quarta-feira, abril 30, 2008

A CASSETE DA CASSETE



Aquando do encerramentos na saúde, qualquer manifestação era minoritária e era o PCP.
Aquando dos professores indignados com a Avaliação Chilena, Espartana,
em moratória por enquanto, era uma coisa minoritária e era o PCP.
Para o PM, o Papão e a Cassete são sempre o PCP.
Mas é ele quem usa e abusa dos mesmos clichés.
E falar de intimidação pelo facto de o PCP apresentar uma Moçãozinha de Censura,
completamente condenada à partida, é dramatizar por demais!
Por falar em intimidar, quem é que consta
que anda para aí a intimidar os portugueses?!
Quais os incidentes esquisitos e quem os promoveu, por falar em intimidar?!
lkj
Que forças, que interesses têm praticado um autêntico bulliying laboral,
fiscal, económico, inundando-nos de coimas, de multas, de taxas,
de agravamentos, de aumentos, de jogadas na sombra bancárias,
objectivamente à revelia do que deveria acontecer,
tendo em conta os números reais, a situação no panorama europeu e internacional?!
Que o Governo trabalhe que se veja na contenção da Despesa do Estado!
Façam por que o Estado dê o exemplo!
Façam por que o Estado tenha Palavra e seja Pessoa de Bem!
E não nos fodam que a culpa é sempre das cassetes gastas
de um PCP igual desde há trinta anos.
Já não cola!
lkj
Comentário de Ouro
lkj
30.04.2008 - 17h59 - Julieta, Coimbra, Portugal
Sr Manuel Abreu, espanta-me que citando tão belo poema, não perceba que quem está moribundo é o Governo. Se tanto preza a educação e a saúde porque não compara os resultados dos alunos vindos da Ex europa de leste com os nossos alunos portugueses? Olhe que os professores são os mesmos. Já agora, compare as listas de espera para cirurgias e consultas das diversas especialidades dos referidos países com as nossas. Gostava muito de saber o que é que o Sr 1º Ministro entende como concertação social, pois eu, desde que este governo começou a governar, ainda não vi nem concertação nem social. O que se vê são excepcionais técnicas de markting da parte do governo e um excelente actor que deveria ganhar um Oscar, o 1º Ministro.

«I SEE DEAD PEOPLE!»



À Moção de Censura do PCP ao Governo
corresponde a nossa enorme Emoção de Censura ao Governo igualmente.
Já sabemos que é fácil alijar no Governo todas as responsabilidades
e não se pode por sistema fazer isso, que é injusto, tão difícil é governar.
Mas quando elas existem, quando se observa que governar é garantir
compensações a jusante por parte daqueles que se beneficiam e priveligiam no processo decisório a montante, isto é, enquanto se governa, autoriza-nos enorme indignação.
Por isso mesmo, vastos sectores da cidadania portuguesa,
encostados à parede e às próprias esqueléticas costelas posteriores, dizem «chega!».
Ao Governo, nem sempre o salvarão as bóias salvíficas do PR,
as bóias salvíficas do Empresariado do costume,
das magníficas firmas Parecerísticas e Consultorísticas, meu Deus!,
que vício e que faz de conta tão lesivo de todos, pró-formas inúteis!,
dos seus apaniguados e protegidos, pagos a peso de ouro
para emitirem opinião e verterem doutoralmente-júdice
apatia e clorofórmio sobre as nossas consciências!
Ainda há independência em Portugal?!
lkj
Outrora, o PCP foi um óbice ao progresso e à livre iniciativa
com a sua cassete dogmática, Biombo da Negra Tirania Menchevique,
com a sua carta hirta de marear dogmática e pseudocientífica,
o Marxismo como bíblia-chave para uma felicidade afinal toda tirânica e absoluta,
mas hoje institui um princípio de moderação social,
interpreta a capacidade de escuta e a sensibilidade às pessoas concretas,
amplificando o seu grito premente contra o Paradigma Brutal que se implanta,
mega-exploratório dos que trabalham.
Até quando o estarmos inseridos num Mundo Global
servirá para branquear e legitimar novas formas de abuso e de arbitrariedade?!
lkj
Há pessoas no seu limite anímico, economicamente mortas ou quase mortas,
mas só o PCP é que as vê e as quer ver.
E o BE! E o PP, vá!, porque os extremos tocam-se, quer se queira quer não,
embora a gente desconfie sempre onde começa a sede de poder
e acaba o serviço ao Povo e vice-versa.
Mas em alguém, pontualmente, teremos de confiar!
lkj
Comentário de Ouro
lkj
30.04.2008 - 16h14 - Margarida, Amadora
Perante a gravidade da situação nacional e o carácter inaceitável das propostas sobre o código do trabalho, o PCP apresentou uma moção de censura ao Governo PS e à sua política. Esta moção de censura é uma firme denúncia e condenação da política de direita que desestabiliza o país, que agrava as desigualdades e injustiças sociais, que é factor de atraso e retrocesso social, que diminui a nossa soberania face aos interesses das grandes potências e do capital estrangeiro, que entra em confronto com a Constituição da República Portuguesa. Uma moção de censura que põe em evidência perante o país a gravidade das propostas para a legislação laboral É um acto que dá expressão à vasta frente de luta, protesto e descontentamento que percorre o país, a todos os que demonstraram ao longo dos últimos meses o seu protesto, a todos aqueles que participaram nas poderosas manifestações de massas que envolveram centenas de milhar de trabalhadores do sector público e privado, a todos os que foram para a rua lutar em defesa dos serviços públicos. Uma luta que tem sido determinante para quebrar com a arrogância do governo, alcançar vitórias e afirmar a necessidade de uma nova política.

ANTE ABUSOS ESPECULATIVOS, GRITE A RUA!



Com mais esta machadada,
os mais sobrecarregados que não vão para a rua, não!
Há excessos e aproveitamentos especulativos que só a Rua resolve!
A corrida aos combustíveis na órbita dos Hipermercados vai começar!
kjh
Comentário de Ouro
kjh
Portugal
lkj
Quem é a única fornecedora de combustiveis em Portugal? A Petrogal... os combustiveis vêm todos das refinarias deles, basta ir ao centro logistico em Alenquer e ver por lá as cisternas de todas as gasolineiras. Quem gere a GALP? Antigos ministros... curioso como estes fabulosos gestores são sempre em empresas sem concorrencia... a GALP não tem, a Brisa não tem, a EDP não tem... é preciso continuar? Há alguma coisa para entender? Somos um pais governado por pessoas de 3.º Mundo, pequenos tiranos que vivem resfatelados à conta de legislação que eles próprios conceberam e que aprovaram junto com o resto da praga... em nome de um povo que supostamente os elegeu... mas que nem sabe quem eles são! Quando forem publicados os lucros fabulosos da GALP, a razão será a grande competência dos gestores da companhia... como acontece todos os anos...
Por nrdl, lx em 30.04.2008

BEIJING FOREVER IF ABUSES NEVER AGAIN



Com eles, é sempre a facturar. Para ler e chorar por menos!
Menos, por favor! É por estas e por semelhantes
que o Desporto se deve misturar cada vez mais com a Política
e quando alguns políticos e desportistas vêm dizer,
como papagaios de sermão encomendado, que não se devem misturar
há que lembrar-lhes os belos casamentos
entre a luta contra a SIDA e do Desporto,
entre o Combate ao Racismo e o Desporto,
entre o Aquecimento Global, a Desertificação,
a opção por / incremento das Energias Limpas,
a denúncia da caça abusiva em geral, às Focas-Bebé do Ártico em particular e o Desporto,
entre qualquer outra causa de carácter Social, Planetário, Humano e o Desporto,
pelo que deixar de fora a Política e o Desporto
é somente a mais recente hipocrisia conveniente:
Política e Desporto, Direitos Humanos e Desporto! E nem a Morte os separe!
Aliás, o que a Justiça e o Bom Senso uniram, não separe a Estupidez Hipócrita.
A Gloria e o Orgulho chineses converter-se-ão em sino-humilhação e a sino-vergonha
nestes Jogos Olímpicos de Beijin por quanta crueldade, malfeitoria e exploração humana
ali se promovam, contraditando grosseiramente os próprios princípios olímpicos.
lkj

terça-feira, abril 29, 2008

DO LADO DA DESPESA, PIOR É IMPOSSÍVEL


A linha altamente penalizadora das pessoas mais debilitadas nos seus parcos orçamentos,
a da caça à coima, à multa, preconizada e adoptada pelo Executivo,
segundo o Presidente, parece ser de manter:
absolutamente tudo fazer do lado da Receita, com cortes corajosos,
imaginação burocrata e legislativa e objectivos claras em matéria de boa cobrança;
absolutamente nada fazer do lado da Despesa,
má gestão, desperdícios, esbanjamentos, leviandades fúteis e estéreis das Chefias,
o que, em economês, significa simplesmente que o Estrangulamento Geral é para continuar.
O Estado vai continuar a não dar o exemplo!
O Partido do Governo vai continuar a confundir-se com o Estado.
lkj
Comentário de Ouro
lkj
29.04.2008 - 19h28 - Antonio Almeida, Aveiro
IRS + IVA + IRC + SS + Coimas + Juros de Mora + Compensatórios + Custas + Correccões Aritméticas + Métodos Indiciários. Derretam as PME e os Empresários individuais. Recolham IRS/IRC e IVA Coimas, juros compensatórios - Equilibrem o OGE. Se não puserem 1,00 € na declaração - Coima = 125,00 €. Se passar um dia sobre o prazo na acta para fazer a declaração de alterações - Coima 400,00 € (o f. da p. do TOC havia logo de apanhar uma gripe! Raios o partam). Se o TOC se esqueceu de fazer a opção pelo regime simplificado - desta vez ficou a dormir de tanto cansaço por esgotamento - lavas uma colecta que não podes pagar. Emigra, Zé, que os teus pais e avós já foram emigrantes. Pensas que és mais do que eles? Palerma! Fosses para Lisboa aos 10 anos. Ficaste na parvalheira a fazer sapatos para as damas de Lx. e de Paris. Lixaste-te. És criminoso, praticaste fraude fiscal. eixaste de pagar à SS e o IRS quando os tecnocratas convidaram os Chinocas. Com 50 anos só tens uma alterna. Foge para o Brasil e arranja uma morena que a vida não é só Lisboa, quer dizer Orçamento.

O ALCÂNTARA SHOW EXPLICA


O País do Faz-de-Conta, das Grandes Obras, não apenas Faraónicas
mesmo que indiscutivelmente indispensáveis,
Faraónicas na sua dimensão e nos seus custos finais,
mas sobretudo de grande impacto propagandístico-Faraónico prévio,
da grande orquestração ilusório-oco-Faraónica no seu anúncio Faraónico,
Faraónico em todo o aparato, na música, nos flashes, nos jornalistas babados,
nas cores que entontencem e inebriam e alienam,
na carpintaria, nos gráficos, nos desenhor animados,
tudo isso, nesta hora deprimente, não augura nada de bom,
ainda para mais em face de pequenos incidentes gravíssimos
como este.
lkj
Ora o discurso do Ministro, por seu turno, é inefavelmente tranquilizador.
O Show de Alcântara e outros Shows similares,
pindericamente parangonísticos, por um lado,
e a miséria das Esquadras, das Escolas, dos Centros de Doença,
os déficits de pessoal e meios em quase tudo,
sintetizam bem a bondade e a inteligência das políticas até aqui arroladas.
E isto é claramente magnífico!
Isto é claramente um sinal interessantíssimo da chamada Boa Governança!

ANCORADOURO AURICULAR


O jovem que, muito a medo inicialmente, veio entabulando conversa comigo
e que no fim da Noite me agarrou conversacionalmente, era marinheiro.
Chegara tarde, já a Noite dobrara a esquina e seguia então
pela segunda metade de eu ter de a suportar. Durante muito tempo,
eu resistira quando ele, em trânsito para fumar, procurava,
pelo puxar de conversa comigo, sentir-me mais à vontade e menos tenso
e inseguro.
lkj
Viera só. Estava só. Simples. Homem do mar.
Mas a todo o instante lembrava o seu grupo
de colegas marinheiros nada aconselháveis de albergar num Pub
e que haviam ficado na Pensão.
E dizia isto ébrio e inseguro, como que a garantir-se a costas quentes.
Ar cigano. Fala alentejana, nascido e vivido na Figueira da Foz,
com um ramo familiar em Matosinhos, em pouco tempo gastara ali no Pub imenso dinheiro.
Muito mais dinheiro que os mais abastados frequentadores.
«Sabes que este pessoal do mar ganha muito dinheiro.», quis ilustrar o meu patrão.
lkhj
Quatro cartões de consumo. Muitos whiskys velhos depois,
apanhou-me finalmente a jeito ali à porta
e começou a desenrolar o seu livro de memórias.
Gente entra. Gente sai e ele ali mortinho por falar de si,
apesar das constantes interrupções ao desejado confessionário.
lkj
Vinte e nove anos. Pesca de arrasto a seis milhas da costa. Disse-me as capturas.
O pregado e as outras espécies. Disse-me dos seus ganhos. Disse-me dos subornos
ao pessoal policial portuário, os esquemas simples de contornar a Guarda.
Disse-me da especialização em Minas e Armadilhas, durante o serviço militar,
e as razões daquela ampla cicatriz em pleno rosto. Estava ancorado em Leixões.
lkj
Havíamo-nos sentado. De narrativa em narrativa. De pausa em pausa, gente sai,
gente entra. Moreno, voz arrastada, ar esperto, fanfarrão, pouco viril, ar de eterno garoto,
menina dos olhos muito dilatada, enquanto, de repente entusiasmado,
relatava as aventuras com mulheres e arruaça de porto em porto.
«E as mamas fabulosas de uma mulher em Portimão que o meu irmão papou?!»,
tudo servido com ehs e ahs e um falar mais baixo em cochicho ao meu ouvido,
meu mártir ouvido de todos os bafos húmidos e de todos os maus hálitos
confidencialmente insignificantes de toda a gente!
ljlkj
E eu ali, por alguma razão paciente a dar-lhe os meus ouvidos a tal ponto
que se entusiasmou enormemente. Era o fim da madrugada. E a dado passo,
quando interrompi aquela lista de conversa para operar as minhas tarefas,
vêm entregar-me dois euros de gorjeta da parte do marinheiro.
Entregaram-mos tinha eu ido intraportas para uma rápida operação logística,
e quando voltava ainda lá estava no Bar: apertei-lhe a mão, agradecido
e fazia intenção de seguir para o meu posto, mas o rapaz desculpou-se
de ter sido apenas dois euros e, num impulso, elogiando muito a conversa havida,
dá-me, logo ali, agora dez euros, que eu agarro com naturalidade, como nos filmes.
lkj
Bêbado como um cacho, decide prosseguir com a conversa. Não posso escapar-lhe.
O meu posto é incontornável. Por isso a conversa seguiu intercortada e saltitante,
se se pode chamar conversa a uma lista de factos biográficos auto-encomiosos,
miles gloriosus, pela hora e meia restante até toda a clientela ter saído e muito a custo
ele ter partido após vozeirar comicidades, brincadeiras e contentamentos por ali.
lkj
Como uma âncora que não é içada no tempo devido, fazendo de quem o ouve
o brinquedo que se estraga e de que se abusa, lançando piadas a quem passa,
de repente o jovem exige pagar-me uma bebida em plena perda de compostura.
E não mo exige a mim, mas ao meu patrão que lhe acede.
«Eu cá só bebo whisky velho!», fartava-se de repetir, como um refrão de estilo
e lá falava a partir das suas desconexões saturadas de álcool e memória.
lkj
Não estava em si. Eu estava farto de aturar isto. O certo é que o menino,
inspirado pela bebida, ao ver-me terminar antes dele o Whisky que me quis pagar,
desencadeou sorrindo uma analogia imperdoável,
numa imperdoável e inconsciente confiança comigo,
analogizando-me a uma puta, daquelas que nos bares de alterne
trabalham o ego dos clientes, estimulam o consumo de bebidas como a parte do pacote
mais rendoso aos seus patrões, sendo que o que aconteça depois será ou não será.
«Ah, eu aqui a falar a falar e tu a aí beber como uma puta daquelas».
lkj
Bom, era o fim da minha Noite e o jovem não estava em si. Porque teria tombado
logo ali quando a marreta do meu braço lhe varresse a cabeça do tronco
(os feitos de Diomedes, em A Ilíada, e outros passos são relatos fabulosos de violência militar
onde efectivamente não há mortes iguais no leal combate Aqueus vs. Troianos
e onde cada hipérbole é melhor que a próxima
explicam esta minha putativa reacção extrema
são um eco da minha absolutamente prazenteira leitura-degustação do clássico).
lkj
Por isso, comigo a ruminar essa frase assassina, ébria e artística, foi naturalmente
que me afastei dali silencioso, que me remeti ao meu serviço de fim de madrugada.
O jovem foi saltitando a sua atenção de funcionário em funcionário,
tagarelando infinitamente com todos, atirando os seus ditos espertos a eito,
(um táxi salvador efectivamente estava a caminho para recolher este chato e imaginei
que o Pierre, que é o rapaz da foto, pudesse tratar gentilmente de este moço ambíguo,
tremendamente pesado de suportar e quase fatal nas suas analogias criativas,
fosse eu como os outros que por muito menos espancam de um espancar impune!);
e eu fui seguindo com as minhas tarefas com garrafas vazias, com garrafas cheias
com toda a outra tralha de arrumar,
com toda a espera de receber ou não receber.
lkj
Agradeci intimamente ao Eduardo Pitta a oportunidade da vingança caridosa
proporcionada pela minha fantasia vingativa entre o rapaz da foto e o jovem bêbado.
Dei sinceramente graças a Deus por, no fundo,
não dar qualquer relevância a frases de gente fora de si.
Das consequências derradeiras e definitivas de as relevar,
estão os jornais cheios.

segunda-feira, abril 28, 2008

JOSEF FRITZL DAVA UM BOM PM


De um lado, há autênticos milagres de amor e de fé como este,
do outro, por vezes emergem Monstros que nenhum romance ou guerra puderam desenhar
com o lado Ético todo curto-circuitado e a sensibilidade ao Outro de tal modo truncada
que nos custa integrá-los na nossa espécie surpreedente.
Monstros como Josef Fritzl, de 73 anos,
o homem detido no domingo por, alegadamente,
ter mantido a filha em cativeiro durante 24 anos.
lkj
Ele confessou a clausura bem como o facto de ter tido sete filhos com ela.
Confessou também ter lançado o cadáver de um filho recém-nascido
(de um par de gémeos) para a incineradora do apartamento,
na cidade austríaca de Amstetten, a oeste de Viena.
lkj
Elisabeth Fritzl, agora com 42 anos, deu à luz as sete crianças

num porão sem janelas. A mulher sequestrada e os seis filhos
estão a receber assistência das autoridades.
Elisabeth acusou o pai de "crimes massivos".
lkj
A polícia lançou-se na busca desta verdadeira "casa de horrores"

após, em meados de Abril, uma jovem de 19 anos ter sido internada
em estado grave, no hospital de Amstetten,
revelando uma doença genética indiciadora de incesto.
Então, os médicos tentaram, em vão, entrar em contacto com a mãe,
Elisabeth Fritzl. O caso seria descoberto na sequência destas investigações.
lkj
À parte os nexos escabrosos, este personagem dissimuladora
dava um excelente presidente do Zimbabué ou um daqueles primeiros-ministros
que, nos seus discursos de obra feita,
nunca nos pemitem fazer supor, tão bons são a ocultar tudo!,
que albergam no porão de casa um contingente de filhos incestuosos,
frutos violentados de uma prolongada escravidão Sexual,
frutos prolongados de uma violenta escravidão Fiscal.
lkj
O Terrível Josef Fritzl dava, portanto, um excelente PM.
E não me venham dizer que a analogia é abusiva
que outros nada analógicos abusos vão cantando mais alto.

É OFICIAL: THERE SHE GOES!


Num discurso absolutamente sensível
à sensibilidade do momento, Manuela Ferreira Leite
parece ter absorvido informativamente tudo o que seria necessário ser dito.
Nada do que consta no seu Manifesto de Candidatura é cândido.
Informação e informação, o vector afectivo,
a longa ponderação, a dura decisão consumam um gesto
que nos faz antecipar que piorar, neste PSD,
é pura e simplesmente desaparecer.
lkj
Comentário de Ouro

lkj
28.04.2008 - 19h45 - Anónimo, Aarhus, Dinamarca
O sentimento de desgosto e desânimo não é só vivido no PSD, mas no País inteiro. E é esse mesmo desgosto e desânimo que me levaram (e leva cada vez mais pessoas) a sair de Portugal à procura de uma vida melhor. E o mais triste é que, baseando-me nos imensos comentários a este tipo de notícias, a maioria das pessoas apenas querem eleger um governo que lhes sirva os interesses próprios, em detrimento de um governo que prepare um futuro para os nossos filhos. Todos falam bem de diversos países Europeus (e com razão), mas todos esquecem o que é preciso para que esses países estejam no topo. É triste ver este país a afundar-se, e o pior é que as pessoas que criticam este e aquele político são as que mais contribuem para esta situação, pois nós apenas temos os governos que merecemos (e elegemos). Rigor? Meus senhores, é isso que dá uma réstia de esperança para Portugal voltar a ser um País próspero. Infelizmente, pouca gente percebe isso.

TURBULÊNCIA MUNDIAL E RECESSÃO NORTE-AMERICANA


O Pessimismo-Realista
é um medicamento que se serve Em Lento:
em câmera lenta os organismos internacionais alternadamente
virão anunciar-nos cada vez mais negras previsões de crescimento,
semana a semana, mês a mês,
destruindo um optimismo inconsistente, todo ele de lavra não produtiva,
mas somente baseado na taxação desenfreada.
lkj
Sem darmos por isso, o realismo-Pessimismo
substituirá rapidamente o optimismo eufórico mais surreal e ilusório
que nos andaram a vender durante três anos, comprimindo a Massa,
salvaguardando a classe dirigente e as elites económicas.
Como maus vendedores, gritar muito e mentir muito tem um prazo de validade
que já caducou. O mal que, por exemplo, ambientalemnte
um consulado como o de Bush fez ao Mundo, dentro do seu atávico lóbi do petróleo!
O bem que um outro, o de Al Gore, traria ao Planeta
com novas soluções para o problema da Água associado a Fontes Limpas de Energia!
lkj
A mesma coisa com Portugal: o bónus de governar o País não funcionou
a favor do País, os dogmas aparentados com Reformas
foram apenas episódicas hostilizações desastradas
sem as pessoas, para além das pessoas directamente envolvidas.
O mau funcionário, o não zeloso e interessado, esse estigma confortável,
foi caçado, foi conspurcado, foi implodido pela megamáquina mediática detida pelo Poder,
mas não os vícios e excessos e anacronismos corruptos dos Boys,
mas não os maus hábitos e as escandalosas discrepâncias no Topo das Administrações,
mas não a lógica de desequilíbrio galopante entre sectores tão díspares da sociedade
no sentido da paz, da justiça e do bem-estar sociais.
lkj
e alerta que a Europa não vai sair incólume à turbulência mundial,
destacando o facto de a economia norte-americana
estar à beira da recessão, cumpre ver em tais factores exógenos
como um antecipar a evidência da bem intencionada linha errónea
de conduta económica seguida até aqui pelo Governo PS.
lkj
Bem podem limpar todos as mãos à parede.
Isso, além das outras coisas, tantos sacrifícios para coisa nenhuma,
derrotará a inédita cavalgadela triunfal toda fiscalista de esta legislatura.
É assim com todos os castelos de cartas sem as pessoas,
contra elas e para além delas, apesar do esplendor Prada-Pé-Descalço.

SALAZAR - UM EPITÁFIO FABULOSO


«A diferença entre Salazar e as "elites" ditas democráticas é que,
sendo todos manhosos, a manha de Salazar
não lhe "puxava" para a trafulhice e para a cupidez insaciável.
O século XX, português e político, foi o século de Salazar.
E a estupidez revolucionária de apagar vestígios em pontes,
estátuas e ruas, não rasurou a coisa.»
lkj

JOGADOR DO ANO IN THE BRITISH ISLANDS


Se houvesse justiça, C. Ronaldo deveria ser eleito já o jogador do século:
por bater todos os recordes ingleses,
por fazer todos os golos,
por ser o génio consumado do futebol que é
mais o potencial que se lhe adivinha.
E vou mais longe, Cristiano Ronaldo,
enquanto suplemento nacional de optimismo e de sucesso,
deveria ser, sei lá, Ministro do Carácter Indomável e Chique de todo o Português,
que é um animal fabuloso em qualquer parte do Mundo.
Porque quer Ronaldo quer Mourinho
nasceram para ser adorados ou odiados pela fanzada da estranja e por boas razões.
O ódio e a adoração vendem muito e são prestigiantes.
Tal como a qualidade.

SER BOMBISTA: O GRANDE MÉRITO DE MENEZES


A conturbada liderança do PSD de Menezes teve o Infinito Mérito Detonador
de ser tão contestada, por dá cá aquela palha contestada,
por cada cisco no olho, por cada trave no cu contestada,
tão desastradamente só e isolada,
tão mal-amada do Portugal dos Pequeninos,
tão mal-amada do Jornal de Notícias,
tão mal-amada da revista Caras,
tão mal-amada do Correio da Manhã,
do Sol, do Expresso, do Diário de Notícias, dos meninos à volta da fogueira,
dos recolhedores de lixos e varredores de ruas nos subúrbios,
dos recolectores de priscas ou beatas nos Pubs,
tão mal-amada dos doentes terminais,
tão mal-amada dos frequentadores dos transportes colectivos, do Metro,
tão mal-amada e mal-comentada pelos reformados,
pelos jagunços babadores do comentário político Luís Delgado e Betencourt Resendes,
tão má e detentora de todos os vícios e erros,
tão impossível de levar por diante,
tão insuportável para a Imprensa-em-Geral e para a Bloga-Bem em particular,
tão tiro no pé-PSD,
tão sofá recostado-PS,
que ao menos Estourou com o apodrecimento inerte do PSD de Mendes,
que ao menos Despertou esta espécie de Primavera-Pólen das Lideranças-PSD.
O PSD está no Ponto-de-Rebentamento-Ideal para que surja qualquer coisa de novo,
qualquer coisa pior que má,
qualquer coisa pior que boa.
Desde que não seja Santana,
desde que não seja Antão,
desde que não seja aquele ilustre Anónimo de cujo nome não me lembro.
Passos Coelho? Depende.
Desde que mais passos e menos coelho,
num tempo esdrúxulo, onde toda a gente é a lebre de toda a gente!

A CULPA NÃO É DO MAI! VIVA O MAI!


Numa avaliação séria de desempenho,
o agente solitário de Moscavide poderá ser penalizado
por ter estado sozinho na sua Esquadra, dizem fontes do MAI.
É preciso que Rui Pereira, esse ministro tão nervoso, nem pense em se demitir.
A sua competência nervosa e gaguejante não está em causa.
Ele é uma Maria de Lurdes na gestão de conflitos. Merece um beijo na nádega esquerda!
Armando Vara no MAI já! Com Armando Vara não seria nada disto!

POEMA DISSOLVENTE


Todos os blogues analisam a Política, puta que os pariu!,
tão bons a analisar Política: tão bons, mas tão bons,
que me despertam excesso, vómito, estar longe, umas tonturas de problemas tiroidais.
Não dizem um palavrão. Não saem das marcas. Não cometem pecados nem excessos.
Em vez de caralho digitam todos c*****. Em vez de foda-se, digitam f****.
Que país tão delicado, Meu Deus! Só Tu me entendes.
Eu perco logo metade das audiências quando
ouso grafar caralho, mas um caralho sincero, vindo das minhas tripas
ou quando ousei exclamar foda-se e foder,
mas com toda a raiva e ressentimento e ódio genuínos,
vindos directamente do meu bolso vazio e da minha indignação
com os Corruptos e Mentirosos que se atrevem a sorrir para as câmeras.
Meu Deus, só Tu me entendes. Os seres humanos são pudicos e moralistas
e por isso mesmo perdem o melhor da vida.
Parte do melhor da vida deveria ser, para eles, lerem-me a fundo e amarem-me tal como sou.
lkj
Não sirvo para me manter popular. Não domino essa arte magistral.
Nunca serei popular e se alguma vez for popular será precisamente a popularidade de ser impopular, que é a popularidade que me interessa.
Tenho demasiado sofrimento e insatisfação para ser popular como o Nuno Markl
e as suas gargalhadas secas e despropositais.
As máscaras, sim, essas máscaras equilibradas e contidas gerais,
que nunca fazem inimigos como eu (sou muito bom a fazer amigos e a fazer inimigos!)
de blogues equilibrados e contidos, esses, sim, serão!,
são já populares.
lkj
De resto, no que toca à análise Política,
fica-se abismado como todas as mentes que blogam
evidenciam um tão apurado sentido de análise
e de humor no tratamento do momento crítico do PSD e da Política em geral, a Puta!,
ou na observação da sofreguidão-PS
em escapar à ira futura do voto lúcido no BE e no PCP,
(oxalá cresçam e se afirmem! Só falta ao PCP abjurar dos Camaradas Pulhas das Farc
e seriam logo mais cem mil votos! Eu gosto de partidos de Direita como o BE e o PCP!)
coisa, votar!, que farei com triplo prazer,
mal me dêem a respectiva oportunidade constitucional
de assim me vingar ardorosamente
desta Merda que me fizeram pessoalissimamente a mim e só a mim.
Toda a gente, aliás, é excepcionalmente interessante a escrevinhar sobre Política.
São blogues aos pontapés, que nojo!, só sobre esse conteúdo aflitivo e inerte e inútil,
de importância vital para a Sociedade como a compostagem dos lixos.
lkj
Pois até eu, cobardemente, ociosamente,
tenho desperdiçado o meu infinito,
e cada vez mais reconhecido!, talento
nesse desporto iníquo que é comentar a Política, do que me arrependo:
tenho sido um esbanjador de verbo e de postas originais sobre Política, caro leitor,
pelo que te peço perdão. Perdoas-me?
Tanto texto acumulado acerca dos Perdidos da Vida,
da Magreza da TóxicoManuelaDependente que me diz que vai ser internada
naquelas petas para meter assunto e atrair melhores moedas para a dose!
Tantas notas tiradas sobre o Arrumador e as suas tácticas de sucesso
a extorquir dinheiro a quem estaciona,
e os clientes do Pub que se comportam como Cabrões Gratuitos para comigo, raros que sejam!,
para agora deitar tudo a perder com a Puta da Política?!
çlkj
A Política, a Cabra, a Grande Filha da Puta, a Grande Prostituta de Abril,
da Mentira Praticada e Confessada de Abril, não me merece uma só gota de génio.
lkj
Mas para quê, caro, caríssimo leitor, delicioso leitor das minhas Palavras Sáurias?
Para que me vens tu ler com fidelidade as minhas acrobacias linguísticas sobre Política?
Não tens tu Marcelo? Não tens tu o Pacheco, tão Papal em tudo
absolutamente ao Lado da Realidade escolhida, votada e plebiscitada,
pirraça da democracia à intelectualidade Papal do Pacheco?
Não escreve o João Gonçaves, como um Ácido Famoso, sobre a Política e os Políticos
naquela raiva compreensível não por quaisquer comissões,
mas porventura pelo lugar de conselheiro
ou pela posição de relevo co-decisória que justamente sente merecer?
Não sabes que isso, sim, é que é análise e acerto?
lkj
Eu sei. É uma ânsia de rir. Eu sei. Por isso me visitas.
É para isso que se escreve sobre Política
e se dizem coisas infinitamente inteligentes sobre Política
que 1598 visitadores hão-de vir papar adorativamente num só blogue?
É o prazer e o sonho das audiências.
E deixa-me dizer-te que com essa brincadeira da Política as tive, às audiências.
Ultrapassei com essa brincadeira de comentar Política
a fasquia simbólica dos 250 visitantes/dia durante muitos dias.
Andei entusiasmado: eia, uau, viva! Nem dormia de noite.
Nem tinha vontade de me alimentar.
A excitação era tanta que mal cagava
ao tocar da campainha biológica de ter de cagar.
Mas depois de toda esta festa de ser visitado e aparentemente popular
tive de descansar.
Não se pode ser imensamente produtivo e genial e popular
sem que se estourem alguns neurónios de fadiga e sem que se perceba,
como muito bem notou uma das minhas irmãs,
que esta merda não me paga,
não me permite sobreviver para que tanto se lhe dedique a minha pessoa utópica.
lkj
E eu até fui um precursor no uso do Twingly, usei-o com ampla vantagem primeiro,
antes que muitos ou que todos que se portaram como aqueles animais
que esperam que um primeiro
dê a dentada/bicada inaugural na carniça duvidosamente morta
antes de se sentirem seguros e avançarem em bando/matilha.
Fui dos primeiros até que se vulgarizasse inteiramente como agora.
Tal como eu então, todos querem ser os pulgões na haste verde da popularidade
e do sucesso visitacional nos seus blogues. Por isso fazem piruetas,
e fazem palhaçadas verbais com cores garridas e vistosas
e grandes títulos imperdíveis
e grandes e racionais discursos muito compenetrados e competentes = a zero.
O Twingly é hoje usado e abusado por todos os bloggers sequiosos,
como eu então, de aumentar as audiências.
lkj
Mas é um logro.
Nada como a parcimónia em tudo,
menos em sexo e em atenção paternal aos nossos filhos.
A febre passou-me. Passou-me essa deriva ilusória por coisa nenhuma.
Foi o milagre de 120 minutos = 10 Km de esteira,
numa caminhada em bom rítmo,
imensa transpiração e um bom duche depois
para concluir que não vale nada a pena fadigas por popularidade.
Não vale a pena enchamerdear o meu blogue com publicidade se não sou o Obvious.
Não paga? Não vale a pena.
Não vale a pena desperdiçar talento excelente em links mil-twingly sobre Política
ou sobre os Prada que o PM usa como cuecas e as pequeninas coisas originais
que se podem escrever sobre tudo com ampla popularidade:
a beleza de Ana Drago e de como é sexy na sua pronúncia sexy sobre Desemprego e Ambiente.
Ou a pose hirta, cavaquiana, militar de Ferreira Leite
empurrada para ser líder, mas sem vontadinha nenhuma
porque toda a vontadinha é Rio/Pacheco.
Isto não é uma posta sobre o PSD. Isto não tem nada a ver com o PSD.
Isto é o meu basta de falar de Política e dos Políticos!
Todos infelizmente temos muunta fraca memória! Muunta!
E chega! Chega! Chega!

domingo, abril 27, 2008

Nazareth - Love Hurts

EXTORSÃO GORADA


Tive culpas.
Tive azares.
Tive responsabilidades, mas sendo a hora tão lenta no processo de me amargurar,
amargurando-me o bolso amargo, há muito que alimentei a fantasia, quase sonho,
mau pensamento!, de alguma de estas noites abordar o Arrumador
que durante toda a Noite vocifera e intimida, como um lobo,
a clientela chique do Pub onde trabalho algumas noites por semana,
para ser eu a literalmente pedir-lhe dinheiro.
lkj
Rua acima, rua abaixo, aborda os estacionantes para extorqui-lo
e não é daqueles que estende a mãozinha paciente e conformada com migalhas.
Por isso há muito que imaginara ensaiar extorquir-lho também,
saber como é, fazer de mau.
E hoje consumei a primeira e última extorsão pacífica-desastrada da minha vida.
Pacífica ou animosa, que nunca extorqui um cêntimo fosse a quem fosse.
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Foi num impulso, quando mais uma vez lhe ouvi a voz longínqua com que, gritando,
exaspera as clientes e os clientes, que tanto o temem.
No seu encalço, surpreendi-o em plena rua
naquela negra safra sobre uma pobre mulher de boa toillete,
acabadinha de estacionar, e que dele se desviava
num percurso em arco em direcção ao meu Pub.
Sorrindo embaraçada, ela tinha aquele asco natural a coisa imunda, impertinente
que por acaso também é gente.
«Ouve lá, deixa a pobre da senhora em paz!», intervim.
E ele, temendo-me, recuou, numa estupefacção deveras cómica.
A cliente passou por mim, sorrindo agradecida, com naquele piscar de olhos que lambe.
É então que me acercodele e atiro-lhe, convicto e seco: «Tens aí dinheiro?»
Responde-me que não, mas, abrindo a mão traidora,
revela-me, resplandecentes, dois euros.
lkj
Tomei-lhos e voltei-lhe as costas. Não protestou. Não gritou.
Continuou agora mais manso o seu negro trabalho em mancha, despessoalizado.
Para ele fora mais moeda menos moeda.
Para mim foi um acto desesperado e simbólico ao meu espírito, justifiquei-me.
A minha licenciatura, a minha pós-graduação, a minha experiência no Ensino Público
ao longo de doze anos desaguaram, afinal, nesta minha irredutível objecção de consciência
a todo o lixo emanado em três anos por este Ministério da Educação odioso.
Rejeito isto visceralmente. É mais forte que eu ter nojo do Preconceito e da Malfeitoria.
As dezenas de e-mails que recebo de colegas, as queixas, os relatos, os desânimos,
as sínteses negociais do meu Sindicato, tudo me desgosta profundamente-Burkina Faso.
Tudo me gera uma aversão terrível, violenta, a Burocratas
aversão que nunca pensei albergar.
E é do de profundis que é este meu nojo que me refugio no biscate do Pub
e nos que entretanto possa vir a encontrar cumulativamente.
É daí que pondero embarcar noutra aventura tardia como Servente na Construção Civil,
foder o corpo nas Obras, mergulhar nas dores dos homens concretos e recolher
aqui, neste meu Blogue Feroz de Carne e Osso, os testemunhos sangrentos da vida
quadrimensional, complexa, para ir esfregá-los na cara
de esses Merdas que nos tutelam.
lkj
A vós, Burocratas, SubHumanos Lobos do Homem,
Maus Vendedores do Sucesso como Produto Oco e do Falso Optimismo,
Equilibristas do Mais Atabalhoado Legislar imaginável, esfrego-vos na cara
a realidade e os sentimentos de quem a vive por dentro.
Podeis continuar a vomitar os vossos números maquilhados:
eu terei por aqui um novo naco de humanidade revestida de Arte Contundente
uma Arte à medida da vossa indisfarçável impostura
e alienante indiferença sistémica por nós, gente da rua.
lkj
Enfim, voltando ao Arrumador, nem a extorquir me desenrasco.
Vejo que cumpro muito mal esse papel.
Converti por um par de horas o Arrumador
numa espécie de escravo Jau António forçado,
que pede em meu nome, neoCamões, e me dá migalhas compensatórias, mas não funcionou.
Não resultou concretizar a minha fantasia simbólica.
Ó grande veleidade minha sentir-me esse Camões fabulosamente desprezado em tudo,
Ó nenhuma veleidade no partilhar das suas dores de ver este País a mesma coisa que ele viu,
tão mesquinho, tão miserável, tão incapaz do Salto Mental
que lhe passou ao lado em duzentos,
trezentos,
quatrocentos anos de oportunidade após oportunidade!
lkj
Só por um par de horas consumei esta extorsão benigna, porque depois o homem
lá se encheu de coragem, acercou-se do Pub,
acenou-me e, quando me aproximei, disse:
«Filhinho, só me faltam dois euros para a bomba, a dose,
que custa sessenta euros! Anda lá.»
lkj
Brinquei. Fiz de conta que lhe dava, não dando.
Perguntava-lhe vidas, coisas dilatórias de ter de lhe dar os seus dois euros.
Mas ele suplicava. Sorridesdentava-me argumentos que, por fim, me amansaram,
me encheram daquele compadecimento visceral e inapelável, bastou olhá-lo olhos nos olhos.
Por isso, devolvi-lhe os dois euros para que a minha consciência continuasse imaculada
como sempre anda nestas coisas delicadas do deve e haver
e para que os nossos mundos voltassem ao claro equilíbrio de todos os dias.
Ele lá. Eu cá. Por vezes oponentes. Por vezes companheiros da mesma miséria.
Perguntei-lhe quantas apanhava por dia. Disse-me que duas e esta seria a segunda.
Estes Arrumadores mentem muito. Faltam sempre dois euros ou um ou cinquenta cêntimos.
«Filhinho, a gente contigo... 'tá-se bem... Tu és um tipo... 'tá-se bem!»,
declarou-me sorrindo aliviado, ao despedir-se,
olhos castanho-claros, cara cómica de palhaço desmaquilhado, velho precoce,
feridas no rosto, a pátina morena do banho longínquo e da poeira dos escapes.
lkj
Não tomo por Arte um cão posto a morrer de inanição num qualquer museu sem vergonha.
Faço do meu protesto, Arte, Arte das minhas dores,
das minhas impressões de injustiça, Arte
e Arte a partir da insensibilidade,
da crueza incompetente tão bem portuguesas,
que observo em doses crassas de estupor estúpido
que sofro na pele, à flor do tacto.
kjh
O Arrumador lá foi feliz com os seus supostos sessenta euros da safra nocturna.
Eu fiquei sem os dois euros que lhe tomara, armado em Fisco Impiedoso daquela rua
e tudo isto foi uma sentida homenagem ao meu Porto nocturno e diurno
e ao meu Norte de Portugal, no seu conjunto, tal como estão e como os vejo.
Esvaziados, empobrecidos, ressequidos, abandonados, desempregados, deprimidos.
Sinto-me feliz por estar como que Exilado do Lado Anódino da Vida,
fora de uma vida pacata, cheio de dificuldades, a contar os trocos.
Sinto-me feliz por seguir sendo alguém que Odeia de mais
o lado empresarial desastrado de este PS governamental
nos seus bulliyings técnicos, sector a sector da sociedade,
tão desastradamente experimentalistas como perfeitamente alheados
do que é Ser Gente tratada como excreção.

sábado, abril 26, 2008

Jerry Lee Lewis - Great Balls Of Fire 1957

A SEDUÇÃO ANARQUISTA (SE O SOL TIVESSE TWINGLY)


nem por um momento pense que é mais anarquista
que os corrupto-anarcas estacionados no Cerne do Estado Português
ou a Bordo Oportunístico dos dois Partidos do Regime
que aspiram a, abusivamente, também eles,
usurpá-lo, confundir-se e misturar-se com o Estado.
Podem sê-lo em sentidos diversos, mas anarcas são-no ambos.
O que os distingue?
Só a corrupção inerente ao Poder, no sentido imperfeito e lisonjeiro da expressão,
e o Cinismo do Falso-Traiçoeiro Serviço ao Povo ou as Mentiras que lhe servem
para que o próprio Povo, por ignorância e omissão, lhe deixe correr o marfim.
De resto, mudam as palavras de ordem, o idioma politiquês,
e parecem irmãos gémeos.
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O negócio negreiro moderno do Estado em Portugal tem sido, afinal, e em ritmo acelerado,
entregar o Povo aos caprichos do Capital e à sua indómita lei sôfrega
e depois ficar com o Ouro e sem o Ónus de ser, em bom rigor, Estado.
Ora, assim, ter Governo e não ter é rigorosamente igual
pois este comporta-se sempre como um primus inter pares Corporativo
e não como árbitro ou ministrador da equidade e favorecedor do progresso de todos.
Por isso as coisas seguem mesmo o seu livre curso anárquico,
favorece-se sempre quem têm de se favorecer, prejudica-se a grande massa, e, portanto,
a Anarquia vigora sob a desregulação praticada que melhor interessa aos plutocratas
para melhor explorarem, dentro da chantagem e da autocensura
geradas por imperativos de sobrevivência individualista,
cada um de nós. Em Portugal é assim deliberadamente e está tudo errado.
É uma coisa maquiavélica e cada vez mais desconfortável
porque por demais evidente nesta legislatura, por mais que disfarcem.
O ultraliberalismo aqui é um ultraliberalismo vertical, de Estado, compressor da pessoa,
ao passo que nos Estados Unidos, por exemplo, é toda uma cultura individual,
uma necessidade individual, um imperativo natural da sociedade livre, ascendente,
que arrasta o Estado e é o motor de tudo o mais
a tender para a ascensão e o bem-estar da pessoa.
A isto chama-se Patriotismo e Serviço Público, coisa que por cá rareia
ou é só folclore futebolístico pró-selecção.
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«Tínhamos acabado de jantar. Defronte de mim o meu amigo,
o banqueiro grande comerciante e açambarcador notável,
fumava como quem não pensa.
A conversa que fora amortecendo, jazia morta entre nós.
Procurei reanimá-la, ao acaso, servindo-me de uma ideia
que me passou pela meditação. Voltei-me para ele, sorrindo.
― É verdade: disseram-me há dias que V. em tempos foi anarquista...
― Fui, não: fui e sou. Não mudei a esse respeito.
Sou anarquista.
― Essa é boa! V. anarquista! Em que é que você é anarquista?...
Só se V. dá à palavra qualquer sentido diferente...»
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Fernando Pessoa, O Banqueiro Anarquista

sexta-feira, abril 25, 2008

ANTÓNIO JOSÉ SARAIVA E O 25 DE ABRIL


Se alguém quisesse acusar os portugueses de cobardes,
destituídos de dignidade ou de qualquer forma de brio, de inconscientes e de rufias,
encontraria um bom argumento nos acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril.
Na perspectiva de então havia dois problemas principais a resolver com urgência.
Eram eles a descolonização e a liquidação do antigo regime.
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Quanto à descolonização, havia trunfos para a realizar em boa ordem
e com a vantagem para ambas as partes: o exército português
não fora batido em campo de batalha;
não havia ódio generalizado das populações nativas contra os colonos;
os chefes dos movimentos de guerrilha eram em grande parte
homens de cultura portuguesa; havia uma doutrina,
a exposta no livro Portugal e o Futuro do general Spínola,
que tivera a aceitação nacional,
e poderia servir de ponto de partida para uma base maleável de negociações.
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As possibilidades eram ou um acordo entre as duas partes,
ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem,
isto é, escalonada e honrosa.
Todavia, o acordo não se realizou,
e retirada não houve, mas sim uma debandada em pânico,
um salve-se-quem-puder.
Os militares portugueses, sem nenhum motivo para isso,
fugiram como pardais, largando armas e calçado,
abandonando os portugueses e africanos que confiavam neles.
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Foi a maior vergonha de que há memória.
Pelo que agora se conhece, este comportamento inesquecível e inqualificável
deve-se a duas causas. Uma foi que o PCP, infiltrado no exército,
não estava interessado num acordo nem numa retirada em ordem,
mas num colapso imediato que fizesse cair esta parte da África na zona soviética.
O essencial era não dar tempo de resposta às potências ocidentais.
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De facto, o que aconteceu nas antigas colónias portuguesas
insere-se na estratégia africana da URSS,
como os acontecimentos subsequentes vieram mostrar.
Outra causa foi a desintegração da hierarquia militar
a que a insurreição dos capitães deu início e que o MFA explorou ao máximo,
quer por cálculo partidário,
quer por demagogia, para recrutar adeptos no interior das Forças Armadas.
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Era natural que os capitães quisessem voltar depressa para casa.
Os agentes do MFA exploraram e deram cobertura ideológica
a esse instinto das tripas, justificaram honrosamente a cobardia que se lhe seguiu.
Um bando de lebres espantadas recebeu o nome respeitável de «revolucionários».
E nisso foram ajudados por homens políticos altamente responsáveis,
que lançaram palavras de ordem de capitulação e desmobilização
num momento em que era indispensável manter a coesão
e o moral do exército para que a retirada em ordem ou o acordo fossem possíveis.
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A operação militar mais difícil é a retirada;
exige em grau elevadíssimo o moral da tropa.
Neste caso a tropa foi atraiçoada pelo seu próprio comando
e por um certo número de políticos inconscientes ou fanáticos,
e em qualquer caso destituídos de sentimento nacional.
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Não é ao soldadinho que se deve imputar esta fuga vergonhosa,
mas dos que desorganizaram conscientemente a cadeia de comando,
aos que lançaram palavras de ordem que nas circunstâncias do momento
eram puramente criminosas. Isto quanto à descolonização, que na realidade não houve.
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O outro problema era da liquidação do regime deposto.
Os políticos aceitaram e aplaudiram a insurreição dos capitães,
que vinha derrubar um governo, que segundo eles, era um pântano de corrupção
e que se mantinha graças ao terror policial:
impunha-se, portanto, fazer o seu julgamento,
determinar as responsabilidades,
discriminar entre o são e o podre,
para que a nação pudesse começar uma vida nova.
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Julgamento dentro das normas justas,
segundo um critério rigoroso e valores definidos.
Quanto aos escândalos da corrupção, de que tanto se falava,
o julgamento simplesmente não foi feito.
O povo português ficou sem saber se as acusações que se faziam nos comícios
e nos jornais correspondiam a factos ou eram simplesmente atoardas.
O princípio da corrupção não foi responsavelmente denunciado,
nem na consciência pública se instituiu o seu repúdio.
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Não admira por isso que alguns homens políticos
se sentissem encorajados a seguir pelo mesmo caminho,
como se a corrupção impune tivesse tido a consagração oficial.
Em qualquer caso já hoje não é possível fazer a condenação
dos escândalos do antigo regime, porque outras talvez piores os vieram desculpar.
Quanto ao terror policial, estabeleceu-se uma confusão total.
Durante longos meses, esperou-se uma lei que permitisse levar a tribunal a PIDE-DGS.
Ela chegou, enfim, quando uma parte dos eventuais acusados tinha desaparecido e estabelecia um número surpreendentemente longo de atenuantes,
que se aplicavam praticamente a todos os casos.
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A maior parte dos julgados saiu em liberdade.
O público não chegou a saber, claramente; as responsabilidades que cabiam a cada um.
Nem os acusadores ficaram livres da suspeita de conluio com os acusados,
antes e depois do 25 de Abril. Havia, também, um malefício imputado ao antigo regímen,
que era o dos crimes de guerra, cometidos nas operações militares do Ultramar.
Sobre isto lançou-se um véu de esquecimento.
As Forças Armadas Portuguesas foram alvo de suspeitas
que ninguém quis esclarecer e que, por isso,
se transformaram em pensamentos recalcados.
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Em resumo, não se fez a liquidação do antigo regímen,
como não se fez a descolonização.
Uns homens substituíram outros,
quando os homens não substituíram os mesmos;
a um regímen onopartidário substituiu-se um regímen pluripartidário.
Mas não se estabeleceu uma fronteira entre o passado e o presente.
Os nossos homens públicos contentaram-se com uma figura de retórica:
«a longa noite fascista».
Com estes começos e fundamentos,
falta ao regime que nasceu do 25 de Abril um mínimo de credibilidade moral.
A cobardia, a traição, a irresponsabilidade, a confusão,
foram as taras que presidiram ao seu parto e, com esses fundamentos,
nada é possível edificar.
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O actual estado de coisas, em Portugal, nasceu podre nas suas raízes.
Herdou todos os podres da anterior; mais a vergonha da deserção.
E com este começo tudo foi possível depois,
como num exército em debandada:
vieram as passagens administrativas,
sob capa de democratização do ensino;
vieram «saneamentos» oportunistas e iníquios,
a substituir o julgamento das responsabilidades;
vieram os bandos militares, resultado da traição do comando,
no campo das operações;
vieram os contrabandistas e os falsificadores de moeda
em lugares de confiança política ou administrativa;
veio o compadrio quase declarado, nos partidos e no Governo;
veio o controlo da Imprensa e da Radiotelevisão, pelo Governo e pelos partidos,
depois de se ter declarado a abolição da censura;
veio a impossibilidade de se distinguir o interesse geral
dos interesses dos grupos de pressão, chamados partidos,
a impossibilidade de esclarecer um critério que joeirasse os patriotas
e os oportunistas, a verdade e a mentira;
veio o considerar-se o endividamento como um meio honesto de viver.
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Os cravos do 25 de Abril, que muitos, candidamente,
tomaram por símbolo de uma primavera,
fanaram-se sobre um monte de esterco.
Ao contrário das esperanças de alguns,
não se começou vida nova,
mas rasgou-se um véu que encubria uma realidade insuportável.
Para começar, escreveu-se na nossa história uma página ignominiosa de cobardia
e irresponsabilidade, página que, se não for resgatada,
anula, por si só todo o heroísmo e altura moral que possa ter havido
noutros momentos da nossa história
e que nos classifica como um bando de rufias indignos do nome de nação.
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Está escrita e não pode ser arrancada do livro.
É preciso lê-la com lágrimas de raiva
e tirar dela as conclusões, por mais que nos custe.
Começa por aí o nosso resgate.
Portugal está hipotecado por esse débito moral,
enquanto não demonstrar que não é aquilo que o 25 de Abril revelou.
lkj
As nossas dificuldades presentes, que vão agravar-se no futuro próximo,
merecêmo-las, moralmente.
Mas elas são uma prova e uma oportunidade.
Se formos capazes do sacrifício necessário para as superar,
então poderemos considerar-nos desipotecados
e dignos do nome de povo livre e de nação independente.
kjh
António José Saraiva
(Desta gigantesca personalidade da Língua e da Cultura Portuguesas
é só pesquisar e depois, guterresianamente, é só fazer as contas!)