EXÉQUIAS NA PRAÇA DO MUNICÍPIO
Tudo começou com a chegada compassada dos maus actores actuais da vida pública, grandes desfasados das gentes, saindo das carruagens e acenando a populares idosos, esquálidos e pasmabundos. Depois vi "O Bando" a assassinar numa encenação sem piedade o "meu" Poema em Linha Recta, vi os figurantes de bigode e guarda-chuva sob o ladrar simbólico dos cães enquanto a rota republiqueta passa — o resto do bando político e clientelar proclamou as melhores palavras intencionais para conservar ainda mais intacta a pior práxis de glutonaria política. Vi por lá os senhorios da República, reis-sol da opinião e do disparate: Almeida Santos, Soares, todos atarantados com o afluxo às vias dos seus escarros matinais de estimação. Vi o respeitabilíssimo Pinto Monteiro, que não tinha nada para dizer. Vi o Costa, o Costa da Quadratura, cujo discurso, feito a gritar, o cansou em cinco minutos e por isso piscou parolamente o olho a Pedro Silva Pereira, grato por ter este iniciado um aplauso frouxo que frouxamente alastrou a fim de que descansasse da vozearia. Havia um megafone monárquico algures ao fundo daquilo a que nenhum dos media deu atenção. Houve Cavaco e houve Sócrates. Coisa cansativa. O último incarna sempre e desde sempre um inigualável Super-Frei-Tomás, virginal como Galaaz, sinuoso como Cicciolina, à procura do Graal de si-mesmo, sem ouvidos para ninguém, que prega ao arrepio das próprias acções, omissões e ambições. Foram as exéquias da República na Praça do Município, tempo de antena para certos feirantes. Nova Oportunidade para números de circo e prestidigitação.
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Comments
Eis, o texto que mais me agradou em ler, num dia em que presto homenagem ao meu avô que era monárquico e anti-prepotentes.
Manuel, a república é a coisa pública. A Monarquia é uma necessidade fisiológica de Portugal entre a rapacidade imoral dos políticos e o nada da economia a que nos condenam por pura incompetência.