UTÓPICA SERRANO E DISTOPIA JUDICIAL
Subscrevo na íntegra o enunciado utópico de regras e boas intenções dirigidas por Serrano contra a [do seu ponto de vista] sanha do CM contra Sócrates, mas o que Serrano escamoteia é que a Justiça, pelo menos nos últimos anos em Portugal, foi sendo um inferno, a mais completa distopia, em que se não se pode confiar devido à profunda politização e permeabilidade a quem é Poder no momento: pense-se no papel go between de Lopes da Mota, agenciador de todo o tipo de pressões com beneficiário óbvio a montante. Em face disso, o trabalho ou vómito laborioso do CM, conforme se preferir, pode até não ser maldoso, mas somente preventivo, visando conservar vivo um tema erroneamente condenado. Há algures um meio termo e, segundo ele, nem Sócrates pode continuar com as costas quentes nem o CM pode inventar: «Por exemplo, no campo do jornalismo, como é o caso, é necessário respeitar regras, como o direito ao bom nome de cidadãos, sejam ou não políticos, praticar um jornalismo isento, e sem perseguições, deixando à polícia e aos tribunais o que é da polícia e dos tribunais e ao jornalismo o que é do jornalismo. A liberdade de imprensa inclui a liberdade editorial, isto é, a liberdade de os jornalistas escolherem o que, em cada momento, merece ser ou não noticiado. Essa liberdade pressupõe responsabilidade, honestidade intelectual, transparência nas decisões, clareza nos princípios. Perseguir pessoas sob a capa de uma pseudo luta contra a corrupção é negar os princípios da imparcialidade, da independência e do rigor. E isso é também uma forma de corrupção. Quando o jornalismo pretende substituir-se à justiça, armando-se em justiceiro, perde o jornalismo e perde a justiça. Em última análise, perdem os cidadãos e perde a democracia. Porque, se é possível enganar alguns durante algum tempo, não é possível enganar todos durante todo o tempo.» Estrela Serrano
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