segunda-feira, outubro 14, 2013

RÉPTEIS DA DÍVIDA DIZEM QUE HÁ DINHEIRO

Por um lado, dá vontade de acender uma bombinha de carnaval e enfiá-la no cu dos pessimistas de serviço, por outro, os verdadeiros sofredores com esta puta de crise precisam dos pessimistas de serviço como cão de guarda em vinha vindimada e a vindimada. São úteis porque entretêm e alertam. Calma, portugueses. Nada de desesperos e coisas drásticas. Estamos a empobrecer há um par de anos, mas pode ser pior. E ainda vamos a tempo de piorar se quisermos. O objectivo do Governo Inteligente que um dia ainda teremos será ir no sentido inverso da alarvidade pateta de António José Seguro e do fanatismo cumpridorista dos Troykanos: primeiro, garantir um País próspero com a sua dívida pública sob controlo, absolutamente dominada, custe o que custar, doa a quem doer. Sim, falhar às pessoas é imoral, mas essa falha é um dominó tombante de geração em geração, de Governo Rapace em Governo Mais Troykista que a Troyka. Depois, cumprir a tal pequena Alemanha gizada para nós por Merkel com a qual Pulido Valente ironizava ontem, na sua croniqueta catrineta no Público. Não mediante o empobrecimento definitivo dos portugueses, mas através do empobrecimento drástico e provisório dos portugueses. É cruel, mas temos escapes: deixar de comer, deixar de gastar, emigrar como ratos nas naus do Oriente. É completamente desmiolado afirmar-se que há futuro para um Estado que não tem mão na sua dívida e nada faz para a domar. Parar com a austeridade por cima do cadáver da Troyka é impossível e mudar de rumo agora é como aplaudir os Governo Socialistas Rapaces do passado: «Parabéns, rapazes, pela vossa tempestade perfeita! E se a enfiassem pelas narinas?!». Não se pode assegurar às pessoas que há dinheiro, isto é, que o Estado Português é financiável segundo condições normais e sustentáveis, sem sinais notórios e evidentes de boa-vontade na tal despesa pública. Não é. O Estado não consegue financiar-se de modo barato e sustentável, na actual situação europeia e na incerteza da lei orçamental aprovada, e, se há dinheiro, muito dele está nos bolsos cleptocratas que nos garantem já deveria ter o Povo linchado alguém e cilindrado o pessoal inepto da Governação. Acredito piamente que a dívida suspende a democracia de factu, pois a democracia constrói-se segundo equilíbrios os mais robustos possíveis, prosperidade e coesão social, justiça remuneratória, os quais são rasgados logo um Governo arrasta com dez milhões de cidadãos para o vexame internacional e a indigência corrupta de um default. Um Estado em estado de calamidade pela dívida pública e com défice excessivo castra o investimento, castra a confiança, relativiza de factu a Constituição, obsolesce o protesto, suspende o contrato social para o qual não estão reunidos recursos, mormente devido a juros e stock acumulado de dívida. Não há dinheiro, dizia Gaspar. Sucede-lhe Passos na mesma frase feita para nos lixar. Há dinheiro, diz Seguro. O dinheiro aparece sempre, rouqueja Soares. Eu também adoro a sofisticação socialista das escolas de topo sem professores, dos hospitais de luxo sem enfermeiros, das estradas abundantes sem carros, dos transportes sem utentes, dos serviços públicos sem qualidade. Foi bom e eterno, enquanto durou! Seguro é o primeiro a reconhecer que fazer escolas, hospitais, abrir estradas, multiplicar transportes, garantir serviços públicos e empurrar o custo dessa cordilheira de investimentos para depois da legislatura onde são decididos, realizados, e os governantes decisores e obristas entretanto substituídos em eleições, era muito fácil. Houve dinheiro para tudo? Fez-se tudo. Mas esta merda das facturas ao retardador é uma coisa fodida, Deus nos acuda que há quem insista em não ver isto: elas caem sobre o nosso prato minimalista e sem carne, mais dia menos dia, mais ano menos ano. Temos de apertar os colhões ao Governo bicéfalo Passos-Portas no sentido de nos mostrarem toda a energia da equanimidade desse não há dinheiro. Não há dinheiro para mais assessores, não há dinheiro do Orçamento para os mega-escritórios de hyper-advogados da capital pela parecerística de encher pneus e levar milhões, não há dinheiro para poupar a EDP a taxas ou os grandes fugitivos do IRC à devida e atempada cobrança. Este é que é o problema. Se não há dinheiro para mais e melhor ensino especial, não pode haver dinheiro para atafulhar o cu de mais um imberbe assessor a ganhar experiência à beirinha do Vice-PM ou do PM.

Sem comentários: