CAVACO, MARIA APENAS PROFESSORES
Se houve coisa que se percebeu, após a penosa e tardia demissão do importantolas Dias Loureiro do Conselho de Estado, foi que Cavaco seria visado compensatoriamente pelos seus inimigos e detractores numa tentativa desesperada por atingi-lo com a porcalheira moral que grassou no BPN. Debalde. O Expresso apressou-se a sensacionalizar, mas o tiro saíu pela culatra. Nos pratos da balança, o desequilíbrio que pune o PS é incomensuravelmente superior: o caso Casa Pia, o caso Freeport, o caso Licenciatura, o caso Cova da Beira, o caso Universidade Independente, o caso BPP, o caso Governador vitalício e irregulatório do Banco de Portugal. Cavaco não é, quanto a mim, o melhor Presidente possível nem sequer é o melhor dos Presidentes que a III República conheceu. Eanes, a esta luz, foi o melhor, o mais probo e o mais firme. Mas o que Cavaco não é, com toda a certeza, é Charlatão e Falsário. Exerceu autoridade, mas não tinha o autoritarismo chavista que o Ainda-PM desbragadamente ostenta e, pífio, implementa e até forceja de todos os modos por conservar com os gastos em espectaculosidade-Obama e fanfarras circenses de embair. No meio da ampla explicação convicente que o Presidente agora apresenta, lamento a formulação «quando éramos apenas professores». Foi isto que esta legislatura decadente conjugou, elevando e promovendo a vertente persecutória das políticas. Provavelmente, os professores têm direito à humanidade da incompetência, e no entanto é raríssima a incompetência docente. Têm direito à humanidade da mediocridade, e no entanto é raríssima a mediocridade docente. Têm direito à humanidade até do erro grosseiro, e no entanto o erro grosseiro é raríssimo na actividade docente. Não há direito é de os professores serem olhados por uma sociedade doente como «apenas professores». Os advérbios de exclusão (apenas, exclusivamente, só, somente, tão-só, tão-somente, unicamente) não se aplicam a uma profissão que engendra milagres todos os dias. Neste momento Cavaco é 'apenas' Presidente, olha apenas pela sua vida e pelos vistos também está apenas a perder muito dinheiro. Sempre o terá. Há quem não tenha dinheiro nenhum: «Eu e a minha mulher, antes de eu estar nesta posição, quando éramos apenas professores, não tínhamos as nossas poupanças debaixo do colchão, nem tão pouco no estrangeiro. E agora também não. Entregámos as nossas poupanças a quatro bancos, incluindo o BPN, para eles gerirem as nossas poupanças. Esperávamos que eles gerissem as poupanças bem, que conseguissem um bom rendimento. Infelizmente estamos a perder muito, muito dinheiro. Boa parte das nossas poupanças estão desaparecidas”, afirmou o chefe de Estado citado pela TVI.»
Comments
Um abraço dum apenas professor
Cavaco conseguiu um privilégio: comprar acções da SLN!
Como se explica esta matemática?