RECONSTRUIR PORTUGAL COM BASES SÓLIDAS
«Eu não vou, estarei a trabalhar, aliás como o fiz no 5 de Outubro. E ainda por cima estudo, só tive 3 semanas de férias em casa, que passei em parte a estudar. É que também sou estudante. Amanhã vou fazer uma viagem de quase sete horas para ir trabalhar na segunda de manhã, logo fresquinho. A minha profissão, por vezes, leva-me a estas jornadas. Parece mau, mas não é, sou um dos sortudos desta geração. Fruto do meu esforço pessoal, hoje sou um produto mais valioso e competente que soube agarrar as oportunidades que lhe deram. Aliás o meu contrato acaba em dias e vai ser renovado. Acho que aprendi com o meu pai. Funcionário público, pouco mais ganha que o salário mínimo. Muitas vezes fez horas extras até às 21h, em muitos sábados (quando havia trabalho) ia trabalhar, nem que fosse por conta própria. O resto do tempo, enquanto não escurece, passa-o a cultivar o seu campo e a tratar dos seus animais. À noite têm o seu descanso, janta, vai beber o seu café e volta a casa para ver os seus filmes e séries na tv. Amo-o profundamente. Posto isto os sacrifícios são imensos (especialmente para a classe média endividada), se não forem feitas reformas estruturais, se os vários processos de clientela existente não forem atacados, estas medidas servirão de pouco. Estaremos cá para analisar e ver o que sai deste Governo. Há sinais negativos nesse ponto, mas a paciência ainda não atingiu o limite. Quanto a mim, para o ano, o ano de todas as crises, fruto da minha poupança vou fazer uma grande viajem para comprovar a mim mesmo que os sacrifícios que fiz valeram a pena. Gastar sempre menos do que se tem, foi algo que aprendi de pequeno. Gastei muito menos do que tinha. E se não fizer a viajem do meu sonho, agora, corro sempre o risco de que aquilo que penso ter desapareça :D Em Moçambique quando acontece um cataclismo e as casas esvaem-se, os locais voltam a reconstruir. O mais importante é isso, reconstruir Portugal com base mais sólidas. Esperemos que o governo tenha essa preocupação e não se fique pelo "normalização" do deficit.» Miguel
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