QUEIROZ E BENTO

Quem acompanhou o desastroso trabalho de Queiroz, na Selecção, tem imenso a lamentar, entre tantas crateras e valas de devastação anímica revestidas de um célebre vício de boca palreiro: especialmente o modo como, por razões de mau feitio e gosto de pavonear-se, corroeu a relação com os jogadores, rompendo empatias e destruindo aquela federação de vontades essencial para a estabilidade e a coesão dentro do campo. Era a incompetência da sobranceria. Paulo Bento pode ter todos os defeitos, mas é humilde, sabe sofrer, é desprendido, conhece bem o coração dos jogadores. Tem aquela ética de serviço e desprendimento que Portugal desastrosamente desconhece hoje na Política e no Desporto. Na Política, haja as malfeitorias que houver, perpetrem-se os erros e as injustiças que se perpetrarem, se a imagem "passa" e o paleio demagógico flui, então deve estar tudo bem. Ainda que as coisas piorem manifestamente, nunca pioram para obstinados. Só é possível enganar um povo se esse povo estiver ao nível cívico do terceiro mundo, subnutrido dos valores do bem comum, do sentido de comunidade e do seu progresso, incapaz de vigilância activa sobre os seus pseudo-representantes. Enfim... Paulo Bento merece todo o sucesso e imensas felicidades à frente da Selecção Nacional e ninguém tem o direito de o censurar, aconteça o que acontecer.

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