TEMPOS DE BODE
Expiatório. Os mais recentes bodes expiatórios da pseudo-racionalização governamentalesca da Despesa haviam sido os professores e outros funcionários do sector público, tomados desonestamente como parte de um problema afinal criado pela viciante lógica clientelar que ainda rege o Estado português. Hoje são todos os funcionários do sector público os alvos fáceis para ataques oportunistas de opinadores desonestos, abrindo caminho para mais esbulhos. Ninguém está tão à mão como eles para serem os maiores perdedores de rendimentos graças a PECs brutais: «Quer-me parecer que há muita gente a confundir funcionários públicos com "boys" e "girls".Tenho familiares e amigos que, sendo juristas, engenheiros ou economistas, têm estado na vanguarda da denúncia dos abusos económicos cometidos pelo estado. Nunca esquecerei a exclamação dum engenheiro que me é muito próximo, ao entrar no seu posto de trabalho, pouco depois da eleição de Guterres. Indiferente a retaliações, clamou: "Acho que me enganei no endereço. Só por aqui vejo gente desconhecida". Também uma amiga próxima, economista, esteve às portas da morte ao ver-se surpreendida pelo despesismo de um autarca e compelida a justificá-lo. A lista seria infindável e todos têm em comum o terem, em vão, contestado o facto chocante e criminoso de o Estado pagar maquias fabulosas a técnicos privados, tendo tantos e tão competentes nas suas fileiras. Enfim, quem não sabe do que fala (ou o sabe bem de mais), refere os "fps" como massa indiferenciada que vem mesmo a calhar para o papel de bode expiatório. Nada mais chocante e injusto nos tempos que correm.»
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