OS AMIGALHAÇOS DE JARDIM
Quem são os amigalhaços do dr. Jardim? Toda a gente. Miguel Sousa Tavares é um enorme amigalhaço de João Jardim e muito mais amigalhaço de Sócrates pela simples razão de que quem se dedica a argumentar como incomparáveis um e outro só pode ser amigo de ambos. MST, além disso, tem como característica escrever coisas insuportavelmente asnas e é como se a burrice viesse para ficar e ficasse mesmo, tirando o facto de ser adepto do FCPorto, coisa que infelizmente o não salva de aselhice crónica. Seria mau se somente as pessoas poderosas do PSD tivessem consentido a Jardim tudo em nome dos interesses do partido. Acontece é que o interesse de todos os partidos explicou largamente o desinteresse por Portugal e os Portugueses: onde teve o PS coragem para expurgar autarcas corruptos, também há décadas em funções? Também o eng.º Sócrates, mal pôde e precisou, consentiu a Jardim-Salomé a cabeça de João: obteve deste um feixe de elogios e pararam as farpas que o antidemocrático e antiparlamentar líder regional lhe lançava. A Madeira é ele. Nada e ninguém soube controlar Jardim. Nada e quase ninguém supôs o descontrolo devorista da trupe de Sócrates, que também encontrou uma maneira de ir ao Parlamento, não indo, mesmo quando se deslocava lá de quinze em quinze dias: era como se não fosse, transformando o prestar contas e o responder à oposição em berraria, o ser confrontado com as suas políticas um exercício de hostilidade contra Francisco Louça e o PCP, portanto, mero acto teatral de trampolinice e fuga em frente agressiva. Se na penúltima campanha para as legislativas, a de 2009, o PSD de Manuela Ferreira Leite escolheu a “ameaça às liberdades”, e não o estado da economia ou das contas públicas, como cavalo de batalha, foi porque a ocultação dos números e o mascaramento da realidade económica eram já o primeiro sinal de ameaça às liberdades, a começar pela liberdade de ditar o nosso presente financeiro e contabilístico, hoje comandado por forças externas ao País. Em suma, entre o défice deixado por Sócrates e as dívidas de Jardim cavadas na Madeira, há um profundo nexo que nivela dois homens ao pior nível do que haja a temer em homens públicos. Nada mais estranho, por isso, que Miguel Sousa Tavares cometa mais um grotesco exercício de branqueamento político muito ao nível da desconsideração preconceituosa do grupo profissional professores e da reiterada honestidade intelectual nula em matérias de imponderável adesão ou repulsão individual do caçador de mau fígado MST. Comparar, por fim, as singelas tentativas de corrigir o (que foi quem inaugurou as artimanhas criativas para esconder o défice de Manuela Ferreira Leite com a cascata de desonestidades em seis anos de desgoverno é o mesmo que comparar a Branca de Neve com o Drácula. Portanto, não há comparação.
Comments