Um Sócrates Infiável, esse "humilde" recente, que não enfia uma derrota óbvia, um argumento de valor acrescentado, esse que nem escuta multidões, esse que nem ouve especialistas, nem atende a técnicos a não ser previamente domesticados aos interesses e intenções do Poder, provavelmente também, na sua autossatisfação e na sua manigância de neo-Salazar Democrático, também ignorará o Manifesto Patriótico de 28 Economistas (Luís Campos e Cunha, Daniel Bessa, Augusto Mateus, Eduardo Catroga, Arlindo Cunha, Medina Carreira, Silva Lopes, Mira Amaral, Miguel Beleza, Henrique Neto, Miguel Cadilhe, Sarsfield Cabral, Vitor Bento, João Duque, João Salgueiro e Rui Moreira, entre outros) contra o avanço desmesurado de certo tipo devastador de investimento público, pois, como escrevem, «Os desequilíbrios estruturais que atingem a economia portuguesa, que têm vindo a piorar na última década, e que se agravaram com a actual crise económica mundial, não são compatíveis com “a insistência em investimentos públicos de baixa ou nula rentabilidade, e com fraca criação de emprego em Portugal”.». As políticas de um homem só, além de anacrónicas, estão condenadas na sociedade interpenetrada da informação e da partilha do conhecimento. Mais guardiães de privilégios e das suas próprias saídas futuras profissionais de luxo [para a MotaEngil ou para a Martifer agigantada pela protecção diligente e o favorecimento sistemático de este Governo, o que é bom e mau] que verdadeiros gestores da coisa pública, estes governamentais e os que os antecederam não aprendem absolutamente nada. Passam de predadores a humildes, mudam a forma. Conservam os vícios de conteúdo. Não têm emenda. É bom que se perceba que, para além das histórias que o nervoso Ricardo Costa conte nas suas intervenções soliloquiais extensivas com convidados na SICN, a situação das contas públicas é desastrosa e não vale a pena mentir dizendo que estão em ordem ou foram postas na ordem. Não foram. Estão pior que nunca. Portugal não é o brinquedo de bolso do sr. Sócrates. Portugal não um pechisbeque que se empurre com a barriga e improvise como uma licenciatura na Independente, há que lembrá-lo. Supostamente, isso de colocar as contas públicas em ordem foi o que Salazar terá feito algures no primeiro quartel do século XX, antes de se considerar danosamente providencial. Travar as autoestradas redundantes ao serviço do lóbi do betão e do asfalto. Há argumentos, contexto, razões sólidas para travar o desbragamento betoneiro. Há outras prioridades humanas. Há cidades para requalificar. Pense-se nos portugueses. Veja-se a que desesperos novos, novas emigrações massivas, se condenam as pessoas sem trabalho, com trabalho mal remunerado, sem ambientes saudáveis e felizes de trabalho, adoecendo de desgosto e ressentimento por dentro, ao longo de décadas, por causa das maçãs podres da ganância e exploração mais bravia: «Vinte e oito economistas dos mais diversos quadrantes apelam ao governo que reavalie os grandes investimentos públicos e que faça um travão imediato nos projectos da área de transportes. Em causa está a construção do TGV e de novas auto-estradas, bem como o calendário para a construção do novo aeroporto de Lisboa.»
3 comentários:
Miguel Cadilhe é mal agradecido! Depois de receber 10.000.000 euros por 6 meses no BPN, que todos nós vamos ter que suportar, aparece aqui contra o TGV.
Pois eu digo: sou contra o ordenado destes senhores, uma inutilidade faraónica que não podemos sustentar!
28 economistas a caminho do PSD...
A notícia de que a decisão final sobre o TGV ficaria para o próximo governo, foi a medida mais inteligente que tomou este governo (a seguir à substituição de Correia de Campos). Ainda assim, peca por tardia e por apenas ter sido tomada em consequência dos resultados eleitorais, o que prova que não foi por sensatez, mas por taticismo eleitoral.
De qualquer forma, é preciso mesmo saber se os compromissos até agora tomados, não implicam grandes indeminizações, caso o projecto seja abandonado. Já aconteceu o mesmo recentemente com outras obras que foram abortadas.
Também a propósito do TGV, ao contrário de alguns notáveis, não sou a favor da suspensão do projecto. Sou totalmente contra a sua realização. Só pode pensar em TGV quem, das duas uma: ou nunca andou nem sabe o que é o Alfa Pendular, ou vai beneficiar (financeiramente) com a realização desta grande obra.
Já agora, e por causa desta certeza em Abril 2009, o Ministro Mário Lino leva mais 3 pontos para a Superliga "incompetente-mor"
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