VICIOSA COSMÉTICA DEBALDE
Há coisas de mera cosmética em que o Governo insiste precisamente por se tratar de um Governo e de um PM que encornaram a ideia de que tudo só lá vai com a cosmética do teleponto, a cosmética da retórica trabalhada em artísticas simulações de bastidor e assessores só para isso, a cosmética da gesticulação estudada num qualquer púlpito, espectáculo de mimo estático, show de vácuo lustroso, re-inauguração de tudo. Assim, no meio das diligências para que o PEC III convença cá dentro e lá fora, o Governo continua a recorrer aos préstimos da Kreab Gavin Anderson (KGA) para ajudar a imagem do País junto dos mercados financeiros. Isto segundo o Ministério da Economia. Não se ataca a substância, mas a imagem. O contrato com a empresa multinacional — até agora envolto em sigilo — custou aos cofres do Estado 330 mil euros. Como se tem visto, debalde se afadiga o perdulário Executivo em esforços de essa natureza. Não há cão nem deixa de haver cão. A questão não é ser preso por tê-lo ou não o ter. O problema é esta trela do desperdício na aparência.
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