terça-feira, outubro 29, 2013

CAIXA DE FLOPS

FLOP BES: Se quiséssemos conceber um esquema em triângulo do Poder Efectivo do Regime Português, socialista na cúpula e na base funcionarista pública, haja ou não haja dinheiro porque o Estado é um Poço sem fundo, um dos vértices seria Dr. Ricardo Salgado, do BES, os outros um compósito de arestas entre a bina Soares-Internacional Socialista e a todo-poderosa Maçonaria. Quando o Dr. Ricardo Salgado fala, os Governos escutam e talvez tremam. Quando o Desalentado Povo, puxado por cordas em manifs flop-BE, fala, os Governos cagam e andam. É assim. Tende a ser assim, na Grã Bretanha, na França, em Espanha, em Itália, e no resto do mundo, embora o resto do mundo com o qual nos devamos comparar, por exemplo o próspero, patriótico e organizado Israel, tenha menos razões de queixa dos seus triângulos de poder. Nada, pois, mais eloquente que o dono-mor do Dinheiro em Portugal, Salgado. Não consigo, aliás, imaginar um Primeiro-Ministro em Portugal que rompa com esta normalidade mundanal e a afronte. Nenhum o fez. Nenhum o fará. Naquele triângulo, portanto, de geometria mundana, não há ângulos rectos nem ângulos agudos, nem catetos, nem hipotenusas, não há cálculo algébrico concebível, mas é possível calcular a trigonometria do poder nesses donos do Regime e apascentadores das moles amolecidas do País: para eles é sempre a somar. Para nós, a subtracção é uma fatalidade, a não ser no passado e antes de eleições, onde se dava aumentos e baixas manhosas do IVA. Ora, na última conferência de imprensa, o Papa Salgado, anunciou que o seu BES fechou as contas de Setembro com um prejuízo de 381 milhões de euros. Porquê? Culpa de quem? Do programa da Troyka que, como se sabe, começa e acaba no sistema bancário e o peneira e escrutina a doer. Também chorou os impostos previstos para a Banca no OE 2014. Também estarreceu sob a eventualidade de um segundo resgate, se o Tribunal Constitucional chumbar politicamente a aritmética da nossa salvação. Também anunciou que a Grécia estava a melhorar e já não era Portugal o qual não se sabe se será ou não a Irlanda. Enfim, também alertou para o grande lerpar nacional, caso o TC evite as pressões públicas do Governo para se submeter passento às pressões secretas da Horda Hipócrita e Conspirativa dos Soares. Também teceu sentenças e serenidades quanto ao eterno e terno o futuro das relações com o hiperssensível Regime Angolano, para onde viaja amiúde. Enfim, o Papa PPP falou. Ter falado é lei. É bom que os seus servos o escutem. ~

FLOP POVO: No Sábado passado era para haver manifs massivas, mas tudo não passou de um fracasso retumbante. Não porque não abundem razões para gritar, protestar, insultar, cuspir para o ar, mas simplesmente porque o nosso profundo desalento tem razões que o BE e o PC desconhecem. Para minha surpresa, e com todos os seus defeitos e insuficiências, quem cortou a direito e nos diagnosticou, diagnosticando os habituais proprietários do Povo, foi o cardeal José Policarpo, ao asseverar que Portugal só tem dinheiro para mês e meio em caso de incumprimento das metas estabelecidas no pedido de resgate e ao acusar a oposição de não apresentar soluções. Portanto, o direito à indignação esbarra na óbvia cena maluca do não haver dinheiro: «Parece que ninguém sabe que Portugal está numa crise e dá a ideia que todos reagem como se o estado pudesse satisfazer as suas reivindicações. O governo não tem condições para satisfazer as reivindicações dos sindicatos e partidos da oposição. Não encontrei ninguém das oposições – todas elas – que apresentasse soluções. E se falhasse este mecanismo da economia liberal, apoio financeiro no âmbito do pedido de resgate, Portugal só teria dinheiro para mês e meio. Não haveria dinheiro para pagar salários e pensões.» Nem sempre gostei da contemporização do cardeal José Policarpo com o grande triângulo subliminar dos Donos do Regime em Portugal, mas basicamente é o que nos vem recordar que nos remete ao sofá e à certeza do sossego doméstico. «Se todos pusessem em primeiro lugar o bem comum e fizessem qualquer coisa que ajudasse a resolver o problema, estou convencido de que isto nos custava metade do preço e do sofrimento. Estamos todos a pagar os erros cometidos com a especulação financeira em prejuízo das economias ocidentais.» Pois! Há de um lado os nossos problemas e a nossa economia, e, do outro, esse oceano espesso de paleio conspirativo dos soares, dos sócrates e das oposições sem projecto nem soluções dignas de crédito. Um forceja por resistir e progredir. O outro desenha o fim do mundo e a separação dele entre os Bons e os Maus, os Liberais e os Fraternais. Infelizmente, os Salgados é que mandam. Os Governos obedecem-lhes e aos outros salgados euro-mundiais. Infelizmente, não há dinheiro. Mas pode haver fantasia. Força, detractores. Fantasiem.

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