SÓ QUERIA SER AMADO
A vertigem da fama pode configurar um problema profundo de amor próprio e pertença. Ele insistia em ser amado e apreciado logo por pessoas que se sentiam profundamente desconfortadas com a presença dele: demasiado sensível, demasiado atento, demasiado perfeccionista e demasiado dado aos demais, mesmo a perfeitos desconhecidos, empatizando demasiado e demasiado depressa com eles. A princípio, estranharam a sua linguagem e os seus jeitos pouco requintados, mais tarde troçaram dele, por fim rejeitaram-no. Não foi à toa que o jovem lhes declarou guerra e forçou a entrada num mundo só de inteligentes, brilhantes, no seu círculo de fogo fechado. A história só terminou quando o rapaz, sempre carente e quanto mais carente mais só, rompeu com todos os limites e todas as expectativas, cercando com factos de incontestável valor pessoal e auto-afirmação e assim, depois, pensava ele, derrubando aquele enorme muro de ostracismo levantado contra si. Só queria ser amado e reconhecido: sabia ser espartano, com essa meta em mente, e era capaz de trabalhar prodigiosamente por ela. Mas ser amado, reconhecido, querido, isso era tão doloroso e custoso, deixava-o tão vazio o mais das vezes... Fez por se ver acolhido, ainda que à bruta, forçando muito a moção e a emoção alheia, mas era escorraçado como um cão lazarento, faziam-lhe saber que não pertencia ali. Raivoso, recrudescia em tentativas, queixas e ataques. O efeito foi avassalador para si e para os demais.
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