sexta-feira, outubro 31, 2008

MANIFS TARDIAS EM TEMPOS KAFKIANOS


A parte ultimamente mais delapidada dentro do Ensino,
delapidada no corpo e no espírito, lapidada, portanto, na sua dignidade primordial,
prepara-se, pois, para mais uma manif. O edifício feito de vento,
mero labirinto e mera compressão gratuitos, máquina kafkiana de erodir gente,
estrutura que foi montada para cercar a classe docente de todos os factos consumados,
num ímpeto mais moralóide que moralizador, além de estar a ruir fragorosamente,
a despegar-se e a desfazer-se como um barracão mal gizado,
está a averbar uma massa consciente de cansaços e de rebeliões,
só não sabemos se consistentes, duradouros ou sequer consequentes.
Portugal é Portugal. Itália é a Itália, onde, por muitíssimo menos, pára tudo.
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Num país normal, normalizado e dentro de uma norma básica de gratidão
por décadas de sucessos e de milagres humanizadores do seu tecido social,
toda a gente se levantaria contra a eleição da docência como o cerne
de todos os males, quando a génese de esses males é tão profunda,
basicamente económica, se por economia entendermos
uma forma de aceder ou não aceder aos profusos bens culturais
e às competências de descodificação e capacitação correlatas.
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Mas no momento em que se pratica a simbolização do professor irrisório,
remetido ao estatuto de amanuense, rebaixado perante o portátil e as transições obrigatórias,
eleito para o desrespeito e a violência como atmosfera natural entre a população,
no momento em que se consumou a multiplicação dos peixes e dos pães,
com resultados de exames ridiculamente roçando o mais parolo facilitismo milagreiro
para lisongear a estatística e branquear a vergonhosa realidade afinal complexa,
tarde, portanto, nesse mesmo momento parecia ironia laborarem os vários movimentos e sindicatos em desacordo pelo cagarrinhoso motivo de uma data definitiva e unitária
que envolvesse e englobasse toda a classe na expressão de profundo descontentamento.
ljlj
Só isto é sintomático do estado infernal, babélico, labiríntico, kafkiano,
em que jaz a parte e o todo do Ensino, porque assim o enterraram
luminárias-Valter e Torquemadas-Lurdes, com seu péssimo uso da língua portuguesa
e o ainda mais péssimo manejo de conceitos modernos, tais como negociação,
multilateralismo, convergência, sinergia, bom-senso, sobretudo este.
Porque este povo português e docente só se toca in extremis,
quando está mesmo, mesmo, a acabar de ser comido,
é difícil determinar com que músculo e com que unidade
se soltará do colete de forças em que o querem endoidecer e assassinar
da mais crassa irrelevância sapiencial. Tais processos,
que nos trouxeram até ao ponto presente, enquadram-se no plano da
mais pura e intrincada psicopatologia.
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O certo é que nunca imaginei poder ser tão real para os professores portugueses
o que Kafka concretiza na densa provocação dos seus artefactos literários,
nos quais as personalidades são por vezes representadas metaforicamente
por animais ou com eles se assemelham [no conto A Metamorfose
a personagem principal é uma barata, insecto em que um caixeiro-viajante
se encontra transformado, ao acordar, depois de uma noite de sono],
e não se trata aí de um pesadelo ou de uma alucinação, mas, sim, de um facto social,
de tal maneira que o cidadão Sanza deixou de ser gente
e agora não passa de um espezinhável insecto.
ljj
Não é preciso um doutoramento ou grandes habilidades em exegése literária
para descodificar suficientemente o por que quereria Kafka enfatizar,
dentro de um contexto não mais que singelamente social,
o facto de um ser humano poder, de um momento para outro,
metamorfosear-se numa barata. Por vezes, a literatura prenuncia
e antecipa as loucuras futuras e os loucos do futuro,
mesmo sem os preconizar. Mas também as vítimas
e a sua trágica passividade!

PORQUE A HERANÇA DE BUSH


... É esta e é pesada, liebevoll aber nicht liebeswut Blonde.
Tudo o que nos re-encante de esperança e ainda que ilusoriamente
se esforce por representar a actualização de um expresso desejo
de rehumanização da política devolvida às gentes por elas envolvida e reinvestida,
a nós, cidadãos participantes do tal império informal, é coisa mais que bem-vinda.
lkj
Quanto aos sinais geradores de apreensão sobre Obama,
o que de dúbio e recorrente o enquadra e muito bem elencas,
caríssimo Tarantino-Ferreira-Pinto, há uma nota que anteporei a tudo o mais:
se a governação de uma empresa, de um blogue colectivo, de uma administração complexa,
como a norte-americana, puder ser sonhável como um feixe de sinergias,
como um espaço com o qual minimamente as pessoas comuns possam identificar-se,
considero bem empregues todos os recursos publicitários ou outros
que permitam seja eleito o homem que tal concita. A nossa própria anomia
é a arma passiva com que todos os pseudo-engenheiros do progresso
nos vão matando, arbitrando contra nós
para atender aos interesses egoístas de tão poucos.
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McCain e Palin é que não, pelo amor de Deus.
O homem dos bracinhos-lobster-lagosta e a mulher da prótese ocular, plástica barbie,
no lado lunar e histérico do religioso, representam ambos uma perspectiva desagradável,
sobretudo a senhora, que me semelha um perigoso e verdadeiro donwngrade em feminino
de este famigerado worse president ever the hilarious dancing Bush,
alguém de quem nos estamos a despedir sem saudade e sem pena.

quinta-feira, outubro 30, 2008

SALÁRIO MÍNIMO, HALLOWEEN O ANO INTEIRO


Li, absolutamente concorde, este editorial transcrito do Público pelo Eduardo
e não se pode estar mais de acordo com o que Manuel Carvalho escreve.
A sensação, porém, que se tem é que estas coisas são artificialmente atrasadas,
deixadas para momentos cada vez mais irrisórios de ulteriores e, urgentes que sejam,
armadilham na nossa psíque a percepção de um passe só oportunístico.
Era necessário ter como meta redignificar todos os anos a vida remuneratória
de quem trabalha e por isso mesmo dar novos passos de justiça salarial,
caso contrário trabalhar em Portugal continuará a ser o lado pavoroso
de um Halloween desesperante o ano inteiro.

MANIFESTO CONTRA A IDEIA ERRÓNEA DE EU NÃO SER FELIZ


Vêm amistosamente dizer-me que eu sou uma seca no meu blogue
porque enquanto com uma mão sirvo exclusivamente política até ao vómito,
com a outra peço moedas virtuais. Porque entretenho mal quem passa e lê.
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E eu, que considero o meu verbo um sofisticado anzol verbal
altamente irresistível ao paladar da inteligência, por momentos até baqueio e,
emurchecido, até solavanco que não, que tenho tido muita poesia e literatura original
antes de arrancar a fazer o que me dá impopularmente na real gana.
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Nada. Insistem que não. Que nada mais faço ultimamente
que arrojar-me ao chão virtual, expondo as chagas,
os desempregos e as desgraças particulares,
que me exponho ao regozijo gozoso dos viciados
em só os outros terem cancro e acidentes gravíssimos,
desgraças e tragédias e eles não, cultivando o «tenham pena de mim, coitadinho»,
acusando-me de praticar um sofisticado ser pedinte
e assim me fazer abjecto membro de essas hordas de manetas,
de malformados, de cegos musicais, de estropiados que anacronicamente
ainda ousam postar-se nas esquinas indiferentes das nossas cidades,
igual àquele que também cheira mal dos pés,
igual ao que também cheira mal do entrepernas,
igual àquele cujo hálito sulfúreo e cujos dentes acidentários
repelem a um metro de distância,
igual ao que não têm uma perna nos cruzamentos semaforizados e,
agarrado a uma bicicleta-muleta e a uma muleta-muleta
canadianamente estende a mãozinha bolorenta e vazia e pede algo,
saltitando ao pé-coxinho, a cada automobilista impaciente,
e que assim também me irmano corrompidamente com esses romenos fajutos
que limpam os vidros dos nossos carros sem que lhes tenhamos pedido nada,
ou nos atiram papéis pelo vidro entreaberto adentro e depois retornam pela moeda que não vai,
e que assim me torno parente dos ciganos que, sem duches recentes,
arrastam três ou quatro filhos pela mão
enquanto estendem a outra mão suja oportunistica e lamuriante
à dona de casa pedantolas que se esgueira para o seu Audi à porta dos Lidl
e Modelo e Pingo-Doce do grande centro comercial chamado Portugal.
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Não contesto. Assim é. Mas é preciso ser natural em tudo isto e aceitar ser pedinte,
mas um pedinte corrosivo e chocante, líder de uma irmandade efectiva e digna de pedintes,
um pedinte novo, sem pena de si no maior momento de lucidez
da sua vida debaixo da ponte virtual de não acreditar em mais nada
do que lhe venham dizer. Defendo esse salto tecnológico, leitor benévolo.
Vou até mais longe: temos de aprender a ser pedintes uns dos outros,
se não queremos que tudo soçobre em breve para todos.
O que nos salva é encararmos a realidade: a economia de mercado
não funciona para as hordas de africanos que aportam nas costas italianas e nas Canárias.
A cupidez da economia de mercado tem sido genocida e tecnocrática consigo e comigo,
benévolo leitor, para quê iludir-se que, graças à sua laboriosa capacidade de trabalho,
escapará de um conjuntural pontapé no cu? Capacite-se que terá de aprender a pedir.
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E é preciso muita literatura e muita ousada poesia para dizer que a vossa crosta
percepcional está a chegar aos limites sem de isso se dar conta.
Também não quiseram saber quando Noé ou Jonas esbracejavam
da iminência da catástrofe que mais tarde, sobrevinda, engoliu milhares
numa morte natural por causas naturais graças às forças da natureza.
Ou por desastre natural ou pelo grande desastre da cupidez,
muitos serão tragados com o seu optimismo e a sua alegre estabilidade mental
para estas coisas trágicas que por vezes acontecem num século.
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Agora não me venham dizer que não sou feliz, que não tenho paladar na minha vida,
que isto do blogue está uma chatice temática, que entretenho mal os blogo-leitores,
que a minha verve vai pesada e ronceira. É falso. Tresando a alegria de viver.
Cheiro efectivamente mal de tanto after shave-felicidade
com que me borrifo todos os dias.
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A minha literatura militar de um residual anarca-templário está disseminada
na minha criatura PALAVROSSAVRVS REX, mas não está aqui
para concitar o aplauso das maiorias absolutas, que são estúpidas,
ou a aclamação dos césares, que é efémera. Esta minha literatura, que é vital e feliz,
da literatura mais sangrada que se tem escrito no século XXI, está aqui é para ser
pedincholasmente reconhecida e valorada num tempo qualquer depois de morto o poeta,
mesmo que o poeta viva ainda. É uma coisa, a poesia, que desde os tempos imemoriais,
foi feita para foder as convenções e encantar de tusas novas as cortes e os cortesãos,
foi feita para mais tarde democratizar e descrever as fodas que os oprimidos levavam
nas minas, nos campos, nas fábricas, nas hostes bélicas,
sob as monarquias antigas e depois sob as repúblicas-réplicas
arvoradas em coisa diferente perfeitamente igual no cerne estratificador da espécie humana,
e descrevê-las com sabor e novidade Dickens, Chesterton, Amado, Aquilino,
com capacidade de perfuração-Saramago, e alcance útero-Steiner, boa para depois
contrastivamente queimar, nas noites muito frias, as páginas auto-deslumbratórias
do José Rodrigues dos Santos e das escritoras de merda da moda,
e assim aquecer as mãos e o corpo, já que as entranhas frias dele, calor,
carecem de Unamuno e sofrem de sede
por um José Cardoso Pires ou por um Umberto Eco.
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Em suma, o artista é pedinte. A sua dignidade está toda aí.
Artista sem miséria adjacente não é artista, é um jovem plumitivo sem nada para dizer
mas que se roça por cunha e por apoio a um excelentíssimo imprimatur Eduardo Pitta
ou a outros estatutados e estutários todos eles excelentíssimos,
dentro da grande e naturalíssima traficância de favores
na República das Letras Portuguesas,
esse planeta extraterrestre excelentíssimo
de mal-fodidos e ainda mais de mal-lidos.
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Em suma, provoquem-me. Dêem-me moedas. Chamem-me nomes.
Mostrem-se compassivos comigo e chamem-me à razão. Peguem-me na mão,
intentem internar-me num reformatório de pedintes, de loucos e de artistas,
que com quadruplicado gosto vos resistirei e mostrarei que ainda não viram nada
em matéria de seca, de mono-assuntismo, de oposição primária por exemplo
a essa coisa-corja pegajosa e intratável que é a política. Sou escritor. Sou artista.
Se tentarem reformar-me ou compreender-me, a maldição do real devorar-vos-á.
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Não há, nunca houve, mais vida além da literatura nem mais vida
além do défice de cidadania e do sentido crítico. É quimérico tentarem
domesticar-me a natureza pedinte, feliz e artística ou ainda linearizarem-me
a natureza ao mesmo tempo que afirmam não o pretender fazer.
Os meus antepassados foram mortos para existirem melhor agora.
Como poderia escapar eu a um semelhante destino feliz e luminoso?!

BALANÇO DO DIRECTÓRIO SOCRATINO SEGUNDO M. FRASQUILHO


Esta tabela de comparativa dos desempenhos económicos entre os anos 2004 e 2008,
de Miguel Fraquilho, enfrasca qualquer balanço risonho de quem quer que seja
do que tem sido o consulado socratino-ferreira-dos-santinhos.
É de estarrecer, considerando sobretudo as parcelas
Endividamento da Economia 2008: 90.0%;
Endividamento das Famílias 2008: 91.0%;
Endividamento das empresas 2008: 114.0%.
No resto, as oscilações são sempre gravosas e com agravantes,
tanto mais que foram estes anos, anos de uma impiedosa fiscalidade,
de cortes impiedosos em tudo o que mexia. Afinal, o que é que se passa?
Quem anda a engordar à conta do Estado e a deixar-nos a todos raquíticos e paralisados?
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Bem podemos começar a chorar babilonicamente.
Já agora, vai uma boa depressão?!
Depois fiquem repugnados, meus caros hipócritas,
que alguém precursoramente se assuma como Pedinte Virtual e estenda
a mão internética pelos vossos trocos e pelas vossas sobras?
Não abram os olhinhos crédulos, não.

ESTE FEDOR A REVOLUÇÃO


Não sei que tipo de inépcia desajeitada e ingénua
encheu de febre os pseudo-reformadores do sector público,
os quais, ao mesmo tempo que vêm retirando o tapete de certos direitos sagrados
a variados sectores estruturadores da coesão e da organização do Estado,
promovendo a banalização e o mal-estar junto de militares, de professores, de médicos,
por exemplo, vêm também deixando abusivamente intacta a Arte de Sugá-lo [o mesmo Estado]
nesses cargos de nomeação política; deixam intocável o despesismo com espectáculo oco,
deixam por reformar, no fundo, os sectores de interesses,
ancorados na teta partidarizante do Estado, e que afinal enchem de podre a economia
e putrefacto um sentido de justiça transversal coisa aliás para que, parece,
um dia se fez uma revolução.
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Por isso mesmo não se podem estranhar estes avisos
de que Fede uma outra Iminente Revolução em Portugal, fermentando entre militares,
desta vez accionável por desesperos dispostos a tudo e pouco harmonizáveis
com a paneleirice graças-a-Deus-pacífica-e-pachorrenta
do último Reviralho no Regime, do Estado Novo
para este simulacro de democracia pós-aprilina.
(Clicar no documento para ler melhor)

A NOSSA DESCONFIANÇA DESCONFIADA


Portugal está a suster a respiração como, de resto, o resto do mundo.
Gastar? Só se for em géneros: pão, leite, fruta, vegetais. Tudo estimula à retracção.
Tudo sugere a contracção. Todos os recordes de desconfiança, suspense e expectativa
serão sucessivamente batidos nos próximos tempos, tempos da história do avó,
do neto e do burro, tempos de ser preso por ter cão e por não ter.
O cartoon ilustra bem a génese de tudo isto.

MFL NA SIC-N E OS ENTREVISTADORES GAIATOS


Ontem, na SIC-N, entrevistada pelo Gomes Ferreira
e por outro moço da economia e do jornalismo de cujo nome não me lembro agora,
foi penoso ver o modo como aqueles literalmente rapaziaram Manuela,
isto é, foram insolentes, foram de uma agressividade exactamente oposta
à dos cromos sem colhões que têm, vez após vez, entrevistado Sócrates.
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Para quem, como eu, até nutria uma certa benevolência para com o Gomes Ferreira
e uma certa impaciência com MFL, tudo se me inverteu: tive pena, sincera pena de MFL
que se debateu com uma entrega e uma pureza raras pelos seus pontos de vista
sempre mal explicados e comunicados primeiramente
a convenções minoritárias de elites económicas, sociais ou intelectuais.
Tive repugnância pelo modo gaiato com que o Gomes Ferreira da SIC-N
e o outro conduziram a coisa, com aquela nada reverencial forma de interromper,
de questionar, de impertigar a pergunta.
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Aquela mulher não pertence efectivamente a este Mundo de cínicos
e de cegos obstinados e levar tudo para o Inferno com um sorriso irresponsável
e convincente de perpétua campanha no rosto.

quarta-feira, outubro 29, 2008

A GLORIOSA FISCOCRACIA PORTUGUESA



O Estado-PS não tem feito a coisa por menos.
Escolheu marrar-nos a nós e à economia. Depois é só puxar pelos cordelinhos
da informação, manipulá-la e minimizar-lhe os danos e fica o cozinhado
do chouriço orçamental pronto a servir numa baixela de chavão e treta.
O Povo fica por baixo a aguentar a selvática investida:
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«Contra o que diariamente vem afirmando, a política orçamental do Governo tem sido a de aumentar a despesa pública e de aumentar os impostos, com impacto visivelmente negativo na economia. Uma política errada. No entanto, o Governo poderia justificá-la como uma forma de redistribuição de rendimentos ou como de aplicação de princípios keynesianos em situação de crise. Mas, não só não o faz, como ainda assume publicamente e insiste em declarar o contrário, isto é, que vem diminuindo a despesa e os impostos. Acontece que são os números oficiais retirados do próprio Orçamento do Estado os primeiros a desmentir o Governo. Vejamos o que respeita aos Impostos:
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1. Os impostos, incluindo segurança social, aumentaram, em 2005, 3,4 mil milhões de euros, em 2006, 3,4 mil milhões de euros, em 2007, 4,1 mil milhões de euros, em 2008 a estimativa de aumento é de 2 mil milhões de euros, e em 2009 a previsão de aumento é de 3 mil milhões de euros.
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2. Para além de um aumento nominal, trata-se de um aumento real. Em percentagem, os aumentos foram os seguintes: 6,7%, em 2005; 6,2%, em 2006, o dobro da inflação de 3,1%; 7,2% em 2007, praticamente o triplo da inflação de 2,5%; 3,2%, em 2008, superior à inflação de 2,9%; 4,8%, em 2009, o dobro da inflação prevista de 2,5%.
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3. Para além de um aumento nominal e real, o peso dos impostos subiu sempre em termos do próprio PIB, passando de 34,9% em 2005 para 38,1% em 2009, registando os valores intermédios de 36%, em 2006, 36,7%, em 2007, e 37,5%, em 2007 e 2008.
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Em suma, os Impostos subiram em valor absoluto e nominal, em termos reais, pois bem acima da inflação e aumentaram de peso relativamente ao PIB. Sendo esta verdade tão evidente, não se pode compreender como é que o Governo insiste em mentir de forma tão rasteira, primária e despudorada. Mais do que a política errada, o que confrange é a absoluta falta de carácter do Governo e a mais boçal falta de respeito para com os cidadãos.Veremos em novo post o que acontece com a Despesa.».

QUENTIN TARANTINO'S DEATH PROOF (2007)

Sou fã do cinema quentin-tarantiniano. Gostei do Death Proof e genericamente subscrevo a opinião a seguir transcrita, ainda que aqui e ali algo aparentemente ambígua e gradativamente descrescente ou desconexa com as asserções iniciais:

Author: roko-10 from New Zealand
«Can't see why people dismiss DEATH PROOF as being an inferior product. Heck Quentin Tarantino makes such good cinema that is indelibly stamped with his characteristic signature. I suppose the movie is purely a referential hoot for film buffs and those who have a bent for irresponsible cinema. In-jokes abound, cameo roles. Hey, great to see that mad film maker Eli Roth turn up playing what appears to be his scabrous self. Kurt Russell's evolution from Disney movies to Snake Pliskin and now Stuntman Mike. Stuntman Mike is just a jaded Snake Plisken with some unusual interests. I figure Quentin has intentionally besmershed the genres mixing it all up to produce some pure American grunge. DEATH PROOF is thoroughly enjoyable if you dig trashy movies and let's face it, trashy flicks are great time wasters.They're also great escapes from the hard rigours of life in the 21st century. The version that has been released separately as opposed to the GRINDHOUSE package is far superior. Come on, admit it, Quentin Tarantino makes FUN movies.»

ELECTIONS USA, ELES VOTARÃO COM PAIXÃO


É verdade! Faltam uns pouquitos de dias e, ao que se sabe,
cats and dogs e mesmo desenhos animados, tudo o que existe estará massivamente
pelas mesas de voto a exercer o seu direito que é, ao que se sabe também,
o direito a eleger Barack Obama aclamativamente
como próximo Presidente dos EUA, e tudo isto com o aplauso
e o claro beneplácito do resto do mundo.

VOTAR, VOTAR, VOTAR



Mais razões para, ao fim de trinta anos de falácias, tricas, enganos,
torpezas, obscenidades, subversões políticas, traições à gente de carne e osso,
NUNCA MAIS votar PS
ou PSD.
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Será um voto de protesto.
Será o meu e o de muitos que estão a perceber melhor
como se tem gerido escandalosamente mal o nosso País [deles!]:
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«Imagina tu que, pela leitura do Manuel António Pina, soube que “se os portugueses (os que têm trabalho) ganham pouco mais de metade (55%) do que se ganha na zona euro, os nossos gestores recebem, em média, mais 32,1% que os americanos, mais 22,5% que os franceses, mais 53,5% que os finlandeses e mais 56,5% que os suecos”.»

terça-feira, outubro 28, 2008

NOVOS JUDEUS, NÃO SE UNAM, NÃO!


Estou convencido de que uma maioria silenciosa no País
aplaude vingadamente a forma como o executivo Sócrates
tem colocado a classe dos professores na ordem.
Como nada mais é ordenado e organizado, como a Justiça e a Economia
se transformaram em prorrogação, no primeiro caso,
e em carga Fiscal abusiva, no segundo, salva-se que os professores,
essa corja de parasitas vampirando os recursos do Estado,
suportem os tratos de polé das razões de queixa gerais da sociedade.
Funcionou perfeitamente que se tivesse transformado o professor
no Grande e Perfeito Bode Expiatório para um povo primário,
dependente da superficialidade, das meias verdades,
dos chouriços formatados na Imprensa e demais Media
comidos afinal à canzana submissa por quem bem sabemos.
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Em Beja, por exemplo, o Conselho Executivo de uma Escola Secundária
demitiu-se em bloco porque a violência e o desrespeito contra professores
superara todos os limites do admissível e do negligenciado pela Tutela:
nada fora feito pelo Ministério, em três anos de instâncias e pedidos.
Consequência de esta mediática demissão?
Imediatamente os bombeiros do Ministério disponibilizaram
pagar a urgente segurança e conter o fogo de tal nefasto mediatismo negativo.
Chama-se a isto colher o que se semeou. Em três anos, a docência nacional
viu-se torpemente desprestigiada, sujeita ao malefício da má-fé geral,
marinou na maldade concorde e justiceira de muitos comentadores,
Pachecos [um poderosíssimo analista insuportável],
Marcelos [um camaleão frenético e pachorrento],
Júdices [um peneirento de dúbia moralidade Frei Tomás],
foi atirada para fórmulas de avaliação kafkianas,
com uma montanha de burocracia papeliana, quando uma Pen serviria,
burocracia obstaculizadora de tudo o mais que o ensino pressupõe,
tornou-se um alvo dos tomates e dos ovos podres, alvo do mais reles desprezivo
que ainda se aninha dormente no que de mais vil o Povo
reservava antigamente aos Judeus. Haverá quem lamente as mortes indirectas
de professores sob esta sanha atabalhoada nunca antes vista
no Portugal fracamente Democrático?!
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O povo é aí autómato. Os professores são malandros, trabalham pouco?,
mensagem posta a circular e a cunhar o estigma? Há que fazer jus ao mote
e dar-lhes a coça, assediá-los com falta de paz, com escusada precaridade,
com a miséria que merecem e que os torna frágeis no bolso, metíveis no bolso,
e depois e por isso mesmo mais maleáveis, servis e timoratos,
o Governo por um lado, o Povo-títere por outro.
Se não aprenderem a bem, aprendem a mal.
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Ora, falo por mim: a mim não me avaliaria nenhum galfarro docente
com cartão obediencial do PS, com menos qualificações e competências que eu,
com menos experiência em ser tratado com um pontapé no cu desmoralizador que eu,
com zero em capacidade de ensinar na liberdade e no cerne do problema
do Ensino em Portugal: a reforma da reforma da reforma da reforma... Da reforma.
Por isso, vamos lá a ver se os Sindicatos e as Organizações Independentes de Professores,
se aprumam, acordes, e acabam os primeiros lá com a brincadeira do jogo duplo,
compensados em géneros pelo Ministério para traírem e exporem
uma espessa maioria e logo por um prato de lentilhas.

FRANKENSTEIN METROSSEXUAL


Tarantino Ferreira-Pinto, não concedas tanto. Usa outro verbo.
Todos os regimes modernos com Democracia no Rótulo, para nos fazerem felizes
e não serem estas bestas atrevidas em que a pouco e pouco
se vão transformando, terão de ser híbridos e articulados no plano económico,
com um pouco de socialismo aqui e uma pitada de liberalismo ali,
o que, para abreviar, daria lugar a uma espécie de boneco amestiçado:
um que aparentaria a tua careca com óculos escuros
encaixada nas pernas esgrouviadas do António.
Isto se corresse bem. Se corresse mal, seria uma morena escultural.
A morena impossível de Manuel Alegre.
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Falando com gente que tentou empreender um negócio legítimo
nos últimos dois anos, todos foram unânimes em reconhecer
que o Estado fodeu com a sua livre iniciativa e a das demais pequenas empresas,
massacrando-a de impostos, barreiras e limites, condenando toda a livre iniciativa
ao mais desesperador e falido malogro. E no entanto, tínhamos por cá
uma práxis estatal marcada pelo deixar correr o marfim, do lado Social, nem sinal,
só o bom trabalho de favorecimento dos grandes empórios:
nada a opor às Mota-Engil, às Martifer e a outras empresas
sustentaculares da megaglobalização portuguesa.
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Enfim, temos uma Democracia Imberbe
e um Estado gerido com incompetência porque entrava por todas as vias
a sobrevivência dos mais pequenos como bom joguete
serviçal somente do peixe graúdo. O resto é paleio plástico-argumentativo
ao serviço da agenda ou do melhor lado do Governo.

AINDA A GRANDE DEVASSA


Um levantamento exaustivo e altamente esclarecedor do problema
pode continuar a ser lido aqui. E dá que pensar. O medo do blogue em abstracto,
medo conducente à manifestação de um de poder pseudo-penetrante e aparentemente eficaz
nas suas pretensões dissuasoras de manifestações demasiado independentes e individuais,
esse mesmo medo perpassa as estruturas do Estado mais despreparadas para o contraditório
e determina muito da sua actuação preventiva e intimidatória sob a histeria aflita
dos seus principais agentes. Vimo-lo grosseiramente contra António Balbino Caldeira
e agora percebêmo-lo muito bem contra o autor principal de O Jumento,
para não falar numa infinidade de funcionários indevida
e despudoradamente molestados no abusivo e intrusivo acesso
ao seu correio electrónico.
lkj
Se em abstracto um blogue concreto pode assim ser alvo de perseguição
e de repressão; se essa demonização comparece e é altamente patrocinada,
sob a forma de medidas extremadas altamente invasivas do foro individual,
temos a temer que no País não trilhemos afinal um caminho
no qual o indivíduo é respeitado, mas sim um caminho em que o indivíduo
é para ser suprimido e sacrificado, longe e fora de uma lógica de transparência,
fora dos princípios da justiça, da democracia, fora do controlo pelos cidadãos
de quantos parecem afinal estar sumamente vocacionados
para normalizar e controlar-aviário a liberdade e cidadania de toda a gente:
lkj
«Acontecimentos como estes só são possíveis numa democracia com trinta anos porque a Administração Pública ainda é gerida por gente pequena e ambiciosa para quem os seus próprios fins justificam os meios, não hesitando em usar os poderes do Estado para protegerem as suas carreiras, para eliminar concorrentes e para criar uma barreira de opacidade que os proteja do escrutínio público. Gente que chegou ao topo do Estado depois de anos de golpes baixos, depois de rastejarem junto de chefes, de lamberem as botas aos políticos ou de aderirem à Opus Dei ou a outras seitas mais ou menos secretas.
[...]
Nasci e cresci numa terra dominada pela PIDE pelo que este tipo de gente não é nova para mim. Mas confesso que tenho mais respeito pelos pides desse tempo do que por estes velhacos, os pides acreditavam no sistema que protegiam, os velhacos de agora não hesitam em recorrer à repressão e ao medo para protegerem os cargos que lhes dão acesso às mordomias de uma democracia cada vez mais doente, uma democracia entregue a gente pequena.»
lkj
in O Jumento

SOFISTICAÇÃO DA DEVASSA E DA BUFARIA?


Começa a não se estranhar nada, ninguém dá por nada,
ninguém barafusta nem sequer se assusta com os excessos invasivos
a que um interesse qualquer, que não olha a meios, parece pronto a deitar mão,
mas o que aqui e aqui se (d)escreve sintomatologiza todo um panorama
realmente grave e preocupante para todos. As malhas de pesca
lançadas sobre as nossas liberdades e garantias
estão cada vez mais apertadas sobre o peixe-miúdo-toda-a-gente.
lkj
Há inúmeros James Bond e outros Agentes Secretos
a operar nos centros de decisão, em Instituições Capitais para o Estado
e a traficar valiosas informações por bom dinheiro?
Há! Mas atropelar a justiça e pôr limites à democracia
não passará também justamente por comissões de penetração
na nossa mais íntima intimidade electrónica?!
E não passará por zelos extrénuos para cuscar o íntimo do íntimo virtual
de cada um para assim, quem sabe?!, finalmente descobrir
qual é mesmo a identidade do Zorro ou do Homem-Aranha
dos blogues (semi)anónimos nacionais?!

segunda-feira, outubro 27, 2008

PANTOMIMANDO, SOFRENDO E SANGRANDO


A vida é cheia de surpresas. O assalto de esticão que testemunhei esta tarde
a uma mulher grávida foi uma surpresa de nojo e angústia.
Outra mulher estudiosa de emboscadas
lhe arrancou a magra mala, andou a grávida de reboleta,
galgou a ladra mesas, cadeiras de esplanada,
derruba e retine um carrinho metálico de mover mercadoria,
o grito de «Ladrão!» ressoando pela avenida,
mulheres gordas esboçando corrida, mas não correndo,
a polícia municipal que passava de popó e teve dois polícias logo ali apeados
a persegui-la a pé, como nos filmes, os seus coletes fosforescentes
dobrando a esquina no encalço da moça baixa, negróide, calças de ganga bem justas,
mais tarde apanhada, vexada, algemada. Ora foda-se, tudo em vão!
lkj
A multa que há dias os zelosos funcionários da Câmara Municial do Porto
novamente me passaram nas imediações da maternidade, agora sem alternativa:
carro rebocado para os quintos do caralho, filha no colo, pelo frio da cidade,
a pé até ao parque de automóveis arrestados, rebocados e apreendidos,
protestos e aflições pela injustiça daquela merda suja e injusta...
Mulher na maternidade em exames.
Cercado de merda, opressão, limites, muros,
impedimentos, pobreza, miséria por todo o lado.
lkj
A vida é feita de surpresas e um botão é uma porta de possibilidades.
Dá quem quer. Quem não quer não dá. Mas sugeriram-me a ideia
e o meu botão de donativos da PayPal está aqui,
nesta posta e ao lado em permanência.
Momo e mimo dos meus próprios textos livres e livres opiniões,
não tenho aqui outro chapéu que estenda à sagrada indiferença
com que em tudo se singra.




ESSA ALERGIA A MENEZES


Não conheço no país fenómeno de aversão equivalente
a este de que padece LFM. Por um público tão genérico
que é como se lhe tivesse alguma vez sentido o jugo num governo ou num ministério.
Por gente dos Media e por uma unanimidade tão crassa de comentadores
que chega a soar a qualquer coisa de estranhíssimo, merecedor de desconfiança.
O homem não pode abrir a boca, como agora, desta vez em entrevista ao Público,
sem que seja coberto de desconsideração e vitupério,
basta ler o cortejo bestial de comentários.
lkj
Ora, não há ninguém que possa ser tão desprovido de valor
e ao mesmo tempo ser tão consensual e balsâmico para uma cidade.
Não há ninguém que possa ser tão errado para um País
e ao mesmo tempo tão certo para uma cidade e uma região
com a função visual e o sentido crítico, ao que se sabe, em bom estado.
lkj
Parece-me, portanto, que uma vez que os jornais e a bloga genericamente coincidem
nos seus juízos desprezivos e destrutivos em relação a este homem,
deve ter efectivamente tudo a ver com aquela velha lógica podre,
decadente e comprável em Portugal, que ancestralmente nos posterga.
lkj
E se os Media não são isentos, se a a grande bloga, interesseira e estomacal,
afinal faz lóbi e tem agenda, como muito bem mo lembrou o meu amigo David Oliveira,
se o Povo leigo desenvolveu um tal conceito negro emprestado e inoculado
em relação àquilo que desconhece,
é muito natural que todos tenhamos chegado todos até aqui
e estejamos bloqueados, como estamos, em quase todos os parâmetros.
lkj
É justamente no paraíso das ideias feitas
e dos interesses estabelecidos que a mediocridade medra.
Os acomodados do grande centrão não estão interessados
em rupturas de qualidade ou experimentalismos administrativos,
nem que, com o presente conformismo normalizado,
geral, paralisante e ganadeiro, mem que com esta triste passividade
de fodidos, nos [con]fodamos mais e mais.

GEBALIS, O GANGUE ALMOÇANTE-JANTANTE


Com um trabalho de inventário a dar-lhe pelas barbas,
ilícitos e crimes em grossas parcelas gastronómicas,
Morgado estará muito ocupada por muito tempo a verificar o requintado bom gosto
de estes ex-administradores [Clara Costa, ex-vogal da Gebalis,
Francisco Ribeiro, ex-presidente da Gebalis, Mário Peças, ex-vogal da Gebalis]
tão pródiga e prodigiosamente almoçantes e jantantes.
Entram assim eles na Glória Rasca e no Reles Anedotário nacionais.

sábado, outubro 25, 2008

RELANCES DE ESTA VIA SACRA


Desta vez, ao passar sobre aquela pequena ponte por baixo da qual
os comboios atravessam a minha terra, estava aquele tal amigo
tentado pelas garrafas de whisky nas vitrinas do meu Pingo Doce,
que retratei no emaranhado de vida subjacente à posta O Estado é um Paquiderme.
Desta vez completamente em tronco nu, ao centro de essa ponte,
encostado ao respectivo pequeno muro de protecção,
voltado para o rio de automóveis que por ali passa todo o santo dia,
incluindo afinal o meu.
lkj
Bojudo, braços espraiados para cada banda,
mãos apoiadas no velho concreto do pequeno parapeito,
perna cruzada pelo tornozelo naquele ângulo de vinte ou quarenta graus estiloso,
traseiro encostado e sobretudo aquelas calças de grávida, bem elásticas e amplas,
bordejando-lhe o ventre gigantescamente desproporcional.
Acenei-lhe [do meu carro, que passava, aquilo parecia uma mensagem cósmica
reverberando ainda a brevidade e loucura do nosso encontro prévio].
E pensei: «O Estado é certamente um Paquiderme para comigo,
mas parecerá talvez um santo delicado
para com aquele pobre moço desaparafusado.»

sexta-feira, outubro 24, 2008

ANA AVOILA É SÓ UMA PAPOILA


António, tudo bem que quando eu oiço a camarada Avoila
a falar em formas de luta todo me arrepio de jurássico cassetiano.
Mas deixa-me que te diga só isto: quando os caramelos de esses gestores
de tudo e mais alguma coisa, investidores no que hoje se revela ter sido e ser tóxico,
virem moralizados os seus proventos, eu também pedirei tento nas reivindicações.
lkj
O facto de estar na merda e fora do taxinho mínimo que o Estado-PS
reserva prodigamente aos seus indefectíveis e apaniguados,
não me retira lucidez para dizer isto e bem mais.
Se puxares por um fio de mim, verás a informação adicional
que descarrego. Irresponsáveis por irresponsáveis,
parece que não foram os colaboradores-trabalhores-escravos modernos,
suplantados na maior parte dos casos pela produtividade das maquinarias,
que engendraram esta crise, mas servem de tapete dos pés
para pagá-la e suportá-la, não é? Deixa a pobre jurassiana Ana Avóila
em sossego a receber por inteiro o seu para representar
a classe oprimida dos vendedores de trabalho.
Não é ela o tubarão-martelo do despesismo e da irrealidade, a coitada.
lkj
Se sistémica e conjunturalmente não é realista falar de aumentos,
concedamos que não é!, então que se veja moral, contenção e comedimento
em todos aqueles sectores que se vêem obscenamente retribuídos.
Ou não será assim?
lkj
Porque, caríssimo Jorge, até é fácil estar de acordo consigo.
Mas mereceria a pena compreender por que motivo está a CGTP
a trilhar um caminho populista, utópico, irrealista,
não será porque se perfilha um cenário retributivo
clamorosamente dual na nossa sociedade? A fraqueza
dos regimes democráticos apanhados pela armadilha da crise
e logo pressurosos a alavancar a Banca expôs de igual modo uma fragilidade moral
que não pode agora ser escamoteada. Havia algo a apodrecer
nas nossas democracias. Uma estrutura produtiva cada vez mais mecanizada,
tecnologicamente autónoma, alijada deslocalizadoramente para o Oriente;
taxas de desemprego por cá acomodaticiamente altas como preço.
jhl
Algo vai mal com este modelo. Não sei por onde se poderá conter
uma bolha de rebelião generalizada nos tempos que se aproximam.
Porque provavelmente perante o que aí se aproxima,
a conversa doutoral sobre economia não escapará
a uma diarreia prolongada e intratável.

MADONA, O ESQUELETO AMOROSO


A disfunção sexual das estrelas
começa a tornar-se um assunto grave e com consequências,
apesar da indelicadeza do desabafo íntimo (do mais intimidatório que há!),
a verdade é que ossos e cartilagens, boa forma e musculos na mulher,
fica provado serem um claro óbice à harmonia conjugal e é por isso que qualquer guy
terá de ir procurar fora a fruta que não encontra dentro,
não vá frustrar-se ainda mais a fazer amor, e rarissimamente!, com um esqueleto
ou então reparar que está abraçado a uma mera conjuntura de sonoras cartilagens:
lkj
«Guy is said to have made repeated pleas claiming that they should spend more time with each other but was turned down by the singer owing to her fixation with her exercising routine. “He got more and more frustrated as she spent nearly half the day working out. Afterwards she’d be too tired to make love,” News of the World quoted a close pal of the couple as saying. “And towards the end Guy wouldn’t be there. He’d get fed up waiting for her and go down the pub with his mates,” the pal added. The close friend further revealed that even when the couple did indulge themselves in acts of passion, Guy reportedly felt he lay with a bunch of bones. The friend said: “After a few drinks one evening Guy said it was like cuddling up to a piece of gristle. “All the soft feminine tones have been replaced by the build of an athlete.”»
lkj

quinta-feira, outubro 23, 2008

ESTA FAUNA QUE NOS FODE



Gorjetas! Boas gorjetas! Como eu sofri por gorjetas,
enquanto penei naquele Pub mau pagador e esmifrado, entre a clientela rica e avara!
E agora elenca-se adiante grossas gorjas entre a lista de gastos
com dinheiros públicos, envergonhando-nos com uma vergonha
que já rareia, tão imoral. Anda a pobre gente sob um jugo cão e eis que responsabilidade,
serviço público e cidadania são assim ridicularizados
por um trio de gestores ou administradores bêbados de si mesmos da Gebalis?!
lkj
Em ano de crise aguda, quer-me parecer que outros fios equivalentes
de intolerável abuso serão puxados, expostos, e é bom que sejam.
Há uma bloga que não dorme, possa embora usar
de uma selectividade político-partidária para engrossar uma ênfase,
consoante uma muito sua agenda de interesses:
lkj
«O prejuízo causado totaliza 200 mil euros, gastos em viagens, refeições (no Gambrinus, Bica do Sapato, Porto de Santa Maria, etc.) e artigos de luxo. Sublinhar que 200 mil euros corresponde a 40% do subsídio anual atribuído pela Câmara de Lisboa à Gebalis. Um dos arguidos comprou duas canetas Mont Blanc, uma no valor de 1700 euros, outra no valor de 990. A única mulher do trio fez quinze viagens ao estrangeiro, num período de 20 meses, gastando nelas 34 mil euros (2267 euros por viagem). O senhor das canetas só fez três, nas quais gastou 6600 euros (2200 cada). O outro fez quatro, tendo gasto 1900 euros nos passeios, o que não deixa de ser um extraordinário exemplo de contenção de despesas. Da acusação consta que eram pródigos em gorjetas nos restaurantes: 25 euros era a média esportulada. Enfim, um fartar vilanagem

O ESTADO É UM PAQUIDERME


A paisagem nacional degrada-se lenta e viscosamente.
Um dos meus vizinhos, um jovem de quarenta e pico,
devido ao facto de ter nascido com uma ligeira desvantagem mental,
transformou-se a pouco e pouco numa figura carismática de bonomia
e ares de circo, físico literal de leão marinho,
comportamento magnânimo de líder de distrital
de um Partido nacional qualquer, estava visivelmente alcoolizado
e falava por ali ainda mais alto e esbracejava como um gerente.
lkj
Embevecido com a filha, uma adolescente com ar
de não ter malbaratado a herança paterna e barafustante com a mulher,
cuja paciência com o monumental homem parecia não ter limites.
Pés quentes à noite? Coices durante o santo dia? Quem sabe?!
Tudo isto esta tarde, na hora do pãozinho,
num Pingo Doce perto de mim, sítio mínimo que me vai consolando.
lkj
«Então, por aqui?». Sujo e muito besuntado de odorosas negligências higiénicas,
o moço foi-me dizendo logo que já tinha na mão o subsídio e que estava ali
a comprar uns aperitivos, umas batatas, umas cervejas.
«Gosto em ver-te. Adeus.» Parti. Ele é que não saía de perto
daquelas garrafas áureas de whisky, muito caras e muito desabridas,
naquela vitrine provocatória e que, por longo tempo,
bem namorou com sorrisos e olhares perdidos como que diante de jóias.
lkj
Invejei-lhe a natureza sem cuidados de maior e a insciência inocente.
Grande é a batalha perdida por dignidade a quem trabalha
e a quem não tem nem sonha trabalho. O Estado é um paquiderme louco à solta
no Zoo agonizante dos egoísmos que o montavam.