terça-feira, outubro 22, 2013

DOIS SILÊNCIOS ESTRIDENTES

Depois de José Maria Ricciardi ter feito uma pirueta pouco comum em banqueiros ao sugerir um período de carência para o pagamento dos juros relacionados com as famigeradas PPP rodoviárias por um ou dois anos, a qual daria ao Tesouro a possibilidade de diluir no tempo os 1166 milhões de euros nas parcerias com os transportes, não me recordo, até ao momento de ter ouvido uma reacção governamental, embora, diga-se, esta ricciardice tenha chegado manhosamente depois de entregue formalmente o Orçamento para 2014: por um lado fica bem na fotografia, por outro, chega tarde de mais para contrapor uma bóia a pensionistas e funcionários públicos às medidas estruturais troykistas. Desígnios. 

Outro assunto correlato diz respeito à escassa promoção de um produto público com incidência positiva directa na dívida pública e no bolso de quem o subscreva: desde Setembro de 2012, quando entraram em vigor as novas taxas de remuneração, os resgates de Certificados de Aforro cairam para um terço e as novas subscrições dispararam, totalizando 1228 milhões. Isto porque as alterações introduzidas garantiram aos Certificados de Aforro uma rentabilidade superior à dos normais depósitos bancários, sendo que tal melhoria consiste na atribuição de um prémio provisório de 1% na Série B, o que atira a taxa bruta acima dos 3%, e um prémio de 2,75% na Série C, iniciada em 2008, independentemente do prazo de subscrição, o que atira a taxa também para cima dos 3%. 

Dir-se-ia que levantar a guilhotina orçamental às pessoas poderia passar por acolher ideias excelentes de banqueiros, os mesmos banqueiros que, num passado demasiado recente, se mostraram capazes de tudo, do tal conluio anti-contribuintes e anti-Estado Português perpetrado por Banca-Política, de que fala habitualmente José Gomes Ferreira ao denunciar o mau negócio das PPP. Mas levantar a guilhotina orçamental às pessoas passaria também, sem qualquer sombra de dúvida, por fortes estímulos à poupança provenientes de produtos do Tesouro que funcionem como intensos captadores de recursos directos dos cidadãos dada a alta rendibilidade que oferecem. 

Poucos povos serão mais sensíveis ao dinheiro quanto Judeus e Portugueses: com estas vantagens, os Certificados de Aforro seão a galinha dos ovos de ouro dos que acreditam na poupança e no investimento e a áurea galinha também do Tesouro, na aflitiva batalha pelo máximo de liquidez. 

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