segunda-feira, outubro 21, 2013

JEROEN, ORDINÁRIO NEUTRALIZADOR DE MANIFS

Não me doem as opiniões francas e directas de ninguém. Abraço com extremo interesse e paciência os que se me opõem, permaneçam calmos ou não a opor-se-me. Acho divertido escandalizar o Credo da CGTP e estimulante rasgar o Decálogo do PCP, da mesma forma que me fascina a crítica sistemática que se pode fazer com extrema facilidade ao Socialismo Português, o Chupcialismo, à sua retórica de impostura e temor da impopularidade, e sobretudo à fase totalitária recente do Socratismo, cuja abordagem e chamada à colação com esta fase Passista, não sei porquê, desagrada profundamente aos que se ancoram no presente político como o único monólito conveniente como se não houvesse o antecedente político e o grande pedregulho das respectivas responsabilidades. Mesmo que a maioria das pessoas que me lê se escandalize com as opiniões expendidas por mim e as apode de indefensáveis, é conveniente que eu não pare de expendê-las nem de ousar o indefensável, não pare por nenhuma forma e sob nenhum tipo de chantagem, já que esta energia de escrever e esta urgência de dizer me assaltam pelo menos quatro vezes por dia, bem domadas e disciplinadas, para não serem dez ou vinte ou trinta. As opiniões que antagonizam as minhas opiniões não mordem. Não têm bicho. Nunca perceberei por que causam desmaios, vómitos e dores de dentes um simples post e uma singela opinião com quatro ou cinco mil palavras. Tendo defendido, não a muralha esburacada da Situação no Poder, mas o pragmatismo a que estamos obrigados pelos directórios europeus, imposições frias, objectivas, apostados em robustecer e sanear o núcleo a partir do qual tudo o mais pode funcionar: o sistema bancário e o controlo orçamental dos Estados. Estalinisticamente, sem dúvida. Mas é a Europa que temos e a única que, antes de mudar de linha por vontade hercúlea de Seguro ou pelo espingardar heróico de Arménio, dita de facto as linhas gerais da política económica dos países para debelar esta crise. Não há justiça social nesta estratégia nem tem de haver. Há o paradoxo de o saneamento da Banca e dos Estados se fazer às nossas custas multiformemente, para que, graças a ele, a economia e as nossas vidas voltem aos eixos com infinitamente maior robustez, base sólida a partir da qual tudo o mais será possível. E o que é que sistemicamente nos diz a Europa? Diz-nos, por Jeroen Dijsselbloem, por exemplo, que o nosso País, nos últimos três anos, obteve resultados notáveis no âmbito do controlo orçamental, embora a batalha dos países intervencionados pela competitividade se mantenha e muito esteja por fazer. E a velha conversa repete-se: pedem-se mais reformas estruturais. Ele di-lo e dentro em breve corre o risco de isso não querer dizer nada ou estar desactualizado por termos feito tudo. A competitividade, basicamente, é o grande graal da Comissão e do BCE e resume-se nisto: proceder ao que for necessário para nunca mais fazer depender a nossa recuperação económica do facto de alemães, holandeses e demais europeus ricos nos subsidiarem a factura social ou qualquer outra factura, fornecendo-nos carregamentos de dinheiro anuais com que suportemos os nossos próprios ónus sociais ou outros. É cruel. Evidentemente que não foi nesta Europa Indiferente e Insolidária, Desigual e Insensível, que apostamos e em que vivemos todos estes anos. Era, pelo contrário, um Europa Mãos-Largas e até Laxista. A vida era bela para os Gregos. Pode essa Europa andar a pisar o risco, desconhecendo realidades muito distintas, mas decididamente não será o rotineirismo sindical, a linguagem ordinária para que resvala mesmo Carlos Silva, talvez depois de ler o desbocado ex-primeiro-ministro, nem será a gastar e a desgastar a paciência de quem vai todos os dias tentar sobreviver na cidade que qualquer daqueles pressupostos europeus mudará, embora gritar faça falta. Há transformações e imposições que um olhar norte-europeu decreta para o Sul e a sua idiossincrasia e o pior é que a nossa jangada de pedra não se secciona do Continente para rumar a paragens menos exigentes e mais offshore, em África ou América, a fim de continuarmos a viver placidamente à nossa maneira, como até aqui. É simplesmente por isto, por causa desta pressão continuada para uma rápida revolução crescimentista e reformista estado a estado, que um segundo resgate deve ser evitado a todo o transe em Portugal. Temos de ganhar tempo e fazer o que devemos no pouco tempo que temos. Só num País pervertido por uma maligna autofagia política é que não é possível concitar vontades lúcidas numa só direcção salvífica, para além das dinâmicas calculistas dos partidos. Tenho-me especializado em observar e criticar sistematicamente o Partido Chupcialista e a sua Ala Sôfrega, Mentirosa e Cretina Socratesiana. É uma necessidade fisiológica, tendo em conta a contaminação da linguagem e dos tiques pseudo-extremo-esquerdistas de que se enforma: além do facciosismo extremo e do imputar de todas as culpas a outrem, quando na Oposição, os ChupSocratesianos são incapazes de um foco no interesse nacional. Estão, aliás, apostados no pior resultado possível dos incumbentes e isto é simplesmente insano. Talvez tenha sido devido a lógicas internas semelhantes, pouco unificadas e pouco dadas a contemporizar com o inevitável, que Atenas pode estar nas vascas de um terceiro resgate. Simplesmente, essa cacofonia, esse trabalho paciente pelo ódio a quem decide marca países decadentes que nunca, em cem anos, se encontraram verdadeiramente a si mesmos para se encherem de brios e respeitarem as exigências de cada tempo. Não é preciso vir Dijsselbloem recordar-nos que o grande risco na Europa não é propriamente económico ou financeiro, mas é político: além do envelhecimento e da obsolescência que faz perigar o Estado Social nos diversos países europeus, a agitação histérica das ruas, mais violenta em Madrid, Atenas, Paris ou Roma, não augura nada de bom porque ninguém investe em Países com instabilidade política, ninguém investe no Portugal que Soares e os Socratesianos querem colocar a ferro e fogo, eventualmente com um assassinato política de grande impacto nas psiques da União. O trânsito rumo à decrepitude não perdoa: de europeístas convictos a demagogos e sedicionistas reles. Acontece que a nossa batalha é pela Moeda Única: dependente de equilíbrios variáveis e lógicas diversificadas consoante os Países, o Euro vive da estabilidade política em toda a Europa e esta é a base de tudo o resto. Se a união bancária for avante dentro dos prazos previstos, nunca mais o risco soberano e o da banca na Europa serão misturados com as consequências nefastas e dolorosas que temos suportado. Lamentavelmente, a Esquerda e os Sequazes Rançosos do desbocado ao Expresso confundem totalitarismo com disciplina. Não é possível conceber na Europa um sistema político que venha a matar o pluralismo ideológico, religioso, as diversidade de escolhas políticas ou o activismo social, mas é sempre preciso um equilíbrio, não vá o protesto descabelado repelir a economia e o investimento, arruinando as parcas hipóteses e as primícias da esperança. Portugal não vai a caminho senão de uma disciplina nova na gestão do Estado. A essa disciplina, pela qual nos obrigamos, pelos tratados e pelo vínculo a um défice zero, não se pode chamar totalitarismo, mas rigor, previsibilidade, critério e seriedade. Só muito transitoriamente se pode conceber que um Estado sequestre e esmifre os cidadãos; só por razões de extrema necessidade, razões a que nenhum Governo, seja qual for a matriz, escaparia: Portugal tem saída. Portugal tem um rumo. O nosso rumo e a nossa alternativa consistem em fazer de 2014 o melhor ano de trabalho e de cumprimento possível de um défice, cuja meta nos foi imposta. Se não fosse com Passos e a Troika, seria com Seguro e a Troyka ou com Costa e a Troyka. E no entanto, cumprir um défice, constringir dez milhões de cidadãos à exigência de sacrifícios para cumpri-lo seria sempre um facto. Pagar é pagar. Manifestar boa vontade em cumprir é já parte substancial da mensagem e de uma suavização ulterior. Só por escárnio e utopia pode olhar-se a Constituição, em tempos de guerra, como Bíblia rígida não passível de um ajustamento criativo à realidade e aos riscos que todos corremos: sim, todos juraram defender e fazer cumprir a Constituição, mas cumprir a Constituição não pode significar que todos pereçamos, afundando no descrédito internacional pela segunda vez em três anos. Medidas de excepção fazem sentido em tempos de excepção. Não se pode viver num País no qual o bem da Nação se confunde com o bem do Largo do Rato e o que o Largo do Rato bem entende compaginar-se com os seus designios de Poder Exclusivista em Portugal. Não se pode viver num País no qual o nada contra a Nação seja o Nada contra a Nação somente quando os Chupcialistas são Governo e uma chuva de cobras e lagartos e desgraças e fracassos se imputam aos outros e só saem das mãos dos outros. Há, sim, um totalitarismo inerente à deriva por controlo mediático, aparelhístico, línguas de lixo e de crítica que papagueiam quotidianamente o fim do mundo e a falência histórica de Portugal, sem apelo nem agravo. Eles, que faliram com o País, não foram trapalhões nem obtusos. Os outros, sim. Eles que, no tropel obreirista, inauguraram mil e uma estradas quando a parede já se avistava e tropeçaram nos seus próprios pés optimistas e no grande verbo lustroso de encher, eles não falharam. Os outros, sim. Eles, que se desdisseram com a realidade, que fizeram trinta por uma linha até que o default bateu à porta, eles são imaculados. Ora, um dia esta dicotomia ranhosa será superada. Um dia, milhares de portugueses que não se enfronham na politiquice e trabalham arduamente, fora e dentro do País, verão finalmente um Portugal muito mais previsível e menos capturado pelos interesses. Só precisamos de nos organizar.

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