroso da Ministra e dar a ouvir/ler a Portugal as suas palavras triunfais mistificadoras. Coisas boas e urgentes na Escola Pública efectivamente cumpridas foram depois tragadas num conjunto mau de mais de políticas subsequentes, lavagem suina da Mentira, do Poder Bruto, Unilateral, Absolutista de este ME e do seu Mentor. É o lado sádico e vazio do PS-Governo no seu pior habitual. Por cada Magalhães ao preço da uva mijona e por cada quadro interactivo, quantos professores levaram com um miserável pontapé no cu pelo Sistema, inaudito espancamento soez e antidemocrático da sua dignidade profissional?! Se houvesse vergonha e contenção, há muitos dias não teriamos de suportar estes actores políticos de terceira categoria e sensibilidade nula. Santana foi demitido por infinitamente menos: «A ministra da Educação rejeitou hoje que tenha existido facilitismo para melhorar as taxas de abandono e retenção escolar e negou que o conflito entre os professores e o ministério tenha prejudicado o trabalho nas escolas.»

ENTRE BELÉM E SÃO BENTO, O DESERTO

Notável o artigo de Mário Crespo a desmontar parte dos contornos assumidos pela guerra fria entre Governo e Presidência. Evidentemente que para grandes males, grandes remédios. O carácter e o perfil do XVII Governo Constitucional, beneficiário aliás de ampla e prolongada benevolência e cumplicidade presidencial, foi um Grande Mal prático, no terreno da mentira e da manipulação mais falsária de factos e pessoas, iludindo ainda agora os principais problemas com que a viabilidade de Portugal se confronta. Os Grandes Remédios presidenciais parecem tardios mas pagam na mesma moeda esse PS-Governo com a sua malha de rumores e o seu conluio de interesses implantados para desinformar e alienar a Opinião Pública do essencial, tendo por alvo precisamente a Presidência, incriminada de esse delito democrático chamado alavancar MFL. As análises de Crespo, certeiras e luminosas, têm o hábito, talvez a vantagem, de serem monodireccionadas. Nem Governo nem Presidência nem Partidos escapam. Porém, cada qual na sua vez: «Já tive a minha dose de problemas com "fontes de Belém". Denunciei-as por estarem a colocar sob anonimato notícias nos jornais que depois não confirmavam oficialmente, criando embaraços aos editores mais crédulos. O chefe da Casa Civil, Nunes Liberato, brindou-me com uma queixa aos meus empregadores. É distinção que me honra e faz curriculum. Fiquei agora a saber que "as fontes de Belém" estão não só secas de confirmações, mas estão a secar a dignidade informativa à sua volta.» Mário Crespo, JN

MAIS UM VETO ALIJA LIXO DO JIPE

Atabalhoada em tudo, nada supera esta legislatura com as suas leis a martelo, os seus índices a martelo, as suas estatísticas a martelo, os seus "resultados melhorados" na Educação graças à marreta bruta do tripé burocrático ministerial e ao martelo estúpido de todas as suas violências. Que o legislador imponha aspectos de equiparação jurídica da união de facto ao casamento, como sucessões e outras, não lembra ao diabo. Por alguma razão se opta pela união de facto, para conservar fora de obrigação da lei os aspectos vinculativos que o casamento consagra no plano da transmissão dos bens, por exemplo. Perante um jipe carregado de lixo, todos os vetos de Cavaco que vierem só podem vir por bem: «O Presidente da República vetou a nova lei das uniões de facto, considerando "inoportuno" que em final de legislatura se façam alterações de fundo à actual lei. Cavaco Silva defende, no entanto, na mensagem que envia à Assembleia da República a explicar o veto que são necessários um “aperfeiçoamento do regime jurídico das uniões de facto” e uma "discussão com profundidade" sobre a matéria.»

SUPERFUTE. INFRAVEIGA

Quem ou o quê tramou José Veiga? Rios de dinheiro Figo/Zidane/Jardel/JVP. Marché Libré. Aura de sucesso. Transferências milionárias Figo/Zidane/Jardel/JVP. Colagem ao Benfica. Colapso completo. Descrédito. Banca em cima. Processos. Polícia. Até que ponto o domínio deficitário da Língua Portuguesa atrapalha os negócios? Mais mistérios que certezas: «Além de suspeitar de desvio de cinco milhões de euros, a PJ também interrogou José Veiga no âmbito de outras investigações relacionadas com a actividade da Superfute.»

TANDRAGEE ROAD, NEWRY

Verão. Morrem em Espanha. Morrem em França. Morrem na Irlanda do Norte. São fatalidades rodoviárias de mais para não caracterizarem algum traço específico de um povo com algum tipo de problema, para além do facto de habitualmente se transfigurar atrás de um volante. Ansiedade. Euforia. Azar. Tempo de crise e dissolvência! Muito mais que um mistério: «Quatro homens portugeses morreram ontem na Irlanda do Norte quando o carro em que seguiam colidiu com um camião em County Down, disse à agência Lusa fonte do Governo português.»

domingo, agosto 23, 2009

EDMOND (BURKE), O FILME


Já tinha ouvido falar, mas nunca vira nada do filme Edmond. Como dizem os críticos, um filme amado ou odiado, mas nunca esquecível. Muito mais que um texto intenso e perifrástico sobre a omosessualità, Edmond é uma agressão perturbadora à arrumação burguesa vigente, ao esquema social que determina a desaparição do Eu-Autêntico para em seu lugar emergir o mais disforme sucedâneo obediente e previamente morto antes de sentir ter alguma vez vivido. Viver para quê? Trabalhar para quê? Para enriquecer absurdamente alguém, cada vez mais rico, cada vez mais oprimente na demanda insana por mais riqueza a partir do escalpe alheio? Teremos de nos conformar à objectualização do indivíduo, num eficiente circulo vicioso de explorados e exploradores? O que é, afinal, viver?: «Una veggente svela a Edmond Burke, anonimo impiegato sulla quarantina, che la sua vita ha preso una direzione sbagliata. Quest'affermazione lo sconvolge: forse che il destino ha in serbo per lui una vita diversa da quella medio-borghese a cui è abituato da sempre? La sera, compie il passo decisivo: lascia la moglie dichiarando freddamente di non amarla più ed esce di casa immergendosi nell'ignoto. Erra per i quartieri malfamati, scopre per la prima volta il mercato del sesso, ma, nella sua ingenuità, non ha afferrato di essersi avventurato in un mondo di cui ignora le regole e da cui non ne uscirà indenne. Le sue regole non coincidono con quel mondo che si era immaginato ed erra alla ricerca di qualcosa che pensa di aver trovato in una cameriera. Dopo una notte passata con lei vorrebbe trovare un senso alla vita insieme ma cade in un atto inctrollato che porta all'omicidio della ragazza. Per lui non resta che la prigione dove viene sodomizzato dal compagno di cella. Dopo parecchi anni si scopre un Edmond diverso, più cosciente del senso della vita, che scopre con il suo compagno di cella una dimensione e una sessualità diversa.» Wikipedia

PRODIGIOSOS ORGASMOS TELEPONTO

A Gritaria Socratesiana regressou em todo o seu fulgor baço, na Ilha Malagueta. O homem passa-se e entra no seu momento Zen-Nirvana diante do próprio cuspe que lhe salta para o teleponto arrumadinho. Sobe-lhe um fogo pelo corpo e verbera o insulto de que se diz alvo. Este PS corcunda, disforme, iniciou uma espécie de fase nova chamada Inversão do ónus da Propaganda. Não é à toa que o Ainda-PM esteve, está e estará, sob fogo intenso da parte dos seus adversários políticos, mas também de amplas vozes livres emanadas da sociedade civil, sociedade, recorde-se, mal-tratada e insultada, na sua inteligência e nas suas aspirações, pelas Mentiras de este PS. Uma esmagadora maioria de opinadores livres, sem dívidas nem favores ao Ainda-Poder Político Socratesiano, expressa livremente o seu repúdio por tudo o que representaram quatro anos e meio de fortíssima negligência/dormência cultural, de inaudita violência sobre sectores profissionais, de conivência inédita com as MegaEmpresas responsáveis por saques do mais derrapante-reles continuado ao Erário Público. O pior insulto e o sinal da mais reles fraqueza é dar pancada nos pequenos e nos fracos, coisa em que o Agora Grande Vítima Choramingante foi pródigo e reincidente. Aliou-se aos Poderosos. Jogou o jogo pífio do controlo dos Media com patorra brutóide, domesticando a RTP para lá de todos os limites. Prescindiu do bom senso e da flexibilidade que matura as melhores decisões. Prescindiu do contributo das mais diversas correntes de opinião para formular as sínteses e as participações mais fecundas do máximo de cidadãos nas causas de interesse comum. Ignorou que não éramos supostos ser persuadidos pelo Pavor, mas rendidos pela Razão. Navegou cego, surdo, mas peixeiresco, todos os sofismas e ideias pré-fabricadas, impostas à sociedade com a mais estulta violência e a vaidade mais extrema. Sócrates falhou de um modo grotesco e grosseiro. Merece uma estrondosa derrota proverbial, que ressoe pelo Mundo inteiro, pela qual nunca mais se insulte Portugal, nem a inteligência dos Portugueses. Pela qual, sobretudo, nunca mais se governe com Palavras de Esquerda e Actos de UltraDireita Selvática, Sôfrega, Desumana: «O secretário-geral do PS, José Sócrates, afirmou hoje, na sua primeira presença na Festa da Liberdade dos socialistas madeirenses, que "o insulto degrada a democracia e a liberdade e é uma arma dos fracos".»

CONTRA O COMBATE POLÍTICO ASSÉPTICO

Provavelmente, todas as campanhas anteriores foram demasiado moles, previsíveis, entorpecedoras, conduzidas arrebanhadamente por Media sonolentos fora do concurso corrosivo e autopsiador de caracteres e políticas que os blogues hoje operam. Discutir tudo, falar de tudo, pôr tudo em causa é algo que os facciosismos clubísticos nacionais não permitem, mas os blogues livres perpetram, quer se queira quer não, goste-se ou não. Nada mais fecundo senão acabar com os escrúpulos e constragimentos de uma sociedade infectada de correcção e amedrontada pelas influências tentaculares do Poder económico dentro do Poder Político. Disse MFL, e é verdade, o clima de retaliação é uma novidade e um traço do XVII Governo Constitucional. Se se pessoaliza a crítica política é por puro escape resultante de esse estrangulamento democrático sentido pelas pelas pessoas. Não percebo como JPP não compreende isto de tão elementar: «Os políticos têm também muita culpa. O tom do populismo agressivo tem crescido por sua responsabilidade nos últimos anos e partidos como o PP e o BE capitalizam com os excessos pretendendo ao mesmo tempo ficar “fora do sistema”. A personalidade muito especial do Primeiro-ministro e o rastro de conflitos que deixou atrás de si, sem praticamente nenhuma reforma sólida, também semeia muita intolerância. O facto dos portugueses estarem cansados, sem esperança e sem qualquer ilusão sobre os maus tempos que estão e vão passar, cria também um pano de fundo de radicalismo que se volta contra os políticos e a democracia. A questão está em como compatibilizar uma campanha que não conheça tabus, naquilo que é fundamental julgar - o que também inclui assuntos tão espinhosos como o BPN ou o Freeport nas matérias que são do domínio estritamente político e só nisso, - com a capacidade de manter os limites da pessoalização e da agressividade. Vai ser difícil encontrar este equilíbrio, porque está muita coisa em jogo e o resultado está em aberto, sem vencedor antecipado.» José Pacheco Pereira, Abrupto

PORTAS, FARPAS E ESTOCADAS

Continuo a achar democraticamente horrendo que não haja debates a dois envolvendo os demais partidos entre si. É uma perda não ocorrer um frente-a-frente Portas-Sócrates, Portas-Manuela, Louçã-Sócrates, Jerónimo-Manuela, Louçã-Portas, Jerónimo-Portas, Jerónimo-Sócrates. Muitas das estocadas e farpas democráticas de que a ganadaria Este-PS precisa acomodar no lombo só podem ser dadas olhos nos olhos, cara a cara. A democracia deveria impor friamente debates amplos e vivos e nunca deixar ao critério todo-poderoso do Ainda-PM ditar as regras do jogo. Isso é somente a confirmação da farsa democrática portuguesa e do peso bruto paquidérmico e, sim, crasso, do Ainda-Governo, coisa torta e brutal. Só de pensar na inutilidade e dependência governamental da ERC ou mesmo da Autoridade da Concorrência, compreendo de que pluralismo nulo e lógicas estragulatórias se vive em Portugal: «“Nunca se tinha visto na nossa democracia um primeiro-ministro tão desconhecedor da realidade, tão insensível às dificuldades e tão inconsciente dos factos da vida como eles realmente são”, disse Paulo Portas em Aveiro, no comício de ‘reentré’ política do CDS/PP. [...] questionou, referindo-se ao que chefe do executivo, se já nasceu um primeiro-ministro com responsabilidades no aumento de “todos” os impostos, nos crescentes números do desemprego e falências de empresas, na desmotivação dos professores, empobrecimento do país, entre outros “erros”.»

2010, ANO GLORIOSO DO SPORTING

Do ponto de vista do mais elementar realismo desportivo, o Sporting é a única equipa grande a viver dentro das suas possibilidades e isso terá de ser levado em linha de conta todas as vezes, não para minimizar, mas para relevar o potencial leonino, que é enorme e precisa ser provado. Todos os jogadores do Sporting estão obrigados a transcender-se e a encontrar o seu caminho de coesão determinada. Este terá de ser o ano de Vukčević e Moutinho, o ano de Veloso e Caicedo. A equipa de Braga tem experiência e mérito. Soube explorar o quanto o acesso à Liga dos Campeões estava na cabeça dos adversários. A Liga está fresca, nada é decisivo. O Benfica está nervoso. O FCPorto está nervoso. Competir é um teste continuado à vontade mais férrea que depois as pernas de carne mal acompanham: «Estrategicamente tapada ficou a enorme tarja que uma claque leonina exibiu instantes antes do início do encontro: “2.º lugar não é opção, queremos o Sporting campeão!”.»

MOITA FLORES, ESTRELA DA TV E CIRCO

O oportunismo arrivista, vendilhão, venal, do papagueador bem-falante da SIC está finalmente às escancaras. Politicamente promíscuo, amante do PSD, mas vítima de pedofilia política por parte do PS, esta estrela do comentário televisivo e dos guiões romanescos com que bocejamos, fornece amplos argumentos para ser devidamente dejectada das ementas fabulosas do Poder Autárquico, pela via popular do voto. Não se entrega assim o ouro ao bandido, logo diante da nossa cara de parvos opressos de mil e uma maneiras. Os intelectuais e fala-baratos, todos eles têm um preço, e arrojam-se a leilão por quem os souber arrematar. Pensei que só a extrema e absoluta nobreza de carácter, de procedimentos, de feitos e atitudes mereceria tal dourado benefício e áureo reconhecimento. Pensei mal: «A Câmara Municipal de Santarém vai atribuir a medalha de ouro da cidade ao primeiro-ministro, quando este assinar o protocolo que passa o convento de S. Francisco para a posse da autarquia. Moita Flores, eleito pelo PSD, mas que admite votar PS nas legislativas, diz que a condecoração foi decidida há meses.»

ÂNUS SENSÍVEL NA ILHA MALAGUETA

Não é necessário muito esforço para compreender qual será a sensação política socratesiana de circular e fazer chinfrim na Ilha de Jardim. Com toda a sua exuberância política hiperbólica, semi-tropical e carnavalesca, as palavras de Jardim demolem Lisboa. A Ilha está revestida, graças a Jardim, da Malagueta insubmissa e directa dos antigos Momos Cortesãos, na sua liberdade contundente cara a cara com poderosos. Democracia é isto e é também a ironia subjacente à "festa da liberdade" logo num partido impositivo e passento a corruptos e a ajustes directos de valores mirabolantes, logo numa Ilha que não troca o seu líder carismático de décadas por Flor de Estufa nenhuma: «O secretário-geral do PS, José Sócrates, em final de mandato, arranjou este ano espaço na agenda para estar pela primeira vez na "Festa da Liberdade" dos socialistas madeirenses, que se realiza hoje, na Fonte do Bispo.»

PREFIRO SANTANA, MEU AMOR, À TRETA

O erro maior de uma vida foi aceitar uma sucessão sem votação, à frente do Governo de Portugal. Durão Barroso, pela primeira vez na nossa história "moderna", mercenarizou a função de Primeiro-Ministro, depois do seu «Juro cumprir com lealdade as funções que me são confiadas...» na verdade equivalente a «Juro cumprir como quem jura comprar um pacote de batatas fritas». Hoje, na função honorária de PCE, Barroso é o títere perfeito de Merkel, Brown e Sarkozy e Santana, na batalha por Lisboa, é afinal [com a sua tenacidade, resistente mesmo ao assassinato de carácter telecomandado pelas figuras pardas do Regime] o Anti-Sócrates perfeito porque ser genuíno, autêntico, falível. Os intelectuais podem preferir quem os compre mesmo se artificiosos tiranos, exactos, torcionários encapotados, ávidos de controlo e de poder, ignorantes e brutos, como Sócrates, que agora arma-se em inofensivo como um Canário. Fosse eu lisboeta e perferiria Santana, meu amor, à treta: «Foi-me dito que, se não aceitasse, Durão Barroso não iria para Bruxelas.»