AINDA O IMPÉRIO DO TELEPONTO

Salta por demais à vista a inconsistência chico-espertista com que se está a embair o Povo Português. Um Povo que comprou o invólucro e preferiu o rótulo. Um Povo que votou no embrulho e só agora descobre o respectivo recheio venenoso e incapaz, mas inteiramente grátis. Um desajuste directo. Mal pode acreditar no que os seus olhos vêem: rarear o que deveria morar nos bolsos para pelo menos forrar dignamente a barriga. O que não se tem feito pelo show de governar em função da volúvel plateia e sob luzes mediáticas! O que não se faz à pala de mero paleio mavioso! Aonde não vai o popó a peidofuel da grande treta tirana socratista! Que almas se não vendem por um minuto em prime time promovendo mais fantasia lunática! Se tal magno delírio nacional está mesmo a chegar ao fim, já leva anos de atraso. Tanto desperdício de emoções inúteis! Tanta queima vã das melhores energias! Entretanto, ainda há sondagens estúpidas surdindo da fera bruteza distraída e insciente do aborígene: «O Governo português tem oscilado entre coisas mais prosaicas. Endividou-se e endividou-se até chegar a um ponto em que os mercados já não sabem o que pensar, porque ao mesmo tempo anunciava que ia cortar em despesas que não cortou. E assim chegámos às vésperas de um Orçamento do Estado depois de três Programas de Estabilidade e Crescimento num ano e sem saber para onde íamos. Ou para onde vamos. Chegou-se ao desnorte de fazer num dia o contrário do que tínhamos dito no dia anterior. O problema é de liderança e credibilidade depois do Orçamento eleitoralista de 2009 e da dificuldade de ter previsões minimamente seguras ao longo de 2010. Os malabarismos do primeiro-ministro já todos os reconhecem como tal  malabarismos, simplesmente , mas ainda dão para estar apenas a três pontos do PSD nas sondagens. Ou seja, parecem boa política.»

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