O POVO DE MÁRIO SOARES, O POLVO
Mário Soares não tardará a compreender que o Povo de que fala não existe senão como abstracção etérea na sua cabeça. É o Povo pré-fabricado dos autocarros e das jantaradas que o PS pode pagar à fartazana. É o Povo posto a jeito nos cenários de fingir e engodar. Não é o silente e oleoso Povo enganado e sofredor, avesso à espectaculosidade da campanha milionária do PS, campanha milionária obamaniana que o insulta nessa ostentação neo-riquista, aliás. Para além disso, a Crise que secou Portugal, nos últimos catorze anos, é fundamentalmente o próprio PS, é o extorcionarismo fiscal do PS, são os fracassos reformistas persecutórios PS, são os investimentos perdulários ou enganosos PS [Pelamis, Energie...], é o trauliteirismo e o autoritarismo de este PS, é o minúsculo Magalhães que desgasta desde cedo os olhinhos dos meninos, esse brinquedo a funcionar como anzol de fidelização partidária PS, como no-lo lembrou Maria de Lurdes. Mário Soares, o calamitoso democrata candidato a qualquer coisa, deveria descansar, portanto, de estes cios de facção. Lembrem-se dele, no seu primeiro discurso do 1.º de Maio de 1974. Vociferava contra aquilo em que se converteu, um lobista para quem há muito mais PS para além de Portugal: «Com a parte reservada da sala principal do Centro de Congressos completamente cheia, entre o colorido ondulante das bandeiras, a música apoteótica, o coro de vozes a gritar “Soares é fixe”, Mário Soares afirmou, com a autoridade de quem já participou em todas as campanhas do PS, que “esta campanha começou por ser difícil mas tornou-se numa campanha extraordinária”. E enalteceu “a popularidade de que goza o nosso primeiro-ministro e secretário-geral”, graças “ao povo”.»
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