UM FÓSFORO DE MAPUTO

Arguto, como sempre, Marcelo Rebelo de Sousa tem recebido milhares de e-mails de espectadores, relatando dramas pessoais directamente ligados às más políticas dos maus políticos com imensa impostura e tremendo sentido egoístico de clique. E-mails que denunciam também obscenidades grosseiras perpetradas pela nomenclatura selvática do Partido no Poder e dos espécimens híbridos pertencentes ora ao PS ora ao PSD/PP, consoante lhes convém. Desde Maputo, Marcelo considerou que o melhor seria não falar dessas obscenidades abomináveis contra Portugal e contra os Portugueses. Falar disso constituiria acender um fósforo sobre um rastilho metido no petroleiro inflamável dos nossos problemas. Compreendo, mas discordo. Falar dos milhares de videirinhos-PS, piranhas-PS, vampiros-PS, dos comportamentos sem sentido de Povo, sem sobriedade nem contenção, é para Hoje! É para Já! Os velhos pecados dos partidos-de-poder exigem denúncia máxima e contínua a fim de se explicarem mais de dez anos de queda no abismo. Marcelo pode sossegar. Não lhe cabe fazê-la. Mas outros a farão sistemática e caninamente. Se ele não acende o fósforo necessário, desde a pacífica Maputo, acendamos nós as tochas, a dinamite, as fogueiras de argumentos irrefutáveis e provas demonstrativas do reles latrocínio dos Partidos de Poder. Um maldito desprezo pelos cidadãos transformou os indivíduos comuns nos únicos grandes sequestrados das más políticas, dos maus políticos, da economia raquítica, das finanças de rastos. Não se lhes pode perdoar terem mentido no grau-escarro com que sempre mentiram nem os álibis fedorentos a que pretendem deitar mão para escapar das consequências da própria sofreguidão. Onde houve dolo, terá de doer.

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