terça-feira, junho 30, 2009

PÂNICO NO RATO RATA PS UFANO

Há pânico e aflição pelas bandas do Rato. As mentiras, as meias-verdades andam no ar e pode dizer-se que MFL sob fogo proveniente do PS é uma coisa que só abona a favor de MFL porque de negligenciável e desprezível, conforme todos se recordarão, no Congresso Norte-Coreano de Espinho, e mesmo até às Europeias, passou a alvo de todos os ataques desesperados, visando, veja-se!, socratinizá-la, isto é, basicamente apor-lhe características agressivas, tiques burlões e outros defeitos de carácter que, em 35 anos de 'democracia', só encontramos, para mal de todos os pecados de Portugal, corporizados no Ainda-PM e nem é necessário elencá-los porque se tornaram referência corriqueira entre o rumor satírico e ressentido de esse Povo que Mário Soares não conhece: «O porta-voz do PS, João Tiago Silveira, acusou hoje a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, de ter "faltado à verdade" ao recusar-se a assumir a responsabilidade pela venda da rede fixa à Portugal Telecom (PT).»

MIXOLOGIA MOLECULAR E PRAZER

JOÃO TIAGO SILVEIRA, BELFO VITALINO


O Regime e a Legislatura, em fim de festa e de uma vindima político-social de agraços para os portugueses, entrega-se com a maior das facilidades à hagiografia política via imprensa. Não erra JPP, na análise à apresentação caritativo-encomiosa que o Expresso dispensa a João Tiago Silveira, o novo Vitalino belfo do PS. Há sempre um Maradona da Política e um Santinho das Ideias ao virar da esquina.

FLATO DE ESQUERDA, TUDO SOBRE

Aqui. Porque todos ignoram o "ayatolah" do Regime e evitam o seu Flato de Esquerda, no DN.

GRANADEIRO ENSAIA LEALDADE CANÍDEA

Quando o mega-empresariado entra na política e cumpre desígnios de pau-mandado que lhe são linguisticamente exóticos e ideologicamente excêntricos está o caldo profissional entornado. Adeus, pose! Adeus, objectividade e isenção! Granadeiro, o gestor-administrador-presidente da PT, tal como muitos críticos recentes de Manuela, aparece no "i" a pintá-la com as cores mais carregadas normalmente usadas para caracterizar os tiques comprovadamente pressionantes, maquiavelicamente ferozes de Sócrates. Mas a táctica não cola. Não consta, nunca constou!, esse tipo de perfil em Manuela ao passo que Sócrates está queimadinho no que toca a pressões, a neuras e a grandes fúrias se as coisas não lhe correm de feição (visionarismo imoral!) porque aquilo foram anos de relações intensas com o bas fond das negociatas que subjazem aos negócios de Estado, entre o fazer e o ouvir falar que se fez algo ficou e agora a TVI revela-o com todo o desassombro. Smith, por exemplo, tem medo e recentemente anda com tento na língua. Depois, se aquilo que estava negociado entre a PT e a Media Capital eram 140 milhões, quando a Media Capital vale 80 milhões, cabe perguntar para que bolsos iriam os restante 60 milhões. Conheço quem se morda por não ter estado a negociar isto em nome do Governo. Diz-me que não aceitaria menos de 20 milhões para o PS e 10 para o PSOE. O homem da rua não sabe de nada e dificilmente a Imprensa com testículos que rareia lhe daria a saber a fundo a natureza subjacente a estes negócios demasiado sigilosos em fim de ciclo político. Mas o mecanismo de rumor dos e-emails e dos comentários já deixa passar como verosímil a malévola flatulência. Não se sabe, nunca se saberá, mas pode suspeitar-se dada a sofreguidão neste negócio de última hora em fim de mandato com o mesmo cheiro a pressa que o caso Freeport atesta. De resto, para um administrador-gestor do gabarito de Granadeiro, quais as vantagens e a utilidade em se abalançar numa guerra de bocas polémicas contra MFL numa fase em que o PS-Governo e o seu líder perdem em toda a linha?! Para quê ensaiar uma lealdade canídea sem quaisquer vantagens futuras, bem pelo contrário?! Sócrates na verdade é um temível amestrador: «Manuela Ferreira Leite entrou hoje na polémica com Henrique Granadeiro, que a acusou de ter feito pressões, quando estava no Governo, para a sua saída da Lusomundo Media, em 2004. E disse que, se algum dia um Governo PSD tentou influenciar a linha editorial do “Diário de Notícias” e do “Jornal de Notícias”, então detidos pela Lusomundo, “fez mal”.»

O QUE SOARES PENSA DE SÓCRATES

Tarde de mais. O mal está feito. O neoliberalismo infrene de Sócrates que engoliu todo o PS e o seu primado da Aparência Espectacular sobre a substância colocaram este partido socratinizado numa ultradireita desgraçada, oligopolista, cleptocrática, unilateralista do lado dos Fortes e, por isso mesmo, sem credibilidade para o povo que vota e que na verdade confiou no PS para executar uma outra política humanizadora com pés e cabeça. Apanhar-se eleito e começar uma intifada-انتفاضة contra as pessoas é de loucos. É inútil tentar Soares colar a 'Direita' portuguesa aos amigos de Bush e redescobrir no PS uma esquerda nova já que a que Sócrates engendrou é uma que toda se prostituíu e degradou aos valores do Lucro e do Dinheiro contra os que trabalham, contra os excluídos, contra os desempregados. Isso e o hábito enraizado de Mentir, de Desrespeitar a inteligência das pessoas. O Eleitorado-Povo está completamente perdido para tal PS tecnocratizado e esvaziado de humanismo: «Os dirigentes do PS deverão percorrer o País, ouvir e falar com as pessoas com humildade e espontaneidade. Sem promessas vãs e sem demagogia. O Povo tem 35 anos de Democracia e sabe distinguir o trigo do joio. Sentir o que pensa o eleitorado e falar-lhe verdade. É o essencial. Para tanto, mais do que o marketing político ou de grandes cerimónias, feitas para a televisão, que só convencem os que estão convencidos, é preciso chegar até às pessoas, ouvi-las, dar-lhes confiança. Porque as escolhas são elas que têm de as fazer, no segredo das suas consciências. E é isso o que conta, em democracia.» Mário Soares, DN

VOO IY-626, IÉMEN/COMORES


Novo despenhamento de um Airbus, no Oceano Índico bordejando as oras das ilhas Comores. No Airbus 310-300, voo IY-626, viajavam 142 passageiros, 3 eram bebés, e 11 tripulantes. Sabe-se que 66 passageiros eram franceses, conforme confirmou o ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner. Não pode deixar de se notar demasiados traços comuns relativamente ao voo AF 447, praticamente um mês depois da sua perda. Primeiro e uma vez mais está em causa a construtora Airbus. Depois são as vítimas. Uma vez mais também francesas, em terceiro lugar o reportar de falhas em inspecções realizadas em França, no ano de 2007: «O ministro francês dos Transportes, Dominique Bussereau, revelou que algumas “falhas” tinham sido detectadas no aparelho durante inspecções feitas em França em 2007, ficando as linhas aéreas do Iémen sob avaliação, mas não na “lista negra”. “Desde essa data que avião não voltou a França”, precisou ainda o ministro, em declarações ao canal de televisão I-tele, avançando que a empresa aérea estatal do Iémen deveria em breve responder num inquérito perante o comité de segurança da União Europeia.»

segunda-feira, junho 29, 2009

PACHECO-TV, PONTO CONTRA PONTO

Para tirar todo o partido aqui.

MFL E O CAMARTELO DA VERDADE

A esta luz, o impacto das palavras de Manuela Ferreira Leite na entrevista a Ana Lourenço são impressionantes quanto aos efeitos devastadores no estado avançado da negociação entre a PT e a Media Capital. Ao manifestar quase inteira certeza de que Sócrates era conhecedor de que a PT estava em negociações com a Media Capital, MFL não podia ter sido mais certeira e devastadora para com um putch editorial na TVI, de génese socratinizante, que apareceria como um facto consumado. Há quem faça por esquecer o problema político levantado por Sócrates no célebre Congresso Norte-Coreano de Espinho, no qual a TVI foi mais vezes invectivada e verberada que qualquer partido da Oposição. A mentira em política não pode vulgarizar-se ainda mais e por isso mesmo quando se invocam os estatutos da PT no que ao campo de acção do Estado diz respeito por possuir 500 acções golden share, citando para o efeito a fonte "credível" e "nada governamentalizada" do DN, compreendemos ser apenas verdade o que interessa ao Governo e aos seus avençados que seja verdade. Não é sério invocar que, de acordo com os estatutos, a PT não tinha qualquer obrigação de informar o Governo sobre as suas intenções porque se o Estado não podia vetar o arranjo também não se compreende por que motivo Sócrates apenas porque pressionado o vetou efectivamente ou como é que ainda alguns se apostam em convencer-nos a ser ingénuos ao ponto de ignorar até que ponto se preparam, contornam e dominam as assembleias-gerais seja onde for e a PT não é excepção porque também ela, por muito privada que seja, tem homens de mão da Política e do Poder, como acontece com a GALP e com a EDP. Manuela Ferreira Leite cumpriu, portanto, a sua obrigação. Não lhe cabia uma leitura estatutária da PT, treta para enganar papalvos, mas política e foi essa a determinante. Sócrates, habituado que está, nas suas raivas e neuras, a errar imenso e a enormes atrapalhações freeportianas-fatais em fim de mandato, ele é que não pode errar tanto, tendo em conta uma longa permanência em Governos Socialistas nos últimos dez a doze anos de poder socialista. Lembre-se que todo o desastre português começou nesses Governos. Foi com eles e então que empreendemos a longa e penosa caminhada rumo ao estado economicamente precário e periclitante em que nos encontramos. Fartem-se embora alguns em dizer que a senhora foi uma má ministra. Insista-se, como faz com nítida acrimónia Clara Ferreira Alves, no Eixo do Mal, em detrair essa mulher, mas não se lhe aponte do Dom de Mentir que esse tem dono. De resto, também não compreendo por que se queixam das palavras incendiárias de Cavaco quanto a este negócio gorado, ele que passou o penoso período de três anos e meio numa cumplicidade conivente com todas as malfeitorias, sombras e excessos perpetrados pelo Governo de Sócrates: Governo que centralizou em Lisboa o escasso QREN destinado às diversas regiões, sobretudo ao Porto; Governo do relatório educativo elogioso forjado da OCDE; Governo que insistiu num processo avaliativo da docência absolutamente kafkiano e castrante dos professores; Governo que tortura estatísticas e números para cima ou para baixo conforme as conveniências para os relatórios internacionais; Governo que agravou enormemente a despesa pública; Governo que cavou deliberadamente a desertificação e o desequilíbrio do interior; Governo que desprezou manifestamente a agricultura e os agricultores. Portanto, não se queixem de Cavaco. Cavaco foi a mão omissa que segurou o Show Propagandesco de um Governo sem densidade, sem patriotismo, sem visão estratégica.

GILSON ALVES. MOBBING. GREVE.

Por muito embaraçosas que sejam para a direcção clínica e a administração do Hospital de S. João, no Porto, as tomadas de posição do médico Gilson Alves, não há dúvida que ser-se escutado e compreendido ainda não perdeu o seu valor. Alguma coisa de bom para o sistema advirá de esse processo de se fazer escutar e atender devidamente, desde logo pela grande Opinião Pública e logo com uma Greve de Fome iniciada. Creio bem que a emergência de administrações muito personalizadas (nas Escolas, nos Hospitais), menos colegiais, e, portanto, bem menos passíveis à sensibilização humanísta e ainda menos a uma permeabilidade e basculação para com casos laborais concretos é algo que, por tender a penalizar excessivamente quem trabalha, pode jogar contra a eficiência global dos sistemas. Ora, foi esse o caminho seguido recentemente na aparente reforma 'cultural' da Administração Pública aos mais diversos níveis, a qual visou comprimir os direitos e optimisticamente conservar ou ampliar os mesmos índices de exigência ou de motivação. Acontece que a pessoa humana acaba por ser o centro de tudo e não quaisquer outros critérios secundários e por isso, quando isoladamente alguém protesta por sentir exorbitados os limites do que se lhe exige, para isso acedendo à visibilidade no plano bem alargado que tecnologia media, os efeitos podem ser paradoxalmente regeneradores. É muitas vezes contra esses efeitos que se inventam sigilos abusivos de serviço, votos de lealdade colegial obrigatória à sombra dos quais tudo pode ser perpetrado, incluindo grandes opressões secretas pelos processos e relações de poder. Cabe a cada qual observar onde começam e acabam as razões do médico Gilson e onde começam e acabam as da direcção clínica e da administração. A verdade definitiva e mais ou menos salomónica não poderá andar muito longe: «Um médico interno do Hospital de S. João, no Porto, está em greve de fome num gabinete dentro do serviço, que será transmitida em directo pela internet. Gilson Alves diz que é "o último recurso" perante a perseguição e prática de mobbing (violência laboral) de que diz estar a ser alvo por parte da direcção clínica e da administração.»

MICHAEL JACKSON, O EREMITA TERMINAL


Os factos pós-autópsia que se divulgam sobre o estado geral de Michael Jackson aquando da sua morte são perturbadores. Dir-se-ia que, no seu caso, a Fama lhe devorou a carne e a sanidade com a mesma intensidade e proporcionalidade com que o seu génio artístico brilhou planetariamente. Calvo, com um peso corporal absurdamente baixo, 51 kg, e uma dieta exclusivamente pilular (Demerol, Dilaudid, Vicodin), a autópsia revela um homem desfigurado cujos vestígios remetem para os mais extremos e estritos eremitas religiosos do passado, sob cruentas mortificações corporais e prolongada privação voluntária de alimentos, no intuito de afirmar algo ao mundo ou para exemplificar uma heróica e desproporcionada penitência. Acima de tudo fica patente em Jackson um misto de Dor e Doentio habitando um filamento de ser na sua ténue fronteira ao comum dos mortais. Anorexia? Há muito que Jackson trilhava um caminho mortífero inexorável contra o qual nem a sua família pôde lutar com todas as forças e com todos os meios. Pelo contrário, percebe-se a imensa e agónica solidão em que submergiu para sofrer um desfecho tão cru como aquele.

COMPÊNDIO DE FRASES ASNAS

Seria bom que a Crise e a Recessão estivessem perto do fim, mas isso não corresponde minimamente à verdade e muito menos à verdade amarga com que Portugal se tem de confrontar e que o Filipe resume muitíssimo bem, como sempre. Nem sequer nos ajuda que o Governo regresse com o seu optimismo irrealístico colado a frases fáceis que só reformados milionários do Regime, os seus avençados de luxo, aristocracia do favor e da dependência do Poder, podem sentir, nunca os esmifrados, os desempregados, os pobres portugueses cada vez mais pobres. Mesmo que os índices de confiança tenham crescido, isso não representa nada de substancial, no capítulo da esperança, nem é começo de cura séria dos males profundos de que enferma a nossa economia tão profundamente endividada como há cem anos. De resto, na euforia sazonal do Verão tudo é possível para enganar a fome e a realidade. Aí, o ilusório aliena-se com acrescido ilusório. A par dos favores de boca ao Governo por parte do Banco de Portugal, entidade que, com Constâncio-ventosa, branqueia os números, os índices e o discurso governamentais, INE e a quem quer que o Governo se recorde de recorrer farão o mesmo frete farsolas que algumas empresas de sondagens faziam ao mesmo Governo-PS antes das Europeias. Esticavam-lhe as intenções criando espectativas erróneas e desmobilizadoras. Não era bem melhor, mais verdadeiro, mais límpido, abandonar Teixeira dos Santos esse compêndio de frases asnas, frases-flop, frases-pífias (magna colecção da legislatura socratinesca) e ficar bem caladinho enquanto continuamos a deslocar-nos para lado nenhum?!: «Em declarações à RTP, Teixeira dos Santos lembrou que a crise, antes de se acentuar, “começou com uma deterioração muito significativa dos índices de confiança. Os novos dados são “sinais de que estamos a chegar ao fim” da recessão, disse.»

OS OSSOS DE PAULO DE TARSO


Ninguém mais marcante para a nossa civilização que o homem que já não vivia, era Cristo que vivia nele. Sofredor. Forte, mas fisicamente insignificante. Perseguido. Encarcerado. Apaixonado, repleto do Espírito, ele consumou a primeira ruptura com os judaizantes para organizar e dar alento às primeiras comunidades cristãs da Lei Nova. Daí que os ossos confirmados seus representem pelo Papa, ao fim de dois mil anos de aventura da Fé, sejam um precioso símbolo de um arauto da Ressurreição do Cristo, da Ressurreição da Carne, da Catabase do Reino: «Uma minúscula perfuração foi realizada para introduzir uma sonda especial» que permitiu retirar do túmulo «minúsculos fragmentos de ossos; os testes com Carbono 14 demonstraram que pertenceram a uma pessoa que teria vivido entre o I e o II séculos», anunciou o Papa. «Isto parece confirmar a tradição unânime de que se trataria dos restos mortais do apóstolo Paulo», afirmou Bento XVI. A sonda também permitiu a descoberta «de restos de um precioso tecido de linho púrpura, com bordados em ouro, e de um tecido azul com filamentos de linho» assim como que «grânulos de incenso», acrescentou. O apóstolo Paulo morreu decapitado, no ano de 67, em Roma, sob a égide de Nero. Era descendente de uma família judaica de Tarso (Ásia Menor), tendo-se convertido à religião cristã nascente após ter perseguido os primeiros adeptos e martirizado Estevão. Foi considerado o evangelizador de povos pagãos no Mediterrâneo. Descobri e li há alguns anos com extremo prazer a obra Nero, de Latour Saint-Ybars, e reproduzo parcialmente o capítulo, "PEDRO EM ROMA – PRIMEIROS CRISTÃOS – PRIMEIROS SINTOMAS DO CRISTIANISMO": «Os progressos do cristianismo em Roma foram imensos e imediatos. A essa interminável multidão vinda de todos os cantos do mundo e que já não tinha daí em diante nem deuses, nem família, nem pátria, a lei nova dava a vida e o futuro; o respeito por si próprio e o amor ao próximo; mas apenas concluída essa primeira conquista da multidão, aproximava-se o momento em que seria necessário anunciá-la ao mundo, dar explicações aos filósofos; de que génio, de que audácia, de que virtude deveria estar animado o homem que ousasse predizer ao Antigo Mundo o seu fim próximo? Paulo, de Tarso, o primeiro perseguidor dos cristãos, foi o herói desse empreendimento visionário. Impaciente por se entregar a um último combate, desafiava César como ao seu maior adversário, levava a loucura da cruz até à esperança de dominar a cidade que dominava o mundo. Os seus trabalhos e as suas longas viagens pelas províncias tinham-no já tornado conhecido em todo o Oriente. Algum tempo antes de ser conduzido a Roma, carregado de grilhões para comparecer diante de Nero, escrevia aos cristãos de Corinto: «Vi-me muitas vezes diante da morte; recebi dos Judeus, por cinco vezes, trinta e nove chicotadas, fui vergastado três vezes, fui apedrejado uma vez, três vezes naufraguei; passei um dia e uma noite no fundo do mar; estive muitas vezes, durante as minhas viagens, nos perigos dos rios, nos perigos dos ladrões, nos perigos dos pagãos, nos perigos das cidades, nos perigos dos desertos, nos perigos do mar, nos perigos dos falsos irmãos. Sofri todas as espécies de trabalhos e de fadigas, frequentes vigílias, a fome, a sede, muitos jejuns, o frio e a nudez. Além destes males, a vigilância de todas as Igrejas causa-me numerosas dificuldades, com as quais sofro todos os dias. Quem está doente sem que eu sofra? Quem é escandalizado sem que eu core?... Em Damasco, o governador queria manter-me prisioneiro; desceram-me num cesto por uma janela ao longo da muralha e salvei-me das suas mãos». São Paulo omite aqui três anos passados no deserto da Arábia, para se preparar para os trabalhos do apostolado pelas austeridades do ascetismo. No ano 61 de Nosso Senhor J. C., algum tempo antes da morte de Burro, o grande apóstolo foi a Roma. Desde a sua partida de Cesareia, na Palestina, Paulo suportara durante vários dias as fadigas de uma tempestade e de um naufrágio. O navio que o levava tinha-se afundado. Teve de ficar três meses de Inverno na ilha de Malta. Logo que foi possível voltar ao mar, o centurião Júlio, que o levava a Roma, meteu-se num navio de Alexandria com todos os seus prisioneiros. De Malta foi a Siracusa, onde passou três dias, depois a Régio, onde esperou um dia pelo vento e dali ao golfo de Pouzzoles, onde deixou o mar. Paulo encontrou nas cidades da Itália os convertidos de Pedro e todas as Igrejas que este tinha fundado. Os cristãos de Pouzzoles, sabedores dos combates e da glória de Paulo, retiveram-no sete dias entre eles. O centurião concedeu esse favor ao seu prisioneiro, cuja conduta e discursos o tinham enchido de veneração. Quando partiram para Roma, Paulo ia carregado de grilhões. A seu lado, caminhavam Aristarco e Lucas, seus discípulos, que tinham querido segui-lo e auxiliá-lo, e que não se envergonhavam das suas cadeias. Pedro e os seus coadjutores tinham já dado a conhecer aos cristãos de Roma a virtude eminente e o génio de Paulo. «Eles vieram à nossa frente – diz São Lucas – até ao Forum de Ápio, às Três Tabernas.» Esse Forum de Ápio era a vinte léguas de Roma; nada prova melhor a união perfeita que reinava entre os cristãos e os apóstolos do que esta homenagem rendida pelo mais forte ao mais glorioso. Paulo atravessou as Montanhas Latinas perto do lago de Némi, que dominava o templo de Diana, protectora dessas velhas florestas, e perto de Arícia, cujas colinas estavam cobertas de Oliveiras, de azinheiras e de vinhas em latada. Mais longe, à direita, nos Montes Albanos, apareceu-lhe o templo de Júpiter, santuário da confederação Latina. De Boviles, berço dos Júlios, pôde admirar, dos dois lados da estrada para Roma, templos, teatros, casas de campo, uma grande álea de monumentos. Extensos aquedutos, assentes sobre milhares de arcadas, corriam para Roma de todos os pontos do horizonte e conduziam à cidade, do alto das montanhas, fontes cativas e rios desviados dos seus cursos. Se chegou a 6 de Julho, como se pensa, durante as festas de Apolo, pôde ver os sacrifícios e a alegria dos Romanos coroados de louros. O centurião Júlio, que conduzira Paulo do Oriente para a Itália enviou, ao chegar a Roma, o seu prisioneiro ao prefeito do pretório. Este era Burro. Prestaram-lhe relato tão favorável da virtude de Paulo, que tinham podido apreciar nos perigos da viagem, que lhe foi poupada a vergonha da prisão. Paulo foi autorizado particularmente a habitar com um guarda, ao qual estava ligado por uma cadeia. Esse soldado era substituído diariamente por um dos seus camaradas do pretório, que vinha tomar a sua vez. Assim, os magistrados não tinham a temer que o prisioneiro empreendesse a fuga e Paulo tinha nesse pretoriano um defensor contra os Judeus. Estes eram então os inimigos declarados do cristianismo, a que chamavam a nova seita e combatiam com ardor por todo o mundo, onde as suas sinagogas existiam. Mas esses adversários do cristianismo eram também suas testemunhas, pois, ao afirmar a sua própria história e religião, punham a descoberto os próprios fundamentos do novo culto. Três dias depois da chegada, Paulo pediu aos principais de entre os Judeus que passassem por sua casa para ouvirem explicações sobre a sua conduta na Judeia. Não houve quaisquer recriminações; Paulo narrou a sua conversão, expôs a sua missão especial e falou de manhã até à noite, provando por Moisés e pelos profetas a divindade de Jesus Cristo. Tinha escolhido a sua habitação num dos bairros de Roma mais frequentados, entre o Forum e o Campo de Marte, então cobertos de monumentos; São Jerónimo e São Lucas, nos Autos dos Apóstolos, dizem que ficou durante dois anos num dos aposentos de um albergue da via larga, in via lata; é hoje o Corso, e a igreja de Santa Maria, contígua ao palácio Dória, marca o lugar consagrado pela estada de Paulo. Foi ali que durante dois anos exerceu o seu ensinamento sublime com toda a liberdade perante aqueles que vieram visitá-lo. Entrançava esteiras e confeccionava tendas para se manter. Todos os dias um soldado do pretório vinha guardá-lo e, se saía pela cidade, Paulo era preso com uma cadeia ao legionário que o vigiava; todos os dias, um novo guarda escutava as suas palavras e tornava-se testemunha da sua vida. A abolição da escravidão antiga, um dos grandes benefícios do cristianismo, encontra-se em embrião na epístola a Filémon, que Paulo escreveu na prisão a favor de um escravo fugitivo, Onésimo, que tinha socorrido, convertido e transformado em dignitário da Igreja nova. Pelo processo moderno que consiste em dar bruscamente a liberdade a homens incapazes de a ela darem bom uso, arrasta-os inevitavelmente à sua perda; os cristãos dos primeiros séculos procediam de outra forma: amavam o escravo, faziam dele um homem antes de o libertar. Os melhores de entre os pagãos, é certo, tratavam com suavidade os desgraçados manchados pela servidão; mas julgavam-nos inferiores por natureza em relação ao homem livre. Cícero censurava-se por sentir saudade dos escravos que perdera; Nero, pelo contrário, aprecia os que o servem fielmente; ele dizia de um escravo mau que ninguém lhe parecia mais digno de confiança do que esse servidor e que não tinha nada fechado nem vedado para ele. O acto de tolerância e de humanidade inspirado por Paulo a Filémon é do mesmo ano da sentença injusta que condenou os quatrocentos escravos do prefeito de Roma à morte simultânea, para expiarem o assassínio de que estavam inocentes. Esta declaração pública de igualdade fraternal dos homens, seguida de exemplos gritantes e corajosamente praticada pelos cristãos, causou em Roma uma espécie de surpresa e de assombro. Era uma misericórdia violenta que arrebatava ao amo o seu escravo e que lhe arrancava do coração todo o ódio contra todos os usos e todas as leis. Grandes progressos assinalaram o sermão de Paulo. Pedro tinha já difundido o cristianismo pelo mundo; Paulo apresentou-o à luz do dia, à opinião pública, e fê-lo entrar com labor na história romana onde Nero havia, sem o saber, de lhe dar tão grande relevo. O apóstolo dos infiéis termina assim a sua epístola aos Filípios: «Os irmãos que estão comigo saúdam-vos, todos os santos vos saúdam, também, principalmente os que pertencem à casa de César.» Pergunta-se quem poderiam ser os novos convertidos e os santos colocados ao lado de Nero e sobre esse terreno vago, onde tudo quanto se tem o direito de aventar é bem difícil de provar, a dúvida e a fé iniciaram um debate que persiste ainda. É certo que os soldados e demais gente do pretório tiveram de se preocupar com o prisioneiro, que este lhes pregou a sua doutrina e que Burro, tendo de julgar o seu apelo a César, deve ter tomado conhecimento e fixado a sua atenção nesse ponto. São Paulo acentuou-nos ele próprio que teve toda a liberdade para exercer a doutrina nova, e que aqueles que o rodeavam seguiram o seu exemplo. Quanto às relações de amizade e à correspondência epistolar que teriam existido entre Paulo e Séneca, se bem que esta questão seja ainda ventilada nos nossos dias, a Igreja nunca admitiu as epístolas nos livro canónicos; os Padres e os escrivães eclesiásticos nunca as aceitaram. Com a chegada do cristianismo, a independência do espírito humano exerceu-se em sentidos diversos; uns, vendo ali a verdade, submeteram-se e foram-lhe dedicados até à morte; outros combateram-no energicamente como a um inimigo; outros ainda, os homens instruídos, aceitaram-no como uma doutrina filosófica digna de ser estudada e classificada entre os sistemas. Deste número foram, sem dúvida, Epicteto e Séneca; sobretudo Epicteto, que, por esta altura, escravo desconhecido de Epafrodite, secretário de Nero, estava em posição de apreciar as máximas de humanidade que constituíam todo o fundo da religião nova. Encontram-se, com efeito, nestes dois autores, preceitos, sentimentos e até expressões que não existiam na linguagem filosófica antes do aparecimento do cristianismo. Reconhece-se até nas obras dos sábios e dos poetas mais inacessíveis a influência da doutrina nova, os primeiros vestígios do trabalho secreto que transformava os espíritos e os corações. Marcial queixa-se amargamente, é contrariado nos seus prazeres, um inimigo secreto veio perturbar o seu lar. Admitido às pequenas ceias do lúgubre Domiciano, familiarizado com todos os vícios do seu tempo, humilha sua mulher com preferências condenáveis; despreza-a e diz-lhe adeus: Domiciano tinha-lhe concedido o privilégio das três crianças. Mais tarde volta para a mulher, mas a pureza do leito conjugal é-lhe insípida: é uma cortesã e não uma esposa que ele pretende. Quantas censuras injustas e quantas injúrias! Que maravilhoso latim e que grosseiros pensamentos! Separaram-se por fim. Trinta e cinco anos depois, voltamos a encontrar Marcial no seu país; apaziguado pela velhice, purificado pelos campos, emocionado com a sua felicidade, prefere aos jardins de Alcino, que lhe ofereceria a própria Nausica, as águas das fontes e o pomar, a torre branca e as pombas, os viveiros e os campos, pequeno reino que a sua querida Marcela lhe deu ao regressar da sua longa ausência. Plínio, o Antigo, tão materialista e homem tão honesto, dá-nos também informações preciosas para a história dos primeiros séculos cristãos. Eis o que nos diz dos Essénios, precursores do cristianismo, convertidos antecipadamente à fé nova e que foram os fundadores das ordens monásticas nas solidões da Judeia. «A Ocidente do lago Asfáltico, mas longe da margem, existem os Essénios, nação única, admirável entre todos os povos do mundo; sem mulher, sem amores, sem dinheiro, companheira das palmeiras, renova-se todos os dias graças aos estrangeiros e é considerável o número de homens cansados da vida que a onda do destino atrai a adoptar estes costumes. Assim, coisa inacreditável, esta nação onde há séculos ninguém nasce é no entanto eterna, tão fecundo é para o seu futuro o arrependimento dos outros pela sua vida passada». Não se pode afirmar que os ministros de Nero, Burro e Séneca, se tenham interessado por Paulo e que a justiça da sua causa ou a sua doutrina sublime os tenha aproximado dele. Quem eram, porém, esses cristãos da casa de César que saudavam os seus irmãos de Filipo por intermédio de Paulo?... São João Crisóstomo fala-nos de um copeiro e de uma concubina de Nero, que o apóstolo teria subtraído ao príncipe para os elevar à dignidade cristã. A concubina é, talvez, essa escrava comprada no Oriente, que inspirara o primeiro amor de Nero, essa bela Acteia, que ele quis desposar primeiro e que desprezou mais tarde. Ela esteve afastada das prosperidades do seu reinado e quando ele se tornou alvo da execração pública, voltaram a encontrá-la junto da sua pira. Pompónia Groecina é-nos, também, apresentada por todos os historiadores eclesiásticos como fruto das prédicas de Pedro. Não se conhece figura, entrevista na média luz da História, que se rodeie de encanto mais misterioso e que exprima mais doce gravidade. Era mulher de Plautio, vencedor dos Bretões durante o reinado de Augusto; acusaram-na de superstições estranhas e um tribunal de família, presidido pelo marido, teve de julgá-la conforme as leis. Aqui, a majestade romana volta a encontrar-se mesmo no lar. Examinado o caso em pormenor, a esposa foi absolvida, e reconhecida pelo marido a sua conduta irrepreensível. É natural pensar que a superstição estranha que lhe censuravam, sem nada ter a reprovar na sua conduta, era o cristianismo. Os grandes resultados obtidos pela livre palavra de Paulo, até mesmo no palácio dos Césares, estão fora de dúvida; mas seria temerário afirmar, sem provas, quais foram entre as grandes figuras, então em evidência, aquelas que o apóstolo conquistou para a verdade. Os testemunhos consideráveis que se erguem a favor do cristianismo de Séneca, desde os primeiros séculos até aos nossos dias, far-nos-iam desejar encontrarmo-nos suficientemente convencidos para aceitar esse facto das maiores autoridades. Ousar-se-ia quase afirmá-lo, quando se considera o a propósito e as circunstâncias favoráveis em que a verdade lhe apareceu; o que aqui se diz de Séneca pode aplicar-se a Burro, aos estóicos, ao próprio Tráseas e aos seus amigos, principalmente a essa infeliz Octávia, só e abandonada depois de tantos crimes, arrastando nos esplendores do Palatino o pressentimento da sua morte próxima. Os caracteres nobres e os grandes espíritos da sociedade pagã refugiaram-se no novo asilo da religião cristã com alegria ainda maior porque, alheios às prosperidades do império, nada tinham à sua volta que pudesse cativar-lhes o coração.»

HEMORRÁGICA SOLTURA DE ESTADO

«BEM PREGA FREI TOMÁS O portal onde os ajustes directos da Administração Pública (e não só) devem ser publicitados funciona relativamente mal e, segundo se diz aqui, por exemplo, com grossas caneladas à lei no que concerne ao seu nascimento. Se o Instituto da Construção e Imobiliário foi a entidade incumbida de executar o Código dos Contratos Públicos (este monstro), dificilmente se concebe que invoque a urgência para fazer um ajuste directo de 268.800€ e que agora ande em bolandas quanto à interpretação e execução do mesmo contrato. É este o País a que, infelizmente, temos direito!» Ferreira-Pinto, Abluente

domingo, junho 28, 2009

ZELAYA, CHÁVEZ, SÓCRATES

O providencialismo político de que muitos governantes centro-sul-americanos se convencem e em que se concebem está a conduzir a situações ridículas com consequente resposta dos sistemas democráticos locais. Depois de Castro e Chávez, grandes perpétuos chefes de Estado, parecia ser agora a vez de Zelaya para, por assim dizer, se entronizar e se eternizar no poder. O golpe de estado nas Honduras, que toda a gente aparenta condenar, pode ter sido somente o mal necessário. Há golpes de Estado mais que justificados quando o poder político eleito trilha caminhos consabidamente corruptos e corporativescos. É preciso qualquer acto drástico que coloque em pratos limpos o pântano ético de todos os abusos. Não é por acaso que José Sócrates em Portugal se comporta para com o povo português como um grande Presidente centro-sul-americano, com muitos dos tiques e ambições cesaristas dos líderes da américa do centro e sul. Mesmo as políticas esbulhatórias parecem comuns, o modelo de avaliação selvático dos professores foi lá repescado de modo admirável. Provavelmente, foi somente graças à nossa enorme paciência e credulidade extraordinária, que o Ainda-PM não levou até agora um enorme biqueiro político no cu. Levou-o Zelaya. Pôs-se a jeito. Fez um referendo para ganhar o direito a um novo mandato. Violentou a constituição local (e quem a redigiu lá sabe do que a casa gasta). E teve o golpe higiénico que provavelmente fez por merecer. Na verdade, o mundo centro-sul-americano, incluindo cada vez mais Portugal, está a transbordar de falsos messias políticos. O Falso Messias Sócrates, cada vez que comparece no seu palco circense mediático, parlamentar ou outro, excede-se em desmesuras, em vícios de boca, em excessos de verve, em abundantes tiques tiranescos de cariz nítido centro-sul-americano. Pois está prestes a ser evacuado de esta ingénua 'democracia' plutocrática com a paciente e única elevação democrática do Voto Popular: «Zelaya foi detido pelos militares depois de ter insistido na realização de um referendo, hoje, para alterar a Constituição e poder concorrer a um novo mandato. A consulta popular foi considerada ilegal pelo Tribunal Constitucional e hoje os militares foram buscar Zelaya a casa para o conduzir a uma base militar.»

CORPUS CHRISTI, GAIA, REVIVIFICADO

O meu júblilo por esta ressurreição.

sábado, junho 27, 2009

SÓCRATES, DEPLORÁVEL MARIA ALICE

Ele, que nem se cala nem se manca nem se enxerga, quando fala no que quer fazer e no que é preciso fazer é uma acabada Maria Alice do espectáculo. Vaidoso Infinito, Absoluto Ridículo, distribuindo panem et circenses, entretendo um resto de povo-700 jovens!, povo embaído que se abstém do dever cívico de não se deixar enganar, esse constructo marketinguesco não passa de uma Maria Alice que temos de aturar ainda por demasiado e penoso tempo. Não se poupando a esforços por que o Tacho lhe não fuja como fugirá, Maria Alice, aliás Sócrates, fala, da "direita" quando é ele que representa a direita dos interesses hoje unida à mais corrupta pseudo-esquerda clientelar que olha com um imenso apetite lúbrico aquelas colocações manhosas na Administração Pública. Quando esta Trágica Maria Alice ruir fragorosamente em Setembro, Portugal respirará novamente. Tresanda a esgoto e o esgoto não se manca nem se enxerga nem se cala: «O secretário-geral socialista, José Sócrates, propôs hoje a criação de cinco mil estágios profissionais por ano na Administração Pública, considerando que a promoção de estágios é também uma obrigação do Estado

CAVACO SILVA A NU

Cavaco nu como raramente nos lembramos de o ver.

LADAINHA DOS 60 LAVA-SE COM EUROPA

Estes irralísticos sessenta anti-Medina Carreira de última hora, onde estavam, quando recentemente se seguiram políticas de um homem atávico e mouco só em Portugal?! Não é verdade que o QREN europeu e o PRODER europeu foram completamente desaproveitados, nesta legislatura?! Tanto os 28 como os 60 só podem estar a brincar connosco, uns porque foram actores políticos e têm responsabilidades no ao que isto chegou, os outros porque parece que não viram nem querem ver o desastre político, os imensos erros de unilateralismo, a infinita incapacidade de federar, de escutar a sociedade, o desperdício de todas as oportunidades apenas nesta legislatura perdulária, trapalhona, acabado exemplo de Rapina instituída. Estes 60 remetem o problema de nos endividarmos com betonaria ao grande guarda-chuva "europeu" e "global", como quem diz, «metemo-nos à obra, o dinheiro virá depois» ou como se existíssemos apenas sob a protecção estrangeira de quem sabe cuidar muito bem da sua vida e nos ignorará de bom grado com tem feito até aqui. É de novo o deixa andar. É de novo o «fia-te na Virgem e não corras». Clamorosa alienação das nossas contas à futura e putativa sensibilidade "europeia" e "global", eis a miragem e o engodo erróneo. Ser pelo emprego é um chavão. Nós afinal não produzimos nada. Sobretudo não produzimos os alimentos que consumimos e começa por aí a avalancha de perda e retrocessos em cascata. Boutades e generalidades eis o discurso pseudo-demarcatório dos 28 feito pelo 60 basicamente sociólogos avençáveis por este Regime de Avenças e falta de carácter. Tenho, por isso, pena dos 60. Este longo silêncio de quatro anos com a entrega dos problemas nacionais a um só dirigente fantasista, fingidor e farsolas, queima completamente a bondade de quaisquer propostas à partida e de quaisquer manifestos de começar de novo. Quem protege e secunda tal bosta moral não é fiável. Prometem política sempre nova, recusa de erros passados. Prometem sempre uma nova política socializante e coesiva. No entanto, os vícios clientelares estão lá todos, as centenas de observatórios de encher bolsos clientelares, as fundações "privadas" por onde desaparecem recursos inexplicados certamente para bolsos clientelares, as asnas sumptuosidades do Governador do Banco de Portugal que-não-se-manca e compañeros, os multi-freeport de encher os bolsos a certas víboras-caciques da política, enquanto tudo isso for o que é, não há Manifestos de 60 ou de 28 que nos valham a não ser por entretenimento cínico. Uns a dizer para parar com extravagâncias de betonaria. Outros a dizerem que a Europa e o Mundo dar-nos-ão uma mãozinha amiga nos megaprojectos betoneiros, estando o Estado a pagar juros de dívida brutais e averbando uma dívida esmagadora, querem que se pense o quê?!: «A crise global exige responsabilidade a todos os que intervêm na esfera pública. Assim, respondemos a esta ameaça de deflação e de depressão propondo um vigoroso estímulo contracíclico, coordenado à escala europeia e global, que só pode partir dos poderes públicos. Recusamos qualquer política de facilidade ou qualquer repetição dos erros anteriores. É necessária uma nova política económica e financeira.»

UMA REPÚBLICA REPLETA DE VIEIRAS

Portugal enfrenta problemas terríveis que não poderão ser resolvidos com o mesmo grau de alheamento cívico em vigor até aqui quanto ao que os políticos e as suas clientelas perpetram com o nosso dinheiro (dando mostras de uma enorme cara de pau e outro tanto de lata), mesmo quando confrontados com o resultado directo das suas políticas, a saber, a nossa acrescida miséria, a nossa maior pobreza, a nossa acentuada regressão social e situação terminal económica, somos um Povo cada vez mais a anos-luz da demais Europa do bem-estar, da produtividade e do progresso. Cem anos de República redundam neste Esterco Cívico e Moral bem à vista na Vida Pública e seus desvarios controleiristas desmascarados, redundam no descalabro Económico Nacional, convergem no Desgoverno que se manifesta nu, como o célebre rei que assim vai. Não me venham falar em programas políticos, somente. O começo do fim de Portugal está na Má Conduta, está nos anti-Valores e na Imoralidade dos Titulares de Altos Cargos. Bastaria neles comedimento e o País não se afundaria conforme se afunda. Chega! Quem quiser ver a melhor metáfora do País olhe para o modo como têm sido conduzidos os destinos do Benfica para compreender melhor e simplificadamente. Além de o sucesso prometido e reprometido não ser alcançado, além de o nome do Benfica e de Portugal não comparecer prestigiado no plano internacional, conforme sucedia antigamente e deveria suceder sempre, passa-se que o apego ao poder e os expedientes para mantê-lo são o que são, segundo o demonstra as diversas atitudes sul-americanas de Vieira. Uma visão desapaixonada não permite pensar outra coisa de diverso. Não se pode deixar de, no geral, concordar com António Pedro Vasconcelos: «Mas, ao menor sopro de desastre, tudo se desmorona. E, nessa altura, esperemos que Moniz esteja disponível para servir o Benfica. Há muito que o clube merecia um candidato com este peso, esta capacidade de liderança, este instinto político, e que, ao contrário dos últimos presidentes, não precisa do Benfica para fazer nome, reputação ou fortuna. O que dirão, nessa altura, J.M. Delgado e Vítor Serpa, que se prestaram a fazer um sórdido frete ao presidente em exercício, numa atitude que ofende os pais fundadores e deslustra os pergaminhos de um jornal que foi, no passado, um dos baluartes da verdade e da inteligência?»

GIOVANNI ANDREOLI E A LEGISLATURA STRONZATA

Bullshit, mentira, malfeitoria, engano, stronza, stronzata, stronzate, eis o rasto de quatro anos que não pouparam quase ninguém, no plano moral e económico, nos planos do mérito e da competência, triturando-os nas quotas cegas e nos procedimentos estalinizantes, unilaterais, e que por isso mesmo nunca poderiam ter poupado Giovanni Andreoli, com os dois contratos-patranhescos, o que primeiro lhe aprensentam e assina e para sempre desaparece nas estantes infinitas do Conselho de administração da OPART e o novo e inesperadamente crono-emagrecido que mais tarde lhe procuram impingir e naturalmente recusa assinar. Enfim, narrativas similares e Giovannis Andreolis portugueses é o que não falta em quatro anos e pico disto. Para onde quer que se olhe, vê-se zero% de benefício nacional e pressente-se 1000% de benefício da pandilha socratinesca, posta a mamar à fartazana por todo o lado e lugar, à custa do sangue geral. Observa-se também um número abominável de trapalhadas passadas e decorrentes. Na verdade, percebe-se bem que foram quatro anos perdidos, entregues à Falsidade mais Despudorada, vendida por uma marketingequipa de garimpagem dos instintos populares mais vulgares e superficiais, a fim de os conduzir a uma Feira de Aparências, a um Oceanário de Ilusões onde no fim de tudo se morre de fome e de sede da mais pura realidade e chão firme: aquele que prega petas, o Patranheiro, il contaballe (in gergo colui che dice stronzate) d'altronde non si interessa della verità: vuole solo impressionare il suo pubblico.

O MODUS OPERANDI SOCRATINESCO

Isto, em matéria de escândalos e de vergonhas com a assinatura dos mesmos, é sempre a somar. Há um modus operandi calamitoso nesta legislatura socratinesca. A abundância é esmagadora. Estranhe-se o silêncio culposo dos media e dos tardios responsáveis em falar dos problemas e das irregularidades. Estranhe-se a solidão da TVI nas denúncias de imoralidades várias dos 'servidores' públicos. Que plácido povo que não faz transbordar as ruas perante escândalo após escândalo! Só quando a fome mais grosseira bater à porta?!: «A Junta Metropolitana do Porto acusou, ontem, o Governo de promover um "verdadeiro escândalo" na aplicação das verbas provenientes do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). Em causa está a resolução 86/2007 do Conselho de Ministros que permite a transferência, para a capital, de verbas destinadas às regiões de convergência (as mais pobres), desde que se considere que os projectos em causa beneficiarão o país todo. [...] As verbas utilizadas nestes e nos restantes projectos, frisou o autarca, são provenientes das regiões de convergência em proporções diferentes: 50 por cento do Norte, 30 por cento do Centro e 20 por cento do Sul. "Dos 21 mil milhões de euros a aplicar em Portugal, e por decisão comunitária, cerca de 11 mil milhões são destinados ao Norte", explicou Rui Rio, vincando: "Só que grande parte destas verbas está a ser aplicada em Lisboa". E, o mais injusto, acrescentou o autarca, "é que, quando se for fazer a contabilidade, estes 11 mil milhões aparecem como sendo atribuídos ao Norte, porque contabilisticamente, mesmo que a obra seja em Lisboa, aparece como verba do Norte".»

REVOLUÇÃO A 27 DE SETEMBRO

Nós, os sobreviventes de uma legislatura desastrosa, cuja putrefacção moral encheu Portugal de merda até aos olhos, teremos uma oportunidade de revolucionar a política a 27 de Setembro de 2009. Nem tentem argumentar com os votos em branco, nulos e abstenções. Já não se pode fazer favores a uma gentalha porca inaudita na democracia portuguesa.

«ESTA GENTE É UM NOJO!»

Definitivamente é preciso dizer isto.

PASSE CONTROLEIRO FATAL

Fica para a posteridade que o modo sonso e controleiro de esta gente governamentalesca proceder não lembrava ao diabo. Mesmo que me pagassem, não poderia dizer nem concluir qualquer outro tipo de coisa contrária, como infelizmente surpreende encontrar por aí. Resta desenterrar quantas vezes de que formas este modo de proceder (mentiroso, à leão, não olhando a quaisquer meios) foi utilizado em quatro anos. Porque a constatação fica: quem procede de um modo obscuro e tortuoso numa matéria tão delicada (PT/Estado-Media Capital) pode proceder de um modo tortuoso e obscuro em quase todas as demais matérias, o que configura um cenário de a desonestidade e o vício moral terem lambido de lés a lés todas as políticas, todos os embates, todas as causas, todos os pretextos, todos os abusos pseudo-reformistas governamentalescos. Uma sociedade que toda se levantou numa leitura unânime de um negócio mal-cheirento pode ter de levantar-se muitas mais vezes. Talvez seja a hora de crivar bem crivado o conjunto das actuações governamentalescas socratinas para lhe aferir o 'valor' humano, as verdadeiras motivações e a bondade do interesse nacional. Não custa nada antecipar descobrir-se que o País tem comido incompetência e incúria tão crassas, tão devastadoras, nos seus dirigentes políticos, que aos cidadãos a breve trecho só restará a emigração aflitiva ou o suicídio desgostoso: «Da esquerda à direita, qualquer que seja a leitura do caso, os partidos da oposição não ilibam a imagem do Governo e de José Sócrates em particular. O CDS-PP associou o "recuo" do Governo à continuidade de José Eduardo Moniz à frente do canal. "Quando o director já não sai, já não há interesse no negócio", afirmou o deputado Pedro Mota Soares, apontando uma contradição a Sócrates: "Há dois dias, queria ter mais uma televisão, agora já não quer." Para Fernando Rosas, do Bloco de Esquerda, o caso "é uma demonstração da trapalhada, falta de transparência e de seriedade política". O deputado nota a mudança de posição em poucos dias: "quarta e quinta-feira, era o mercado a funcionar e que deixassem os privados resolver tudo; hoje, afinal a golden share obriga o Governo a pronunciar-se e afinal parecia que havia qualquer coisa de profundamente obscuro". Na mesma linha, o deputado do PCP António Filipe diz que o veto foi uma decisão avisada, mas retira algumas conclusões: "Põe em evidência que a decisão do negócio só podia ser tomada com a concordância do Governo e retira credibilidade à ideia de que o Governo não estava a par do negócio".»

ÁLVARO DE CAMPOS, CANÇÃO À INGLESA

Cortei relações com o sol e as estrelas, pus ponto no mundo.
Levei a mochila das coisas que sei para o lado e prò fundo
Fiz a viagem, comprei o inútil, achei o incerto,
E o meu coração é o mesmo que foi, um céu e um deserto
Falhei no que fui, falhei no que quis, falhei no que soube.
Não tenho já alma que a luz me desperte ou a treva me roube,
Não sou senão náusea, não sou senão cisma, não sou senão ânsia,
Sou uma coisa que fica a uma grande distância
E vou, só porque o meu ser é cómodo e profundo,
Colado como um escarro a uma das rodas do mundo.
lkj
Álvaro de Campos, 01 de Dezembro, 1928

sexta-feira, junho 26, 2009

DIDN'T STOP TILL HE GOT ENOUGH

Michael Jackson, Don't stop till you get enough!

JACKSON, OUTRO PRÓSPERO MORTO

Eis tudo e ainda mais! Da vida recente difícil à glória de se tornar em mais um próspero morto.

SOLAR IMPULSE

Projecto fascinante! A pesquisar e a ler quase tudo acerca aqui e aqui: «O HB-SIA tem 24 mil células solares ligadas a baterias com alta eficiência, que permitirão acumular energia vinda do sol para o avião poder continuar a trabalhar durante a noite. “Se uma aeronave é capaz de voar de dia e de noite sem combustível, impulsionada simplesmente pela energia solar, ninguém poderá dizer que é impossível de se fazer o mesmo com veículos a motor, sistemas de ar condicionado ou de aquecimento e computadores”, acrescentou.»

JACKSON HAS LEFT THE BUILDING


A Mitificação galopante de Michael Jackson é global e unânime, ainda que lhe venham detrair dimensões biográficas negras. Palimpsesto de outros mitos, gerados por semelhante morte assistida porque afinal mediada pelo complexo contexto químico em que ocorreu, Jackson agorinha mesmo is as good for business as he ought to be, tal como Elvis ainda é e sempre será um próspero morto. Jornais on-line explodem nas visitas assim como os blogues. A tragédia mais ou menos particular mais ou menos geral tem o condão de fazer prosperar acrescidamente certos negócios de massas, certas assuntos de enchidos. Pubs, shoppings, lojas, passam vídeos e músicas jacksonianas. Assim vai o mundo: «Milhões de fãs de Michael Jackson choram a sua morte nas ruas de todo o mundo. Da pequena cidade industrial de Gary, no Indiana, onde o “Rei da Pop” nasceu, a toda a zona ocidental de Los Angeles, onde o cantor vivia, passando pelas principais praças dos EUA, Europa, Médio Oriente, os tributos sucedem-se em honra do homem que muitos descreviam como o herdeiro natural de Elvis Presley.»

MFL E O CAMALEÓNICO COMPULSIVO

MFL pode bem dizer que é com um argumento extraordinário que Sócrates sacode a água do capote. É evidente que nesta matéria espinhosa, o Governo colocou-se numa posição em que poderá ser preso por ter cão e preso por não ter, mas simplesmente porque ser essa a natureza dos factos em cima da mesa. Com este negócio, o Governo cavalgava a PT discretamente numa direcção suspeitosa alegando ignorância. Denunciado o negócio por amplos sectores críticos da sociedade tendo em conta o contexto histórico recente, por exemplo as declarações de Espinho, por exemplo, o Governo dá meia-volta e o que é que faz?! Faz de mau e de pudico, arreganhando os dentes como se não fosse justificada toda a suspeição. Mais teatro. Do mau e muito mal produzido: «"Compreendemos perfeitamente o interesse empresarial da PT e esperamos que a PT continue a prosseguir esse interesse estratégico na procura de mais conteúdos. Mas esperamos que o possam prosseguir de outra forma, porque o Governo não quer que haja [deixa de quer que haja] a mínima suspeita de que esta compra de parte da TVI se destina a qualquer alteração da sua linha editorial, ou a alterar uma posição de independência relativamente às linhas editoriais de qualquer estação de televisão", declarou José Sócrates.»

EXORCISMO ELEITORAL URGENTE


Faz todo o sentido político que a PT (que é uma empresa formalmente privada, mas está ali à mão para servir de ariete de iniciativas da lavra dos Governos e de este Governo-PS, graças à sua golden share) tenha sido impedida de realizar um estranho negócio, o qual, vindo do nada, consideraria porventura estratégico, se considerar alguma coisa estratégica é andar entre a negação e a assunção com imensos desmentidos-Granadeiro e hesitações-Bava pelo meio, conforme se tem visto, com o profundo embaraço geral consabido. E o negócio era a compra de uma percentagem da Media Capital que poderia aumentar ulteriormente. Porque é para isso que existem, para exercer escrutínio apertado, os partidos políticos da oposição, do BE ao CDS, insurgiram-se contra este negócio e descreram da santa ignorância governamentalesca. Falou-se muito justa e oportunamente de “transparência”, da falta dela. Directores de Televisões e de Jornais, José Manuel Fernandes, António José Teixeira, Ricardo Costa, mostraram-se chocados e preocupados com a liberdade de expressão e com a fortíssima possibilidade de um putch editorial contra José Eduardo Moniz, com este a ser, tarde ou cedo, afastado da direcção-geral da TVI. O PS de Sócrates metera-se em nova trapalhada, uma confusão de todo o tamanho. Só uma minoria de avençados do Poder pode argumentar a favor de um negócio e da sua gestão pelo Governo como se se tratasse da coisa mais natural e normal do mundo. Certamente não ouviram atentamente João Cravinho a demonstrar cirurgicamente, diante de Mário Crespo, de que modo e porquê tal negócio nunca poderia progredir sem pleno conhecimento e intervenção do Governo. Não o é nem por sombras. Por isso mesmo, recuando completamente, está o Governo aí, pressionado pelo clamor geral que grassa na sociedade portuguesa e dando-lhe absoluta razão. Vem portanto supostamente não autorizar um negócio que desconhecia: «Compreendemos o interesse empresarial da PT mas esperamos que possa prosseguir esse interesse de outra forma porque o Governo não quer que haja a mínima suspeita de que esta compra de parte da TVI se destina a qualquer alteração na sua linha editorial.», disse o Ainda-PM. O facto de Estado deter uma golden share na PT permite-lhe vetar negócios que "desconhece", mas que alguém lhe recorda poderem ser contrários aos interesses nacionais. Para tanta gente ter clamado e tanta indignação e insurgência moral ter aflorado na sociedade portuguesa, despoletados no debate parlamentar por BE e PP e depois explorados por MFL e sublinhadas por Cavaco, provavelmente estava em causa a Liberdade e a Pluralidade da informação em Portugal. Chávez na Venezuela, o grande milionário do petróleo e amigo populista desleal nos negócios com este Governo, pelo contrário, tem conseguido minar e rasurar quaisquer antigos vestígios de pluralismo mediático, encerrando e absorvendo os media que pode para que dominem e predominem as suas conversas doutrinárias em família e os seus monólogos de tirania suavizada, mas não menos eficaz. Tudo isto talvez porque aquela sociedade não tem nem um terço da capacidade de alarme social portuguesa sob um Governo em absoluto e escandaloso descontrolo e trapalhadas infinitas. Efectivamente, Portugal necessita de um Exorcismo Eleitoral com a máxima urgência porque até às legislativas compreender-se-á a que limites de Rapina Clientelar e desbragamentos perdulários se entreteve esta socialmente devastadora legislatura.

ABSOLUTAMENTE DE ACORDO, DAVID!

«Outra das cínicas e hipócritas trivialidades (fica bem!) é a juramentada não fulanização, não pessoalização (também há quem goste de personalização se bem que aprecie mais a personificação) do exercício ou práticas políticas. Nada mais falso! absolutamente falso e logo nós, que nos movemos num universozito de 10 milhões, de paróquias e imensas capelas; onde cada um faz, procura fazer por apoucar, mais do que para igualar o vizinho, mais ... e se não fosse uma “circunscrição” de dez milhões em que todos nos conhecemos (ou julgamos!). A questão só não se põe nestes termos num universo de 40, 50 ou mais porque o crédito, o estado de graça, a benevolência, a insuspeita sobre caras, personagens desconhecidas (ou menos conhecidas) varia em proporção directa – aumenta o universo, aumenta a malha do crivo. Naturalmente! tão simples quanto isto (sem esquecer que não isenta o erro). Sem mais delongas... o PS de Sócrates é muito mais pernicioso para a sociedade do que o PS de Guterres; o PS de Santos Silva e de Alberto Costa é muito mais perigoso que o PS de Alegre, malgré tout; O PSD de Luis Filipe Menezes (ou de Santana Lopes) é, garantidamente, menos fiável que o PSD de Marques Mendes; um PSD de Pedro Passos Coelho uma réplica tão pedante (e mais afectado) que o PS de Sócrates; o PSD de Manuela Ferreira Leite incomparavelmente mais responsável, fiável, sério do que qualquer dos anteriores; o CDS de Ribeiro e Castro menos eficaz e resoluto que o de Portas, mas mais sério; um CDS de Pires de Lima e Nuno Melo mais eficaz e resoluto que qualquer dos anteriores. Quem diz, defende o contrário é cínico, hipócrita. Não o foi, então, Cunhal, que engoliu o sapo, e pediu para fecharem os olhos ao votar, para votar(em) (eles) em Soares. Evidentemente que, o sapo, não era/é a cartilha ideológico-programática do PS.» David Oliveira, Pleitos, Apostilas e Comentários

quinta-feira, junho 25, 2009

POR ENQUANTO

O modus operandi sonso e traiçoeiro com que este negócio se urdiu, escondeu, negou, e afinal se concretizará, resume e subsume toda esta Legislatura. Gato por Lebre. Piss and Ink todo o caminho: «O acordo para a entrada da PT na Media Capital, que detém a TVI, está praticamente concluído, mas não assinado, e José Eduardo Moniz continuará como director-geral da estação de televisão.»

MICHAEL JACKSON E O CHIP ETERNO

O que haverá de inenarrável no pathos biográfico do deposto Rei da Pop que o tenha trazido a este novo episódio dramático, o último*?! E por que motivo nunca mais ressurgiu entre tantas situações embaraçosas e estranhas na sua vida de criança protelada sem o chip da liberdade?! Eis como se forjam os mitos eternos. Nem sempre assim. Nem sempe assado: «O cantor norte-americano Michael Jackson deu entrada no hospital de Los Angeles devido a uma paragem cardíaca.Segundo o jornal “Los Angeles Times” um responsável dos paramédicos revelou que receberam uma chamada da casa do cantor e quando chegaram ao local o músico não respirava.»; *«O músico norte-americano Michael Jackson morreu hoje, adiantam sites noticiosos norte-americanos, depois de ter sido encontrado em casa sem respirar. O músico foi levado para um hospital de Los Angeles por paramédicos.»

AF 447 — O CORPO DO PILOTO

Foi divulgado, e merece credibilidade!, que entre as vítimas recuperadas do oceano estão dois membros da tripulação do voo AF 447, identificados até o momento como sendo o piloto e um comissário de bordo, segundo revela a Air France algures no seu site. Em breve fará um mês sobre esta tragédia e conviria ter coligidos e divulgados alguns factos sólidos a partir dos destroços e a partir da autópsia das vítimas, coisa que tarda demasiado para quem anela pela verdade completa: «O corpo do piloto do avião da Air France que se despenhou no Atlântico a 1 de Junho foi identificado entre os corpos recuperados no oceano, adiantou hoje a companhia aérea.»

HONESTÍSSIMO BANDO DE PULGÕES

Como pode ser possível a tantos dormirem tranquilos sabendo Portugal entregue a um Bando de Pulgões devastadores da seiva nacional?! Gente capaz de tudo, de todas as desonestidades processuais para obterem todas as vitórias de Pirro?! Os fundamentos errados de toda esta pseudo-reforma educativa terão de determinarar um enorme recomeço regenerador, na próxima legislatura. Quem poderá pactuar com o monstruoso submergir português na mais irreparável mediocridade, graças a quatro anos mortíferos para a Verdade do Jogo Jogado Educativo?!: «O secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, assumiu esta tarde, em conferência de imprensa ,que não vai ser possível chegar a acordo com os sindicatos dos professores sobre a revisão do Estatuto da Carreira Docente”.»

SÓSIA PEREIRA FAZ DE VITALINO


A tremideira governamentalesca das últimas horas não tem remédio arrastando para uma floresta labiríntica de trapalhadas o nome de gestores fabulosamente pagos e supostamente competentes como Zeinal Bava e Henrique Granadeiro. Há algo de tão desastrado e moribundo neste Governo que por muito que venham os sucessivos Vitalinos novos, entre os quais Pedro Silva Pereira, nada mais que um Vitalino, enfatizar ideias e sublinhar a ausência de suspeições, está aí mesmo Ricardo Costa e tantos outros a clamar que não é verdade, que há um facto político grave subjacente a tudo isto entre a PT e a Media Capital/TVI. Portugal é sacudido por um tsunami de absurdos governamentalescos que nos não dão tréguas. Ontem a Fundação Esconsa para as Comunicações Móveis deu estrilho, demonstrando o vão de escada para onde se atiram os dinheiros públicos e se inventam Fundações e Observatórios de perder recursos, hemorragia contínua, filha da lógica desonesta e corrupta com que se praticam todos os desmandos que danam Portugal. Ontem também foi notória a contradição ou mentira em directo com o Jaiminho Silva dessintonizado em directo e em simultâneo com a versão socretinesca relativa à demissão do embaraço em pessoa, Carlos Guerra. Depois é assim: quanto mais Vitalino o PS arremeda, pior fica o soneto, alguém desmentiu ter estado Granadeiro, presidente da PT, com o Ainda-PM no dia em que a PT comunica à CMVM a intenção de compra das acções da TVI?!: «O ministro da Presidência acusou hoje a líder do PSD de “arrogância” ao lançar “suspeições totalmente infundadas”, tentando envolver o Governo num negócio que ainda não se confirmou entre a Portugal Telecom (PT) e a Media Capital.Pedro Silva Pereira falava aos jornalistas no final do Conselho de Ministros, depois de confrontado com a polémica em torno da possível compra pela PT de 30 por cento do capital da Media Capital, que controla a TVI.»

MONIZ OU VENTRILOQUAMENTE PRISA


Se a Prisa, que está absolutamente aflita por liquidez, quisesse realmente manter vivo este negócio a que a PT se abalança, acompra 30% da Media Capital, poria todos aqueles a quem paga a dizer em coro o melhor possível de tal negócio numa perspectiva de strictly business. Com isto afastar-se-ia dos considerandos políticos que lhe não interessam minimamente. O problema é que nada disto é estritamente negócio. Pelo contrário. Moniz diz o que diz porque na posição em que está nunca poderia dizer outra coisa. Mesmo um Director de uma Estação de TV diz o que lhe mandam, quando lhe mandam, estando tanto dinheiro salvador em jogo. Outra coisa diferente terá a dizer quando o negócio estiver concretizado e for livre para dizer o que pensa sem a coacção da sua posição profissional que nunca poderia comprometer um negócio importantíssimo para a precária flutuabilidade da Prisa: «O director-geral da TVI, José Eduardo Moniz, mostrou-se hoje favorável à venda de parte da Media Capital à Portugal Telecom (PT), dizendo que abre novas oportunidades para os conteúdos do grupo e favorece o crescimento da estação de televisão.»

JORGE MIRANDA, REBELDE E AMUADO


Jorge Miranda, um ilustre constitucionalista, um homem bom, teve a rara fraqueza franca de se dar todo como bola de pingue-pongue nas raquetas cansativas do PS. Como candidato pode até ter sido das poucas boas iniciativas que o PS encabeçou, uma espécie de anti-Vital, com tudo para ganhar. Designado pelo PS, tomou partido pelo PS que visava impô-lo como novo Provedor de Justiça. E agora, ao rebelar-se contra o desfecho de uma eleição colegial parlamentar, atacando o PSD, serve novamente a franca fraqueza de servir o PS. Daí que responda muito bem Manuela Ferreira Leite, a grande desprezada e apoucada pelos reis da bloga e por esses Vitalinos infinitos no PS. Ela ressurge forte como uma Rainha Santa Isabel e humilde, verdadeiramente humilde, como uma Teresa de Calcutá. Qualquer frase bem ponderada de Manuela Ferreira Leite resulta, por estes dias de vitória, em embaraços imediatos para este PS trapalhão e glutão, o das Fundações Esconsas e habilidosas, o dos negócios paquidérmicos e ambições de controlo esmagador sobre tudo o que mexe em Portugal. Quem diria que uma mulher simples, clara, directa, renascida com a força moral de quem nada deve e nada teme, sem um exército caríssimo encarregado de lhe retocar a imagem e muni-la de Refrões Ocos, pudesse dar tanta pancada ao Império de Alice e do Faz-de-Conta que esta Legislatura levou até às últimas e piores consequências?! Jorge Miranda, na verdade, pôs-se a jeito de uma lição imprevista de democracia elementar: «A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, considerou hoje em resposta ao constitucionalista Jorge Miranda, que falhou a eleição para Provedor de Justiça, que em democracia é impróprio alguém "rebelar-se quanto ao resultado de uma votação".»

BRITISH AIRWAYS, WILLIE WALSH, TAP


Se o presidente executivo da British Airways, Willie Walsh, consegue arrastar 7000 a um voluntarismo salvífico, poderia Fernando Pinto arrastar outros tantos milhares que fizessem a diferença e salvassem a TAP mais depressa?! Seria modelar, até porque poderia ser transposto para os mais altos cargos públicos como o de Primeiro-ministro. Contas públicas desastradas? Défice descontrolado? Despesa pública astronómica? Privação temporária de salário!: «A British Airways (BA) anunciou hoje que 7000 trabalhadores voluntariam-se já a trabalhar sem receber salário durante um curto período de tempo, numa tentativa para assegurar a sobrevivência da terceira maior companhia aérea da Europa.»

RUI MOREIRA E O LÓBI MAU DA PT


Rui Moreira, que é um homem inteligente e mediático, deveria centrar a sua argumentação sobre o cerne do problema. E o cerne do problema não é o comentário de Cavaco, quando instado a pronunciar-se sobre ele. Importaria saber se Rui Moreira pode qualificar de 'empresariais' todas as questões que demonstrem ser já, e não mais tarde, um efectivo ataque à pluralidade e independência dos media nacionais; esse Rui Moreira, pressuroso em achar mal a recomendação de Cavaco deveria ser pressuroso a classificar os contornos morais de este negócio. Continuaria ele tranquilo num país controlado nos seus media em grande medida pelo poder político, sobretudo com o perfil trapalhão actual?! Um País cujos portentos económicos, como a PT, se transformam despudoradamente em arietes de força, controlo e domínio de tudo e de todos, controleiros das frases correctas, do lado certo da verdade, só convenientes a um Poder sem qualquer respeito pelos cidadãos. Rui Moreira é empresário, comenta futebol na RTPN e agora faz de escudo aos desígnios chavistas de este Governo-PS. I rest my case: «"Acho mal que o Presidente da República se manifeste sobre estas questões empresariais. Acho pior ainda por cima quando se sucede em poucas horas à entrevista da líder da oposição sobre esta matéria. Não acho que o Presidente da República deva apanhar boleia sobre estas questões", disse à agência Lusa Rui Moreira.»

EXPLICAR ESSA FEBRE DE TIRANIA

Granadeiro mente e omite. Sócrates omite e mente. O Governo, omisso, mente. Tudo o que envolve a putativa compra pela PT do Grupo que detém a TVI é transparente de mais para não ser gravíssimo e mais do mesmo tipo de atropelo ao que resta da Democracia Portuguesa. Mesmo que o negócio se não concretize o mal está feito: Sócrates, no seu ímpeto humilde de grande predador das contas públicas, obsessão da própria imagem pelo controlo paquidérmico dos media, quer estrangular a única voz adversa a si, passando a controlar, via PT, a Estação de Moniz e MMG, conforme já controla outros media, RTP, JN, DN. Nestas coisas, um tirano faz como Chávez e devora o pluralismo e a diversidade que lhe não convêm. Depois não se queixem! Bem dizia uma velha gaiteira esta manhã, num dos fora com predomínio dos comentadores encomendados que este Poder Político costuma comprar, «Este tipo além de aldrabão compulsivo é do mais perigoso que por cá arribou!»: «O Presidente da República afirmou hoje que os responsáveis da Portugal Telecom (PT) devem explicar aos portugueses que motivos levam esta empresa a querer comprar 30 por cento da Media Capital, por "uma questão de transparência".»

quarta-feira, junho 24, 2009

MICHEL FOUCAULT: EM FORMAÇÃO INTENSIVA


Tenho andado por aqui a tentar aprender alguma coisa de relevante sobre Michel Foucault. Aparentemente, o defunto intelectual francês, suscitado pelo João Gonçalves como assunto-aperitivo e pausa-divergente de outras lides no Portugal dos Pequeninos, tem revelado, em comentadores habituais ali, especialistas acabados. Não apenas exímios conhecedores, como ainda com tempo para considerandos de péssimo gosto sobre os comentários aventureiros de outros comentadores e ainda pior pedagogia para quem confessadamente se aventura no desconhecido, como eu, mas em todo o caso se aventura. Graças a Deus, ainda há bom vernáculo que se descarregue nessa Fruta Humana, vernáculo de boa cepa para baixar convenientemente o nível da línguagem assim que o nível ético começa ele por baixar ao grau zero da respectiva grunhice. Na verdade, a bloga, como a vida, está repleta de videirinhos que olham com amplo benefício pela sua própria vida, der por onde der, rémoras coladas aos tubarões da fama ou do proveito, assim como está repleta de caramelos que não perdem uma oportunidade para vexar os outros presumivelmente menos sabedores, revelando assim em que esterco moral amniótico medraram os primeiros. Esta pedantaria, que maltrata, destrata e deconsidera o outro, é um vício e um mal só resolúveis num duelo à moda antiga: ou à espada ou ao tiro. Difícil perdoar tanto 'saber' e 'conhecimento' infusos numa redoma de camelos exclusivos detentores. Puta que os pariu e boa viagem!

A PIQUE, QUATRO ANOS FENDENTES

Onde fica a Saída de Emergência do Recinto Portugal a arder nesta titaniciatura socratinesca contente consigo mesma? Ajudem um pobre a emigrar! Que ninguém se compraza secretamente na hecatombe moral e económica que grassa por cá após quatro anos a enriquecer os ricos e a extorquir o chão aos pobres, a massacrar classes profissionais, reduzindo os custos e os gastos do Estado no sítio errado, como já o antecipava e foi contrariando Santana Castilho. Deu em nada. Riqueza mal distribuída. Rendimento das famílias ainda mais magro. Política de enorme Abuso Fiscal e Gastos Sumptuários em futilidades secretas (no departamento de Imagem e Marketing, Treta e Púlpito Anunciante governamentais gastaram-se balúrdios, assim como se queimaram milhões em consultadoria aos Advogados Mefistos do Regime). Perante estas previsões da OCDE, não há dúvida de que não se está a fazer o devido ou então o devido é errado. Abunda é Mentir às pessoas há longos meses com números. A Plutocracia portuguesa, que fode impiedosamente com as gentes e é no plano social profundamente insensível, poderá deixar de ter carniça sobre a qual exercer a sua necrofagia exploratória e esclavagista. As sociedades desiguais desmoronam mais depressa. Não há biombo nem desculpa para a iniquidade monstruosa patrocinada por este PS. A merdificação da economia é um facto. A desmoralização geral, outro. Os portugueses ainda não violentaram os ouvidos bloqueados de Sócrates, o grande Mouco, o suficiente. Emigrar em massa ou dar menos de 20% a este PS Socratinesco nas próximas legislativas, não resta aos portugueses outra saída. Punir severamente a Incompetência e esse Embair permanente do Zé Patranhas e punir o Partido que agora se disponha a servir-lhe de bóia eleitoral, caucionando este esterco, como parece ser o caso do BE de última hora no seu transformismo oportunista. É bom que clarifiquem o caminho pós-eleitoral que as gentes não querem ser re-enganadas. Todo o sistema político está pervertido e apodrecido. Portugal está a saque e no plano inclinado de todas as ameaças à sua independência. Fendidos por políticas erradas e de mau carácter, o naufrágio nacional está à vista: «A economia portuguesa deverá recuar 4,5 por cento este ano e em 2010 continuará em terreno negativo, segundo o Outlook da OCDE divulgado hoje. Com a economia em recessão, o desemprego deverá atingir os dois dígitos: em 2009, a taxa de desemprego deverá subir para os 9,6 por cento para no ano seguinte chegar aos 11,2 por cento.»

AF 447 — AUTÓPSIAS DENUNCIAM

As autópsias denunciam as circunstâncias em que se verificou a queda do Airbus 330-200. Clicar sobre a infografia de William Mariotto aqui.

THE ROLLING STONES, EMOTIONAL RESCUE

terça-feira, junho 23, 2009

ESCÂNDALO DA LUSA MATEMÁTICA PÍFIA

Não compreendo como é que sob a revolução abrasiva de Maria de Lurdes, Lemos e Pedreira, os actuais Grandes Descartáveis Servos de Sócrates, pode alguma vez olhar-se para os exames de Matemática e Língua Portuguesa como "temíveis". Depois de eles, nunca mais se poderá olhar com um olhar sério esses exames. Pelo contrário, infelizmente suscitam aos observatórios e aos especialistas um risinho escarninho de compaixão e perplexidade. Todas as instituições independentes sabem que os números e as estatísticas estão a ser dobrados pelo Musculado Ministério da Educação como o aço na Siderurgia. Obviamente, que o preço será muito alto e amargo para os interesses profundos dos portugueses. Mas não é nada que preocupe a Mentirologia sistémica no Consulado Mentirológico socratinesco. Nascido na Mentira e medrando na Mentira, Mentir é o líquido amniótico do Regime com o qual se adia ou disfarça a sua falência estrondosa. Alguns portugueses sentam-se na primeira fila para assistir ao Rebentamento do Regime, outros estarão bem no meio da Explosão Futura desse Circo de Enganos: «É uma das provas mais temidas. Mas revelou-se “razoável”: “Sem ser difícil, não é escandalosamente fácil.” Foi esta a apreciação que a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) fez do exame nacional com mais alunos inscritos realizado hoje.»

NEDA AGHA-SOLTAN E O REGIME MORTO


Pode dizer-se que por muito que o Regime Ditatorial iraniano riposte e reprima, pode ser já imparável a revolução popular no Irão, uma vez que a ira das gentes que enche as ruas tem os seus limites de contemporização e conformismo. Graças à tecnologia de informação, por telemóvel e acesso à Internet, contornando as barreiras da Censura, quase nada escapa ao conhecimento internacional e, portanto, à censura moral do mundo livre. Ahmadinejad e os seus mentores têm cada vez menos espaço de manobra para justificar-se ao ponto de ser possível a muitos resistentes sonhar com efeitos duradouros, desanuviamento na guerra civil no terreno, reforma e libertação dos costumes naquela-pseudo-democracia. A morte de Neda Agha-Soltan parece estar a transformar-se numa bandeira e num símbolo irresistível de resistência redobrada. Pode-se pensar também que a eleição de Obama e o seu novo discurso humanista de negociação próxima, conciliatória e leal para com o Islão como o grande furo no balão de ódio anti-americano de que este regime teocrático vive: «"Devemos homenagear a coragem e dignidade do povo iraniano, e a abertura notável que está a acontecer dentro da sociedade iraniana. E lamentamos a violência contra civis inocentes, aconteça onde aconteça", disse Obama.» Não é qualquer um que apresenta uma palavra conciliatória e pacífica tão firme, estimulante e eficiente, corroendo as razões para o ódio e revertendo-o contra quem dele depende para se auto-justificar. Vimos este tipo de fenómeno com a grandeza moral e a palavra cirúrgica de João Paulo II com o consequente desmoronamento do Império Soviético e da Cortina de Ferro como um castelo de cartas. Espermos ver qualquer coisa de equivalente por um Irão Laico como a Turquia, respeitável e integrado plenamente na grande família das Nações: «O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, anunciou a expulsão de dois diplomatas iranianos do Reino Unido, em resposta a uma decisão de Teerão de expulsar dois diplomatas britânicos do Irão na segunda-feira. Entrentanto, o Presidente dos EUA elogiou a "a coragem" dos manifestantes iranianos e o pediu mais dias para receber queixas sobre as eleições de 12 de Junho.»

PS-GOVERNO EM DERIVA AL-SAHHAF


Custa a acreditar que faça qualquer sentido esta fuga para a frente só com dizer que está tudo sob controlo. A dupla Crise, Estrutural portuguesa e Conjuntural internacional, aliada ao Fisco Exorbitante Extorcionário Português tem como resultado o colapso em decurso da economia nacional. Não compreendo como é sorrindo que Cavaco comenta este desempenho e como se atrevem, no Governo, a desdramatizar o problema. Como não esperar o pior com o espírito al-Sahhaf com que se está a adressar este problema?! E logo com a figura de peso, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais Carlos Lobo: «Apesar dos maus resultados alcançados até ao final de Maio, o Governo garante que a meta para a cobrança de impostos prevista pelo Governo irá ser cumprida.»